Estragando piadas

“A maneira mais rápida de sugar toda a graça de uma piada é examiná-la e tentar entender porque ela tem graça.”
-Richard Wiseman, durante sua busca pela piada mais engraçada do mundo-
1 – Por que baixamos o som no carro quando estamos procurando um endereço na rua?
Apesar dos sentidos da audição e da visão estarem separados, ambos estão sendo processador pelo mesmo cérebro e dividindo a atenção mental, que não está tão bem separada.
Equivalente – fechar os olhos para tentar lembrar uma palavra.
2 – Quem colocou a placa “não pise na grama”?
Alguém que entende o conceito de “fadiga de material” e sabe que compensa pisar uma só vez no gramado (causando danos mínimos ou inexistentes) para tentar evitar que várias pessoas façam o mesmo (causando danos severos através de repetição).
Equivalente – erosão causada pelas ondas em rochas à beira-mar ao longo dos anos.
3 – Por que as pessoas vasculham a casa toda procurando pelo controle remoto da TV só para não terem que se levantar para trocar de canal?
O primeiro motivo seria recuperar um bem perdido. O controle é uma posse material e ninguém gosta de perder suas coisas. Segundo, começa-se a procurar o controle na expectativa de que a busca dure alguns segundos, mas quanto mais tempo passamos procurando, mais estamos investidos na busca e mais difícil se torna parar a busca. Uma terceira razão, mas talvez a mais importante, é que, assim que acharmos o controle, não precisaremos mais nos levantar para acionar as funções da TV. Comparativamente, uma hora de esforço durante o escrutínio se torna desprezível ao lado de centenas de horas de cômoda espectação sedentária e confortável.
Equivalente – ligar de casa para o próprio celular perdido para achá-lo e fazer uma ligação.
4 – Por que em filmes de batalhas espaciais as explosões são tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?
Isso é um artifício chamado hiper-realismo (ou hiperrealismo, na nova língua), usado em filmes para aumentar o impacto das cenas, utilizando um processo chamado foley, que consiste em “dublar” todos os sons de todas as cenas, se valendo de sons já armazenados em bibliotecas específicas ou alguns gravados especialmente para aquilo. Todos os filmes (raríssimas exceções se aplicam) têm uma trilha sonora contínua, seja diálogo, musica ou efeitos sonoros, sem um segundo sequer de silêncio. Por mais silenciosa que pareça uma cena, sempre há o som de respiração, uma nota se estendendo até acabar, um carro passando ao longe, páginas sendo viradas, etc. Em filme, até o tragar de um cigarro é audível.
E mais, filmes que tratam de naves espaciais e guerras interplanetárias geralmente sustentam um nível de ficção altíssimo.
Nenhum som em um filme (quanto mais recente, mais verdadeira é a afirmação) é real, produzido “in loco” pelo que está sendo mostrado e qualquer informação recebida através de uma tela deve ser duvidada.
Equivalente – sons de socos no estômago que soam como pauladas em sacos de areia e armas de fogo que sempre que são movidas soam como se tivessem folgadas.
5 – Por que os pilotos Kamikazes usavam capacete?
Para evitar que uma pancada na cabeça durante o caminho até o alvo os impossibilitasse de completar a missão.
Equivalente – os capacetes usados pelos pedreiros que trabalham na construção do pavimento mais elevado de um edifício, que são usados não em caso de queda, mas para proteger contra uma ferramenta mal manuseada.
6 – Por que quando se liga pra um número errado, nunca dá ocupado?
Porque quando ligamos e está ocupado, não sabemos que o número estava errado.
Equivalente – a frase “sempre sei quando alguém usa peruca (ou silicone)”. Se o chinó (ou implante) for bem feito e discreto, é impossível registrar.
7 – Por que as luas dos outros planetas têm nome, mas a nossa não?
Em primeiro lugar, o que é comumente chamado de lua é oficialmente denominado satélite natural. O nosso satélite natural tem um nome, ele se chama Lua (com letra maiúscula). E, finalmente, a resposta mais óbvia de que a nossa Lua foi a primeira a ser observada e nomeada.
Equivalente – chamar lâminas de barbear de gilete e esponjas de aço de bombril.
8 – Por que quando não há um teclado instalado no computador, surge a frase “pressione qualquer tecla para continuar”?
Porque o ato de pressionar qualquer tecla que seja implica em um teclado haver sido instalado e o problema inicial resolvido.
Equivalente – empresas ou indivíduos que propagandeiam serviços de conserto de telefones utilizando-se de um número de telefone (que é a maneira mais prática de se contactar um prestador de serviço), esperando que o contratante use um outro aparelho (no trabalho, na casa do vizinho, ou um telefone público), que não o defeituoso para chamá-los.
9 – Se depois do banho estamos limpos, por que então lavamos a toalha?
Porque as toalhas ficam molhadas e tecidos úmidos são ótimos criadores de bactérias, inclusive algumas que produzem odores desagradáveis e outras que irritam a pele e podem causar dermatites, que é o principal motivo de nos enxugarmos em primeiro lugar.
Equivalente – lavar a pia após lavar a louça para tirar a gordura depositada nela e que só é extraída por meios mecânicos (o ato de esfregar) e não somente químicos (o sabão que caiu ali, já saturado de óleo).
10 – Quando alguém perde algo, por que algumas pessoas perguntam onde o objeto foi perdido?
Porque isso ajuda a reduzir o campo de busca. Por exemplo, se o sujeito se deu conta dentro do carro, a caminho do serviço, de que perdeu o celular, a procura já não se dará no local de trabalho. E, algumas vezes, sabe-se especificamente onde tal coisa foi deixada (entrou no carro com o telefone, saiu sem ele). A pergunta é às vezes mal feita, mas o sentido (quando a pessoa percebeu que o item tinha desaparecido) é normalmente entendido.
Equivalente – perguntar que gosto uma comida estranha tem, pois é absolutamente possível descrever um sabor incomum usando características de outros já conhecidos (novamente, uma pergunta mal estruturada, pois deseja-se saber com qual outra comida conhecida aquela diferente se parece).
Disponham.

Discussão - 8 comentários

  1. Atila disse:

    Gostei muito dos equivalentes, muito explicativos!

  2. dunha disse:

    “Apesar dos sentidos da audição e da visão estarem separados…”
    dê i di sque ó cordo.

  3. dunha disse:

    vige! isso é o bichinho do “rã-rã” no meu avatar??

  4. Ana C disse:

    O ruim é quando a gente pede Soda e oferecem Sprite ou pede Grapete e oferecem Fanta uva. Aí sim a piada se estraga.

  5. dunha disse:

    Por isso que eu só peço KUAiT, com “i”.

  6. Igor Santos disse:

    Estranho nunca dizerem “tem fanta não, mas temos suco de laranja e água gaseificada, vai?”
    Ou “não trabalhamos com pepsi, mas temos café!”
    O equivalente aí seria dizer “pão tem não, mas tem bolacha”.

  7. Wário disse:

    Ou então:
    -Tem pães?
    -Tem nães, tem bostas, gostas?

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