{"id":93,"date":"2019-04-28T22:54:21","date_gmt":"2019-04-29T01:54:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=93"},"modified":"2021-02-02T18:42:25","modified_gmt":"2021-02-02T21:42:25","slug":"quem-tem-medo-da-industria-4-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2019\/04\/28\/quem-tem-medo-da-industria-4-0\/","title":{"rendered":"Quem tem medo da Ind\u00fastria 4.0?"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, temos acompanhado o desenvolvimento e a introdu\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que devem provocar mudan\u00e7as significativas no modo como produzimos bens e servi\u00e7os. Inova\u00e7\u00f5es de grande envergadura ter\u00e3o inser\u00e7\u00e3o em diversos setores da vida, modificando rela\u00e7\u00f5es de trabalho, a maneira como nos comunicamos, nos relacionamos e nos movimentamos. Pela dimens\u00e3o do impacto que se espera com estas novas tecnologias, o conjunto de mudan\u00e7as que vir\u00e3o t\u00eam recebido a alcunha de Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, ou mais coloquialmente, Ind\u00fastria 4.0.<\/p>\n<p>Podemos dizer que as tecnologias fundamentais desta revolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o progressivamente aparecendo com a introdu\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de intelig\u00eancia artificial, rob\u00f3tica, internet das coisas, ve\u00edculos aut\u00f4nomos, impress\u00e3o em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ci\u00eancia dos materiais, armazenamento de energia e computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, para se dizer apenas as que est\u00e3o em desenvolvimento avan\u00e7ado nesse momento. Falaremos em outras oportunidades neste blog mais sobre esse assunto, mas nesse momento, o ponto que buscaremos salientar neste breve texto \u00e9 o fato de que estamos diante de uma evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que pode nos levar a uma condi\u00e7\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o do trabalho humano atual a um grau muito mais elevado do que aquele j\u00e1 experimentado com a introdu\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas automatizadas dentro das linhas de produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 o setor industrial, mas tamb\u00e9m a agroind\u00fastria e o setor de servi\u00e7os devem ser amplamente impactados. \u00c9 muito dif\u00edcil saber exatamente quando, em que propor\u00e7\u00e3o e quais setores ser\u00e3o afetados primeiro. O que \u00e9 poss\u00edvel estimar \u00e9 que, estando as economias abertas e interligadas da forma como est\u00e3o hoje, assim que o uso dessas novas tecnologias for difundido em pa\u00edses centrais, rapidamente penetrar\u00e3o as demais regi\u00f5es do globo. A recente profus\u00e3o de tecnologias digitais mais baratas por meio dos chamados <em>&#8216;devices&#8217;<\/em> (<em>smart-phones<\/em>, <em>tablets<\/em>, <em>smart-tvs, laptos<\/em>, etc) e programas acess\u00f3rios (<em>Apps<\/em>) nos antecipa a velocidade com que isso pode chegar \u00e0s empresas e ao p\u00fablico em geral em um futuro n\u00e3o muito distante. No \u00faltimo relat\u00f3rio do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial sobre esse assunto, estima-se que em 2025, diversos setores econ\u00f4micos passar\u00e3o por um ponto de inflex\u00e3o tecnol\u00f3gico com profundas mudan\u00e7as na maneira de se conceber produtos e servi\u00e7os. Dessa maneira, grande maioria dos segmentos produtivos, cedo ou tarde, deve ser afetada de maneira direta ou indireta. Pensemos no grau de informatiza\u00e7\u00e3o da economia h\u00e1 20 anos atr\u00e1s. A ent\u00e3o chamada informatiza\u00e7\u00e3o atingia diretamente muitos setores econ\u00f4micos, mas em um grande n\u00famero de empresas n\u00e3o havia sequer a interliga\u00e7\u00e3o em tempo real entre departamentos administrativos de uma \u00fanica unidade produtiva. Mesmo assim, em poucos anos, processou-se uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que integrou informa\u00e7\u00f5es corporativas a respeito de praticamente todo o volume do que \u00e9 produzido e comercializado nas economias no mundo.<\/p>\n<p>Quanto ao mundo do trabalho humano, isto \u00e9, o trabalho como o concebemos hoje dentro de uma estrutura de economia de mercado, h\u00e1 um grande desafio pela frente. Al\u00e9m de atividades mais rotineiras e repetitivas que na ind\u00fastria j\u00e1 vinham sendo substitu\u00eddas por m\u00e1quinas h\u00e1 um bom tempo, h\u00e1 outras, que contemplam rotinas de maior complexidade, como por exemplo, telemarketing, medicina diagn\u00f3stica, rotinas de enfermagem, contabilidade, servi\u00e7os de entrega e transporte, que poder\u00e3o ser progressivamente substitu\u00eddas por equipamentos e softwares capazes de responder aos problemas que se apresentam nestes tipos de fun\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m a perspectiva de que outras atividades, como por exemplo, consultoria econ\u00f4mica, assessoria jur\u00eddica, auditoria fiscal, atendimento m\u00e9dico geral e at\u00e9 mesmo cirurgias de alta complexidade tamb\u00e9m passem a competir com rob\u00f4s e sistemas de intelig\u00eancia artificial. Neste ponto, \u00e9 dif\u00edcil fazer uma predi\u00e7\u00e3o, pois ainda n\u00e3o h\u00e1 um consenso sobre como se realizar\u00e1 a acomoda\u00e7\u00e3o da sociedade frente a estas mudan\u00e7as, mas \u00e9 poss\u00edvel conjecturar que atividades humanas tanto de car\u00e1ter t\u00e9cnico como anal\u00edtico e executivo sofrer\u00e3o grande impacto, dada a velocidade e a quantidade de dados com que os novos sistemas informacionais poder\u00e3o responder aos problemas em diversas \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>Pintamos, portanto, um cen\u00e1rio n\u00e3o muito animador, considerando-se o papel dado \u00e0 maioria dos seres humanos no mundo atual como fornecedores de capacidades f\u00edsicas e intelectuais para a transforma\u00e7\u00e3o criadora e produtiva. Queremos dizer que a inser\u00e7\u00e3o da maioria das pessoas no presente sistema econ\u00f4mico se faz pela cria\u00e7\u00e3o de valor dada pelas transforma\u00e7\u00f5es promovidas pelo trabalho humano. Nessa estrutura, uma pessoa cria valor e recebe certa recompensa (sal\u00e1rio, etc). H\u00e1, no entanto, a perspectiva de que as m\u00e1quinas poder\u00e3o muito em breve substituir parte desse trabalho em um n\u00famero grande de atividades, inclusive reproduzindo-se e melhorando-se autonomamente. At\u00e9 o momento em que escrevo, n\u00e3o chegamos no que poder\u00e1 ser o ponto inflex\u00e3o, mas, como buscamos apresentar o fato dessa maneira, este pode tornar-se um desafio que deve ser tratado e que desde j\u00e1 devemos desenvolver reflex\u00f5es a respeito.<\/p>\n<p>Se, por outro lado, partirmos para uma discuss\u00e3o mais pragm\u00e1tica que busque dar uma resposta ao desafio num primeiro momento, podemos considerar, em car\u00e1ter meramente indicativo, algumas a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que os profissionais poder\u00e3o desenvolver para adaptar-se ao novo paradigma tecnol\u00f3gico. \u00a0Dessa forma, uma requalifica\u00e7\u00e3o com embasamento t\u00e9cnico suficiente para compreender como funcionam as novas tecnologias, para poder atuar de uma forma conjunta com tais ferramentas e para poder participar do processo de transforma\u00e7\u00e3o seria no m\u00ednimo fundamental. Outra quest\u00e3o \u00e9 que o pr\u00f3prio processo de transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tamb\u00e9m exigir\u00e1 adapta\u00e7\u00f5es culturais, regulat\u00f3rias, \u00e9ticas, etc, em que o fator humano dever\u00e1 ser imprescind\u00edvel por um longo tempo: espera-se que o ser humano seja o primeiro a programar a m\u00e1quina e que seja ele aquele que modificar\u00e1 tal programa\u00e7\u00e3o quando as decis\u00f5es da m\u00e1quina n\u00e3o se adequarem ao ser humano.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar o impacto de tantas tecnologias penetrando ao mesmo tempo no mundo dos neg\u00f3cios nos mais diversos pa\u00edses. O que \u00e9 poss\u00edvel imaginar \u00e9 que adapta\u00e7\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias e que novas demandas a partir da\u00ed devem ser criadas. Dessa maneira, novos nichos de neg\u00f3cios para produtos e servi\u00e7os devem surgir para aqueles podem contar com algum capital para investir e que tenham desenvolvido as novas capacidades que ser\u00e3o requeridas. As novas ferramentas, por seu turno, ampliar\u00e3o as possibilidades na \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento, dadas as novas grandezas em termos de informa\u00e7\u00f5es e a velocidade com que estas ser\u00e3o tratadas.<\/p>\n<p>Em resumo, os profissionais ter\u00e3o que se atualizar para uma nova etapa tecnol\u00f3gica, desenvolvendo mais amplos e mais variados conhecimentos nas diversas \u00e1reas do saber, desenvolvendo capacidade cr\u00edtica para tratar e relacionar esses conhecimentos sem deixar de lado o que pode vir a se tornar um elemento muito importante, a empatia humana, pois a partir do momento que o elemento humano diminuir em nossas rela\u00e7\u00f5es sociais de trabalho e de consumo ele justamente passar\u00e1 a nos fazer falta e n\u00e3o estar\u00e1 dispon\u00edvel nas m\u00e1quinas.<\/p>\n<p><strong>Victor Augusto Ferraz Young<\/strong>, economista, pesquisador do Centro de Estudos de Rela\u00e7\u00f5es Econ\u00f4micas Internacionais (CERI) do Instituto de Economia da UNICAMP, Mestre e Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico nesta mesma Universidade, \u00e9 tamb\u00e9m professor do curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na disciplina de Competitividade Internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Nos \u00faltimos anos, temos acompanhado o desenvolvimento e a introdu\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que devem provocar mudan\u00e7as significativas no modo como produzimos <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2019\/04\/28\/quem-tem-medo-da-industria-4-0\/\" title=\"Quem tem medo da Ind\u00fastria 4.0?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":390,"featured_media":96,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[29,33,21,27,25,20,24,28,32,31,30,23,22,26],"class_list":["post-93","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-a-i","tag-adaptacao","tag-emprego","tag-fator-humano","tag-homem-vs-maquina","tag-industria-4-0","tag-inovacao","tag-inteligencia-artificial","tag-quarta-revolucao-industrial","tag-requalificacao","tag-robotica","tag-tecnologia","tag-trabalho","tag-transformacao-tecnologica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2019\/04\/Bender_rev2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93\/revisions\/98"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}