A fina arte de escrever títulos sem conexão com o artigo

Nossa boca é um buraco que dá bem certinho para dentro do nosso corpo e fica boa parte do dia aberta, seja comendo, falando, roncando, bocejando, admirando, se surpreendendo, intimidando, imitando Tarzan, etc.
O quê, então, nos mantêm livres de infecções causadas pelos trilhões de micróbios soltos pelo ar ao nosso redor?
Nosso sistema imunológico.
Mas este artigo é sobre Saliva, então vou deixar de arrodeio e vou direto ao assunto.
Nosso cuspe é composto de noventa e tantos por cento de água (por isso que quando estamos com sede sentimos logo na boca que, por estar sempre cheia de água, é o primeiro lugar onde falta) mais, muco (líquido viscoso que serve de lubrificante e tem propriedades anti-sépticas), eletrólitos (íons livres que conduzem eletricidade e geram uma descarga elétrica na boca de pessoas com obturações metálicas que, por um motivo ou outro, mordem uma folha de papel alumínio, efetivamente criando uma bateria dentro da boca), e enzimas (como a ptialina, que dissolve amidos, iniciando a digestão dos alimentos já dentro da boca).
A água tem como função molhar a comida e facilitar a mastigação e ingestão, o muco serve para barrar alguma bactéria que esteja se fazendo de besta na vizinhança bucal e para proteger os dentes, os eletrólitos eu não sei para que servem, se servem para alguma coisa, pode ser só um efeito colateral (nós temos muito disso) e as enzimas descem junto com a comida para auxiliar na extração de nutrientes.
A goipa, em geral, tem propriedades bactericidas, o que justifica o hábito de “lamber as feridas” mantido pela maioria dos animais. Baba humana, porém, não contém NGF, uma proteína encontrada na saliva de muitos mamíferos que ajuda na cicatrização das feridas. Portanto não use “proteção e desinfecção” como desculpa quando estiver lambendo suas purulentas perebas. E casca de ferida (pus seco) não contém nutrientes essenciais para o bom desenvolvimento da cútis, essa desculpa também não cola. Deixe de seboseira!
Quê mais?
A produção do esputo pode ser estimulada pelo sistema nervoso simpático (em resposta a estresse, reação de correr ou lutar), que o deixa grosso, e pelo sistema nervoso parasimpático (que regula funções fisiológicas como digestão), que o deixa mais aguado (a famosa sensação de “água na boca”).
O fluxo de saliva, que enquanto estamos ativos varia entre três quartos de litro até um litro e meio por dia, baixa para quase zero enquanto estamos dormindo.
Isso é o que eu li, porque minha evidência anedotal (experiência pessoal) me leva a concluir que a produção, se diminui, diminui muito pouco (quem nunca acordou todo babado?).
Bafo pode ser causado pelo acúmulo de bactérias em cima da língua (por isso que é importante escová-la enquanto se escovam os dentes) que, apesar do efeito bactericida, nem todas são afetadas e algumas (oito milhões e meio por mililitro) sobrevivem e interagem com a nossa entrada primária.
(Atualização: estava lendo isto aqui, coisa que raramente faço, e percebi que este último parágrafo está completamente mal escrito, foi mal. O que eu queria dizer era “Bafo pode ser causado pelo acúmulo de bactérias em cima da língua que, apesar do efeito bactericida -da saliva-, nem todas -as bactérias- são afetadas e algumas sobrevivem e interagem com a nossa entrada primária.”)

Discussão - 4 comentários

  1. Rina disse:

    Você pediu sugestões…
    Aqui tem uma revista tipo a “super interessante” dai. Essa revista é cheia de curiosidades. Uma delas, diz que ninguém consegue espirrar e ficar de olhos abertos ao mesmo tempo! Claro, eu tentei e muitas pessoas com quem falei também tentaram. Depois de muitas caretas e risadas, a unanimidade: é verdade. Ninguém consegue espirrar de olho aberto! 😛
    Bjo.

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