{"id":782,"date":"2021-12-30T06:05:56","date_gmt":"2021-12-30T09:05:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=782"},"modified":"2021-12-30T06:16:56","modified_gmt":"2021-12-30T09:16:56","slug":"a-inflacao-no-brasil-durante-a-segunda-metade-do-seculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2021\/12\/30\/a-inflacao-no-brasil-durante-a-segunda-metade-do-seculo-xx\/","title":{"rendered":"A infla\u00e7\u00e3o no Brasil durante a segunda metade do s\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por:<\/strong> Ulisses Rubio Urbano da Silva e Leonardo Dias Nunes<\/p>\n\n\n\n<p align=\"justify\"><i>O dinheiro s\u00f3 tem import\u00e2ncia pelo que proporciona. Assim, n\u00e3o tem consequ\u00eancias uma altera\u00e7\u00e3o da unidade monet\u00e1ria que seja uniforme em seu funcionamento, e que influa igualmente sobre todas as transa\u00e7\u00f5es. Se, por uma mudan\u00e7a do padr\u00e3o de valor estabelecido, uma pessoa passa a receber ou ter o dobro do que antes, em pagamento de todos os seus direitos e esfor\u00e7os, e se tamb\u00e9m passa a pagar o dobro por todas as suas aquisi\u00e7\u00f5es e satisfa\u00e7\u00f5es, ela em nada ser\u00e1 afetada. Segue-se, portanto, que uma mudan\u00e7a no valor da moeda, ou seja, no n\u00edvel de pre\u00e7os, s\u00f3 tem import\u00e2ncia para a sociedade na medida em que sua incid\u00eancia seja desigual.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right\" align=\"justify\">John Maynard Keynes &#8211; 1923.<\/p>\n\n\n\n<h2 align=\"justify\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p align=\"justify\">Ao escrever o artigo \u201c<i>Consequ\u00eancias sociais da desvaloriza\u00e7\u00e3o do valor da moeda na sociedade\u201d<\/i>, J. M. Keynes<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a> argumentou que a infla\u00e7\u00e3o era um fen\u00f4meno socialmente relevante na medida em que impactava as classes sociais de diferentes formas. O autor argumentava que, caso ocorresse um aumento dos pre\u00e7os na mesma dimens\u00e3o para todos os produtos da economia, se observaria apenas uma varia\u00e7\u00e3o nominal destes pre\u00e7os. Como n\u00e3o \u00e9 isso o que de fato ocorre, sempre que existe um processo inflacion\u00e1rio na economia, tamb\u00e9m ocorre a concentra\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<h2 align=\"justify\"><b>Infla\u00e7\u00e3o de demanda e de custos<\/b><\/h2>\n<p align=\"justify\">Em geral, os manuais de economia apresentam a exist\u00eancia de dois tipos de infla\u00e7\u00e3o: a de demanda e a de custos. A infla\u00e7\u00e3o de demanda pode ser definida como sendo um excesso de demanda agregada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel de bens e servi\u00e7os (este tipo de infla\u00e7\u00e3o recebeu aten\u00e7\u00e3o especial em um artigo anterior deste blog). J\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o de custos pode ser associada \u00e0 infla\u00e7\u00e3o de oferta. Neste tipo de infla\u00e7\u00e3o, o n\u00edvel de demanda tende a se manter igual, entretanto, com o aumento dos custos de certos insumos, h\u00e1 um repasse deles aos produtos finais e, consequentemente, aos consumidores. Exemplo disto ocorreu ao longo dos anos 1970, especialmente ao final desta d\u00e9cada e no in\u00edcio dos anos 1980, quando houve um expressivo aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e das taxas de juros.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m destes dois tipos de infla\u00e7\u00e3o, podem ser encontrados em manuais e tamb\u00e9m em refer\u00eancias especializadas a infla\u00e7\u00e3o estrutural e a inercial<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/p>\n<h2 align=\"justify\"><b>Infla\u00e7\u00e3o estrutural<\/b><\/h2>\n<p align=\"justify\">De acordo com Octavio Rodriguez<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a> , o enfoque estruturalista da infla\u00e7\u00e3o encontra-se em diversos trabalhos publicados entre 1950 e 1965 que tinham por objetivo construir uma ferramenta te\u00f3rica para a compreens\u00e3o do processo inflacion\u00e1rio que ocorria em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, tais como Argentina, Brasil e M\u00e9xico (o Gr\u00e1fico 1 mostra a infla\u00e7\u00e3o neste per\u00edodo para o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo). Argumentava-se que o tra\u00e7o comum dos processos inflacion\u00e1rios latinoamericanos era a exist\u00eancia de desequil\u00edbrios existentes na esfera produtiva do sistema econ\u00f4mico, especialmente nos gargalos que limitavam os setores externo e agr\u00edcola. Este enfoque foi denominado estruturalista, pois colocava em primeiro plano as caracter\u00edsticas da estrutura produtiva das economias da Am\u00e9rica Latina, diferentemente do enfoque monetarista, que focava nas caracter\u00edsticas da gest\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Posteriormente, o adjetivo estruturalista tamb\u00e9m ficou ligado \u00e0s an\u00e1lises de longo prazo realizadas pelos integrantes da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina &#8211; Cepal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"377\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-783\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_1.png 600w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_1-300x189.png 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Fonte: IPEADATA &#8211; \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Este \u00edndice foi escolhido por ter uma s\u00e9rie hist\u00f3rica mais longa e por apresentar tend\u00eancias muito pr\u00f3ximas ao IPCA, como \u00e9 mostrado no Gr\u00e1fico 4.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p align=\"justify\">No per\u00edodo hist\u00f3rico citado acima, ocorria um intenso processo de desenvolvimento capitalista no Brasil que se realizava atrav\u00e9s do processo de industrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Este desenvolvimento, como \u00e9 sabido, ocorria juntamente com um processo inflacion\u00e1rio. Para tentar controlar este problema, ap\u00f3s o Golpe de 1964, os gestores da pol\u00edtica econ\u00f4mica criaram a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria de ativos financeiros estrat\u00e9gicos para que fossem mantidas as condi\u00e7\u00f5es de investimento e de reprodu\u00e7\u00e3o do capital<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a>. \u00c0 \u00e9poca, este instrumento de pol\u00edtica econ\u00f4mica foi entendido como uma contribui\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 teoria econ\u00f4mica, pois criava condi\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia entre o crescimento econ\u00f4mico e uma infla\u00e7\u00e3o que se mantinha controlada. Entretanto, o uso generalizado deste instrumento fez com que aumentasse a quantidade de produtos e servi\u00e7os indexados \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Consequentemente, a economia brasileira ia se tornando indexada \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Sobre este tema, Jo\u00e3o Paulo dos Reis Velloso, ministro do planejamento do regime militar entre os anos 1969 e 1979, afirmava que<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<i>Um dos grandes problemas do Brasil a partir de ent\u00e3o foi a indexa\u00e7\u00e3o generalizada. Ou seja, aquela sementinha da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, que parecia inocente quando criada em 1964, passou a ter uso geral e chegamos a um alt\u00edssimo grau de indexa\u00e7\u00e3o, com forte impacto sobre a infla\u00e7\u00e3o\u201d <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a>.<\/i><\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com Lacerda (2018)<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a> [6], ao longo dos anos, a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria tornou-se \u201cum dos principais indexadores de contratos da economia brasileira, at\u00e9 a sua extin\u00e7\u00e3o pelo Plano Cruzado em fevereiro de 1986\u201d. Assim, quando se discute a infla\u00e7\u00e3o inercial, se discute tamb\u00e9m as consequ\u00eancias do uso generalizado deste indexador na economia nacional.&nbsp;<\/p>\n<h2 align=\"justify\"><b>Infla\u00e7\u00e3o Inercial<\/b><\/h2>\n<p align=\"justify\">Durante os anos 1980 o Brasil passou por um intenso processo de infla\u00e7\u00e3o, o qual seria superado a partir de meados dos anos 1990, com a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real (o Gr\u00e1fico 2 permite visualizar a magnitude da infla\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1980 quando comparada com os per\u00edodos anterior e posterior; o Gr\u00e1fico 3 apresenta a infla\u00e7\u00e3o apenas durante o per\u00edodo da infla\u00e7\u00e3o inercial).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-784\" width=\"601\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_2.png 571w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_2-300x178.png 300w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Fonte: IPEADATA &#8211; \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"601\" height=\"331\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-785\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_3.png 601w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_3-300x165.png 300w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Fonte: IPEADATA &#8211; \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p align=\"justify\">Durante este per\u00edodo, foram implantados diversos planos que pretendiam solucionar este problema. Neste contexto hist\u00f3rico surgiu um vigoroso debate sobre as causas da infla\u00e7\u00e3o brasileira e os poss\u00edveis caminhos para ban\u00ed-la. No bojo desse debate surgiu a prof\u00edcua teoria da infla\u00e7\u00e3o inercial<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>In\u00e9rcia <\/b>\u00e9 um conceito que vem da f\u00edsica e significa que um objeto tende a permanecer como est\u00e1, desde que n\u00e3o encontre for\u00e7as contr\u00e1rias. Isto \u00e9, se h\u00e1 um objeto parado, ele tende a ficar parado; mas, se o objeto estiver em movimento, ele tende a permanecer em movimento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, ao se referir ao processo inflacion\u00e1rio, a in\u00e9rcia significava que a infla\u00e7\u00e3o havia atingido um estado no qual tenderia a permanecer como estava simplesmente pelo fato de j\u00e1 existir. Desta forma, a infla\u00e7\u00e3o passada tenderia a se reproduzir no presente e no futuro, dado que os agentes econ\u00f4micos (Ind\u00fastria, agropecu\u00e1ria, bancos e trabalhadores) j\u00e1 estavam acostumados com a sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isto ocorria devido \u00e0 indexa\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os na economia. Isto \u00e9, o reajuste do pre\u00e7o de um bem ou servi\u00e7o segue algum \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o passada.&nbsp; Essas indexa\u00e7\u00f5es podem ser formais ou informais. No caso de indexa\u00e7\u00e3o formal, o pre\u00e7o de um bem ou servi\u00e7o \u00e9 reajustado por algum \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o formal. Por exemplo: o valor do aluguel de um im\u00f3vel \u00e9 reajustado seguindo o valor do IGPM. Se o IGPM dos \u00faltimos 12 meses antes do reajuste do aluguel tiver sido alto, o valor do aluguel sofrer\u00e1 um grande reajuste. Assim como o aluguel, h\u00e1 diversos outros pre\u00e7os que s\u00e3o indexados aos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, como o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica, o pre\u00e7o do ped\u00e1gio em rodovias, o pre\u00e7o dos planos de sa\u00fade e&nbsp; muitos outros. Genericamente, isto quer dizer que uma infla\u00e7\u00e3o maior no passado significa que os pre\u00e7os ter\u00e3o aumento maior no presente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ainda h\u00e1 o caso da indexa\u00e7\u00e3o informal. Isso ocorre quando, de maneira generalizada, os agentes econ\u00f4micos reivindicam aumento dos pre\u00e7os de suas mercadorias para recuperar sua renda real. O caso mais cl\u00e1ssico \u00e9 o do reajuste salarial. Isto acontece da seguinte maneira: imagine que o seu sal\u00e1rio acabou de ser reajustado e que neste momento voc\u00ea consegue comprar uma quantidade X de mercadorias. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3ximo reajuste salarial ser\u00e1 apenas no pr\u00f3ximo ano. Ao longo de um ano em que h\u00e1 infla\u00e7\u00e3o, voc\u00ea vai deixando de conseguir comprar as X mercadorias que conseguia comprar logo ap\u00f3s o reajuste salarial. Consequentemente, quando chegar a data do pr\u00f3ximo reajuste, voc\u00ea pode pensar que ser\u00e1 necess\u00e1rio reivindicar que o sal\u00e1rio seja reajustado pela infla\u00e7\u00e3o passada para conseguir chegar ao fim do pr\u00f3ximo ano comprando as mesmas coisas compradas imediatamente antes do reajuste salarial. \u00c9 desta forma que a infla\u00e7\u00e3o passada \u00e9 reproduzida no per\u00edodo atual. Isto ocorre porque v\u00e1rios vendedores de mercadorias t\u00eam o mesmo comportamento, e n\u00e3o somente os trabalhadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em s\u00edntese, o reajuste de pre\u00e7os no per\u00edodo presente seguindo a infla\u00e7\u00e3o passada faz com que aquela infla\u00e7\u00e3o seja reproduzida ao longo do tempo. Ent\u00e3o, mesmo que n\u00e3o exista nenhum fator de press\u00e3o por aumento de pre\u00e7os (demanda, custos ou estrutura produtiva), a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 devido ao comportamento defensivo dos agentes para manter seu poder de compra real m\u00e9dio.<\/p>\n<h2 align=\"justify\"><b>O Plano Real<\/b><\/h2>\n<p align=\"justify\">Foi com o Plano Real, institu\u00eddo em 1994, que o processo de in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria foi extinto no Brasil. No Gr\u00e1fico 3, acima, \u00e9 poss\u00edvel ver a taxa de infla\u00e7\u00e3o diminuindo abruptamente entre 1993 e 1995. O Gr\u00e1fico 4, abaixo, mostra os novos patamares inflacion\u00e1rios do pa\u00eds ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o do Plano Real. Verifica-se que a infla\u00e7\u00e3o raramente chega aos 10% ao ano ou mais).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-786\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_4.png 600w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/Inflacao_4-300x169.png 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Fonte: IPEADATA &#8211; \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo; \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p align=\"justify\">De acordo com Lacerda (2018) [6], na d\u00e9cada de 1990, a economia brasileira buscava se adequar \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na economia mundial, quais sejam, abertura ao exterior, fomento \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es, renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa e desregulamenta\u00e7\u00e3o do mercado financeiro. Mas, para melhor se integrar em uma economia mundial transformada, ainda era necess\u00e1rio lidar com a persistente exist\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Plano Real merece um artigo individual dada a relev\u00e2ncia das transforma\u00e7\u00f5es que realizou no Brasil. Mas, para os objetivos deste artigo, apenas cabe ser ressaltado que este plano buscava equilibrar as contas do governo, criar um padr\u00e3o est\u00e1vel de valor e emitir uma moeda nacional com poder aquisitivo est\u00e1vel. Al\u00e9m disso, diferentemente dos planos anteriores, no Plano Real n\u00e3o foi realizado o congelamento de pre\u00e7os. Na primeira fase do plano, no Programa de A\u00e7\u00e3o Imediata (PAI), de junho de 1993, buscava-se realizar uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar o equil\u00edbrio fiscal do governo, pois este era o diagn\u00f3stico da infla\u00e7\u00e3o existente \u00e0 \u00e9poca. Destaca-se que o setor financeiro obtinha ganhos com a infla\u00e7\u00e3o e sua queda repentina faria com que muitas institui\u00e7\u00f5es financeiras recorressem ao Banco Central para sobreviverem. Consequentemente, havia a necessidade de sanear os bancos p\u00fablicos e privados para que, com uma queda da infla\u00e7\u00e3o, fosse poss\u00edvel manter um sistema banc\u00e1rio est\u00e1vel.<\/p>\n<h2 align=\"justify\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/b><\/h2>\n<p align=\"justify\">Neste artigo foram apresentados os diferentes diagn\u00f3sticos da infla\u00e7\u00e3o e as diferentes caracter\u00edsticas do processo inflacion\u00e1rio brasileiro durante a segunda metade do s\u00e9culo XX. Observou-se que o desenvolvimento capitalista deste per\u00edodo ocorreu juntamente com um processo inflacion\u00e1rio. Entretanto, a infla\u00e7\u00e3o que hoje ocorre no Brasil n\u00e3o est\u00e1 relacionada com aquela que ocorria no s\u00e9culo passado. Por isso, em um pr\u00f3ximo artigo ser\u00e3o apresentadas as caracter\u00edsticas da infla\u00e7\u00e3o atual, fen\u00f4meno que voltou a preocupar a economia mundial e que tem como um de seus fatores causadores os desequil\u00edbrios econ\u00f4micos decorrentes da pandemia da Covid-19 na economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">KEYNES, J. M. Consequ\u00eancias das altera\u00e7\u00f5es no valor da moeda para a sociedade. In: SZMRECS\u00c1NYI, T. (Ed.). <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"><i>John Maynard Keynes: economia.<\/i><\/span><\/span><\/span> <span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">2a ed. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1984. p. 87\u2013105.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"> Exemplo de manual que aborda estes tipos de Infla\u00e7\u00e3o \u00e9 GREMAUD, Amaury Patrick. <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"><b>Economia brasileira contempor\u00e2nea<\/b><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">. Coautoria de Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos, Rudinei Toneto J\u00fanior. 8. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2016.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"> RODR\u00cdGUEZ, O. <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"><i>Teoria do subdesenvolvimento da Cepal<\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 1981.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"> Sobre este tema, ver: NUNES, Leonardo Dias. <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"><i>Corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e tens\u00f5es sociais no Brasil contempor\u00e2neo (1963-1974)<\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">. 2012. 94 p. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) &#8211; Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia, Campinas, SP.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"> TEMPOS modernos: Jo\u00e3o Paulo dos Reis Velloso, mem\u00f3rias do desenvolvimento. Coautoria de Maria Celina D&#8217;Araujo, Celso Correa Pinto de Castro. Rio de Janeiro, RJ: FGV, 1997. p. 145.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"> LACERDA, A. C. DE et al. <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\"><i>Economia brasileira<\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">. In: REGO, J. M.; MARQUES, R. M. (Eds.). 6. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva Educa\u00e7\u00e3o, 2018<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: small\">Sobre estes Planos e a Infla\u00e7\u00e3o Inercial, ver CASTRO, Lav\u00ednia B. de. Esperan\u00e7a, frustra\u00e7\u00e3o e aprendizado: A Hist\u00f3ria da Nova Rep\u00fablica (1985-1989). IN ECONOMIA brasileira contempor\u00e2nea: 1945-2010. Coautoria de Fabio Giambiagi. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2011.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><\/div>","protected":false},"author":639,"featured_media":787,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[],"class_list":["post-782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/12\/475571829_ac6de0c964_o.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/639"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=782"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":793,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions\/793"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}