{"id":1176,"date":"2025-03-22T22:35:37","date_gmt":"2025-03-23T01:35:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/?p=1176"},"modified":"2025-03-26T16:57:46","modified_gmt":"2025-03-26T19:57:46","slug":"a-luta-de-um-pescador-artesanal-na-terceira-maior-reserva-extrativista-marinha-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/2025\/03\/22\/a-luta-de-um-pescador-artesanal-na-terceira-maior-reserva-extrativista-marinha-do-brasil\/","title":{"rendered":"A luta de um pescador artesanal na terceira maior reserva extrativista marinha do Brasil\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" has-medium-font-size eplus-wrapper\"><em>Pescador artesanal observa a redu\u00e7\u00e3o de pescados<\/em> <em>na Resex de Cururupu (MA) devido \u00e0 pesca predat\u00f3ria, explora\u00e7\u00e3o da grude e falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1177\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1-500x281.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1-800x450.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/sardinha-resex-cururupu-1.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sardinha nas m\u00e3os do pescador tradicional na ilha de Ca\u00e7acueira, uma das 15 ilhas que fazem parte da Resex de Cururupu (MA). Cr\u00e9ditos: Ca\u00e7acueira em evid\u00eancia\/ Instagram<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-2fa286dd3f62a551f54f92a3f6d642d9\">H\u00e1 cerca de seis horas de S\u00e3o Lu\u00eds (MA), na ilha de Ca\u00e7acueira em Cururupu, reside Joilton Tobias Pereira, pescador artesanal, artista pl\u00e1stico e l\u00edder comunit\u00e1rio na Reserva Extrativista de Cururupu (Resex Cururupu). Desde 2020, atua na Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores da Reserva Extrativista Marinha de Cururupu, onde assumiu o protagonismo de defender as demandas das comunidades e de articular formas de melhorar a gest\u00e3o da Resex junto ao Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e de outras entidades p\u00fablicas e privadas. Nesta entrevista \u00e0 rede <a href=\"https:\/\/ressoaoceano.eco.br\">Ressoa Oceano<\/a>, ele conta sobre os desafios enfrentados na Resex e critica a falta de di\u00e1logo com o ICMBio, que dificulta a participa\u00e7\u00e3o da comunidade na tomada de decis\u00e3o para acelerar a conserva\u00e7\u00e3o da reserva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-c9bb4caabb11cd7e411c4e9b0493c052\"><br>No Nordeste brasileiro uma das primeiras Reservas Extrativistas que surgem no in\u00edcio dos anos 2000 \u00e9 a Resex de Cururupu. Criada em 2004, a Resex \u00e9 considerada a terceira maior no contexto costeiro-marinho do litoral brasileiro, com cerca de 186 mil hectares de extens\u00e3o. O territ\u00f3rio da Resex \u00e9 utilizado por cerca de 1.229 fam\u00edlias e 12 comunidades pesqueiras, distribu\u00eddas no continente e em quatro arquip\u00e9lagos com 15 ilhas. A regi\u00e3o \u00e9 composta de estu\u00e1rios, ilhas, ba\u00edas, restingas, dunas, apicuns (zonas arenosas normalmente desprovidas de vegeta\u00e7\u00e3o, que ocorrem na transi\u00e7\u00e3o entre manguezal e terra firme), praias arenosas, vegeta\u00e7\u00e3o de terra firme e manguezais, sendo, esse \u00faltimo, o ecossistema predominante.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image \">\n<figure class=\"aligncenter size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"447\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/os-guaras-e-mangue-cerrado-640x447-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1178\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/os-guaras-e-mangue-cerrado-640x447-1.jpg 640w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/os-guaras-e-mangue-cerrado-640x447-1-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/os-guaras-e-mangue-cerrado-640x447-1-500x349.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mangues e guar\u00e1s na Resex de Cururupu. Cr\u00e9ditos: Jo\u00e3o Lara Mesquita\/ Mar Sem Fim<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-f2dde45c8b66063aef53f9701a67b7ae\">No contexto internacional, essa Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) comp\u00f5em a maior faixa cont\u00ednua de manguezais do mundo, s\u00e3o mais de 7 mil quil\u00f4metros que se estendem da regi\u00e3o amaz\u00f4nica do Amap\u00e1 ao Maranh\u00e3o \u2014 estado que concentra a maior \u00e1rea ocupada de manguezal no Brasil. Os manguezais presentes na Resex ocupam uma \u00e1rea de cerca de 600 km2, onde as \u00e1rvores do manguezal atingem mais de 30 m. A Resex Cururupu \u00e9, portanto, um territ\u00f3rio de extrema import\u00e2ncia socioambiental, que visa a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e a prote\u00e7\u00e3o das culturas e meios de vida das comunidades, garantindo o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-d325c5a8cc04d8f420bc1fde08e0068d\">No Brasil, h\u00e1 mais de um milh\u00e3o de pescadores profissionais ativos e licenciados, segundo o Painel de Consultas do Sistema do Registro Geral da Atividade Pesqueira. Muitos deles fornecem uma fonte nutricional important\u00edssima para a nossa dieta, atrav\u00e9s do pescado. Entre 45 a 70% de toda a produ\u00e7\u00e3o anual de pescado desembarcado no Brasil \u00e9 oriunda da pesca artesanal, segundo dados do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura. Uma grande contribui\u00e7\u00e3o para o combate \u00e0 fome, a gera\u00e7\u00e3o de emprego e a seguran\u00e7a alimentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"470\" height=\"631\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-16.30.00.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1179\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:cover\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-16.30.00.jpeg 470w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-16.30.00-223x300.jpeg 223w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cEstipulo, em m\u00e9dia, 300 quilos ao m\u00eas em uma pesca mais efetiva, porque tem toda uma varia\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes a mar\u00e9 est\u00e1 boa, as vezes est\u00e1 ruim\u201d, avalia Joilton sobre o rendimento da pesca artesanal na Resex de Cururupu. Cr\u00e9ditos: Joilton Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-40eb4a93496c39993636cd2d0c38f962\">Joilton, de 52 anos, nasceu na ilha de Ca\u00e7acueira na Resex de Cururupu. Morou em Bel\u00e9m (PA) e em S\u00e3o Lu\u00eds (MA) at\u00e9 retornar \u00e0 Ca\u00e7acueira em 2012, quando ingressou na profiss\u00e3o de pescador artesanal. Atrav\u00e9s da pesca, Joilton obt\u00e9m a sua principal fonte de renda, cerca de 300 kg de peixe ao m\u00eas. A maior parte do pescado \u00e9 vendida, o que gera uma renda m\u00e9dia mensal de R$800 e outra parte do que \u00e9 pescado \u00e9 destinado ao consumo pr\u00f3prio e \u00e9 compartilhado com outros comunit\u00e1rios da Resex. A generosidade \u00e9 um costume cultivado pelas comunidades pesqueiras, segundo Joilton.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-fa94b821b9e1832e7d7c5e365da9c036\">O pescador artesanal tamb\u00e9m se dedica, h\u00e1 cinco anos, \u00e0 diretoria de Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores da Reserva Extrativista Marinha de Cururupu, na fun\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio. No intuito de trazer melhorias para as comunidades e para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, Joilton busca dar o exemplo e incentiva os comunit\u00e1rios a extra\u00edrem apenas o necess\u00e1rio dos recursos pesqueiros, para n\u00e3o amea\u00e7ar as esp\u00e9cies. Mas segundo o pescador, essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, pois muitos extrativistas n\u00e3o seguem os acordos e pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-a15ce8a581d7d169738566ed09b70620\">Em paralelo, Joilton dialoga com as entidades respons\u00e1veis pela gest\u00e3o da Reserva para minimizar os problemas que afetam o territ\u00f3rio, que para Joilton, est\u00e3o associados, principalmente, a pesca predat\u00f3ria e industrial, ao com\u00e9rcio da grude (cola fabricada a partir da bexiga natat\u00f3ria de peixes, \u00f3rg\u00e3o que regula ar e equil\u00edbrio na nata\u00e7\u00e3o) e a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o pelo ICMBio, principal respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da Resex.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-cbd327317cb929d4c52afaa8352fbe3c\">De acordo com o ICMBio, entre 2020 e 2024, foram realizadas 19 opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o em Cururupu, resultando em 36 autos de infra\u00e7\u00e3o lavrados, com multas totalizando mais de R$1,5 milh\u00e3o. No entanto, antes da gest\u00e3o pelo N\u00facleo de Gest\u00e3o Integrada (NGI ICMBio) de S\u00e3o Lu\u00eds ser formalizada, entre 2016 e 2019, houve apenas uma a\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a assessoria de imprensa do ICMBio apontou que as reuni\u00f5es do conselho deliberativo ocorrem apenas duas vezes por ano conforme previsto no Regimento Interno. Em 2024, ocorreram em janeiro e outubro a 17\u00aa e a 18\u00aa reuni\u00e3o do conselho. A pr\u00f3xima reuni\u00e3o est\u00e1 prevista para acontecer em abril.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-2ec7dc9c04386e92fd23bcc9c8001634\">Para complementar sua renda, Joilton atua com revenda de alguns produtos (como bomba de po\u00e7o), que compra pela internet ou na cidade de Cururupu, para as comunidades da Resex. Al\u00e9m disso, recebe renda extra atuando como artista pl\u00e1stico, na produ\u00e7\u00e3o de obras de arte, esculturas e telas. Atrav\u00e9s da arte, o pescador encontrou um meio de reaproveitar os materiais descartados pelas comunidades pesqueiras, ou na coleta de res\u00edduos nas praias, e assim transmitir uma mensagem de conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental. Suas esculturas s\u00e3o produzidas a base de arame revestido de isopor, papel, massa acr\u00edlica misturada com serragem e o acabamento com tinta acr\u00edlica de acetato de polivinila.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-a875edb9f95d42704fcdbf629cedf0c7\">Esse cururupuense, filho e neto de pescadores artesanais, tornou-se uma das principais lideran\u00e7as comunit\u00e1rias da Resex e defensor da conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e do modo de vida sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-04ca3457f025ef0f766bf6c8cced7f22\"><strong>Voc\u00ea sempre morou em Ca\u00e7acueira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-f386cf6cac91660b582839fd9e74173f\"><em>N\u00e3o, j\u00e1 morei em Bel\u00e9m, acho que durante uns vinte anos, em busca de estudo e oportunidade de trabalho, porque a gente na praia tem poucas oportunidades, ficamos muito limitados \u00e0 pesca. Morei tamb\u00e9m em S\u00e3o Lu\u00eds por sete anos, nesse mesmo intuito, especialmente para trabalhar fora da pesca. Retornei para Ca\u00e7acueira, em Cururupu, no ano de 2012, fazendo tamb\u00e9m companhia a um sobrinho que passou a estudar em Cururupu. Ent\u00e3o fico nesse tr\u00e2nsito [entre Cururupu e a ilha de Ca\u00e7acueira].&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-658b271799b65934f3c1df19a2c830dc\"><strong>Por que decidiu retornar para a Reserva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-e6aa583a1c92f1b966b07d437dc72957\"><em>Muita viol\u00eancia na cidade e desejo de conv\u00edvio com os familiares dentro de minha origem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-9d38dd5061f0410c0caa3f8cab3682bd\"><strong>E, como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com Ca\u00e7acueira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-8bf09352e57a86e87dd192e51bf624d5\"><em>Hoje eu atuo como ambientalista volunt\u00e1rio, em decorr\u00eancia de entender melhor a import\u00e2ncia deste meio ambiente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-e99e7074b358821e6e5a45faa0b22972\"><strong>Como foi para voc\u00ea retornar a Reserva em 2012 e ingressar na profiss\u00e3o de pescador artesanal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-6723336aa47bd3edbcab86d1db6c867c\"><em>Dificultoso, adapta\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o diferenciado do servi\u00e7o urbano. Venci as dificuldades principalmente com persist\u00eancia e tamb\u00e9m pela necessidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-13ac116640c97612148a2f970635149c\"><strong>Seus pais e av\u00f3s s\u00e3o nascidos em Ca\u00e7acueira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-152866cf32c44f55742fe7ee30155a78\"><em>Meus pais e av\u00f3s n\u00e3o nasceram em Ca\u00e7acueira, mas quando ainda eram crian\u00e7as vieram para Ca\u00e7acueira, mas nasceram em localidades pr\u00f3ximas.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-e08e27280e7f63cfb4e5c7aa0f10af17\"><strong>E voc\u00ea sabe dizer sobre a descend\u00eancia da sua fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-ed8ccc31e8cf3a28f0ef60f94fecbc45\"><em>Minha m\u00e3e e meu av\u00f4 eram negros, mas n\u00e3o tenho como afirmar se eles tem origem de escravos. Os meus av\u00f3s paternos s\u00e3o de pele mais clara, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sei dizer a origem deles<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-18801fdf29d30f099bcf26bb1b79b92d\"><strong>Poderia contar um pouco sobre seu trabalho como artes\u00e3o?<br><\/strong><br><em>Sobre o meu trabalho de artes\u00e3o, estou sempre interessado em aprender alguma coisa relacionada \u00e0 arte. Seja na parte de confec\u00e7\u00e3o de material, no qual me dedico mais, recicl\u00e1vel, transformar boa parte do material que est\u00e1 presente no nosso dia a dia, que n\u00f3s mesmos produzimos ou que chega atrav\u00e9s do mar, seja o isopor, a garrafa pet, papel. Estou sempre tentando aprimorar o meu trabalho olhando o exemplo de outros para fazer coisas relacionadas a nossa realidade, elementos que retratam o nosso contexto de pesca de mar. No meu trabalho est\u00e1 muito presente a quest\u00e3o do peixe, do pescador, da canoa, do barco e da rede. Mas tamb\u00e9m me interesso pela quest\u00e3o da m\u00fasica, para buscar formas de colocar em pr\u00e1tica essa atividade tamb\u00e9m dentro das nossas comunidades, que precisa de v\u00e1rias atividades art\u00edsticas que possam ser aplicadas, como a m\u00fasica. Como n\u00e3o temos essa atividade, mas vendo o exemplo&nbsp; acontecendo em outras realidades, semelhante a nossa, fico nesse desejo e tento me mobilizar, discutir com outros nessa busca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns eplus-wrapper is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"827\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2-827x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1187\" style=\"width:246px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2-827x1024.jpeg 827w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2-242x300.jpeg 242w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2-768x951.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2-500x619.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2-800x990.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-2.jpeg 1034w\" sizes=\"(max-width: 827px) 100vw, 827px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1-920x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1185\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1-920x1024.jpeg 920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1-270x300.jpeg 270w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1-768x855.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1-500x557.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1-800x890.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.47-1.jpeg 1150w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\" wp-block-image size-large is-resized eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48-828x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1184\" style=\"width:247px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48-828x1024.jpeg 828w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48-243x300.jpeg 243w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48-768x950.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48-500x618.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48-800x989.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-05-at-14.36.48.jpeg 1035w\" sizes=\"(max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esculturas produzidas pelo pescador Joilton, retratam os modos de vida das comunidades pesqueiras da Resex. Cr\u00e9ditos: Joilton Pereira<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-ad78319df9aacdeca4e2adae733d4db9\"><strong>Quais s\u00e3o as suas principais fontes de inspira\u00e7\u00e3o para criar arte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-f95a21ebb326a19fd23381ec7589e5e8\"><em>A inspira\u00e7\u00e3o vem muito do cen\u00e1rio rural em que vivemos, principalmente a fauna e flora, assim como a pr\u00f3pria viv\u00eancia nesta \u00e1rea de pesca e manguezal. <\/em><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-23662b9879f5031b06c06efdfb6cd827\"><strong>Joilton, em rela\u00e7\u00e3o aos recursos presentes na Resex, quais deles s\u00e3o mais extra\u00eddos pelas comunidades pesqueiras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-5e78d651252a0814f4e4f34ff063f91b\"><em>Nosso produto de sustento se resume basicamente ao peixe e camar\u00e3o, os quais s\u00e3o utilizados para consumo e comercializa\u00e7\u00e3o. Enquanto o caranguejo, <\/em><em>sururu <\/em><em>e ostra s\u00e3o obtidos geralmente para consumo apenas. Essa produ\u00e7\u00e3o tem sido escoada no decorrer do tempo para S\u00e3o Lu\u00eds e Par\u00e1.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-c8e512f216965540f0c652a9afee5a19\"><strong>Quais os maiores desafios que voc\u00ea enfrenta na Resex?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-954a0e913d8e6feee1530499e32b3719\"><em>Temos os conflitos que se referem \u00e0 pesca predat\u00f3ria praticada por alguns dos pr\u00f3prios moradores, assim como por v\u00e1rias embarca\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios estados e outros munic\u00edpios com uma capacidade industrial, e que pega boa parte do pescado e deixa as pessoas da comunidade um tanto prejudicadas, porque a produ\u00e7\u00e3o tem ca\u00eddo cada vez mais no decorrer dos anos, e isso \u00e9 preocupante. Tem a quest\u00e3o da grude tamb\u00e9m, que \u00e9 muito presente cada vez mais forte. A grude t\u00e1 valendo mais, ent\u00e3o o peixe \u00e9 pescado cada vez mais mi\u00fado. E isso compromete o equil\u00edbrio e a sustentabilidade. O ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade] n\u00e3o tem o pessoal nem o recurso para estar mais presente discutindo com a gente [sobre] a fiscaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 no sentido punitivo, mas no sentido preventivo. E a\u00ed tentamos fazer as cobran\u00e7as para aquilo que foi discutido, j\u00e1 que a Resex foi decretada para que acontecessem melhorias. Na teoria fluiu, mas na pr\u00e1tica muito tem se deixado a considerar. Claro, que n\u00e3o \u00e9 somente na Resex Cururupu, mas em todo o Brasil. Muitas vezes nos sentimos impotentes e invis\u00edveis, e as comunidades que vivem nessas \u00e1reas sofrem amea\u00e7as de v\u00e1rias formas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-b170f8c6cc3f11ace34ae5b984fa0661\"><strong>Quais s\u00e3o as amea\u00e7as que afetam as comunidades que vivem na Resex?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-444e4e96f9e18d3165d37d6d22de7403\"><em>As amea\u00e7as, posso dizer que a pesca predat\u00f3ria [est\u00e1] em primeiro lugar. Tem a quest\u00e3o tamb\u00e9m de cria\u00e7\u00e3o de animais de grande porte, que tamb\u00e9m traz para n\u00f3s algum preju\u00edzo e inc\u00f4modo para os pr\u00f3prios comunit\u00e1rios. Voltando a essa pesca predat\u00f3ria, \u00e9 praticada pelos pr\u00f3prios moradores que n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia da consequ\u00eancia disso para os pr\u00f3prios, assim como as outras embarca\u00e7\u00f5es de outras localidade que chegam e praticam a pesca de qualquer forma, n\u00e3o se adequando \u00e0quilo do que tem constado no regimento interno. Embarca\u00e7\u00f5es de grande porte que v\u00eam de outros munic\u00edpios e que praticam outros tipos de pesca comprometem o sustento das nossas comunidades. Esp\u00e9cies de peixes tem sumido e outras t\u00eam diminu\u00eddo sensivelmente, e isso \u00e9 preocupante. A gente est\u00e1 sempre tentando discutir, conversar com as autoridades, as alternativas que podem ser adotadas para minimizar esse problema. A quest\u00e3o da pr\u00f3pria subida do mar, cada vez mais as nossas ilhas est\u00e3o sofrendo com a eros\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image \">\n<figure class=\"alignright size-medium eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"101\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/345px-Pescada_go-300x101.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1180\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/345px-Pescada_go-300x101.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/345px-Pescada_go.png 345w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Corvina-g\u00f3 (Macrodon ancylodon) peixe encontrado do Par\u00e1 ao Maranh\u00e3o de grande valor comercial, que v\u00eam sofrendo redu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos segundo observa\u00e7\u00e3o dos pescadores artesanais. Cr\u00e9ditos: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-0f98d2ee7390ab4f01c50493c7a6bf01\"><strong>A pesca predat\u00f3ria \u00e9 o maior problema que enfrentam na Resex?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-a3e64b7c51c82629a33b32c6eba3ef92\"><em>A pesca predat\u00f3ria tem esse legado negativo que vai dizimando o que \u00e9 de sustento dessas comunidades que vivem da pesca artesanal. A gente v\u00ea, cada vez mais, a redu\u00e7\u00e3o de diversos peixes. A corvina-g\u00f3 que era um peixe muito presente, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 tanto, o peixe-serra quase n\u00e3o \u00e9 mais capturado, principalmente no inverno enchia a embarca\u00e7\u00e3o. Hoje, peixe grande \u00e9 pescado em mar aberto nas pescas industriais. Outro peixe com redu\u00e7\u00e3o \u00e9 o peixe-pedra, que era um peixe bem presente, mas est\u00e1 bem escasso.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-327f91b77da6518da90ccec75ba68433\"><em>N\u00f3s, como lideran\u00e7as, procuramos desenvolver essa fala na comunidade, com o pescador e com as fam\u00edlias. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A gente passa por um certo descr\u00e9dito, porque as pessoas n\u00e3o acreditam, se iludindo que [o pescado] \u00e9 um bem que nunca vai faltar. E eles v\u00e3o ali porque, se eles n\u00e3o pescam ou reduzem o per\u00edodo de pesca, outro vai e captura, ou de outra comunidade pr\u00f3xima. E n\u00e3o tendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada, as pessoas aproveitam a brecha para pescar, e esse pescado n\u00e3o \u00e9 para a sobreviv\u00eancia, mas para obter mais dinheiro. Quando h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pouca. O ICMBio diz que n\u00e3o tem recursos, o governo n\u00e3o disponibiliza, e n\u00f3s entendemos que o ICMBio tamb\u00e9m \u00e9 omisso, n\u00e3o cumpre, n\u00e3o se empenha como deveria, por mais que tenha dificuldade,&nbsp; para desenvolver conversas, estrat\u00e9gias para disseminar conhecimento entre os pr\u00f3prios moradores, n\u00e3o apenas a condi\u00e7\u00e3o repressiva, mas preventiva. As reuni\u00f5es de conselho s\u00e3o uma precariedade para acontecer, e acontecem por muita insist\u00eancia, enviando of\u00edcio, chamando outras autoridades para cobrar do ICMBio, para discutir as demandas das comunidades. E, assim, vamos trabalhando com as nossas limita\u00e7\u00f5es enquanto lideran\u00e7as de comunidades tradicionais, dentro de nossas ilhas e praias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-270a4e4eb58cb4a3c54d8763b458814b\"><strong>Que medidas poderiam ser adotadas para melhorar a gest\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o das comunidades com o ICMBio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-a9cff5a289cd47766e363377fd413d9b\"><em>Para come\u00e7ar, as medidas com o ICMBio est\u00e3o prec\u00e1rias. Estamos h\u00e1 algum tempo em um embate, tendo o ICMBio como nosso principal inimigo, infelizmente, quando deveria ser nosso principal amigo. Porque muitas vezes, o ICMBio n\u00e3o reconhece a voz das comunidades na pr\u00e1tica. Na teoria sempre faz discurso, quase chega a chorar, mas na pr\u00e1tica desconhece e ignora, toma as decis\u00f5es de modo unit\u00e1rio. N\u00e3o discute com as comunidades e Associa\u00e7\u00e3o e atropela. E a gente tem visto a gest\u00e3o cada vez mais ensimesmada, buscando prestigiar a pr\u00f3pria imagem e isso dificulta. Ent\u00e3o, temos propostas, projetos e necessidades dentro das comunidades que precisam ser trabalhadas e que normalmente o ICMBio se mant\u00e9m distanciado, enfraquecendo as discuss\u00f5es. O pr\u00f3prio Conselho Deliberativo, que n\u00f3s, enquanto Associa\u00e7\u00e3o, temos nos empenhado muito para que seja reativado, foi uma luta muito demorada e \u00e1rdua e o ICMBio colocando dificuldade para, justamente, ficar sozinho na gest\u00e3o. Ent\u00e3o, essas s\u00e3o algumas medidas iniciais que precisamos para ao menos minimizar diversos problemas dentro das comunidades.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image \">\n<figure class=\"alignright size-medium eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"145\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-300x145.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1182\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-300x145.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-1024x494.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-768x370.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-1536x740.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-2048x987.png 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-500x241.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-800x386.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-1280x617.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/03\/Sciades_parkeri-1920x925.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gurijuba (Sciades parkeri), tipo de bagre de grande import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, que se encontra vulner\u00e1vel na lista vermelha da IUCN (A Lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais). Cr\u00e9ditos: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-51c53e97c9131228de435bcb29c5e581\"><strong>Que tipos de pescados s\u00e3o mais afetadas por causa da grude?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-ea1acc2d4246c2f919212b2941d73c73\"><em>O com\u00e9rcio da grude s\u00f3 tem se fortalecido. Aumentado o n\u00famero de compradores, eles vendem geralmente o peixe j\u00e1 sem a grude, comercializam em separado. A pescada amarela vai nesse pacote e vem sofrendo uma redu\u00e7\u00e3o do tamanho. O gurijuba j\u00e1 desapareceu do nosso territ\u00f3rio e era um peixe, um bagre grande, amarelado, uma carne valorizada, n\u00e3o tanto quanto a pescada amarela, mas a grude \u00e9 muito valorizada. A corvina, tamb\u00e9m \u00e9 uma pescada bem gra\u00fada, tamb\u00e9m sofreu redu\u00e7\u00e3o. A corvina-g\u00f3 tamb\u00e9m \u00e9 explorada a grude, n\u00e3o tanto quanto a gurijuba.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-b990d8352bbbd10d0bddf7b9dd971ea7\"><strong>Quais as maiores conquistas que voc\u00ea observa na comunidade?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size eplus-wrapper wp-elements-b52ea87062338e3f64489e5ca9b1daef\"><em>Como maiores conquistas, a gente pode citar aqui o reconhecimento da autonomia, da associa\u00e7\u00e3o dispondo do documento CCDRU [Contrato de Concess\u00e3o de Direito Real de Uso] que d\u00e1 direito ao uso deste territ\u00f3rio para articular com entidades na condi\u00e7\u00e3o de detentora desta autonomia aqui, que nos \u00e9 delegada. \u00c0s vezes&nbsp; temos algum conflito com o pr\u00f3prio ICMBio que n\u00e3o quer reconhecer, mas \u00e9 uma conquista. A outra foi a quest\u00e3o do <\/em><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/composicao\/snpct\/dpct\/bolsa-verde\"><em>Bolsa Verde<\/em><\/a><em> [Programa de Apoio \u00e0 Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental], que \u00e9 uma retomada e que a gente, enquanto Associa\u00e7\u00e3o, tem batido nessa tecla, estamos cobrando sempre, ent\u00e3o \u00e9 uma conquista.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-center eplus-wrapper\"><strong><em>O Blog Um Oceano tem parceria com a Rede\u00a0<a href=\"https:\/\/ressoaoceano.eco.br\/\">Ressoa Oceano<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image \">\n<figure class=\"aligncenter size-medium eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-300x300.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-796\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-300x300.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-768x768.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-1536x1536.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-500x500.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-800x800.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo-1280x1280.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/umoceano\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2023\/12\/ressoa_vert_cor_circulo.png 1800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pescador artesanal observa a redu\u00e7\u00e3o de pescados na Resex de Cururupu (MA) devido \u00e0 pesca predat\u00f3ria, explora\u00e7\u00e3o da grude e falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada H\u00e1 cerca de seis horas de S\u00e3o Lu\u00eds (MA), na ilha de Ca\u00e7acueira em Cururupu, reside Joilton Tobias Pereira, pescador artesanal, artista pl\u00e1stico e l\u00edder comunit\u00e1rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":717,"featured_media":1177,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[107,146,108,147],"class_list":["post-1176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marcas-dagua","tag-comunidadestradicionais","tag-maranhao","tag-pescaartesanal","tag-resexcururupu"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.9 - 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