Por que as pseudociências persistem? Parte 2

O vídeo abaixo é uma compilação de vídeos onde Carl Sagan, Richard Dawkins, Bill Nye, James Randi, e Neil deGrasse Tyson discutem, de forma clara, direta e insitgante, o porque a astrologia é uma idéia tão distante da realidade e mal formulada. Achei este vídeo no Blog de Astronomia do astroPT, um ótimo blog cheio de vídeos e informações muito interessantes!

Carl Sagan traz o exemplo dos gêmeos, que ilustra de uma das formas mais claras a incoerência da astrologia, já que se duas pessoas nasceram no mesmo lugar, no mesmo dia e na mesma hora (da mesma pessoa, no mesmo hospital), era de se esperar então que elas fossem extremamente similares tanto na sua personalidade quanto na carreira, na vida amorosa, no estilo de vida e etc.

Obviamente isso não faz sentido e é facilmente verificável por qualquer pessoa que conheça irmãos gêmeos, que muitas vezes além de terem personalidades muito diferentes seguem rumos de vida nada similares. Apesar de ser tão facilmente desbancada ainda movimenta um bom mercado de crédulos ansiosos pelo controle e predição dos rumos de suas vidas. No vídeo há alguns trechos do documentário que citei várias vezes no último texto, The Enemies of Reason. Dawkins fala de como a descoberta de novos planetas e da mudança no eixo de rotação da terra não causaram alterações na concepção básica da astrologia.

Como já havia começado a falar no texto anterior, boa parte da “eficácia” de medicamentos homeopáticos, terapias alternativas, florais e as “cirurgias espirituais” (ou pior, “cirurgia espiritual à distância”?) se deve em grande parte ao efeito placebo ou ao poder da sugestionabilidade.

Felizmente temos caras sérios e compromissados com a verdade como James Randi, um reconhecido mágico e escritor que busca desmascarar falácias pseudocientíficas e pessoas que se dizem com habilidades paranormais ou sobrenaturais. Há mais de dez anos ele oferece 1 milhão de dólares a qualquer pessoa que consiga evidênciar seus super poderes em um teste. O incrível é que, em uma população com tantas pessoas que se dizem capazes de ler mentes, curar pessoas e prever o futuro, ninguém conseguiu o 1 milhão até hoje (os mais famosos paranormais nunca tiveram coragem de por seus poderes à essa prova). Veja um vídeo de Randi falando sobre cirurgias espirituais:

Nesse outro vídeo, Randi faz uma palestra inspiradora no TED, falando sobre seu combate á fraúde psíquica.

Muitas premiações ja foram oferecidas como essa de Randi. Veja o texto abaixo, retirado do Dicionário do Cético:

A oferta de prêmios em dinheiro como incentivo para que assim denominados paranormais provassem suas alegações não é nova. Em 1922, a revista Scientific American ofereceu dois prêmios de US$ 2.500, um para a primeira pessoa que pudesse apresentar uma fotografia espiritual autêntica, sob condições de teste, e outro para o primeiro médium que apresentasse uma “manifestação psíquica visível” autêntica. (…)
Ninguém ganhou os prêmios. (…) A honra de ser o primeiro médium testado pela equipe da Scientific American coube a George Valiantine. Ele não sabia que a cadeira em que se sentava durante a sessão, numa sala completamente escura, havia sido ligada a fios, de forma a acender um sinal numa sala ao lado toda vez que deixasse o assento. Curiosamente, fenômenos como uma voz vinda de um trompete que flutuava pela sala aconteciam somente nos exatos momentos em que o sinal acendia.
(…) A Reverenda Josie K. Stewart também não conseguiu produzir mensagens manuscritas de pessoas mortas, trazidas a ela por seu guia espiritual Effie. Os membros da comissão marcaram suas cartas e ela fracassou três vezes antes de declarar sucesso na quarta tentativa. Mas, como as mensagens que produziu não estavam nas cartas que haviam sido fornecidas pela comissão da Scientific American, determinou-se que ela havia tentado tapeá-los! Que surpresa!
Outro candidato, Nino Pecoraro, alegava ter Eusapia Palladino como guia espiritual.
Estava saindo-se bem, enganando alguns dos membros da comissão, até que Houdini apareceu durante uma sessão, pegou a corda de 20 metros usada para amarrar Pecoraro, cortou-a em vários pedaços menores e amarrou “os pulsos, braços, pernas, tornozelos e tronco do paranormal”. Houdini, mestre da arte de escapar, sabia que “mesmo um amador poderia conseguir folga suficiente para soltar as mãos e pés” quando amarrado com uma corda comprida (Christopher 1975: 191). O grande Pecoraro não conseguiu ter sucesso naquela noite.

Apesar de tudo isso, as pseudociências e o charlatanismo continuam iludindo as pessoas. A pergunta é: porquê? Além dos efeitos Forer, placebo e do cold reading, outras variáveis interferem no sucesso delas. O  apelo afetivo desses grandes temas pode conduzir as pessoas a acreditarem naquilo que elas querem acreditar ou no que soa atraente, e a esperança pode desarmar qualquer tentativa de exame mais reflexivo.

Como seria interessante um mundo em que pudéssemos ler a mente de outras pessoas, dizer quem vai vencer a próxima copa do mundo, curar doenças esfregando os dedos na barriga das pessoas, entortar colheres com a força do pensamento e entender a complexidade do desenvolvimento humano a partir da posição dos planetas; porém tudo indica que nada disso é válido para entendermos melhor o funcionamento de qualquer fenômeno do nosso universo.

As figuras de grande carisma e persuasão demonstram normalmente muito cuidado e atenção aos seus clientes, se tornando atraentes para um grande número de pessoas. Eles comumente fornecem informações que as pessoas gostariam muito que fossem verdade e, sob o falso posicionamento de autoridade naquele assunto, facilmente persuadem várias pessoas.

Enganar, emburrecer e explorar financeiramente pessoas com necessidades psicológicas e fisiológicas reais não é uma prática inofensiva e muito menos ética. Se valer do efeito placebo para dar ares de eficiência a uma solução de água com, eventualmente, alguma substância gigantescamente diluída não é nada ético também. Reforçar o pensamento irracional, não refletido, mágico, superticioso e ilógico também não serve de forma positiva à nenhuma função em nossa sociedade (a não ser a função de enriquecer o bolso dos empreendedores por detrás do esoterismo), entretanto serve a várias funções negativas como enriquecer e sustentar a cultura da ignorância e das crendices, incentivar a falta de senso crítico das pessoas, além de obviamente andar no caminho contrário da verdade, de um modo mais amplo. Nós acreditamos em magia e em supertições por muito tempo, mas isso não precisa mais ser assim.

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