A Irracionalidade Hoje

Seja na utilização irracional e desmedida dos recursos naturais, nas crenças fundamentalistas e radicais e suas consequências, na poluição do meio ambiente, na violência gerada pelas diferenças de pensamento, na disputa de territórios, na manutenção de práticas e costumes culturais – é difícil não perceber como a irracionalidade é algo muito atual.

A foto que incia esse texto é de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma iraniana acusada de adultério e condenada à morte por apedrejamento. O caso teve repercusões e manifestações no mundo todo. Ela havia sido punida com 99 chibatadas por ter mantido relações com outros dois homens após a morte de seu marido. O caso foi reaberto pelo surgimento de evidências anteriores à morte do marido dela. Depois das pressões internacionais o governo declarou que ela não seria condenada ao apedrejamento, mais ela ainda pode ser condenada ao enforcamento.

Para quem acha que isso é coisa do passado ou é muito rara,  cerca de 25 pessoas estão na fila de condenação à morte por apedrejamento no Irã . Em um caso parecido com o de Sakineh, um homem foi apredejado até a morte na frente de uma multidão de 300 pessoas acusado de adultério.

O fundamentalismo religioso tem uma série de consequências negativas para nossa sociedade. Exemplo disso é o governo da Arábia Saudita, onde o alcorão é a lei fundamental. Não parece ser uma boa idéia basear o funcionamento de um país em um livro onde existem trechos como o da sutra número 4, em que:

“se a mulher não for obediente, o homem deve instrui-la, leva-la a uma cama separada e bater nela”;

outro exemplo é o da Sura 4:34:

“Os homens têm autoridade sobre as mulheres porque Alá fez um superior à outra”;

ou como o da Surata número 5:51, onde está escrito:

“Ó fiéis, não tomeis por amigos os judeus nem os cristãos; que sejam amigos entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por amigos, certamente será um deles; e Alá não encaminha os iníquos”;

ou como o da Surata 5:33:

“O castigo, para aqueles que lutam contra Alá e contra o seu mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.”

Também na África está se tornando cada vez mais comum nos últimos anos a violência contra crianças entre 8 e 14 anos acusadas de bruxaria. Crianças de rua, albinas e deficientes têm sido queimadas, espancadas ou até mesmo mortas. Alguns exorcistas jogam gasolina nos olhos dessas crianças para “expulsar espíritos malígnos”. O número de exorcistas aumentou consideravelmente na África (um exorcista foi preso na Nigéria por cobrar mais de US$ 250 por um exorcismo). Parece brincadeira falar em exorcistas e bruxaria hoje em dia, mas infelizmente é mais atual do que se pensa.

Também não é só na África que coisas como essas acontecem. Em 2005, em Londres, uma menina era constantemente violentada pela amiga de sua tia, que á acusava de usar “seus feitiços”. A mulher espancava, esmurrava e torturava a menina. Ela, a tia e mais três amigos também foram indiciados pela corte londrina de Old Bailey por violentar a criança.

No sentido democrático mais genérico, deveríamos respeitar o direito de outras culturais de serem diferentes da nossa. Mas até que ponto vai essa democrácia? Quando uma criança é obrigada pelos pais e por toda sua comunidade a ser mutilada, isso é democrático? A menina na imagem ao lado parece estar concordando em participar de uma prática de sua cultura, à qual entende e vê sentido em se envolver?

Um dos exemplos mais famosos de costumes culturais problemáticos é a mutilação genital de mulheres, prática mais comum em algumas regiões da África e da Ásia. Cerca de 6.000 meninas são obrigadas a participar desse ritual diariamente.

Além de ser um evento potencialmente traumático, o procedimento é muito perigoso para a vida da menina e extremamente doloroso. Ele é feito sem qualquer anestesia ou assepesia, o que aumenta as chances de morte para a menina. Essa prática é realizada para que as mulheres não possam sentir prazer durante o ato sexual. A justificativa é que é necessária a mutilação para que essas meninas sejam puras, caso contrário elas teriam uma tendência grande de se tornar prostitutas.

Discussão - 2 comentários

  1. Mari Nunes disse:

    Olá André,Tudo bem contigo?Quero parabenizá-lo pelo post. Realmente, à dias eu tenho pensado nesse caso, e tais atos que você descreve são coisas que praticamente não entram na minha cabeça,mas que infelizmente fazem parte do mundo.O pior é que o fanatismo religioso é tão grande e forte, que fazer uma pessoa que segue tal conceito mudar de idéia é semelhante a tentar passar um elefante em uma agulha. Pois como eles nascem e crescem com base em tais conceitos e leis religiosas isso é o que eles consideram correto e natural. É uma visão muito limitada do mundo e muito antiga também. Parabéns pelo post, muito interessante e me ajudou bastante a entender tal mundo…Beijos Mari

  2. André Luiz disse:

    Olá Mari!Tudo bem, e vc?Que bom que gostou do texto!Concordo com você que é muito difícil para essas pessoas mudarem.Mas não devemos perder a esperança, pois a conscientização tem um grande poder de mudança, principalmente para os jovens que nascem nessas culturas e que formarão as próximas gerações. É nesse momento que a informação e divulgação de idéias se torna tão importante!beijos!

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