Proso – pague – nó – zia

Prosopagnosia. Quantas vezes você ouviu falar nessa palavra?
Eu a ouvi hoje, duas vezes num espaço de meia hora, de fontes independentes e desconexas.
Antes de vir trabalhar, estava ouvindo um podcast (tipo um programa de rádio, sendo que sem horário estabelecido, pois é baixado da internet) onde os dois apresentadores discutiam a dificuldade das pessoas em lembrar certas palavras (divulgaram uma pesquisa que concluiu que quanto mais tempo uma pessoa perde tentando lembrar da palavra, mais fortemente ficaram as conexões cerebrais daquele momento de dúvida, fazendo o sujeito esquecer a palavra com mais freqüência e facilidade posteriormente), aquelas que ficam “na ponta da língua”, quando um deles disse “pode ser um efeito parecido com o que causa a prosopagnosia, que é um defeito de cognição que causa com que o indivíduo não reconheça rostos”.
Após chegar ao trabalho, antes de começar o dia, abri a página do wordpress para atualizar o meu blogue. A página inicial muda constantemente, mostrando links de blogues variados, para fazer uma propagandazinha e ajudar todo mundo a ser lido. Quando eu a abri, uma das ligações lia “Maths * Chem = Ranting^2”, o que em bom português significa “Matemática multiplicada por Química é igual a Divagação ao quadrado”, o que foi mais que necessário para chamar a minha atenção (vocês já devem ter percebido que eu gosto dessas três coisas). Após ler o artigo (sobre como é difícil ensinar e escrever livros escolares com clareza), me interessei pela escritora e quis ler mais, aí procurei o quadro de “entradas mais lidas”. O primeiro era esse que eu havia acabado de ler (por estar na página de rosto do wordpress e por ser o artigo mais recente) e o segundo era intitulado “Eu sou um estranho, você é um estranho (Prosopagnosia)”!
Coincidência, certo?
Ou não??
Eu já havia lido um livro que toca no assunto (O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, de Oliver Sacks) e já conhecia o termo, por isso que consegui identificar a palavra se repetindo e ligar as duas ocorrências (posso ter ouvido outras vezes antes mas nunca ter me dado conta).
Uma das minhas muitas cunhadas (essa uma ex-cunhada, na verdade) simplesmente não consegue compreender o conceito de Coincidência. Para ela não existe acaso, TUDO acontece por um propósito fixo, deliberado e imutável.
De acordo com a bizarra “lógica” dessa pessoa (eu acho, já que não é lógico ao mínimo), futuramente (pode ser daqui a pouco, pode ser em outra vida), eu sofrerei de cegueira facial, não reconhecendo semblantes.
Outro dia, estava saindo da casa da minha mãe, de carro, com o rádio ligado e, antes que pudesse mudar de estação (não gosto de propaganda), ouvi a chamada de uma seguradora de saúde. No exato momento em que o nome da empresa era anunciado, olhei para o lado, já do lado de fora, e vi uma ambulância da mesma empresa. Li e ouvi o nome quase que instantaneamente. Deveria estar esperando um acidente? Uma oferta de emprego da tal companhia? Plano de saúde vitalício? Para mim? Para alguém da minha família? Para um amigo? Para outrem, totalmente desconhecido e não relacionado comigo? Por quanto tempo devo esperar?
Como pode alguém não ACREDITAR em coincidências? É como não acreditar em espirros.
Milhouse van Houten – Quando você espirra, isso é a sua alma tentando escapar! Dizer “saúde” a enfia de volta para dentro! E quando você morre, ela se retorce e voa para longe!
Bart Simpson – E se você morrer dentro de um submarino, no fundo do oceano?
Milhouse – Ah, ela sabe nadar! E tem até rodas para o caso de você morrer no deserto e precisar dirigir até o cemitério!
Não acho que Milhouse ou minha ex-cunhada já tenham ouvido falar de Occam e sua poderosa navalha.
A “Navalha de Occam” é um artifício filosófico que reza que “se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a teoria que introduz o menor número de novas suposições é, geralmente, a mais correta”. O espirro sendo causado por um reflexo fisiológico, versus o espirro sendo causado pela alma (introduzir o conceito de alma e tudo o que deveria explicar sua existência) tentando escapar (uma alma que depois de explicada deve necessariamente ter vontade própria, além da do hospedeiro), que sabe voar, nadar e tem rodas (mais suposições).
Ou, duas coisas parecidas acontecendo independentemente por simples acaso, versus o Universo (representado aqui pelo Espaço e pelo Tempo) manobrando as próprias leis para que VOCÊ (estou apontando meu dedo em sua direção) sinta os efeitos de algo que já foi calculado, com absurda precisão, muito antes do surgimento da Vida, que envolve todos os Corpos Celestes, vizinhos (planetas) e distantes (estrelas) e que estão dando preferência à sua pessoa, em detrimento do resto das moléculas da infinita vastidão universal…
Hum…
“Use a navalha. Corte fora o ridículo antes de acreditar no absurdo”
-Perry DeAngelis-

Discussão - 3 comentários

  1. qw88nb88 disse:

    Cumprimentos,
    Obrigado para as palavras amáveis sobre meu blogue; Eu estou sempre interessado em respostas da leitura. Eu ver que você está interessado igualmente na ciência, na matemática e no cepticismo. Talvez você encontrará estes bornes do interesse. http://qw88nb88.wordpress.com/2007/10/03/math-and-science-bass-ackwards/ http://qw88nb88.wordpress.com/2008/04/24/skeptics-circle-85-looking-under-rocks/ Anotando que seu blogue está intitulado “42”, talvez você será divertido igualmente por minha fotografia. http://qw88nb88.wordpress.com/2006/08/15/recess-roadkill/ Desculpa amável os erros da gramática, eu estou usando o Babelfish.
    Andrea

  2. homer disse:

    atchim!
    minha aaalma…

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