{"id":862,"date":"2022-04-04T21:22:00","date_gmt":"2022-04-05T00:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=862"},"modified":"2022-04-19T14:15:20","modified_gmt":"2022-04-19T17:15:20","slug":"alvaro-vieira-pinto-ciencia-e-superacao-do-subdesenvolvimento-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2022\/04\/04\/alvaro-vieira-pinto-ciencia-e-superacao-do-subdesenvolvimento-i\/","title":{"rendered":"\u00c1lvaro Vieira Pinto: Ci\u00eancia e Supera\u00e7\u00e3o do Subdesenvolvimento (I)"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\"><em>Por: <strong>Leonardo Dias Nunes<\/strong><\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">O objetivo deste artigo \u00e9 apresentar ao leitor do blog <i>Sobre economia<\/i> o fil\u00f3sofo brasileiro \u00c1lvaro Vieira Pinto (1909-1987) e seus argumentos relacionados \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de realidades subdesenvolvidas<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a>. Assim, buscamos criar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica de um per\u00edodo em que a supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento era entendida como poss\u00edvel e destacar o papel do conhecimento cient\u00edfico para a transforma\u00e7\u00e3o dessa realidade social.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na segunda metade do s\u00e9culo XX, per\u00edodo em que \u00c1lvaro Vieira Pinto publicou intensamente, existiam expectativas positivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade futura de supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento no Brasil. Este tema j\u00e1 foi tratado no artigo <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2021\/10\/01\/dimensoes-do-progresso-em-juscelino-kubitschek\/\"><i>Dimens\u00f5es do progresso em Juscelino Kubitschek<\/i><\/a><i>.<\/i><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">De acordo com Rodrigo Gonzatto e Luiz Merkle (2016)<\/span> <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><span style=\"color: #000000\">, no artigo <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Vida e obra de \u00c1lvaro Vieira Pinto: um levantamento biobibliogr\u00e1fico<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, f<\/span>oi nessa conjuntura hist\u00f3rica que \u00c1lvaro Vieira Pinto forjou suas ideias. As obras do autor que auxiliam no entendimento das possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o criadas durante o chamado per\u00edodo desenvolvimentista brasileiro s\u00e3o <i>Consci\u00eancia e realidade nacional,<\/i> publicada em 1960, e <i>Ci\u00eancia e exist\u00eancia,<\/i> publicada em 1969. Essas obras foram escritas quando o autor foi integrante do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) <span style=\"color: #000000\"><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a> <\/span>e, ap\u00f3s 1964, quando esteve exilado (p. 287).<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">\u00c0 \u00e9poca, era recorrente no debate econ\u00f4mico brasileiro o uso dos conceitos <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>subdesenvolvimento<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\"> e <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>desenvolvimento<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">. A possibilidade de superar a realidade apreendida pelo primeiro conceito e a expectativa de alcan\u00e7ar a realidade definida pelo segundo expressavam as tens\u00f5es existentes no desenvolvimento capitalista no Brasil.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Diante dessas tens\u00f5es, economistas, soci\u00f3logos e fil\u00f3sofos latino-americanos contribu\u00edram com reflex\u00f5es que buscavam intervir no debate sobre a supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento. <\/span>\u00c1lvaro Vieira Pinto foi um desses pensadores e, dentre tantos outros temas, o autor buscou refletir sobre a relev\u00e2ncia do conhecimento cient\u00edfico para a transforma\u00e7\u00e3o de realidades subdesenvolvidas e s\u00e3o estes argumentos que este artigo apresentar\u00e1 de forma introdut\u00f3ria e breve.<\/p>\n<p align=\"justify\">O artigo est\u00e1 dividido em duas partes e assim ser\u00e1 publicado. Nessa primeira parte, focaremos na apresenta\u00e7\u00e3o dos principais dados biogr\u00e1ficos e bibliogr\u00e1ficos de \u00c1lvaro Vieira Pinto. Na segunda parte, apresentaremos os principais argumentos do autor sobre produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico necess\u00e1rio para a transforma\u00e7\u00e3o das realidades subdesenvolvidas.<\/p>\n<h2 class=\"western\">\u00c1lvaro Vieira Pinto no Brasil do S\u00e9culo XX<\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">De acordo com Rodrigo Gonzatto e Luiz Merkle (2016), \u00c1lvaro Vieira Pinto \u00e9 um autor conhecido devido a sua participa\u00e7\u00e3o no ISEB. Sua obra, entretanto, n\u00e3o est\u00e1 apenas ligada \u00e0 tem\u00e1tica desenvolvimentista desse instituto, mas, tamb\u00e9m, a outros temas no campo da educa\u00e7\u00e3o e na an\u00e1lise do conceito de tecnologia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">\u00c1lvaro Vieira Pinto foi um homem de vasta forma\u00e7\u00e3o, poliglota, violinista amador, fil\u00f3sofo, professor, cientista, tradutor. Suas obras foram escritas entre 1928 e 1975 (p. 287) e as pesquisas sobre ele datam de 1980 at\u00e9 2014.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Atualmente, os principais livros de \u00c1lvaro Vieira Pinto publicados no Brasil s\u00e3o <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Ideologia e desenvolvimento nacional (1956)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Consci\u00eancia e realidade nacional (1960)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>A quest\u00e3o da universidade (1962)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Por que os ricos n\u00e3o fazem greve? (1962)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Indica\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas para o conceito de subdesenvolvimento (1963)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Ci\u00eancia e exist\u00eancia (1969)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Sete li\u00e7\u00f5es sobre educa\u00e7\u00e3o de adultos (1982)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>O conceito de tecnologia (2005)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\"> e <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>A sociologia dos pa\u00edses subdesenvolvidos (2008)<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">.<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a> Ressaltamos que as duas \u00faltimas obras foram publicadas postumamente. Logo, apenas h\u00e1 catorze anos, passados trinta e cinco anos da morte do autor, pesquisadores podem ter em m\u00e3os as obras que, no passado, nunca estiveram simultaneamente ao acesso de outros pesquisadores da obra de \u00c1lvaro Vieira Pinto.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Gonzatto e Merkle dividem a an\u00e1lise da obra de \u00c1lvaro Vieira Pinto em quatro partes. A primeira, os anos de forma\u00e7\u00e3o at\u00e9 a d\u00e9cada de 1950. A segunda, atua\u00e7\u00e3o profissional e pol\u00edtica do autor no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. A terceira, o per\u00edodo do ex\u00edlio. A quarta, as d\u00e9cadas de 1970 e a de 1980. Essas partes ser\u00e3o sintetizadas abaixo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><i>At\u00e9 os anos 1950: per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o <\/i><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">\u00c1lvaro Borges Vieira Pinto nasceu em Campos do Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, em 11 de novembro de 1909. Estudou no Rio de Janeiro no col\u00e9gio jesu\u00edta Santo In\u00e1cio. Ap\u00f3s terminar seus estudos, morou por um ano em S\u00e3o Paulo com sua fam\u00edlia, momento em que se dedicou aos estudos de filosofia e literatura. Provavelmente, no ano de 1926, relacionou-se com intelectuais que viveram a agita\u00e7\u00e3o da Semana de Arte Moderna. Retornou ao Rio de Janeiro para realizar o curso de medicina entre 1927 e 1932. Durante o quinto e o sexto ano do curso lecionou filosofia e f\u00edsica em um col\u00e9gio de freiras para auxiliar nas finan\u00e7as familiares. Rec\u00e9m-formado em medicina, o jovem m\u00e9dico tentou atuar em prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es na cidade de Aparecida, interior de S\u00e3o Paulo. Sem sucesso, voltou para o Rio de Janeiro. Em meados da d\u00e9cada de 1930 come\u00e7ou a trabalhar na Funda\u00e7\u00e3o Gaffr\u00e9 e Guinle, no Rio de Janeiro e, no ano de 1934, ingressou na A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB) devido ao interesse na quest\u00e3o social a partir da tem\u00e1tica da identidade nacional (p. 291). Devido aos trabalhos de pesquisa que realizava na Funda\u00e7\u00e3o Gaffr\u00e9 e Guinle, \u00c1lvaro Vieira Pinto se matriculou nos cursos de f\u00edsica e matem\u00e1tica da Universidade do Distrito Federal e no ano de 1939 tornou-se professor adjunto de filosofia da Universidade do Brasil.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Dez anos depois, em 1949, \u00c1lvaro Vieira Pinto viajou a Paris e, na Universidade de Sorbonne, concebeu o tema de sua tese sobre a cosmologia em Plat\u00e3o. Ap\u00f3s seu retorno ao Brasil, a tese foi apresentada e defendida em 1950. Em 1951, participou da Miss\u00e3o Cultural Brasileira na cidade de Assun\u00e7\u00e3o, Paraguai. E, em 1954, assumiu por dois anos a dire\u00e7\u00e3o do Instituto de Cultura Boliviano-Brasileiro em La Paz, Bol\u00edvia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><i>In\u00edcio da d\u00e9cada de 1960: Instituto Superior de Estudos Brasileiros<\/i><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">O Instituto Superior de Estudos Brasileiros \u2013 ISEB foi criado em 1955 e \u00c1lvaro Vieira Pinto, ent\u00e3o integrante do conselho consultivo da institui\u00e7\u00e3o, assumiu a coordena\u00e7\u00e3o do Departamento de Filosofia. No ISEB, o autor torna sua orienta\u00e7\u00e3o intelectual mais cr\u00edtica e, em 1956, realiza a aula inaugural do curso regular cuja transcri\u00e7\u00e3o foi publicada no livro <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Ideologia e desenvolvimento nacional<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">. Os dois tomos de <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Consci\u00eancia e realidade nacional<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\"> foram publicados pelo ISEB, respectivamente, em 1960 e 1961. Nesse \u00faltimo ano, em uma conjuntura de grande tens\u00e3o pol\u00edtica no Brasil, o autor se tornou o diretor do instituto. Nessa condi\u00e7\u00e3o, foi o autor de obras cr\u00edticas da realidade brasileira, implicando a ele a difama\u00e7\u00e3o da imprensa. De acordo com Gonzatto e Merkle, <\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p><span style=\"font-size: small\">O come\u00e7o dos anos 1960, al\u00e9m de ser exemplar para a produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica de Vieira Pinto, tamb\u00e9m \u00e9 um per\u00edodo de revis\u00e3o do seu posicionamento pol\u00edtico e intelectual. \u00c9 durante a atua\u00e7\u00e3o no ISEB que Vieira Pinto rompe com princ\u00edpios cat\u00f3licos e integralistas, se posiciona politicamente \u00e0 esquerda e desenvolve sua leitura terceiro-mundista da realidade brasileira, do existencialismo e do marxismo (p. 294).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"justify\"><strong><i>D\u00e9cadas de 1960 e 1970: ditadura e ex\u00edlio<\/i><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Ap\u00f3s o golpe militar de 1964, no dia 13 de abril, foi decretada a extin\u00e7\u00e3o do ISEB. \u00c1lvaro Vieira Pinto, diretor da institui\u00e7\u00e3o, foi perseguido e em setembro de 1964, na companhia de sua esposa, viajou para asilar-se na Iugosl\u00e1via. Ap\u00f3s a sugest\u00e3o de Paulo Freire, o autor mudou-se para Santiago do Chile e durante a sua passagem por esse pa\u00eds, em 1968, terminou a reda\u00e7\u00e3o do livro <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>El pensamiento cr\u00edtico en demografia<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, editado pelo Centro Latino-Americano de Demografia (CELADE), em 1973. Nesse mesmo per\u00edodo foi escrito o livro <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>Ci\u00eancia e exist\u00eancia<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, publicado no Brasil em 1969. Em 1968 retornou ao Brasil e continuou a escrever, mas estava proibido de publicar suas obras. Por essa raz\u00e3o que parte delas foram publicadas apenas postumamente.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><i>Final da d\u00e9cada de 1970 e a d\u00e9cada de 1980: manuscritos e tradu\u00e7\u00f5es<\/i><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Diante das proibi\u00e7\u00f5es que aceitou para retornar ao Brasil, \u00c1lvaro Vieira Pinto recolheu-se, juntamente com sua esposa, em seu apartamento no bairro de Copacabana. Durante este per\u00edodo, adquiriu pseud\u00f4nimos para realizar tradu\u00e7\u00f5es e escreveu manuscritos. Em 1973, terminou a \u00faltima revis\u00e3o do livro <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>O conceito de tecnologia<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\"> que viria a ser publicado postumamente, em 2005, e, em janeiro de 1975, terminou o manuscrito do livro <\/span><span style=\"color: #000000\"><i>A sociologia dos pa\u00edses subdesenvolvidos<\/i><\/span><span style=\"color: #000000\">, tamb\u00e9m publicado postumamente.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">Como ressaltam <\/span>Gonzatto e Merkle, a obra de \u00c1lvaro Vieira Pinto permite \u201ccompreender melhor n\u00e3o apenas a trajet\u00f3ria das ideias deste pensador, mas tamb\u00e9m os contornos e caminhos de uma pequena parte da hist\u00f3ria do Brasil e da Am\u00e9rica Latina, em parte n\u00e3o reconhecida, como muitas outras\u201d (p. 299). Este artigo busca contribuir para trazer \u00e0 luz, parte desta hist\u00f3ria. O faz, por um lado, ao criar mem\u00f3ria hist\u00f3rica sobre um per\u00edodo que ainda possui muitas passagens e personagens encobertas. Por outro, o artigo enfatiza que as proposi\u00e7\u00f5es do autor elucidam um <i>tempo hist\u00f3rico<\/i> espec\u00edfico da hist\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao concluir essa parte, a relacionamos com o artigo <i>Dimens\u00f5es do progresso em Juscelino Kubitschek<\/i>. Nesse artigo, afirmamos, de acordo com o historiador Reinhart Koselleck (2006), que o conceito de <i>progresso<\/i> foi o que melhor apreendeu a tens\u00e3o distanciadora existente na <i>modernidade<\/i>, a tens\u00e3o existente entre os conceitos de <i>espa\u00e7o de experi\u00eancia<\/i> e o <i>horizonte de expectativa<\/i>. Partimos da hip\u00f3tese de que, no Brasil, essa mesma tens\u00e3o pode ser apreendida na busca pela transi\u00e7\u00e3o das realidades caracterizadas pelos conceitos <i>subdesenvolvimento<\/i> e <i>desenvolvimento<\/i>. Com essa hip\u00f3tese em mente, na segunda parte deste artigo, enfatizaremos o papel do conhecimento cient\u00edfico na transi\u00e7\u00e3o do <i>subdesenvolvimento<\/i> para o <i>desenvolvimento<\/i> de acordo com o autor em estudo.<\/p>\n<h2 class=\"western\">Refer\u00eancias<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><i>BRASIL. DECRETO No 37.608, DE 14 DE JULHO DE 1955<\/i>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/decret\/1950-1959\/decreto-37608-14-julho-1955-336008-publicacaooriginal-1-pe.html&gt;. Acesso em: 6 fev. 2022.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">GONZATTO, R. F.; MERKLE, L. E. Vida e obra de \u00c1lvaro Vieira Pinto: um levantamento biobibliogr\u00e1fico. <i>Revista HISTEDBR On-line<\/i>, Campinas, n. 69, p. 286\u2013310, set. 2016.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">KOSELLECK, R. \u201cEspa\u00e7o de experi\u00eancia\u201d e \u201chorizonte de expectativa\u201d: duas categorias hist\u00f3ricas. In: <i>Futuro passado: contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sem\u00e2ntica dos tempos hist\u00f3ricos<\/i>. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio, 2006. p. 305\u2013327.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">NUNES, Leonardo Dias. <i>Ci\u00eancia para a supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento em \u00c1lvaro Vieira Pinto<\/i>. In: VII Congresso Latino-Americano de Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica. 2022, Lima.<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> Este artigo \u00e9 uma vers\u00e3o modificada e reduzida do artigo apresentado no <i>VII Congresso Latino-americano de Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica<\/i> (CLADHE), em mar\u00e7o de 2022, que foi organizado pela <i>Associa\u00e7\u00e3o Peruana de Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> Esta parte do artigo foi escrita com base nas informa\u00e7\u00f5es contidas no artigo de Gonzatto e Merkle (2016) e as p\u00e1ginas nela citadas fazem refer\u00eancia a esse artigo. Para informa\u00e7\u00f5es adicionais sobre a biografia do autor, ver a introdu\u00e7\u00e3o da obra: PINTO, \u00c1lvaro Vieira. <i>Sete li\u00e7\u00f5es sobre educa\u00e7\u00e3o de adultos<\/i>. 15. ed. \u2013 S\u00e3o Paulo, Cortez, 2007. Informa\u00e7\u00f5es adicionais podem ser encontradas no site <span style=\"color: #0563c1\"><u><a href=\"http:\/\/www.alvarovieirapinto.org\/\">http:\/\/www.alvarovieirapinto.org\/<\/a><\/u><\/span>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a> Institu\u00eddo em 14 de julho de 1955 pelo presidente Caf\u00e9 Filho, atrav\u00e9s do Decreto N\u00b0 37.608, o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) estava ligado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura e sua finalidade era estudar, ensinar e divulgar as ci\u00eancias sociais com o objetivo espec\u00edfico de aplicar os dados e as categorias das &#8220;ci\u00eancias \u00e0 an\u00e1lise e \u00e0 compreens\u00e3o cr\u00edtica da realidade brasileira, visando \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de instrumentos te\u00f3ricos que permitam o incentivo e a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento nacional&#8221; (BRASIL, 1955). Foi extinto ap\u00f3s o golpe de 1964 e seus integrantes foram exilados.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a> Sugerimos a p\u00e1gina da internet <span style=\"color: #0563c1\"><u><a href=\"http:\/\/www.alvarovieirapinto.org\/obras\/\">http:\/\/www.alvarovieirapinto.org\/obras\/<\/a><\/u><\/span> para os leitores com interesse em conhecer a totalidade da obra de \u00c1lvaro Vieira Pinto.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><\/div>","protected":false},"author":680,"featured_media":863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[],"class_list":["post-862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2022\/04\/Art_Leo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/680"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=862"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1055,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/862\/revisions\/1055"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}