Ponto Cego

Tenho muito poucos leitores nos fins-de-semana, talvez pelas pessoas terem mais o que fazer da vida do que entrar no quarto, sentar na cadeira, ligar o estabilizador, ligar o computador, ligar o monitor, esperar carregar tudo, usar o que quer que usem para conectar, esperar conectar, tentar novamente, ficar com raiva, ligar para o suporte técnico mesmo sabendo que não vai adiantar pois o provedor vai colocar a culpa na transmissora e a transmissora vai culpar o provedor, descobrir que o suporte só funciona em horário comercial, ficar com mais raiva ainda, esbofetear o monitor, se levantar com a sensação de ódio e impotência, ir tomar um café, lembrar que tem um colega disse que mandou um email de piadas que é “o ó”, tentar novamente, conseguir, abrir o navegador, esperar o navegador abrir e torcer para que ele não trave o computador, lembrar que o antivírus deveria ter sido atualizado e que o disco rígido precisa ser desfragmentado, o que não será feito agora pois toma muito tempo e se está com preguiça, abrir outra janela do navegar e começar a escrever “uol.com.br” para se interar das notícias e perceber que o auto-complemento da barra de endereço do navegador está sugerindo “uoleo.wordpress.com”, lembrar deste blogue, abri-lo e lê-lo, enquanto, lá no fundo da mente fica piscando o lembrete de que todos os seus amigos estão na rua, tendo uma vida social mais ou menos ativa enquanto se está em frente a um computador capenga lendo um aspirante a aprendiz de ajudante de professor de ciências.
Mas, como eu sou um sujeito legal, escrevo mesmo assim pois sei que essas pessoas que me lêem nos fins-de-semana merecem algum divertimento e informação.
=¦¤þ
Eu gosto de escrever (vide introdução), mas vez por outra gosto de roubar as coisas interessantes que já foram escritas (sim, eu plagio, mas indico a fonte).
Hoje eu estou pegando emprestado da coluna Dúvida Razoável, do Kentaro Mori, do blogue Sedentário e Hiperativo.
É legal, se você já chegou até aqui, continue lendo.

Não nos lembramos de tudo que vemos. O que nem todos percebemos é que não vemos tudo que pensamos ver. A evidência mais simples disto é o ponto cego de nossos olhos, uma região da retina por onde o nervo ótico passa e que está assim desprovida de fotorreceptores. Esse pequeno ponto não capta imagens.
Se você nunca experimentou o ponto cego de seu próprio olho, feche o olho direito e fixe o olho esquerdo no círculo vermelho abaixo. Agora, aproxime-se lentamente do monitor, sem deixar de fixar o círculo vermelho.
branco
Quando estiver a em torno de um palmo de distância, a estrela azul deve sumir — é porque a imagem dela passou sobre o ponto cego. Se continuar se aproximando ou se afastar novamente, a estrela surge outra vez. O mesmo ocorre com a bola vermelha, se você fizer isso fechando o olho esquerdo e olhar para a estrela azul.
Perceba que quando o círculo ou a estrela somem, você não vê um ponto escuro em seu lugar. Ao invés, a área é substituída pelo branco à sua volta. Tente fazer a experiência com a imagem em negativo: quando a estrela ou o círculo sumirem, agora serão substituídos pelo negro ao redor.
preto
Não porque seu ponto cego não capta luz, mas porque é esta a cor circundante.
Se o fundo fosse rosa-choque ou bordô, você veria a figura substituída por tais cores da mesma forma.
Isto ocorre pela mesma razão pela qual você geralmente não percebe seu próprio ponto cego: o cérebro continuamente preenche o buraco com informações ao redor e do outro olho. Você pensa que enxerga tudo em seu campo de visão, mas nem mesmo na própria retina isto é verdade.

O artigo é bem grande, tem muitos links e vídeos e eu não vou usar todo, quem tiver tempo e quiser é só clicar em “Dúvida Razoável” lá em cima.
Porém, eu gosto de estudos sobre memória e como ela é pouco confiável, por isso vou colar outro pedaço para quem não quiser ler lá.

PERNALONGA
Não apenas não vemos tudo que achamos que vemos, como mesmo aquilo que achamos que já vimos, nossa memória, funciona de forma diferente da que acreditamos. Isto é demonstrado de forma clara pela síndrome da falsa memória.
Em mais um experimento, a psicóloga americana Elizabeth Loftus mostrou a vários sujeitos propagandas da Disneyworld, incluindo uma inocente apresentação do personagem Pernalonga cumprimentando algumas crianças no parque. Pouco tempo depois, a psicóloga fez uma pergunta sugestiva a eles. Será que eles se lembrariam, quando haviam ido à Disney, de ter encontrado o Pernalonga e “abraçado seu corpo felpudo e mexido em suas orelhas macias”?
amigos
Até um terço dos sujeitos disseram se lembrar de ter feito isso. Mas eles nunca o fizeram, porque você vê, o Pernalonga é um personagem da Warner que nunca esteve na Disneyworld — Warner e Disney são concorrentes, é o motivo pelo qual você nunca viu Mickey e Pernalonga no mesmo desenho. Até onde sabemos, ninguém jamais abraçou o coelho da Warner na Disney. A
propaganda mostrando a cena era uma montagem.
O que Loftus fez foi implantar uma falsa memória. Ela também o fez sugerindo a pessoas que haviam se perdido em um shopping quando crianças: a memória do acontecimento fictício passou a fazer parte das lembranças dos sujeitos, como
qualquer outra.
Lembra-se do “Vingador do Futuro”? Implantar falsas memórias na mente das pessoas não requer equipamentos da Rekal Inc., basta algumas sugestões certas.
Isto é especialmente verdade com a hipnose e pessoas sugestionáveis, mas o
surgimento de falsas memórias ocorre em maior ou menor grau em todos. Longe de ser um enorme arquivo de registros, nossa memória é maleável e facilmente manipulável.

Aos que até aqui resistiram, agradeço e recomendo, caso tenham tempo sobrando, que cliquem em todos os links e leiam tudo.
Muita coisa interessante para se aprender por aí há.
São quatro da manhã, mas como eu dormi a noite toda e acordei agora há pouco, vou ficar ali lendo (não na cama, porque um estudo sugeriu que fazer qualquer coisa na cama além de dormir, como ler ou ver TV, pode confundir o cérebro quanto à função do móvel e causar insônia. Eu sou 1 que gosta de dormir…).
Divirtam-se!
Chau

Discussão - 3 comentários

  1. olavo disse:

    estava pensando sobre isso a madrugada inteira. insônia do cão. sempre soube dessas sugestões aí que originam falsas memórias…
    valeu, igor

  2. Fernanda disse:

    Mas porque quando ela se afasta a estrela retorna a aparecer e quando eu me aproxima a estrela some novamente?

  3. Igor Santos disse:

    Olá Fernanda.
    O ponto cego é apenas isso: um ponto. Pense assim; você pode achar um ângulo em que uma pessoa ao longe fique escondida atrás de um poste que está a poucos metros de você, porém ao mexer para um lado ou para o outro, a pessoa reaparece. O ponto cego funciona só num determinado lugar. Antes ou depois, ele não.

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