{"id":158,"date":"2009-10-28T08:53:41","date_gmt":"2009-10-28T11:53:41","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/universofisico\/2009\/10\/zumbis_entrevista_com_o_cienti\/"},"modified":"2009-10-28T08:53:41","modified_gmt":"2009-10-28T11:53:41","slug":"zumbis_entrevista_com_o_cienti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/2009\/10\/28\/zumbis_entrevista_com_o_cienti\/","title":{"rendered":"Zumbis! Entrevista com o cientista que confirma, sim, matem, MATEM os zumbis!!!"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"zombies.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2011\/08\/zombies1.jpg\" width=\"365\" height=\"249\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\">N\u00e3o tenha d\u00f3 de morto-vivo. Se avistar um ou mais, atire nos miolos deles sem parar ou estamos perdidos. Essa \u00e9 a conclus\u00e3o do primeiro modelo epidemiol\u00f3gico do ataque de mortos-vivos comedores de carne humana que transmitem sua maldi\u00e7\u00e3o por saliva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\">Sim, estou falando do famigerado estudo que caiu no radar de sites populares como <a href=\"http:\/\/www.boingboing.net\/2009\/08\/15\/zombie-apocalpyse-th.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Boing Boing<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.wired.com\/wiredscience\/2009\/08\/zombies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wired<\/a> em agosto deste ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\">Meu colega scibling Gabriel Cunha, do RNAm, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\/2009\/08\/zumbis_atire_primeiro_pergunte.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">se fartou de explicar o estudo<\/a>. Na \u00e9poca, eu estava atrapalhado demais para blogar, mas cheguei a enviar umas perguntas por email ao <a href=\"http:\/\/www.mathstat.uottawa.ca\/~rsmith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Robert Smith?<\/a> (o nome dele \u00e9 assim mesmo, com ponto de interroga\u00e7\u00e3o), da Universidade de Ottawa, no Canad\u00e1, que \u00e9 o autor do estudo e que deve visitar o Brasil ano que v\u00eam para participar de um congresso de biologia matem\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\">A seguir, ap\u00f3s o quadro abaixo resumindo a pesquisa, as respostas que Smith? me passou por email, explicando como por tr\u00e1s da piada dos zumbis h\u00e1 muita pesquisa s\u00e9ria envolvida.<\/span><\/p>\n<\/p>\n<div style=\"margin-top: 5px;margin-right: 5px;margin-bottom: 5px;margin-left: 5px;padding-top: 5px;padding-right: 5px;padding-bottom: 5px;padding-left: 5px;float: left;width: 500px;background-color: #66CCFF\">\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px;font-weight: bold\">Matem\u00e1tica Zumbi<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px;font-style: italic\"><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Smith? e tr\u00eas de seus alunos matem\u00e1ticos resolveram estudar seriamente como evoluiria um ataque de zumbis capaz de destruir a civiliza\u00e7\u00e3o. Pasmem, o estudo foi publicado no<\/em> <a href=\"http:\/\/www.mathstat.uottawa.ca\/~rsmith\/zombies.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>quarto cap\u00edtulo<\/em><\/a> <em>de um livro sobre modelos de doen\u00e7as infecciosas.<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Eles assumiram condi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas baseadas em filmes de terror populares, filhos do cl\u00e1ssico de 1968, <a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0063350\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nigth of the Living Dead<\/a>, de George Romero.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>O que fizeram foi simplismente usar uma classe de modelos matem\u00e1ticos conhecido como<\/em> <a href=\"http:\/\/mathworld.wolfram.com\/SIRModel.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>SIR<\/em><\/a> <em>usado no estudo de doen\u00e7as infecciosas. Tr\u00eas equa\u00e7\u00f5es diferenciais relativamente simples que determinam como tr\u00eas vari\u00e1veis evoluem no tempo: o n\u00famero de pessoas<\/em> <strong><em>S<\/em><\/strong><em>ucet\u00edveis a serem infectadas, o n\u00famero de pessoas<\/em> <strong><em>I<\/em><\/strong><em>nfectadas, e o n\u00famero de pessoas<\/em> <strong><em>R<\/em><\/strong><em>ecuperadas (da\u00ed a sigla do modelo) .<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>No caso dos zumbis, as vari\u00e1veis s\u00e3o Sucet\u00edveis (todo mundo que topar com zumbis), Zumbis (autoexplicativo) e Removidos (zumbis mortos por destrui\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro). O desafio de modelar a &#8220;doen\u00e7a&#8221; \u00e9 que os doentes voltam \u00e0 vida.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Simth? e colegas partiram desse modelo simples e foram adicionando complica\u00e7\u00f5es. As conclus\u00f5es do estudo nas palavras dos pesquisadores:<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>&#8220;Um surto de zumbis infectando humanos ser\u00e1 provavelmente um desastre, a menos que t\u00e1ticas extremamente agressivas sejam empregadas contra os mortos-vivos. Enquanto uma quarentena agressiva possa erradicar a infec\u00e7\u00e3o, \u00e9 improv\u00e1vel que isso ocorra na pr\u00e1tica. Uma cura apenas resultaria em alguns humanos sobrevivendo ao surto, embora eles teriam ainda que coexistir com os zumbis. Apenas ataques suficientemente frequentes, com for\u00e7a cada vez maior, resultariam em eradica\u00e7\u00e3o, assumindo que os recursos dispon\u00edveis possam ser agregados a tempo.&#8221;<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><strong><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\">Como surgiu a ideia de modelar um ataque de zumbis?<\/span><\/strong><\/p>\n<div class=\"im\">\n<span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Robert Simth?<\/em> : Eu estava dando uma aula sobre modelagem de doen\u00e7as e propus um projeto a meus estudantes. Eu disse que eles poderiam fazer qualquer modelagem que quisessem, desde que envolvesse alguma doen\u00e7a. Em seguida, um grupo veio at\u00e9 minha sala dizendo &#8220;Temos uma ideia, mais \u00e9 meio fora do convencional: zumbis!&#8221; Respondi prontamente que eles fossem em frente, o que pode t\u00ea-los surpreendido um pouco.<span style=\"font-family: TimesNewRomanPSMT;font-size: 12px\">Q<\/span>uando eles voltaram com um manuscrito preliminar, examinei o modelo e disse &#8220;j\u00e1 vi <em><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0365748\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Shaun of the Dead<\/a><\/em> e isso n\u00e3o funciona assim. Senhores, voc\u00eas precisam voltar pra casa e assistir alguns flimes este fim-de-semana&#8230;&#8221; Dessa maneira, n\u00f3s desenvolvemos a &#8220;biologia&#8221; at\u00e9 termos um modelo satisfat\u00f3rio.<\/span>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<div class=\"im\">\n<span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><strong>Como voc\u00eas conseguiram publicar o artigo como cap\u00edtulo de um livro?<\/strong><\/p>\n<p><\/span>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Robert Simth?<\/em> : Eu j\u00e1 tinha um cap\u00edtulo de livro sobre g\u00eanero e HIV em localidades urbanas e rurais em um publica\u00e7\u00e3o irm\u00e3, <em>Advances in Disease Epidemiology<\/em>. Quando li o relat\u00f3rio da grupo, pensei que seria interessante submet\u00ea-lo, ent\u00e3o enviei um email perguntando ao editor. Ele disse sim, mas que precisava dele em 3 dias. Eu estava em Newfoundland para uma defesa de doutorado. Ent\u00e3o transformei o relat\u00f3rio em um artigo acad\u00eamico e o submeti. Quando recebemos a confirma\u00e7\u00e3o oficial, ela dizia algo como &#8220;o corpo editorial avaliou seu cap\u00edtulo e o considerou apropriado para publica\u00e7\u00e3o. O modelo matem\u00e1tico \u00e9 consistente, o problema bem colocado, as quantidades apropriadas&#8230; Oh, e ali\u00e1s, acreditamos que seja o primeiro modelo matem\u00e1tico de uma doen\u00e7a fict\u00edcia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><strong>Como outros pesquisadores reagem quando ficam sabendo que voc\u00eas publicaram um modelo de ataque de zumbis?<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"im\">\n\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Robert Simth?<\/em> : A maioria fica intrigada, embora algumas poucas pessoas nunca tenham ouvido falar em zumbis e me perguntem &#8220;essa doen\u00e7a \u00e9 real?&#8221;. Isso provavelmente porque apresentei a pesquisa na confer\u00eancia da Sociedade de Biologia Matem\u00e1tica em Vancouver no \u00faltimo julho, fingindo que era tudo real. Tamb\u00e9m foi a primeira palestra que j\u00e1 fiz onde o tempo para quest\u00f5es durou mais que a palestra original. Todo mundo tinha ideias do que fazer a seguir!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><strong>No artigo voc\u00eas dizem que &#8220;claramente, esse \u00e9 um cen\u00e1rio improv\u00e1vel se tomado literalmente, mas poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es na vida real podem incluir filia\u00e7\u00f5es a partidos pol\u00edticos ou doen\u00e7as com infec\u00e7\u00e3o dormente&#8221;. Poderia me dar um exemplo de como a filia\u00e7\u00e3o a partidos pol\u00edticos poderia se parecer com zumbis?<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Robert Simth?<\/em> : A principal maneira pela qual zumbis diferem de outras doen\u00e7as infecciosas \u00e9 que os mortos podem volta a vida. Assim, pensamos nessa mudan\u00e7a de estado&#8211;de vivo para morto e vivo de novo, ou de Democrata para Republicano e de novo Democrata&#8211;como algo que pudesse ser an\u00e1logo.<\/span><\/p>\n<div class=\"im\">\n\n<\/div>\n<div class=\"im\">\n\n<\/div>\n<div class=\"im\">\n<span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><strong>Al\u00e9m da divers\u00e3o, o que voc\u00ea aprenderam sobre doen\u00e7as reais trabalhando na matem\u00e1tica dos ataques de zumbis?<\/strong><\/span>\n<\/div>\n<div class=\"im\">\n\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Robert Simth?<\/em> : \u00c9 muito instrutivo, porque te d\u00e1 as ferramentas para lidar com uma doen\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 familiar. De fato, a gripe su\u00edna n\u00e3o tinha ainda surgido quando escrevemos o artigo, mas desde ent\u00e3o emergiu. \u00c9 muito importante estar preparado para entender rapidamente como novas doen\u00e7as podem se espalhar e como certas interven\u00e7\u00f5es (vacinas, rem\u00e9dios, quarentena etc) podem afetar o resultado. A modelagem matem\u00e1tica \u00e9 uma grande maneira de fazer isso r\u00e1pido e barato. Assim, embora a aplica\u00e7\u00e3o a zumbis seja divertida, tamb\u00e9m \u00e9 bastante \u00fatil.<br \/><\/span><\/p>\n<div class=\"im\">\n\n<\/div>\n<div class=\"im\">\n<span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><br \/>\n<strong>Voc\u00eas est\u00e3o plenejando publicar um<\/strong> <em><strong>International Journal of Zombie Studies<\/strong><\/em><strong>?<\/strong><\/p>\n<p><\/span>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 14px\"><em>Robert Simth?<\/em> : Um n\u00famero de pesquisadores tem mencionado que est\u00e1 fazendo trabalhos em cima do artigo original, o que acho fant\u00e1stico. Ent\u00e3o, nunca se sabe&#8230;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o tenha d\u00f3 de morto-vivo. Se avistar um ou mais, atire nos miolos deles sem parar ou estamos perdidos. 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