Por Débora Luz e Laura Cristina
Explorar o oceano engloba entender seus pilares científicos, ambientais, sociais, econômicos e culturais em uma jornada que pode ser feita através de documentários, filmes, podcasts, sites e portais científicos. Mídias como os documentários O Rio que Somos (lançamento previsto para este ano) e Pelas Águas do Rio de Leite mergulham no cotidiano de comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia, mostrando como o ritmo das águas dita a economia e a cultura. O documentário Mulheres na Conservação, com três temporadas disponíveis, aborda em diversos episódios o trabalho de mulheres para a conservação do oceano. Percorrendo a costa do brasil, a série documental Mar Brasil mostra, através da perspectiva de comunidades tradicionais, pesquisadores e instituições, os desafios da sustentabilidade no mar brasileiro.Já no cenário internacional, o povo Bajau, conhecido como “nômades do mar”, é tema de diversos registros que mostram sua incrível adaptação física para mergulhos profundos e uma vida inteira passada em embarcações ou vilas flutuantes no Sudeste Asiático.

Seja através da ficção científica, da animação ou do drama, o oceano é um dos cenários mais poderosos e simbólicos da sétima arte. Em produções recentes como Avatar: O Caminho da Água e Avatar: Fogo e Cinzas – ainda nos cinemas -, vemos a conexão espiritual e física de povos inteiros com o mar. Já em animações premiadas como Flow, acompanhamos de forma sensível um mundo no qual o nível da água sobe drasticamente, forçando animais a conviverem em um barco, enfrentando desafios diários para manterem sua segurança e sobrevivência. Outro filme de animação bastante conhecido, Moana aborda a conexão dos povos indígenas polinésios com o oceano através da espiritualidade, subsistência e navegação, sendo outro exemplo de como o cinema pode trazer de forma lúdica temas reais. Além desses, há plataformas como o Ocean Exploration Trust, que permite que você acompanhe expedições em tempo real no fundo do mar; a plataforma MapBiomas Zona Costeira e o sistema SiMCosta fornecem informações precisas sobre a saúde das nossas praias e o avanço do nível do mar, para análise de dados técnicos e mapas.
Para mídias especializadas em zonas costeiras, há opções extensas que vão desde reportagens investigativas até ferramentas de monitoramento em tempo real. O portal Mar Sem Fim é um dos mais completos, oferecendo documentários e artigos profundos sobre a costa brasileira e suas unidades de conservação.
Povos ao redor do mundo não apenas vivem perto da água, mas são parte dela, desenvolvendo diversas habilidades. Entender essa conexão é o primeiro passo para garantir o futuro do planeta, e existem materiais incríveis e gratuitos para tal. O principal recurso global é o kit pedagógico Cultura Oceânica para Todos, lançado pela UNESCO, que oferece guias práticos, atividades para escolas e conceitos fundamentais de forma acessível. No Brasil, o projeto Maré de Ciência – da UNIFESP – é a grande referência, disponibilizando cartilhas, ebooks, e até sequências didáticas para professores e curiosos. Portais como a Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano reúne livros, almanaques e podcasts que traduzem a ciência complexa em um conteúdo leve para todas as idades.

Acompanhar podcasts é uma das formas mais dinâmicas de entender as transformações da zona costeira e a urgência climática enquanto você faz outras atividades. O podcast Ressoa: Uma Janela para o Mar (parceria Unicamp e Rede Ressoa) é uma excelente escolha, dedicando episódios inteiros aos ecossistemas costeiros brasileiros e sua relação com a sociedade. Outra referência indispensável é o podcast Maré Sonora, que traz especialistas discutindo o papel do oceano na crise climática e relatos de travessias pela nossa costa.
Para quem quer ir além das informações genéricas, existem jornais e portais especializados que tratam o mar como o protagonista. O Jornal da USP (seção Oceanos) é uma das melhores fontes em português, trazendo descobertas científicas e impactos climáticos de forma clara e atualizada. Outro destaque essencial é o ((o))eco, um portal de jornalismo ambiental que dedica uma editoria inteira aos oceanos, com reportagens profundas sobre pesca, conservação e as ameaças às nossas zonas costeiras.
No Instagram, o perfil do Maré da Ciência (@maredeciencia) informa sobre a Década do Oceano e o conceito de cultura oceânica de forma visual e interativa. O caiçara de Angra do Reis, Vinícius Oliveira (@viniatlantida), através de vídeos, mostra retirada de lixo e resíduos das praias. O fotógrafo de natureza Rafael Mesquita (@rafa.mesquita) sensibiliza sobre a biodiversidade marinha compartilhando fotos e vídeos no seu dia a dia no mar. Já a velejadora solitária Tamara Klink, mostra em seu perfil suas expedições em altas latitudes e aborda como as mudanças no clima estão afetando estes ambientes.Para conhecer e se informar sobre a biodiversidade marinha, o Projeto Baleia Jubarte (@projetobaleiajubarte) e o Amigos da Jubarte (@amigosdajubarte) mostram conteúdos sobre conservação, migração e impactos para o equilíbrio climático. Outros perfis indispensáveis são do SOS Mata Atlântica (@sosmataatlantica), que realiza um trabalho gigante de proteção da zona costeira e monitoramento da qualidade da água do mar; e o Monitoramento Mirim Costeiro (@monitoramentomirimcosteiro), uma referência de ciência cidadã, mostrando como crianças e comunidades aprendem a cuidar do litoral catarinense.
O oceano também é palco para narrativa na literatura, servindo de inspiração para autores clássicos como o baiano Jorge Amado, autor de livros como Capitães de Areia e Mar Morto, que explora o mar como parte relevante da identidade sociocultural brasileira. Ou para o francês Jules Verne, que fez do oceano palco de muitas aventuras em livros como, “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “Os filhos do capitão Grant”, “O Farol do Fim do Mundo” e “Viagem ao Centro da Terra”. Este último, inclusive, inspirou a descoberta científica de que há um oceano no centro da terra. Mas, para além dos romances, há excelentes livros que nos aproximam do mar, bons exemplos são os livros “Expedição Oriente”, “Um mundo de Aventuras” e “10 anos no mar”. Nestes e outros, Heloísa Schurmann a matriarca da família de velejadores, narra as experiências da família em suas viagens ao redor do mundo, nos levando para viajar juntos em contextos culturais e ambientais em que o oceano é protagonista. Ainda com inspiração na vela, o livro “Nós” da velejadora solitária Tamara Klink nos lembra de forma poética o quão pequeno somos diante da imensidão do oceano. A literatura infanto-juvenil também está representada, alguns livros como a série “Suvaco”, onde o cachorro de mesmo nome leva os pequenos em aventuras e descobertas pelo oceano. O livro “Nas Terras do Vento” do velejador Beto Pandiani também tem como um dos personagens um cachorro, que junto com o jovem Espaguete, vive aventuras e traz ao público juvenil a realidade da poluição plástica no mar da Patagônia.
O Blog Um Oceano tem parceria com a Rede Ressoa Oceano

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