{"id":3596,"date":"2013-02-13T13:00:27","date_gmt":"2013-02-13T15:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/socialmente\/?p=3596"},"modified":"2013-02-13T13:00:27","modified_gmt":"2013-02-13T15:00:27","slug":"o-que-e-a-meditacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/2013\/02\/13\/o-que-e-a-meditacao\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3600\" style=\"width: 612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3600\" class=\" wp-image-3600    \" alt=\"jordand_patch-meditation\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation.jpg\" width=\"602\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation-620x465.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/02\/jordand_patch-meditation-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3600\" class=\"wp-caption-text\">O que \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o?<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 poucos anos atr\u00e1s, o estudo cient\u00edfico da medita\u00e7\u00e3o era praticamente inexistente. Foi isso o que afirmou\u00a0Philippe Goldin, um pesquisador da Universidade de Stanford, em uma palestra que ele deu sobre esse assunto na universidade. Entretanto, nos \u00faltimos anos, esse cen\u00e1rio mudou drasticamente. A medita\u00e7\u00e3o se tornou um dos assuntos mais &#8220;quentes&#8221; (e sexy) na psicologia e na neuroci\u00eancia. Ela \u00e9 comumente associada ao\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/socialmente\/2012\/04\/budismo-o-uso-milenar-da-neuroplasticidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Budismo<\/a>, embora diversas culturas tenham desenvolvido e praticado ela ao redor do mundo desde tempos muito remotos (<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Medita%C3%A7%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segundo a Wikip\u00e9dia<\/a>, desde que a humanidade existe praticamente O.O).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, a pr\u00e1tica meditativa em si n\u00e3o precisa envolver cren\u00e7as religiosas ou espirituais &#8211; apesar de ex\u00f3tica, ela n\u00e3o \u00e9 necessariamente m\u00edstica. Tamb\u00e9m diferente do que muitos acreditam, ela n\u00e3o \u00e9 uma \u00fanica coisa, tal como \u00e9 simbolizado no esteri\u00f3tipo de uma pessoa sentada no ch\u00e3o em uma posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus (como na imagem acima) que tenta\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/socialmente\/2013\/01\/pensar-no-nao-pensamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esvaziar a sua mente de pensamentos<\/a>\u00a0ou n\u00e3o pensar em nada. Na verdade, existem diversas &#8220;medita\u00e7\u00f5es&#8221; &#8211; tipos e varia\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicas meditativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diversos estudos t\u00eam demonstrado que a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o pode trazer muitos benef\u00edcios, tais como: n\u00edvel maior de emo\u00e7\u00f5es positivas, redu\u00e7\u00e3o de sintomas relacionados \u00e0 depress\u00e3o, raiva, rumina\u00e7\u00e3o mental, estresse, ansiedade, altera\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de atividade cerebral, de conex\u00f5es neurais, aumento da empatia, de bem-estar&#8230; essa \u00e9 s\u00f3 uma pequena lista perto dos outros benef\u00edcios que essa avalanche de estudos tem encontrado. A melhor parte de pensar na medita\u00e7\u00e3o como uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para promover bem estar e sa\u00fade mental \u00e9 a sua acessibilidade &#8211; tudo o que voc\u00ea precisa para come\u00e7ar a pratic\u00e1-la \u00e9 de uma mente, de um pouco de informa\u00e7\u00e3o e\u00a0de vontade de pratic\u00e1-la!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltemos agora \u00e0 pergunta que d\u00e1 o t\u00edtulo a este texto. A despeito de existirem diversas varia\u00e7\u00f5es, a maioria das t\u00e9cnicas de medita\u00e7\u00e3o envolve uma experi\u00eancia mental voltada para o treinamento consciente de diversos processos cognitivos, tais como a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria, avalia\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas e a percep\u00e7\u00e3o. A depender da t\u00e9cnica de medita\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o, s\u00e3o treinados diferentes aspectos destes processos cognitivos. Uma sess\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o pode durar desde cinco minutos at\u00e9 v\u00e1rias horas ao longo de v\u00e1rios dias, como ocorre em alguns retiros voltados para essa pr\u00e1tica. Ela tamb\u00e9m pode ser praticada tanto na famosa posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus quanto simplesmente sentando-se em uma cadeira, deitando-se, em p\u00e9 e at\u00e9 mesmo andando (recomendo assistir <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zyVN1heuz4o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esse v\u00eddeo de Alan Watts<\/a> sobre esse assunto, dica do Felipe Novaes, escritor do blog <a href=\"http:\/\/nerdworkingbr.blogspot.com.br\/\">NERDWORKING<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma famosa especialista no assunto e autora de uma dezena de livros sobre medita\u00e7\u00e3o, Sharon Salzberg, explicou de maneira intrigante e simples uma das habilidades que estamos treinando continuamente durante qualquer tipo de medita\u00e7\u00e3o. Em um texto publicado no <a href=\"http:\/\/www.huffingtonpost.com\/sharon-salzberg\/lovingkindness_b_830380.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Huffington Post<\/em><\/a>, ela explica da seguinte maneira (o que se segue \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o minha de um trecho deste texto):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O que n\u00f3s estamos realmente praticando \u00e9 a arte de recome\u00e7ar, n\u00e3o de acumular um registro de mais e mais respira\u00e7\u00f5es antes que a nossa aten\u00e7\u00e3o se desvie. Na medida em que melhoramos nossa habilidade de deixar que a distra\u00e7\u00e3o se v\u00e1, de recome\u00e7ar sem rancor ou julgamento, n\u00f3s estamos aprofundando o perd\u00e3o e a compaix\u00e3o por n\u00f3s mesmos. E, na \u00a0vida, n\u00f3s percebemos que podemos cometer um erro e mais facilmente recome\u00e7ar ou mudar o nosso caminho escolhido e recome\u00e7ar. N\u00f3s estamos praticando isso na medita\u00e7\u00e3o se estamos trabalhando com a respira\u00e7\u00e3o, com a consci\u00eancia do corpo ou das emo\u00e7\u00f5es, ou recitando as frases formais da pr\u00e1tica da bondade-afetuosa (<em>loving-kindness<\/em>). Essa \u00e9 a meta-li\u00e7\u00e3o, moldada no \u00e2mago dos nossos esfor\u00e7os, na\u00a0nossa abertura \u00e0 tentativa, na serenidade dos nossos cora\u00e7\u00f5es em expans\u00e3o, na nossa risada de n\u00f3s mesmos, nossas l\u00e1grimas, nossa humildade: n\u00f3s sempre podemos recome\u00e7ar. E n\u00f3s precisaremos recome\u00e7ar.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.6em\">Esse trecho afirma que enquanto meditamos, estamos continuamente treinando nossa capacidade de recome\u00e7ar e de ter compaix\u00e3o por n\u00f3s mesmos, mesmo que a gente cometa falhas (no caso da medita\u00e7\u00e3o, a falha seria a distra\u00e7\u00e3o). A partir do que essa autora prop\u00f5e, na medida em que vamos nos tornando mais habilidosos na medita\u00e7\u00e3o, ocorrem uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as nas nossas cogni\u00e7\u00f5es quanto a como nos percebemos e avaliamos os nossos fracassos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para entender melhor o que s\u00e3o as &#8220;medita\u00e7\u00f5es,&#8221; vamos agora a alguns exemplos. Na t\u00e9cnica de medita\u00e7\u00e3o\u00a0<em>mindfulness<\/em>, uma das mais estudadas na psicologia e na neuroci\u00eancia atualmente, o objetivo \u00e9 aprender a controlar a aten\u00e7\u00e3o consciente, direcionado-a ao momento presente sem que avalia\u00e7\u00f5es e julgamentos sejam feitos. A ideia por detr\u00e1s desta t\u00e9cnica \u00e9 a de conseguir se tornar totalmente imerso no fluxo da experi\u00eancia presente. Essa t\u00e9cnica envolve n\u00e3o apenas um grande foco no presente imediato, mas tamb\u00e9m uma postura de abertura, curiosidade e aceita\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia moment\u00e2nea que est\u00e1 se desenrolando no momento da medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/01\/zazen.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3544 aligncenter\" alt=\"zazen\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/01\/zazen.jpg\" width=\"585\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/01\/zazen.jpg 585w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/01\/zazen-300x154.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/socialmente\/wp-content\/uploads\/sites\/238\/2013\/01\/zazen-200x103.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/socialmente\/2012\/05\/usando-meditacao-para-controlar-impulsos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em um estudo discutido aqui no blog<\/a>, por exemplo, foi usada uma varia\u00e7\u00e3o desta t\u00e9cnica, a <em>mindful attention meditation<\/em>, ou, como traduzi na \u00e9poca, a t\u00e9cnica de aten\u00e7\u00e3o meditativa (tamb\u00e9m poder\u00edamos traduzir como &#8220;medita\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o plena&#8221;). Foi poss\u00edvel observar uma diferen\u00e7a consider\u00e1vel entre as respostas autom\u00e1ticas de dois grupos de participantes a fotos de alimentos saborosos &#8211; o grupo que realizou um breve e simples treinamento na t\u00e9cnica de aten\u00e7\u00e3o plena exibiu uma rea\u00e7\u00e3o impulsiva menos intensa do que o grupo controle a fotos de alimentos saborosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outras duas t\u00e9cnicas de medita\u00e7\u00e3o que tem sido mais estudadas s\u00e3o a medita\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o (<em>karunaa<\/em>, em <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pali\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pali<\/a>, uma l\u00edngua asi\u00e1tica antiga) e a da bondade-afetuosa (<em>mett\u00e3<\/em>). Ambas s\u00e3o descritas em um importante livro da tradi\u00e7\u00e3o budista <em>Theravada<\/em>, o\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Visuddhimagga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Visuddhimagga<\/em><\/a>, como dois dos quatro estados sublimes ou\u00a0<em>brahma viharas<\/em>. Os outros dois estados sublimes s\u00e3o a alegria altru\u00edsta (<em>mutida<\/em>) e a equanimidade (<em>upekkha<\/em>). Esses quatro estados sublimes s\u00e3o as quatro qualidades que devem ser cultivadas na mente para que uma vida livre da ang\u00fastia possa ser atingida, bem como uma compreens\u00e3o melhor de como nossas mentes funcionam. A medita\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o se foca na conscientiza\u00e7\u00e3o do sofrimento de todos os seres vivos e no desejo de al\u00edvio desse sofrimento; a medita\u00e7\u00e3o da bondade-afetuosa se foca no desejo altru\u00edsta, incondicional e afetuoso de bem-estar de todos os seres vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border: 0px\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" width=\"70\" height=\"85\" \/><\/a><\/span>Um dos motivos do entusiasmo gerado a partir do estudo citado anteriormente e de outros similares \u00e9 que mesmo interven\u00e7\u00f5es incrivelmente simples e de curta dura\u00e7\u00e3o baseadas nestes diferentes tipos de medita\u00e7\u00e3o demonstram efeitos consider\u00e1veis. N\u00e3o se pode negar, entretanto, a import\u00e2ncia de interven\u00e7\u00f5es mais complexas oferecidas por treinadores experientes e a compreens\u00e3o dos efeitos gerados pela pr\u00e1tica meditativa de longo prazo. Muitos estudos atestam que a pr\u00e1tica regular pode ser ainda mais ben\u00e9fica. Isso faz sentido dentro do que \u00e9 relatado por praticantes experientes da medita\u00e7\u00e3o &#8211; muitos relatam que as t\u00e9cnicas podem alcan\u00e7ar n\u00edveis de dificuldade e complexidade muito maiores do que o que pode ser alcan\u00e7ado com treinamentos de curto prazo e que o treinamento das diversas habilidades exigidas pela medita\u00e7\u00e3o pode ser aprimorado quase indefinidamente. Um exemplo \u00e9 uma t\u00e9cnica meditativa onde a pessoa deve decorar e ent\u00e3o mentalizar uma imagem <a href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/a\/aa\/Mandala_of_Vajradhatu.JPG\/300px-Mandala_of_Vajradhatu.JPG\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">como essa<\/a>, pensando e visualizando cada detalhe da imagem por horas seguidas. Se quiser entender porque isso \u00e9 dif\u00edcil, tente voc\u00ea mesmo fazer isso por apenas dez minutos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra s\u00e9rie de estudos que chamam a aten\u00e7\u00e3o e que tamb\u00e9m ajudam a entender porque a medita\u00e7\u00e3o de longo prazo pode alterar de maneira t\u00e3o profunda nossa cogni\u00e7\u00e3o s\u00e3o os advindos da neuroci\u00eancia cognitiva. Estes estudos revelaram que <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/socialmente\/2012\/04\/budismo-o-uso-milenar-da-neuroplasticidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a pr\u00f3pria estrutura do c\u00e9rebro pode ser alterada<\/a> pela pr\u00e1tica meditativa. Estudos com monges budistas experientes, por exemplo, t\u00eam demonstrado que o funcionamento dos seus c\u00e9rebros pode diferir consideravelmente dos c\u00e9rebros de pessoas que n\u00e3o praticam medita\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/socialmente\/2012\/07\/uma-longa-experiencia-em-meditacao-pode-mudar-suas-respostas-emocionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">outro estudo divulgado aqui no blog<\/a> tamb\u00e9m indicou que mesmo as rea\u00e7\u00f5es emocionais mais autom\u00e1ticas, tais como as express\u00f5es faciais, se mostram particulares no caso de praticantes experientes de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.6em\">Espero que, ao final desse texto, voc\u00ea tenha entendido um pouco melhor o que \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o e como a sua pr\u00e1tica pode ser diversificada e ben\u00e9fica. Aprender a meditar pode ser comparado com aprender a andar de bicicleta, uma nova l\u00edngua ou um novo assunto dif\u00edcil &#8211; o come\u00e7o pode ser bem frustrante. Fazer algo aparentemente t\u00e3o simples quanto n\u00e3o pensar em nada durante cinco minutos enquanto fica parado e relaxado pode ser um verdadeiro desafio. Mas, com um pouco de persist\u00eancia inicial, esta habilidade pode ser desenvolvida e chegar a n\u00edveis que, inicialmente, podem parecer imposs\u00edveis de serem alcan\u00e7adas algum dia por voc\u00ea. Por fim, vale ressaltar que a medita\u00e7\u00e3o, por mais ben\u00e9fica que seja, n\u00e3o pode nos livrar de todo e qualquer sentimento negativo, como a ansiedade e a tristeza, portanto n\u00e3o se &#8220;preocupe em perder de vez as suas preocupa\u00e7\u00f5es&#8221; praticando a medita\u00e7\u00e3o, voc\u00ea no m\u00e1ximo atenuar\u00e1 e saber\u00e1 lidar melhor com estas emo\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\">Refer\u00eancias<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.6em\">Fredrickson B. L., Cohn M. A., Coffey K. A., Pek J., &amp; Finkel S. M. (2008). Open hearts build lives: positive emotions, induced through loving-kindness meditation, build consequential personal resources. <\/span><span style=\"font-style: italic\">Journal of Personality and Social Psychology, 95<\/span><span style=\"line-height: 1.6em\"> (5), 1045-62 PMID: <\/span><a style=\"line-height: 1.6em\" href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/18954193\" rev=\"review\">18954193<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hofmann S. G., Grossman P., &amp; Hinton D. E. (2011). Loving-kindness and compassion meditation: Potential for psychological interventions.\u00a0<em>Clinical Psychology Review, 31<\/em>\u00a0(7), 1126-32 PMID:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/21840289\" rev=\"review\">21840289<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hutcherson C. A., Seppala E. M., &amp; Gross J. J. (2008). Loving-kindness meditation increases social connectedness.\u00a0<em>Emotion, 8\u00a0<\/em>(5), 720-4 PMID:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/18837623\" rev=\"review\">18837623<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leung M. K., Chan C. C., Yin J., Lee C. F., So K. F., &amp; Lee T. M. (2013). Increased gray matter volume in the right angular and posterior parahippocampal gyri in loving-kindness meditators.\u00a0<em>Social Cognitive and Affective Neuroscience, 8\u00a0<\/em>(1), 34-9 PMID:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/22814662\" rev=\"review\">22814662<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mascaro J. S., Rilling J. K., Tenzin Negi L., &amp; Raison C. L. (2013). Compassion meditation enhances empathic accuracy and related neural activity.\u00a0<em>Social Cognitive and Affective Neuroscience, 8<\/em>\u00a0(1), 48-55 PMID:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/22956676\" rev=\"review\">22956676<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Journal+of+Happiness+Studies&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1007%2Fs10902-010-9239-1&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Practicing+compassion+increases+happiness+and+self-esteem&amp;rft.issn=1389-4978&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=12&amp;rft.issue=6&amp;rft.spage=963&amp;rft.epage=981&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.springerlink.com%2Findex%2F10.1007%2Fs10902-010-9239-1&amp;rft.au=Mongrain%2C+M.&amp;rft.au=Chin%2C+J.&amp;rft.au=Shapira%2C+L.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology%2C+Affective+Psychology%2C+Consciousness\">Mongrain, M., Chin, J., &amp; Shapira, L. (2010). Practicing compassion increases happiness and self-esteem <span style=\"font-style: italic\">Journal of Happiness Studies, 12<\/span> (6), 963-981 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1007\/s10902-010-9239-1\" rev=\"review\">10.1007\/s10902-010-9239-1<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Proceedings+of+the+National+Academy+of+Sciences+of+the+United+States+of+America&amp;rft_id=info%3Apmid%2F22689998&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Mechanisms+of+white+matter+changes+induced+by+meditation.&amp;rft.issn=0027-8424&amp;rft.date=2012&amp;rft.volume=109&amp;rft.issue=26&amp;rft.spage=10570&amp;rft.epage=4&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Tang+Y.+Y.&amp;rft.au=Lu+Q.&amp;rft.au=Fan+M.&amp;rft.au=Yang+Y.&amp;rft.au=Posner+M.+I.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology%2C+Affective+Psychology%2C+Consciousness\">Tang Y. Y., Lu Q., Fan M., Yang Y., &amp; Posner M. I. (2012). Mechanisms of white matter changes induced by meditation. <span style=\"font-style: italic\">Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 109<\/span> (26), 10570-4 PMID: <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/22689998\" rev=\"review\">22689998<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tang Y. Y., &amp; Posner M. I. (2013). Special issue on mindfulness neuroscience.\u00a0<em>Social Cognitive and Affective Neuroscience, 8<\/em>\u00a0(1), 1-3 PMID:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/22956677\" rev=\"review\">22956677<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos anos atr\u00e1s, o estudo cient\u00edfico da medita\u00e7\u00e3o era praticamente inexistente. Foi isso o que afirmou\u00a0Philippe Goldin, um pesquisador da Universidade de Stanford, em uma palestra que ele deu sobre esse assunto na universidade. Entretanto, nos \u00faltimos anos, esse cen\u00e1rio mudou drasticamente. 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