{"id":11,"date":"2008-08-24T23:49:58","date_gmt":"2008-08-25T02:49:58","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/universofisico\/2008\/08\/a-vida-por-um-nariz\/"},"modified":"2008-08-24T23:49:58","modified_gmt":"2008-08-25T02:49:58","slug":"a-vida-por-um-nariz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/2008\/08\/24\/a-vida-por-um-nariz\/","title":{"rendered":"A vida por um nariz"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">O olfato talvez seja o sentido mais maltratado pela modernidade, depois da audi\u00e7\u00e3o (sobre a neglig\u00eancia com a audi\u00e7\u00e3o veja esta <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/radio4\/reith2006\/lecture2.shtml\">aula do maestro Daniel Barenboim<\/a>). Cheiros desagrad\u00e1veis de produtos de limpeza, de aparelhos de ar condicionado sujos e de fuma\u00e7a de autom\u00f3veis predominam na paisagem olfativa que percebem os poucos habitantes de S\u00e3o Paulo com o nariz descongestionado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">Que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel para a mem\u00f3ria dos paulistanos, d\u00e1 para concluir da reportagem <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2008\/08\/05\/science\/05angier.html?ex=1375848000&amp;en=0ff12ccd79b8e4d0&amp;ei=5124&amp;partner=permalink&amp;exprod=permalink\">&#8220;Nariz, uma M\u00e1quina do Tempo Emocional&#8221;<\/a>, de Natalie Angier, do New York Times, sobre o <a href=\"http:\/\/www.nih.gov\/news\/health\/jul2008\/nidcd-15.htm\">Simp\u00f3sio Internacional sobre Olfata\u00e7\u00e3o e Paladar<\/a> , que aconteceu em julho, em San Francisco, Calif\u00f3rnia. Segundo Angier, pesquisadores estudam terapias que usam cheiros para tratar perda de mem\u00f3ria, dem\u00eancia e depress\u00e3o.<\/span><!--more CONTINUE LENDO--><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">Leia este trecho em que Angier explica a conex\u00e3o entre olfato e mem\u00f3ria:<\/span><\/p>\n<blockquote><p>\n<span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">Por um lado, diz Jay A. Gottfried da Universidade Northwestern, o olfato \u00e9 o nosso sentido lento, pois ele depende de messagens trazidas n\u00e3o \u00e0 velocidade da luz ou do som, mas ao passo muito mais lento de uma brisa passageria, um punhado de ar enriquecido com o tipo de mol\u00e9cula pequena e vol\u00e1til que os nossos receptores de odor nasais podem ler. Ainda assim, o olfato \u00e9 o nosso sentido mais r\u00e1pido. Enquanto novos sinais detectados por nossos olhos e nossos ouvidos t\u00eam de primeiro serem assimilados por uma esta\u00e7\u00e3o estrutural chamada de t\u00e1lamo antes de alcan\u00e7ar as regi\u00f5es interpretativas do c\u00e9rebro, mensagens odor\u00edferas seguem ao longo de caminhos dedicados direto do nariz at\u00e9 o c\u00f3rtex olfat\u00f3rio do c\u00e9rebro para processamento instant\u00e2neo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">Muito importante, o c\u00f3rtex olfat\u00f3rio est\u00e1 imerso dentro do sistema l\u00edmbico e amigdala do c\u00e9rebro, onde nascem as emo\u00e7\u00f5es e as mem\u00f3rias emocionais s\u00e3o armazenadas. \u00c9 por isso que cheiros, sentimentos e mem\u00f3rias tornam-se t\u00e3o facilmente e intimamente entrela\u00e7ados, e porque o simples ato de lavar pratos fez recentemente a prima da Dra. Herz [<a href=\"http:\/\/www.rachelherz.com\/\">Rachel Herz, da Brown University<\/a>] entrar em colapso e chorar. &#8220;O cheiro do sab\u00e3o para os pratos fez ela lembrar de sua av\u00f3&#8221;, disse Dr. Herz, autora de &#8220;The Scent of Desire&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>\n<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">(Em tempo, fiquei sabendo que o artigo da Angier fez sucesso nas reda\u00e7\u00f5es brasileiras. <a href=\"http:\/\/vejaonline.abril.com.br\/notitia\/servlet\/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&amp;pageCode=1&amp;textCode=146389&amp;currentDate=1218232140000\">A Veja<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/vidae\/not_vid218772,0.htm\">o Estad\u00e3o<\/a> e <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Ciencia\/0,,MUL716789-5603,00.html\">o G1<\/a> traduziram o texto na \u00edntegra.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">Se voc\u00ea ainda duvida da import\u00e2ncia do olfato na sua vida,precisa ler <a href=\"http:\/\/www.slate.com\/id\/2195018\/\">o relato comovente de Elizabeth Zierah<\/a>, publicado pela Slate, sobre as mis\u00e9rias de ser um anosmico&#8211;termo m\u00e9dico para a pessoa que perdeu o senso olfativo:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p>\n<span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">(&#8230;) A medida que passavam os dias sem odores e sabores, sentia-me aprisionada dentro de minha pr\u00f3pria cabe\u00e7a, uma esp\u00e9cie de claustrofobia corp\u00f3rea, disassociada. Era como se estivesse assistindo um filme da minha pr\u00f3pria vida. Quando vemos os atores em uma cena de amor, aceitamos que n\u00e3o podemos cheira o suor; quando eles tomam um gole de vinho, n\u00e3o esperamos saborear as uvas. \u00c9 assim que me sinto, como um observador assistindo o personagem de mim mesma.(&#8230;) Sabor e cheiro est\u00e3o intimamente ligados, ent\u00e3o quando perdi meu sentido de olfato, perdi tamb\u00e9m meu apetite. Enquanto as papilas gustativas detectam doce, salgado, azedo, amargo e umami, s\u00e3o as c\u00e9lulas olfat\u00f3rias no nariz que nos permitem apreciar as complexidades deliciosas do sabor. Minhas papilas gustativas funcionam perfeitamente, mas sem o olfato, cada refei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o de doce, salgado, azedo, amargo, ou cartolina vagamente apimentada. Durante o primeiro ano de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 anosmia, perdi oito libras de peso porque tinha de me for\u00e7ar a comer.(&#8230;)n\u00e3o sendo capaz de cheirar a si pr\u00f3pria torna a higiene pessoal incrivelmente estressante.(&#8230;)Mesmo depois do ritual usual de limpeza<\/span><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">&#8211;chuveiro, desodorante, escovar os dentes<\/span><span style=\"font-size: 12pt;font-family: times new roman\">&#8211;ainda tenho uma medo desconfort\u00e1vel de ter esquecido de algo. E se estou fedendo sem saber? E se tenho alguma porcaria na sola do meu sapato, e onde quer que v\u00e1 deixo uma trilha de sujeira? N\u00e3o sou apenas perseguida pelo medo de feder; eu tamb\u00e9m acho a vida mais perigosa. Queimei comida e derreti tigelas tantas vezes que deveria ser declarada um risco de inc\u00eandio ambulante.(&#8230;)<\/span>\n<\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O olfato talvez seja o sentido mais maltratado pela modernidade, depois da audi\u00e7\u00e3o (sobre a neglig\u00eancia com a audi\u00e7\u00e3o veja esta aula do maestro Daniel Barenboim). 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