{"id":452,"date":"2012-01-04T22:23:19","date_gmt":"2012-01-05T01:23:19","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/universofisico\/?p=452"},"modified":"2012-01-04T22:23:19","modified_gmt":"2012-01-05T01:23:19","slug":"como-as-maiores-estruturas-do-universo-podem-revelar-a-natureza-da-energia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/2012\/01\/04\/como-as-maiores-estruturas-do-universo-podem-revelar-a-natureza-da-energia-escura\/","title":{"rendered":"Como as maiores estruturas do Universo podem revelar a natureza da energia escura"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_453\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-453\" class=\"size-full wp-image-453\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/Dark-Energy.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/Dark-Energy.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/Dark-Energy-296x300.jpg 296w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/Dark-Energy-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/Dark-Energy-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/Dark-Energy-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-453\" class=\"wp-caption-text\">cr\u00e9dito: D. Long, SDSS-III<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">O padr\u00e3o de furos na bela placa de alum\u00ednio da foto acima foi perfurado para combinar com o arranjo das gal\u00e1xias em um trecho particular do c\u00e9u. Do tamanho de tampas de esgoto, 2.200 dessas placas s\u00e3o usadas, uma de cada vez, por uma hora no foco prim\u00e1rio do telesc\u00f3pio de 2,5 metros do Apache Point Observatory, Novo M\u00e9xico, EUA. Quando o telesc\u00f3pio aponta na dire\u00e7\u00e3o certa, a luz de cada gal\u00e1xia passa pelo seu respectivo furo. Essa luz \u00e9 ent\u00e3o decomposta em seus comprimentos de onda constituintes e usada para determinar o qu\u00e3o r\u00e1pido cada gal\u00e1xias est\u00e1 se afastando de n\u00f3s, por conta da incessante expans\u00e3o do espa\u00e7o do Universo, que est\u00e1 sendo acelerada pela misteriosa energia escura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Esse estudo chamado de <a href=\"http:\/\/www.sdss3.org\/surveys\/boss.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BOSS<\/a> (Varredura Espectrosc\u00f3pica de Oscila\u00e7\u00f5es Bari\u00f4nicas, em ingl\u00eas) \u00e9 o destaque de <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/survey-tunes-in-to-dark-energy-1.9732\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma reportagem de Eric Hand, publicada na Nature desta semana<\/a>. O BOSS come\u00e7ou em 2009 e deve at\u00e9 o seu final coletar dados de 1,5 milh\u00f5es de gal\u00e1xias. Seu objetivo \u00e9 determinar se a influ\u00eancia da energia escura tem permanecido constante ou variou sutilmente ao longo dos bilh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria c\u00f3smica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Segundo Hand, at\u00e9 agora, os dados coletados do BOSS deram a sua equipe:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">(&#8230;) um vislumbre da estrutura c\u00f3smica ao mostrar onde as gal\u00e1xias est\u00e3o se aglomerando, como as cristas de ondas gigantes. A estrutura \u00e9 uma r\u00e9lica de um universo muito menor e mais jovem, no qual ondas ac\u00fasticas reverberaram atrav\u00e9s do plasma denso e quente que ainda n\u00e3o havia resfriado o suficiente para formar estrelas e gal\u00e1xias. Essas ondas chamadas de oscila\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas bari\u00f4nicas (BAOs), empurraram a mat\u00e9ria para dentro de regi\u00f5es de alta ou baixa concentra\u00e7\u00e3o, espa\u00e7adas igualmente uma das outras &#8211; um padr\u00e3o que evoluiu, em \u00e9pocas posteriores, em pared\u00f5es e filamentos de gal\u00e1xias que s\u00e3o as maiores estruturas no Universo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Detectadas pela primeira vez em 2005, o espa\u00e7amento regular entre as estruturas cria uma r\u00e9gua c\u00f3smica natural. No universo atual, esse espa\u00e7amento \u00e9 de cerca de 150 megaparsecs (500 milh\u00f5es de anos-luz). Ao detectar desvios dessa r\u00e9gua, o BOSS oferece a restri\u00e7\u00e3o mais firme at\u00e9 agora sobre a influ\u00eancia da energia escura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Varreduras de poderosas explos\u00f5es conhecidas como supernovas tipo Ia forneceram as primeiras pistas da energia escura em 1998. Acredita-se que essas supernovas alcancem o mesmo pico de brilho, permitindo que sejam usadas como velas padr\u00f5es para determinar as dist\u00e2ncias de suas gal\u00e1xias hospedeiras. Quando esses dados s\u00e3o combinados com medidas de qu\u00e3o r\u00e1pido as supernovas est\u00e3o recuando, eles revelam que a expans\u00e3o do Universo est\u00e1 acelerando em vez de desacelerar sobre influ\u00eancia da gravidade. Uma explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a energia escura \u00e9 a &#8220;constante cosmol\u00f3gica&#8221;, uma press\u00e3o repulsiva inata ao v\u00e1cuo do espa\u00e7o. O BOSS \u00e9 esperado estreitar a incerteza desse modelo em alguns por cento. <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/survey-tunes-in-to-dark-energy-1.9732\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">LINK<\/a><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Dia 11 de janeiro, a equipe do BOSS deve anunciar seus achados iniciais, baseados em dados de 470 mil gal\u00e1xias, no <a href=\"http:\/\/aas.org\/meetings\/aas219\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">encontro<\/a> da Sociedade Astron\u00f4mica Americana, em Austin, Texas, EUA.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_454\" style=\"width: 536px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-454\" class=\"size-full wp-image-454\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/cover_blake_BAO_pic.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/cover_blake_BAO_pic.jpg 526w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/cover_blake_BAO_pic-300x212.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><p id=\"caption-attachment-454\" class=\"wp-caption-text\">As oscila\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas bari\u00f4nicas (em roxo) surgiram na mesma \u00e9poca que a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo (\u00e0 esquerda), 300 mil anos depois do big bang, quando o universo se tornou transparente a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica. Eventualmente essas oscila\u00e7\u00f5es deram origem a maneira como as gal\u00e1xias est\u00e3o organizadas. Cr\u00e9dito: Chris Blake e Sam Moorfield<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Nos planos dos astr\u00f4nomos est\u00e1 <a href=\"http:\/\/bigboss.lbl.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o BigBOSS<\/a> que a partir de 2018 vai passar cinco anos observando 20 milh\u00f5es de gal\u00e1xias t\u00e3o distantes quanto 10 bilh\u00f5es de anos-luz, junto com 4 milh\u00f5es de quasares, os n\u00facleos luminosos de gal\u00e1xias ainda mais distantes. Isso permitira tra\u00e7ar a influ\u00eancia da energia escura ao longo de quase todas a hist\u00f3ria c\u00f3smica e discernir se ela realmente tem permanecido constante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Segundo Hand, os experimentos observando BAOs, como o BOSS e o australiano <a href=\"http:\/\/wigglez.swin.edu.au\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">WiggleZ<\/a>, come\u00e7am a ganhar import\u00e2ncia justo quando os estudos de supernovas chegam no seu limite, devido a incertezas no brilho das explos\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia;font-size: 10pt\">Hand tamb\u00e9m cita outro tipo de observa\u00e7\u00e3o que pode dar pistas sobre a energia escura, que mede o quanto a gravidade de grandes aglomerados de mat\u00e9ria distorcem a luz de gal\u00e1xias mais distantes, as chamadas lentes gravitacionais fracas. O experimento Dark Energy Survey (DES), que conta com <a href=\"http:\/\/www.des-brazil.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisadores brasileiros<\/a>, deve come\u00e7ar ainda este ano a capturar imagens de 300 milh\u00f5es de gal\u00e1xias com uma c\u00e2mera de 570-megapixels instalada em um telesc\u00f3pio no Chile. Um dos desafios do DES ser\u00e1 dar conta da cintila\u00e7\u00e3o da atmosf\u00e9rica, fen\u00f4meno que n\u00e3o interfere tanto assim nas observa\u00e7\u00f5es do espectro de gal\u00e1xias que o BOSS faz.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_455\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-455\" class=\"size-medium wp-image-455\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/universofisico\/wp-content\/uploads\/sites\/205\/2012\/01\/hs-2000-07-b-large_web-545x278.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"278\" \/><p id=\"caption-attachment-455\" class=\"wp-caption-text\">lente gravitacional fraca obtida pelo telesc\u00f3pio Hubble<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padr\u00e3o de furos na bela placa de alum\u00ednio da foto acima foi perfurado para combinar com o arranjo das gal\u00e1xias em um trecho particular do c\u00e9u. 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