Carl Sagan

“Tempo virá em que uma pesquisa diligente e contínua esclarecerá aspectos que agora permanecem escondidos. O espaço de tempo de uma vida, mesmo se inteiramente devotada ao estudo do céu, não seria suficiente para investigar um objetivo tão vasto…  este conhecimento será conseguido somente através de gerações sucessivas.

Tempo virá em que os nossos descendentes ficarão admirados de que não soubéssemos particularidades tão óbvias a eles… Muitas descobertas estão reservadas para os que  virão, quando a lembrança de nós estará apagada.

O nosso universo será um assunto sem importância, a menos que haja alguma coisa nele a ser investigada a cada geração… A natureza não revela seus mistérios de uma só vez”. (Sêneca, Problemas Naturais, Livro, século I).

Assim como Carl Sagan em seu livro Cosmos, escrito a partir da série de TV exibida nos anos 80, introduzo o texto com a mesma citação dele. Carl Sagan foi um grande cientista. O seu papel de divulgador da ciência foi muito importante, pois tão necessário quanto produzir conhecimento e elaborar teorias é tornar isso público e acessível.

A série exibida nos anos 80 teve um grande impacto nesta geração, inspirando vários futuros cientistas. Ela aborda temas como o universo, as estrelas, a química, a física, a natureza, as crenças, a curiosidade e o conhecimento científico de uma forma descomplicada e acessível para leigos nos assuntos. A série é exibida hoje em dia no canal por assinatura TV Escola, todo domingo às 22h, e está disponível no Youtube também. A série dublada em português pode ser vista “aqui“.

Nesse” link, você verá um vídeo onde se discute o legado de Carl Sagan  e um projeto criado pela NASA para incentivar a nova geração de exploradores do universo. Sagan escreveu vários livros como Contato, Pálido Ponto Azul, Os Dragões do Éden, Bilhões e bilhões, Cosmos e O mundo assombrado pelos demônios: A ciência como uma vela no escuro. O último é um dos seus livros mais famosos, e pretendo dedicar uma exploração maior só sobre esse livro no futuro. Por hora, gostaria de citar algumas passagens do livro:

 

Nós nos importamos com o que é verdade? Isso faz alguma diferença?
[…quando a ignorância é felicidade, é loucura ser sábio] escreveu o poeta Thomas Gray.

Mas será mesmo? Edmund Way Teale, em seu livro Circle of the seasons de 1950, compreendeu melhor o dilema: “Moralmente, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não, desde que ela nos dê prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro, desde que ele esteja na nossa mão”(…).

É desanimador descobrir a corrupção e a incompetência governamentais, por exemplo, mas será melhor não saber a respeito? A que interesses a ignorância serve? Se nós, humanos, temos uma propensão hereditária a odiar os estranhos, o único antídoto não é o autoconhecimento? Se ansiamos por acreditar que as estrelas se levantam e se põem para nós, que somos a razão da existência do Universo, a ciência nos presta um desserviço esvaziando nossa presunção?

Divulgar a ciência – tentar tomar os seus métodos e descobertas acessíveis aos que não são cientistas – é o passo que se segue natural e imediatamente. Não explicar a ciência me parece perverso. Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo o mundo. Este livro é um testemunho pessoal de meu caso de amor com a ciência, que já dura toda uma vida.

Sagan foi um fascinante defensor do pensamento cético e do empreendimento científico. Além disso, sua carreira como cientista também merece bastante respeito. Na NASA, teve papel significativo desde o começo do programa americano espacial como consultor e conselheiro, tendo participação importante em vários projetos e missões de exploração do sistema solar.

Morreu de câncer em 20 de novembro de 1996, e o mundo perdeu um grande visionário da ciência. Para encerrar o texto, cito uma nota de Ann Druyan publicada no site oficial de sagan, 10 anos depois de sua morte:

É provável que, se você veio aqui para se juntar a mim em um ato de recordação neste décimo aniversário da morte de Carl, você já conheça bem as numerosas realizações científicas e culturais do homem. É provável que você saiba que ele desempenhou um papel principal na exploração de nosso sistema solar, que ele acrescentou algo a nosso conhecimento das atmosferas de Vênus, Marte e Terra, que ele abriu caminho a novos ramos de investigação científica, que ele atraiu mais pessoas ao empreendimento científico que talvez qualquer outro ser humano e que ele era um cidadão consciencioso tanto da Terra como do cosmo.

Talvez você seja um de muitos que foi levemente empurrado a uma trajetória de vida diferente pela atração gravitacional de algo que ele disse ou escreveu ou sonhou. Em minha estimativa parcial, ele era uma figura histórica mundial que nos incentivou a deixar a espiritualidade geocêntrica, narcisista, “sobrenatural” de nossa infância e abraçar a vastidão — amadurecer ao tomar as revelações da revolução científica moderna de coração.

Discussão - 3 comentários

  1. vitor disse:

    caralho dé! vc tambem é cultura! heiuehiuehehedepois me passa pelo youtube, que eu vou tentar assistir xDabraço!

  2. Herbert Monteiro disse:

    Sou um dos muitos que foi “tocado” por esse magnífico divulgador científico!

    • André Rabelo disse:

      Herbert, obrigado pelo comentário!
      a cada dia que passa escuto mais gente falando da inspiração que tiveram por conta do Carl Sagan, muitos se referindo aos domingos de manhã, quando assistiam cosmos hehe

      um abraço,
      André

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