{"id":191,"date":"2011-05-19T13:26:25","date_gmt":"2011-05-19T16:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/universofisico\/2011\/05\/como_prever_e_evitar_o_colapso\/"},"modified":"2011-05-19T13:26:25","modified_gmt":"2011-05-19T16:26:25","slug":"como_prever_e_evitar_o_colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/2011\/05\/19\/como_prever_e_evitar_o_colapso\/","title":{"rendered":"Como prever (e evitar) o colapso de ecossistemas?"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"georgia\"><img decoding=\"async\" style=\"float: none\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2011\/08\/floresta_fragmentada1.png\" \/><\/p>\n<p>A revista Pesquisa Fapesp deste m\u00eas traz <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?art=4416&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\" rel=\"noopener noreferrer\">uma reportagem minha<\/a> sobre bi\u00f3logos que querem entender porque alguns trechos do que restou da Mata Atl\u00e2ntica preservam uma grande diversidade de animais e outros n\u00e3o. Em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1371\/journal.pone.0013666\" rel=\"noopener noreferrer\">um artigo cient\u00edfico<\/a> publicado ano passado na PLoS ONE, os pesquisadores <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ib.usp.br\/dicom\/doku.php\" rel=\"noopener noreferrer\">Renata Pardini, Adriana Bueno<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.tropicalforestresearch.org\/People\/tgardner.aspx\" rel=\"noopener noreferrer\">Toby Gardner<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/ecologia.ib.usp.br\/let\/doku.php?id=let\" rel=\"noopener noreferrer\">Paulo Prado<\/a> e <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/eco.ib.usp.br\/lepac\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Jean Paul Metzger<\/a>, explicaram porque isso acontece com um modelo que <\/font><font face=\"georgia\">comprovaram analisando os dados de um  levantamento das popula\u00e7\u00f5es de pequenos mam\u00edferos (roedores e  marsupiais) no planalto paulista.&nbsp; &#8220;Um trabalho insano&#8221;, foi como Pardini descreveu para mim o esfor\u00e7o de coleta dos pequenos mam\u00edferos que realizou com Adriana. Em cada um dos 68 pontos de coleta, seja dentro de fragmentos ou da mata cont\u00ednua, as zo\u00f3logas passavam 32 dias registrando os animais que caiam nas armadilhas, uma s\u00e9rie de 11 baldes de 60 litros enterrados no ch\u00e3o da floresta, distantes 10 metros um dos outros. Identificar as esp\u00e9cies tamb\u00e9m foi um desafio, pois havia relativamente pouca informa\u00e7\u00e3o sobre os animais, por serem pequenos, noturnos e furtivos. Trabalhando junto com taxonomistas, chegaram a encontrar <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/890536-trio-acha-novo-roedor-que-vive-nas-arvores-da-mata-atlantica.shtml\" rel=\"noopener noreferrer\">uma esp\u00e9cie de um g\u00eanero novo, o roedor <i>Drymoreomys albimaculatus. <\/i><\/a><\/p>\n<p>O modelo, por\u00e9m, n\u00e3o <\/font><font face=\"georgia\">vale s\u00f3 para a Mata Atl\u00e2ntica, nem s\u00f3 para pequenos mam\u00edferos, mas em princ\u00edpio para qualquer esp\u00e9cie animal vivendo em um habitat fragmentado:<br \/><\/font><\/p>\n<blockquote><p><font face=\"georgia\">Segundo o modelo, o colapso das popula\u00e7\u00f5es seria causado pela combina\u00e7\u00e3o de processos que ocorrem em duas escalas: local e regional. Os  processos com efeito regional est\u00e3o ligados \u00e0 dificuldade de migrar de  um fragmento de floresta para outro. Condicionada \u00e0 \u00e1rea total de matas  remanescentes na regi\u00e3o, essa dificuldade aumenta com o avan\u00e7o do  desmatamento, pois crescem exponencialmente as dist\u00e2ncias separando os  trechos de florestas \u2013 e muitas esp\u00e9cies, at\u00e9 p\u00e1ssaros como o  trepador-coleira (<em>Anabazenops fuscus<\/em>), n\u00e3o se deslocam de um  fragmento a outro quando h\u00e1 pastagens ou estradas no caminho. Presos a  \u00e1reas restritas, essas esp\u00e9cies se tornam mais suscet\u00edveis a processos  que influenciam as extin\u00e7\u00f5es em escala local, como a redu\u00e7\u00e3o na \u00e1rea dos fragmentos, que diminui o tamanho das popula\u00e7\u00f5es.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"georgia\">O mais  importante \u00e9 que esse modelo pode orientar decis\u00f5es sobre o melhor modo  de aplicar recursos para conservar e recuperar a mata atl\u00e2ntica. Segundo os pesquisadores, ele prev\u00ea, por exemplo, que os eventos que precedem a extin\u00e7\u00e3o dariam pistas de sua chegada com anteced\u00eancia. A maneira como  as esp\u00e9cies se distribuem nos fragmentos de uma regi\u00e3o sinaliza quando a biodiversidade est\u00e1 no limite de cair abruptamente, mas ainda tem boa  chance de ser recuperada. \u201cNessas condi\u00e7\u00f5es, pequenos investimentos de  restaura\u00e7\u00e3o que facilitem o fluxo de animais entre os fragmentos  produziriam um retorno grande\u201d, diz Metzger. \u201cSe quisermos aumentar a  cobertura florestal da mata atl\u00e2ntica com ganhos r\u00e1pidos de diversidade  biol\u00f3gica, \u00e9 nessa faixa [regi\u00f5es com 20% a 40% de remanescentes] que  temos de atacar.&#8221;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?art=4416&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\" rel=\"noopener noreferrer\">LINK<\/a><\/font><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><font face=\"georgia\">Essa \u00e9 mais uma pesquisa que vai na tend\u00eancia atual de buscar sinais nos ecossistemas que indiquem que esses estejam perto do colapso, influenciadas pelas <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.wired.com\/wiredscience\/2009\/09\/earlywarnings\/\" rel=\"noopener noreferrer\">ideias de ec\u00f3logos como Marten Scheffer<\/a> (veja <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.stockholmresilience.org\/seminarandevents\/seminarandeventvideos\/martenscheffertresholdsforcatastrophicshiftsinnatureandsociety.5.aeea46911a3127427980003692.html\" rel=\"noopener noreferrer\">uma palestra<\/a> dele aqui). M\u00eas passado <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/news.sciencemag.org\/sciencenow\/2011\/04\/an-early-warning-sign-for-ecosystem.html?rss=1\" rel=\"noopener noreferrer\">um experimento em um lago nos EUA conseguiu observar justamente isso<\/a>. Os trabalhos nessa \u00e1rea parecem bem adiantados em ecossistemas aqu\u00e1ticos e est\u00e3o apenas come\u00e7ando em outros ecossistemas (ec\u00f3logos, me corrigam!). <br \/>&nbsp;<br \/>Na verdade, me interessei em fazer a reportagem inicialmente porque o modelo dos pesquisadores \u00e9 inspirado em parte em resultados de simula\u00e7\u00f5es de computador do desmatamento, cujos resultados podem ser entendidos por uma teoria que vem da f\u00edsica-matem\u00e1tica, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Percolation_theory\" rel=\"noopener noreferrer\">a teoria da percola\u00e7\u00e3o<\/a>, que estuda o grau de conex\u00e3o entre pontos em uma rede bidimensional. Os resultados das simula\u00e7\u00f5es sugerem que, \u00e0 medida que a cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o nativa diminui, seus fragmentos sofrem transforma\u00e7\u00f5es abruptas durante o processo, parecidas com as transi\u00e7\u00f5es de fase que a \u00e1gua passa durante sua fervura ou congelamento. Uma dessas transforma\u00e7\u00f5es \u00e9 o distanciamento exponencial dos fragmentos. De in\u00edcio, o desmate afasta lentamente os fragmentos, at\u00e9 que de repente, a dist\u00e2ncia entre eles come\u00e7a a aumentar exponencialmente. Essas transforma\u00e7\u00f5es foram confirmadas tamb\u00e9m por estudos de paisagens reais, feitos por Metzger e outros pesquisadores. Em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.springerlink.com\/content\/n21232ul1mkv6974\/\" rel=\"noopener noreferrer\">um artigo<\/a> publicado em 2006 na revista Landscape Ecology, por exemplo, Metzger e seu ent\u00e3o aluno de mestrado Francisco de Oliveira Filho analisaram por fotos de sat\u00e9lite a evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento de tr\u00eas \u00e1reas diferentes na Amaz\u00f4nia ao longo de 14 anos. Embora cada uma das \u00e1reas tenha sido desmatada de maneiras diferentes (uma por pequenas propriedades ao longo de um estrada, outra por propriedades distribu\u00eddas irregularmente e a \u00faltima por grandes fazendas), eles observaram nos tr\u00eas casos mudan\u00e7as bruscas ao longo do tempo nos tamanhos dos fragmentos e nas dist\u00e2ncias entre eles.<\/p>\n<p>cr\u00e9dito da imagem: <\/font>\u00a9 2010 Pardini et al. T, <span>doi:10.1371\/journal.pone.0013666.g002<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=9b4573c4-7483-8d3c-ba25-69fdb6a60459\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Pesquisa Fapesp deste m\u00eas traz uma reportagem minha sobre bi\u00f3logos que querem entender porque alguns trechos do que restou da Mata Atl\u00e2ntica preservam uma grande diversidade de animais e outros n\u00e3o. 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