{"id":689,"date":"2021-07-31T12:23:14","date_gmt":"2021-07-31T15:23:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=689"},"modified":"2021-08-02T12:44:38","modified_gmt":"2021-08-02T15:44:38","slug":"cardim-de-carvalho-e-o-conceito-de-economia-monetaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2021\/07\/31\/cardim-de-carvalho-e-o-conceito-de-economia-monetaria\/","title":{"rendered":"Cardim de Carvalho e o conceito de economia monet\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Por V\u00edtor Lopes de Souza Alves.<\/p>\n<p>O economista brasileiro Fernando Cardim de Carvalho foi um dos maiores expoentes da escola p\u00f3s-keynesiana a n\u00edvel mundial e um dos grandes divulgadores do pensamento de Keynes no Brasil. No cap\u00edtulo 3 de seu livro <em>Mr. Keynes and the post keynesians<\/em> (Carvalho, 1992) \u2013 em portugu\u00eas, em tradu\u00e7\u00e3o de Bresser-Pereira: <em>Keynes e os p\u00f3s-keynesianos<\/em> (Carvalho, 2020) \u2013, o autor apresenta a ideia de uma \u201ceconomia monet\u00e1ria\u201d, afirmando ser ela o conceito unificador que organiza o paradigma p\u00f3s-keynesiano e a concep\u00e7\u00e3o a partir da qual Keynes elaborou a sua <em>Teoria geral<\/em>.<\/p>\n<p>De acordo com Cardim de Carvalho, a ideia de uma economia monet\u00e1ria, pr\u00f3pria da teoria keynesiana, contrap\u00f5e-se \u00e0 ideia de uma economia cooperativa, pr\u00f3pria da teoria cl\u00e1ssica. O quadro abaixo apresenta as principais no\u00e7\u00f5es subjacentes a cada um desses conceitos.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Economia cooperativa<br \/><\/strong>ou<br \/><strong>Economia de escambo<br \/><\/strong>ou<br \/><strong>Economia de sal\u00e1rio real<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Economia monet\u00e1ria (de produ\u00e7\u00e3o)<br \/><\/strong>ou<br \/><strong>Economia empresarial<br \/><\/strong>ou<br \/><strong>Economia de sal\u00e1rio monet\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>Teoria cl\u00e1ssica.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>Teoria keynesiana.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>A moeda \u00e9 n\u00e3o neutra no curto prazo, mas \u00e9 neutra no longo prazo.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>A moeda \u00e9 n\u00e3o neutra no curto prazo e no longo prazo.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>A teoria quantitativa da moeda (TQM) vale no sentido causal de que a quantidade de moeda (M) determina o n\u00edvel de pre\u00e7os (P).<\/p>\n<p>M.V = P.Q<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>A TQM \u00e9 uma identidade cont\u00e1bil, um mero tru\u00edsmo.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>A moeda \u00e9 apenas um meio de circula\u00e7\u00e3o de mercadorias, um meio conveniente de realiza\u00e7\u00e3o de trocas, um instrumento transit\u00f3rio. Apenas no curto prazo ela \u00e9 confundida com riqueza real; no longo prazo, \u00e9 apenas um meio para atingir um fim, e n\u00e3o um fim em si mesmo.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>A moeda \u00e9 um ativo alternativo aos demais, um meio de conserva\u00e7\u00e3o de poder de compra, uma forma dur\u00e1vel de riqueza. Ela pode ser retida sem estar associada a um plano definitivo de gasto, representa um papel pr\u00f3prio, afeta motiva\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es e \u00e9 um dos fatores decisivos da conjuntura. As economias organizam-se por meio da exist\u00eancia de contratos denominados em moeda, e a moeda \u00e9 l\u00edquida porque \u00e9 o objeto que liquida as obriga\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>Os fatores de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o remunerados diretamente com bens (em esp\u00e9cie) ou com algum meio de pagamento. No \u00faltimo caso, h\u00e1 algum mecanismo que assegure que o valor de troca de suas rendas monet\u00e1rias seja igual \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o proporcional na produ\u00e7\u00e3o corrente. Toda renda gerada no processo de produ\u00e7\u00e3o retorna ao mercado como demanda pelos bens produzidos.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>Os empres\u00e1rios contratam os fatores em troca de moeda, mas sem que haja um mecanismo como esse.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>Existem desequil\u00edbrios locais e setoriais entre oferta e demanda, mas n\u00e3o existem desequil\u00edbrios no agregado. Os desequil\u00edbrios s\u00e3o eliminados pela opera\u00e7\u00e3o do sistema de pre\u00e7os, havendo um processo gravitacional dos pre\u00e7os de mercado em torno dos pre\u00e7os naturais.<\/p>\n<p>Of. &gt; Dem. \u00e0 Pm &lt; Pn<br \/>Of. &lt; Dem. \u00e0 Pm &gt; Pn<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>H\u00e1 desequil\u00edbrios no agregado.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>N\u00e3o h\u00e1 efeito multiplicador.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>H\u00e1 efeito multiplicador.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>Paradigma da feira de aldeia (Minsky).<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>Paradigma de Wall Street (Minsky).<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Agentes econ\u00f4micos<\/u>: consumidores-produtores independentes que se deparam com uma escassez de bens e negociam os excedentes da produ\u00e7\u00e3o acima de suas necessidades.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Agentes econ\u00f4micos<\/u>: firmas, fam\u00edlias, bancos, estado e agentes estrangeiros, n\u00e3o redut\u00edveis uns aos outros. As firmas organizam a produ\u00e7\u00e3o; as fam\u00edlias fornecem servi\u00e7os de fatores e consomem bens; e os bancos criam moeda.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Objetivo da produ\u00e7\u00e3o<\/u>: aumentar a disponibilidade de bens para satisfazer as demandas insaci\u00e1veis (metas fixadas em termos reais).<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Objetivo da produ\u00e7\u00e3o<\/u>: obten\u00e7\u00e3o de lucros monet\u00e1rios pelas firmas (metas fixadas em termos monet\u00e1rios).<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>M\u00e9todo axiom\u00e1tico. Axiomas s\u00e3o pontos de partida irredut\u00edveis a outros princ\u00edpios, considerados como conhecimento emp\u00edrico seguro e independentes uns dos outros (abordagem atomista).<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>Rejei\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo axiom\u00e1tico. O todo \u00e9 uma unidade org\u00e2nica, n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 soma de partes independentes. A moeda \u00e9 um conceito institucional e, portanto, org\u00e2nico.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Conceito de atividade econ\u00f4mica<\/u>: walrasiano, \u00eanfase sobre as trocas.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Conceito de atividade econ\u00f4mica<\/u>: marshalliano, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a atividade econ\u00f4mica essencial.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Mercados<\/u>: s\u00e3o uma ilus\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam qualquer realidade e sua opera\u00e7\u00e3o \u00e9 menos vis\u00edvel quanto mais perfeitos forem.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p><u>Mercados<\/u>: s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es, conjuntos de pr\u00e1ticas, regras e procedimentos.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Para o economista estadunidense Paul Davidson, os fundamentos da economia p\u00f3s-keynesiana est\u00e3o na recusa de tr\u00eas axiomas neocl\u00e1ssicos \u2013 i) da substitui\u00e7\u00e3o bruta, ii) dos reais e iii) da ergodicidade \u2013 e em sua substitui\u00e7\u00e3o por tr\u00eas princ\u00edpios alternativos \u2013 i) a n\u00e3o neutralidade da moeda, ii) a irreversibilidade do tempo e a n\u00e3o ergodicidade e iii) a cria\u00e7\u00e3o de meios para lidar com a incerteza, como os contratos monet\u00e1rios a termo.<\/p>\n<p>Por sua vez, Cardim de Carvalho apresenta seis princ\u00edpios fundamentais da opera\u00e7\u00e3o de uma economia monet\u00e1ria:<\/p>\n<p>1) <strong>Princ\u00edpio da produ\u00e7\u00e3o<\/strong>. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelas firmas com o objetivo de obter lucros monet\u00e1rios (conforme Marx: D-M-D\u2019) e n\u00e3o para gerar utilidade para seus donos (M-D-M). A firma existe para acumular riqueza sob a forma de moeda (riqueza de modo geral, poder aquisitivo em sua forma universal) e tem a moeda como meta, como fim e n\u00e3o como meio. Portanto, a atividade e as metas e objetivos das firmas n\u00e3o s\u00e3o iguais aos das fam\u00edlias. O sal\u00e1rio monet\u00e1rio \u00e9 um \u00edndice do poder aquisitivo da moeda, o pre\u00e7o mais estrat\u00e9gico para as decis\u00f5es das firmas, uma medida do controle sobre a riqueza real ou do poder de gerar riqueza real representado por um montante de moeda.<\/p>\n<p>2) <strong>Princ\u00edpio da estrat\u00e9gia dominante<\/strong>. Existe uma hierarquia de poderes entre os agentes para determinar a din\u00e2mica da economia, um dom\u00ednio das firmas (capitalistas) sobre as fam\u00edlias (trabalhadores). Os montantes de emprego e poupan\u00e7a s\u00e3o determinados pelas decis\u00f5es das empresas de produzir e investir, e os trabalhadores e poupadores adaptam-se a essas decis\u00f5es. A distribui\u00e7\u00e3o dos recursos produtivos \u00e9 desigual entre os agentes, o capital (meios de produ\u00e7\u00e3o) \u00e9 escasso frente ao trabalho (capacidade de trabalhar). A riqueza material e financeira \u00e9 armazen\u00e1vel, ao contr\u00e1rio da for\u00e7a de trabalho. Para produzir, \u00e9 necess\u00e1rio dispor de recursos financeiros a fim de comprar os insumos para a produ\u00e7\u00e3o, e as firmas t\u00eam prefer\u00eancia sobre as fam\u00edlias no acesso a cr\u00e9dito, dada a natureza dos ativos que possuem (ativos que podem ser absorvidos pelos bancos em caso de inadimpl\u00eancia x capital humano e bens de consumo dur\u00e1veis altamente il\u00edquidos).<\/p>\n<p>3) <strong>Princ\u00edpio da temporalidade dos processos econ\u00f4micos<\/strong>. A produ\u00e7\u00e3o leva tempo. As firmas precisam decidir sobre quanto produzir com base em expectativas de demanda. No processo produtivo, os fatores s\u00e3o remunerados com moeda e n\u00e3o se comprometem a gastar essa moeda comprando bens espec\u00edficos em datas espec\u00edficas. Portanto, produzir \u00e9 uma atividade especulativa.<\/p>\n<p>4) <strong>Princ\u00edpio da n\u00e3o ergodicidade ou incerteza<\/strong>. As decis\u00f5es que os agentes precisam tomar s\u00e3o cercadas por incerteza fundamental (n\u00e3o probabil\u00edstica). O tempo \u00e9 irrevers\u00edvel, e os processos econ\u00f4micos s\u00e3o n\u00e3o estacion\u00e1rios, exibindo m\u00e9dias espaciais diferentes de m\u00e9dias temporais. O aprendizado por tentativa e erro \u00e9 imposs\u00edvel, e n\u00e3o se verifica uma tend\u00eancia gravitacional em dire\u00e7\u00e3o a um equil\u00edbrio de longo prazo.<\/p>\n<p>5) <strong>Princ\u00edpio da coordena\u00e7\u00e3o<\/strong>. A divis\u00e3o social do trabalho n\u00e3o se refere apenas aos produtos finais, os pr\u00f3prios processos produtivos s\u00e3o fragmentados em muitas unidades produtivas independentes. Em geral, n\u00e3o existem mecanismos de comando para estabelecer previamente a coordena\u00e7\u00e3o dos planos de produ\u00e7\u00e3o, em termos de quantidades e tempos. A coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 obtida <em>ex post facto<\/em> por meio do mercado, que revela quais decis\u00f5es estavam corretas e quais estavam erradas, com a imposi\u00e7\u00e3o de perdas aos produtores que tomaram as \u00faltimas. Sob condi\u00e7\u00f5es de incerteza, alguns mecanismos de coordena\u00e7\u00e3o pr\u00e9via s\u00e3o desenvolvidos, a fim de socializar as perdas e reduzir os riscos para cada agente individual. O contrato monet\u00e1rio a termo \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o mais importante nesse sentido. Ele reduz a incerteza estabelecendo fluxos de recursos reais e financeiros, seus prazos e seus termos, garantindo aos produtores a disponibilidade de insumos e a exist\u00eancia de canais de sa\u00edda para seus produtos, agindo como dispositivo de controle de custos e como base de c\u00e1lculo das recompensas relativas. No entanto, nem todos os fluxos de bens podem ser definidos em contratos monet\u00e1rios a termo, de modo que a incerteza n\u00e3o pode desaparecer completamente; por exemplo, os bens de consumo n\u00e3o s\u00e3o produzidos sob encomenda.<\/p>\n<p>6)\u00a0 <strong>Princ\u00edpio das propriedades da moeda<\/strong>. Para que os agentes aceitem os compromissos contratuais e um sistema complexo de contratos monet\u00e1rios a termo seja vi\u00e1vel, a moeda deve ter a propriedade da estabilidade, isto \u00e9, seu valor deve ser est\u00e1vel. Apenas assim a moeda pode existir como dispositivo redutor da incerteza. Portanto, a oferta de moeda n\u00e3o pode ser facilmente ampliada e sua demanda n\u00e3o pode ser satisfeita por substitutos, devendo a moeda possuir elasticidades nulas ou desprez\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o. Essas propriedades sustentam a liquidez da moeda, sua capacidade de liquida\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos e de constitui\u00e7\u00e3o de poder aquisitivo em forma geral.<\/p>\n<p>Segundo Cardim de Carvalho, um modelo de economia constru\u00eddo sobre esses seis princ\u00edpios apresenta os tr\u00eas resultados esperados por Keynes: i) a n\u00e3o neutralidade da moeda no longo prazo, ii) a exist\u00eancia de uma circula\u00e7\u00e3o financeira e iii) o princ\u00edpio da demanda efetiva. A realiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de Keynes foi a formula\u00e7\u00e3o do conceito de economia monet\u00e1ria, um novo paradigma que melhor representa o funcionamento do mundo real. A <em>Teoria geral<\/em> \u00e9 um desenvolvimento anal\u00edtico desse conceito, e suas proposi\u00e7\u00f5es centrais s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>A moeda n\u00e3o \u00e9 apenas um meio de circula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m um ativo, uma forma de conserva\u00e7\u00e3o de riqueza, cujo principal atributo \u00e9 a liquidez (capacidade de liquidar obriga\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00e3o de poder de compra em forma pura);<br \/><br \/><\/li>\n<li>A exist\u00eancia da demanda por moeda enquanto ativo (prefer\u00eancia pela liquidez) afeta a demanda e os pre\u00e7os dos outros tipos de ativos, formas alternativas de conserva\u00e7\u00e3o de riqueza, que apresentam atributos diferentes, em especial os ativos reprodut\u00edveis;<br \/><br \/><\/li>\n<li>Dado o estado de expectativas, os propriet\u00e1rios de riqueza demandam os estoques dispon\u00edveis de ativos (moeda e ativos reprodut\u00edveis) de uma forma espec\u00edfica, e os pre\u00e7os dos ativos se movem de modo a promover a compatibilidade entre oferta e demanda para cada ativo;<br \/><br \/><\/li>\n<li>A moeda afeta o ritmo de acumula\u00e7\u00e3o de capital da economia como um todo, sendo n\u00e3o neutra no longo prazo;<br \/><br \/><\/li>\n<li>O desemprego involunt\u00e1rio resulta da insufici\u00eancia de demanda efetiva;<br \/><br \/><\/li>\n<li>Esquematicamente, o princ\u00edpio da demanda efetiva pode ser apresentado como segue:<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u2191 incerteza \u21d2 \u2191 prefer\u00eancia pela liquidez \u21d2 \u2191 demanda por ativos n\u00e3o reprodut\u00edveis (moeda) \u21d2 \u2193 demanda por ativos reprodut\u00edveis \u21d2 \u2193 Pd \u21d2 Pd &lt; Po \u21d2 \u2193 I \u21d2 \u2193 C (via efeito multiplicador) \u21d2 \u2193 Y, \u2193 N \u21d2 desemprego involunt\u00e1rio<\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0Pd: pre\u00e7o de demanda ou pre\u00e7o corrente de mercado dos ativos reprodut\u00edveis<br \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0Po: pre\u00e7o de oferta ou custo de produ\u00e7\u00e3o dos ativos reprodut\u00edveis<br \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0I: investimento agregado<br \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0C: consumo agregado<br \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0Y: n\u00edvel de produto ou de renda<br \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0N: n\u00edvel de emprego<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>CARVALHO, F. J. C. <em>Mr. Keynes and the post keynesians: principles of macroeconomics for a monetary production economy<\/em>. Aldershot: Edward Elgar, 1992.<br \/><br \/>CARVALHO, F. J. C. <em>Keynes e os p\u00f3s-keynesianos: princ\u00edpios de macroeconomia para uma economia monet\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Alta Cult, 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><\/div>","protected":false},"author":623,"featured_media":695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[315,166,317,316,170,164,165,169],"class_list":["post-689","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-cardim-de-carvalho","tag-demanda-efetiva","tag-economia-monetaria","tag-economia-pos-keynesiana","tag-incerteza","tag-keynes","tag-macroeconomia","tag-preferencia-pela-liquidez"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/07\/Cardim-de-Carvalho.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/623"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=689"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":697,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689\/revisions\/697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}