{"id":166,"date":"2010-06-21T09:22:32","date_gmt":"2010-06-21T12:22:32","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/universofisico\/2010\/06\/vuvuzelasaprenda_a_ama-las\/"},"modified":"2010-06-21T09:22:32","modified_gmt":"2010-06-21T12:22:32","slug":"vuvuzelasaprenda_a_ama-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/2010\/06\/21\/vuvuzelasaprenda_a_ama-las\/","title":{"rendered":"Vuvuzelas, aprenda a am\u00e1-las sem ficar surdo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\"><i>Shaya Vuvuzela!<\/i> Ap\u00f3s um longo sil\u00eancio, volto a blogar ao som das vuvuzelas do apocalipse, discutindo a ac\u00fastica da corneta maldita. <em>Shosholoza bafana!<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">A cacofonia da torcida berrando com as vuvuzelas irrita especialmente quem n\u00e3o curte atividades, digamos assim, carnavalescas, como este que vos escreve. Semana passada, os vuvuzeleiros de plant\u00e3o do centro de S\u00e3o Paulo puseram minha paci\u00eancia \u00e0 prova, enquanto trabalhava na j\u00e1 ruidosa assessoria de imprensa da Reitoria da Unesp.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">N\u00e3o \u00e0 toa, portanto, me chamou a aten\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.newscientist.com\/article\/dn19041-what-makes-the-sound-of-vuvuzelas-so-annoying.html\">a entrevista a New Scientist<\/a> do engenheiro de som Trevor Cox, da Universidade de Salford, Reino Unido, explicando as propriedades do som da torcida de vuvuzelas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">A vuvuzela \u00e9 uma corneta de uma nota s\u00f3. Um instrumentista profissional, capaz de soprar uniformemente e manter constante o movimento dos l\u00e1bios, pode at\u00e9 tirar um som agrad\u00e1vel da vuvuzela (veja o v\u00eddeo abaixo). Um torcedor m\u00e9dio, por\u00e9m, tira um tom desafinado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">O som de toda nota musical cantada ou tocada por um instrumento \u00e9 feito de uma soma de ondas sonoras com frequ\u00eancias de oscila\u00e7\u00e3o fixa. A frequ\u00eancia principal \u00e9 chamada de primeiro harm\u00f4nico. Os valores das demais frequ\u00eancias s\u00e3o m\u00faltiplos do valor do primeiro harm\u00f4nico e chamadas de segundo harm\u00f4nico, terceiro harm\u00f4nico etc.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">O Prof. Dulc\u00eddio, do blog F\u00edsica na Veia, <a href=\"http:\/\/fisicamoderna.blog.uol.com.br\/arch2010-06-13_2010-06-19.html#2010_06-13_12_17_46-7000670-0\">estimou a frequ\u00eancia do primeiro harm\u00f4nico de uma vuvuzela<\/a> aproximando a forma da vuvuzela por um tubo sonoro cil\u00edndrico. Pela conta que todo vestibulando deveria saber repetir (aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es sobre vuvuzelas, meninada), o som da vuvuzela \u00e9 feito principalmente de ondas de compress\u00e3o do ar oscilando mais ou menos 250 vezes por segundo, isto \u00e9, a uma frequ\u00eancia de 250 Hertz. O valor exato, segundo Cox, \u00e9 235 Hz. Imagino que a diferen\u00e7a entre a estimativa e o valor medido pelos engenheiros deva ser por conta da forma real da vuvuzela, que est\u00e1 mais para c\u00f4nica do que cil\u00edndrica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Al\u00e9m disso, instrumentos de forma c\u00f4nica, Cox explica na entrevista, produzem harm\u00f4nicos superiores com frequ\u00eancias mais altas do que os produzidos por instrumentos cil\u00edndricos. \u00c9 por isso, por exemplo, que o som do saxofone \u00e9 mais alto que o do clarinete. Os harm\u00f4nicos da vuvuzela, de acordo com Cox, s\u00e3o 235, 470, 700, 940, 1171, 1400 e 1630 Hz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Resumindo, o que faz da vuvuzela irritante s\u00e3o os harm\u00f4nicos altos e o som tonal mas desafinado de milhares de torcedores tocando aleatoriamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">E tamb\u00e9m a intensidade do barulho, claro, arrebenta o ouvido. Segundo <a href=\"http:\/\/www.scielo.org.za\/scielo.php?pid=S0256-95742010000200015&amp;script=sci_arttext\">artigo de pesquisadores sul africanos e norte americanos<\/a>, a vuvuzela soprada com vontade chega a emitir um som cuja intensidade pode alcan\u00e7ar 131 decib\u00e9is na boca do instrumento e 113 decib\u00e9is a 2 metros dela. \u00c9 mais intenso que o som de um britadeira, que fica entre 90 e 100 decib\u00e9is. <a href=\"http:\/\/www.scielo.org.za\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0256-95742010000400024&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en\">Em outro artigo<\/a>, os mesmos pesquisadores reportam casos de surdez tempor\u00e1ria e de danos permanentes \u00e0 audi\u00e7\u00e3o de torcedores durante um jogo amistoso em est\u00e1dio sul africano em 2009.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">A FIFA deveria escutar esses dados. Proibir as vuvuzelas seria ofensivo e antip\u00e1tico. Mas bolar algum tipo de regula\u00e7\u00e3o para o n\u00famero e o volume delas nos est\u00e1dios \u00e9 quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\"><strong>Mercado Anti Vuvuzela<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Nas transmiss\u00f5es dos jogos pela TV, o zumbido de vuvuzelas n\u00e3o chega a estourar os timpanos, mas irrita, principalmente os espectadores do Reino Unido e da Alemanha, ao que parece. Haja vista <a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/sport\/football\/world-cup-2010\/7826995\/World-Cup-2010-anti-vuvuzela-filter-could-cancel-out-noise-of-horns.html\">a not\u00edcia do jornal brit\u00e2nico Telegraph<\/a> (via <a href=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/discoblog\/2010\/06\/15\/vuvuzela-vs-sound-engineer-has-the-world-cup-stadium-horn-met-its-match\/\">Discoblog<\/a>)&nbsp;&nbsp;de que um engenheiro de som alem\u00e3o, Clemence Schlieweis, anda vendendo na internet um arquivo de \u00e1udio MP3 de 45 minutos de dura\u00e7\u00e3o que ele afirma ser capaz de fazer desaparecer o som das vuvuzelas das transmiss\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">O arquivo MP3 vendido por quase 3 euros no <a href=\"http:\/\/antivuvuzelafilter.com\/\">site Anti Vuvuzela Filter<\/a> \u00e9 nada mais que o \u00e1udio de uma transmiss\u00e3o de jogo qualquer da copa do mundo com as ondas sonoras invertidas pelo engenheiro. No lugar das cristas das ondas de som, vales, no lugar dos vales, cristas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Segundo Schlieweis, quando seu som \u00e9 tocado na sala junto do som da TV, a parte id\u00eantica de \u00e1udio de qualquer jogo da copa, isto \u00e9, o zumbido das vuvuzelas, \u00e9 cancelado. Melhor que isso, s\u00f3 um CalaBocaGalvao Filter.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Mas o que o alem\u00e3o espertalh\u00e3o n\u00e3o conta \u00e9 que seu som s\u00f3 funcionaria se o zumbido de vuvuzelas fosse id\u00eantico em cada jogo, o que obviamente nunca acontece, como bem observou Trevor Cox ao Telegraph.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Alternativas mais efetivas n\u00e3o faltam. Na entrevista a New Scientist, Cox cita o site do Centro para M\u00fasica Digital da Universidade Queen Mary de Londres (<a href=\"http:\/\/isophonics.net\/content\/whats-all-about-vuvuzela\">LINK<\/a>), onde voc\u00ea pode baixar um &#8220;devuvuzelator&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">A figura abaixo \u00e9 uma an\u00e1lise das frequ\u00eancias sonoras de uma transmiss\u00e3o de jogo da copa feita pelo grupo da Queen Mary. Os harm\u00f4nicos da voz do narrador do jogo s\u00e3o o som mais intenso (em dourado). Interferindo nos harm\u00f4nicos do narrador est\u00e3o os harm\u00f4nicos das vuvuzelas (em roxo).<\/span><\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2011\/08\/Vuvuzela1.png\" alt=\"Vuvuzela.png\" height=\"132\" width=\"480\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">A partir dessa an\u00e1lise, os engenheiros identificaram o que seriam as frequ\u00eancias do primeiro e segundo harm\u00f4nicos das vuvuzelas e as eliminaram com o tal devuvuzelator. Escutei o resultado e, para ser sincero, notei pouca diferen\u00e7a entre a grava\u00e7\u00e3o original e a grava\u00e7\u00e3o tratada com o software.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Com a mesma estrat\u00e9gia, o autor do <a href=\"http:\/\/www.surfpoeten.de\/tube\/vuvuzela_filter\">blog Die Surfpoeten<\/a> produziu um filtro que extrai do \u00e1udio da TV o som das frequ\u00eancias que ele afirma serem os harm\u00f4nicos mais fortes das vuvuzelas: 233, 466, 932 e 1864 Hz. A solu\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusiva e o pessoal do <a href=\"http:\/\/arstechnica.com\/tech-policy\/news\/2010\/06\/enjoy-a-vuvuzela-free-world-cup-thanks-to-technology.ars\">blog Ars Technica<\/a> d\u00e1 a dica para um geek fazer o mesmo com Linux (soube via <a href=\"http:\/\/twitter.com\/astrorho\">@astrorho<\/a>). Esses filtros parecem funcionar melhor que o do grupo da Queen Mary, mas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o perfeitos. O som do zumbido das vuvuzelas \u00e9 simplesmente complexo demais para ser eliminado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\"><b>Zen com as Vuvuzelas<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Melhor que o devuvuzelator, \u00e9 o conselho do pessoal da Queen Mary: desista de lutar e aceite a vuvuzela!<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">Dif\u00edcil? N\u00e3o achei depois de descobrir que a vuvuzela \u00e9 derivada de um instrumento tradicional sul africano, a mhalamhala e que existe at\u00e9 uma orquestra de vuvuzelas (<a href=\"http:\/\/www.vuvuzelaorchestra.co.za\/\">site por enquanto fora do ar<\/a>), coordenado pelo m\u00fasico Pedro Espi-Sanchis.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\"><a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/football\/video\/2010\/jun\/15\/vuvuzela-an-idiots-guide\">Neste v\u00eddeo<\/a> do The Guardian, um dos m\u00fasicos da orquestra, Samora Ntsebeza, explica como tocar a vuvuzela direito.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: Georgia\">D\u00e1 para conferir as performances da orquestra no <a href=\"http:\/\/vimeo.com\/user957131\">canal de Espi-Sanchis no Vimeo<\/a>, em v\u00eddeos como este abaixo. <em>Shosholoza!<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shaya Vuvuzela! 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