{"id":168,"date":"2011-02-08T19:02:42","date_gmt":"2011-02-08T22:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/universofisico\/2011\/02\/deslizamentos_de_terra_reais_e\/"},"modified":"2011-02-08T19:02:42","modified_gmt":"2011-02-08T22:02:42","slug":"deslizamentos_de_terra_reais_e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/2011\/02\/08\/deslizamentos_de_terra_reais_e\/","title":{"rendered":"Deslizamentos de Terra: reais e simulados"},"content":{"rendered":"<div class=\"youtube-video\">      <\/div>\n<p><font face=\"georgia\">O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou ontem o impressionante v\u00eddeo acima, mostrando uma anima\u00e7\u00e3o em 3D baseada em imagens de sat\u00e9lite dos tr\u00e1gicos deslizamentos de terra que aconteceram no estado do Rio de Janeiro, no come\u00e7o do ano (soube <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.oeco.com.br\/multimidia\/geonoticias\/24750-nova-friburgo\" rel=\"noopener noreferrer\">via O Eco<\/a>). <\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o tenho muito a acrescentar ao que j\u00e1 se comentou sobre aquela que talvez tenha sido a maior cat\u00e1strofe clim\u00e1tica que o Brasil j\u00e1 sofreu. <\/p>\n<p>As causas s\u00e3o \u00f3bvias e foram apontadas repetidamente pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o (veja o <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/noticia\/desenvolvimento\/licao-amarga-vem-tragedias-climaticas-615654.shtml?func=2\" rel=\"noopener noreferrer\">Planeta Sustent\u00e1vel<\/a>, por exemplo): pessoas vivendo em encostas \u00edngremes ou em \u00e1reas pr\u00f3ximas delas, o deflorestamento que deixa essas encostas vulner\u00e1veis \u00e0 eros\u00e3o, a aus\u00eancia do poder p\u00fablico para impedir tudo isso, combinado com o excesso de chuvas torrenciais, cada vez mais frequentes em um mundo passando por um aquecimento global.<\/p>\n<p>Ao que parece, o governo percebeu a import\u00e2ncia das informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para a preven\u00e7\u00e3o de desastres naturais e vai investir n<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/ciencia-e-saude\/noticia\/2011\/01\/mapeamento-e-desafio-para-alertar-sobre-catastrofes-diz-pesquisador.html\" rel=\"noopener noreferrer\">a cria\u00e7\u00e3o de um plano nacional de monitoramento coordenado por Carlos Nobre, climat\u00f3logo do Inpe<\/a>.<\/p>\n<p>Vou ent\u00e3o me ater a apresentar um resultado cient\u00edfico recente e muito interessante sobre deslizamentos.<br \/>&nbsp; <br \/><b>Liquefa\u00e7\u00e3o<\/b><br \/>D\u00e1 para notar no v\u00eddeo do Inpe, o que o especialista em deslizamentos Dave Petley, da Universidade Durham, no Reino Unido, apontou ao comentar fotos do desastre em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/blogs.agu.org\/landslideblog\/2011\/01\/20\/a-review-of-the-brazil-landslides-nova-friburgo\/\" rel=\"noopener noreferrer\">seu blog<\/a>: <\/p>\n<p> <i>&#8220;A maioria desses deslizamentos s\u00e3o compridos e estreitos, se estendendo pela maior parte do declive. Em deslizamentos induzidos pelas chuvas, isso \u00e9 caracter\u00edstico de colapsos que envolvem liquefa\u00e7\u00e3o est\u00e1tica, a qual induz r\u00e1pido colapso e altas taxas de movimento.&#8221; <\/i><\/font><font face=\"georgia\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/blogs.agu.org\/landslideblog\/2011\/01\/20\/a-review-of-the-brazil-landslides-nova-friburgo\/\" rel=\"noopener noreferrer\">LINK<\/a><br \/><\/font><br \/><font face=\"georgia\">Petley refere-se ao mecanismo b\u00e1sico dos deslizamentos de terra provocado por chuvas. A chuva encharca uma por\u00e7\u00e3o de solo em uma encosta. O solo se liquefaz, perdendo a coes\u00e3o, e a gravidade o faz despencar morro abaixo. Durante a queda, o solo arrasta mais solo, resultando em uma avalanche de terra que pode chegar a uma velocidade superior a 10 metros por segundo. <\/p>\n<p>Para testar essa ideia qualitativa de como acontece um deslizamento, o grupo de pesquisa do hidr\u00f3logo <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/profile.usgs.gov\/riverson\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Richard Iverson<\/a>, do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico dos EUA, provocou seus pr\u00f3prios deslizamentos de terra controlados, usando o tobog\u00e3 de concreto da foto abaixo, que tem&nbsp; 2 metros de largura, 107 metros de extens\u00e3o e uma inclina\u00e7\u00e3o de 31 graus. (Veja o v\u00eddeo dos deslizamentos no <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/news.sciencemag.org\/sciencenow\/2010\/12\/how-landslides-get-slippery.html?rss=1\" rel=\"noopener noreferrer\">Science NOW<\/a>).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2011\/08\/experimento_deslizamento1.jpg\" \/><br \/><\/font><br \/><font face=\"georgia\">Os pesquisadores cobriam o tobog\u00e3 de terra e lan\u00e7avam l\u00e1 do alto uma descarga de 6 metros c\u00fabicos de terra para ver o que acontecia. Eles controlavam a umidade dessa terra toda por um sistema de irriga\u00e7\u00e3o e iam testando diferentes graus de liquefa\u00e7\u00e3o da lama. Monitoravam os deslizamentos por meio de c\u00e2meras de v\u00eddeo e sensores ao longo do tobog\u00e3.<\/p>\n<p>Assim, Iverson e seus colegas conseguiram pela primeira vez quantificar o deslocamento de terra e entender melhor como a avalanche ganha velocidade, medindo o chamado &#8220;fluxo de momento&#8221; do deslizamento. Eles descobriram que a descarga de terra inicial que cai pelo tobog\u00e3 pressiona a camada de terra molhada logo abaixo e a frente dela. Essa press\u00e3o faz a terra ficar mais liquefeita e fluir, se agregando \u00e0 descarga inicial, aumentando o poder da avalanche.&nbsp; <br \/>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp; <\/font><br \/><font face=\"georgia\">As conclus\u00f5es do estudo foram publicadas em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.nature.com\/ngeo\/journal\/v4\/n2\/full\/ngeo1040.html\" rel=\"noopener noreferrer\">um artigo<\/a> na revista Nature Geoscience, dezembro passado. <\/p>\n<p>Refer\u00eancia:<\/font><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature+Geoscience&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fngeo1040&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Positive+feedback+and+momentum+growth+during+debris-flow+entrainment+of+wet+bed+sediment&amp;rft.issn=1752-0894&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=4&amp;rft.issue=2&amp;rft.spage=116&amp;rft.epage=121&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fngeo1040&amp;rft.au=Iverson%2C+R.&amp;rft.au=Reid%2C+M.&amp;rft.au=Logan%2C+M.&amp;rft.au=LaHusen%2C+R.&amp;rft.au=Godt%2C+J.&amp;rft.au=Griswold%2C+J.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Geosciences%2CPhysics\">Iverson, R., Reid, M., Logan, M., LaHusen, R., Godt, J., &amp; Griswold, J. (2010). Positive feedback and momentum growth during debris-flow entrainment of wet bed sediment <span style=\"font-style: italic\">Nature Geoscience, 4<\/span> (2), 116-121 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/ngeo1040\">10.1038\/ngeo1040<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou ontem o impressionante v\u00eddeo acima, mostrando uma anima\u00e7\u00e3o em 3D baseada em imagens de sat\u00e9lite dos tr\u00e1gicos deslizamentos de terra que aconteceram no estado do Rio de Janeiro, no come\u00e7o do ano (soube via O Eco). 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