O ovo do E.T.

Através do Bunker eu cheguei na página do jornal O Mossoroense (vou segurar as piadas por enquanto) que noticia a descoberta de um ovo alienígena.
O artigo não tem data (talvez no link, que tem uma sequência de números que lembra uma data, mas não dá para ter certeza), mas acredito que seja recente. Afinal, está na seção Cotidiano (é, não agüentei segurar as piadas por muito tempo)…
Não quero ser processado por apropriação indevida de material pelos descendentes do cidadãos que expulsaram Lampião NA BALA (há controvérsias sobre a presença de Virgulino, que teria mandado seus capangas antes de arriscar o próprio pescoço, mas não dá para incluir links para elas pois li em livros. Lembram deles?), por isso não vou copiar trecho algum da reportagem, sugiro que leiam a reportagem agora, clicando aqui e depois leiam o resto do meu artigo,
Em primeiro lugar, a reportagem dá um ar de credulidade enquanto ridiculariza o poeta. Mas a parte do ridículo pode ser viés pessoal meu.
Um objeto não-identificado não é o mesmo que um objeto não-identificável. Se um gaiato rebolar um toco de vara no meu muro eu não vou identificar o que é aquilo, mas um pedaço de pau é absolutamente passível de identificação.
(Agora eu vou ficar chato MESMO, preparem-se! Mas depois eu volto a um grau tolerável de chatice.)
Um objeto que se pareça com um ovo não pode ser descrito como redondo. Um objeto redondo é um anel, um círculo, talvez a gema frita de um ovo.
Redondo = duas dimensões.
Se parecia com um ovo, era, como dizia um amigo meu, ovangular. Ou, mais tecnicamente, ovóide. Ou isso ou esférico, que é o formato de uma bola. Redondo não…
O fato do popular não ter dúvidas de que o objeto caiu “do espaço” deixa dúvidas, em mim, da honestidade do narrador.
Não basta ter caído, tem que ter caído DO ESPAÇO!
Admitindo, contudo, que esse seja realmente o caso e analisando o trecho onde o dono do objeto afirma que o mesmo quase atingiu o telhado da casa ao ser arremessado no chão por ele, não deveria o ovo, usando o mesmo princípio do arremesso, ter subido novamente até quase a ionosfera tendo caído do espaço?
Um seixo rolado também parece um pedaço de meteoro. Assim como qualquer pedaço de pedra ou metal ou gelo.
Meteoros são bastante variados em composição e um pedaço de alguma coisa dura pode parecer com algum pedaço de algum meteoro.
Como um objeto pode apresentar baixa temperatura?
Gelo, por exemplo, apresenta baixa temperatura por ser mantido em um local resfriado.
Mossoró é um lugar quente. Muito quente. Até a água que sai das torneiras é quente (de verdade verdadeira! A água de lá vem de fontes térmicas!).
O objeto não tem uma temperatura específica pois é algo inanimado (uma pedra).
A melhor explicação para isso é que o objeto é feito de um material com baixo calor específico. Ou seja, algo que transmite calor mais facilmente.
É essa propriedade física que faz a lâmina de uma faca aparentar ser mais fria que o cabo de plástico, por exemplo.
Eu reconheço que essa é uma explicação um tanto rebuscada para a seção de cotidiano de um periódico do interior, mas é melhor que dar uma informação falsa que faz parecer que o pedaço de rocha é um ser com autorregulação de temperatura.
Um objeto pequeno mas que é pesado demais? Suave cheiro de chumbo? Por que eu fico pensando tanto que é uma bola (mal) feita de chumbo?
O fato de um poeta interiorano nunca ter visto algo semelhante em sua vida não dá relevância ao objeto.
Eu nunca vi uma gaita de fole, nem por isso acho que seja algo espetacular e fora deste mundo.
O tal Concriz, acho eu, confunde “sorte” com “dinheiro” em suas palavras semifinais.
No fim, ele afirma ter medo de ter o objeto estudado.
Seria por receio de ter a fraude descoberta e deixar de ganhar dez centavos por visita?
Não acho que ele esteja se autoiludindo, apesar de chamar o troço de “amuleto”. Acho que Concriz está, deliberadamente, tirando proveito de uma conversa falsa e espalhada (porcamente) pela mídia local.
Mas, eu posso estar errado. Já aconteceu antes…
…era uma quarta-feira!

Discussão - 8 comentários

  1. Isis disse:

    Pois é… Sensacionalismo, não?

  2. marcio disse:

    rapaz, Seu Concriz devia jogar a pedra numa piscina termica pra ver se choca. Se ele ja ganha 10 centavos por visita por exibir um seixo, imagina o que nao ganharia com um filhote de et – talvez ate 1 real.

  3. Igor Santos disse:

    Jogar numa piscina e depois mandar velhinhos para nadar nela para ver se eles melhoram de artrite e etc.
    Bom filme.

  4. Wario disse:

    História peba. Sou mais a do menino do dilúvio…

  5. helmut disse:

    é assim que fazem um viral lá em mossoró

  6. Carlos Fran disse:

    Sou de Mossoró, não gosto mesmo do Jornal citado… (porcaria). Mas enfim, o autor deve ter fantasiado um pouco… Porque se um ovo cair em Mossoró e chega ao no minimo frito! Aqui é quente… 😀

  7. antonio jandson disse:

    Em primeiro lugar, venho aqui parabenizar todos os senhores que postaram algum comentário a respeito dessa matéria, sou de Mossoró, melhor informando sou filho desse poeta a cima citado. Concriz é uma figura quase que mitológica no RN. Filho de um analfabeto que fazia poesia e tive a hora de conhecer, utilizarei as palavras de José Saramago quando se referiu a seu pai, um analfabeto de inteligência fascinante.
    Nenhum aqui teve a oportunidade de conhecer as obras desse humilde poeta. Concriz escreve com uma singularidade que já virou tese de mestrado. Sei que nós acadêmicos ou não poderemos achar ridículo a história, mais precisamos levar em conta que a cidade de Mossoró como muitas outras, não dá nenhuma importância a poesia nem a cultura, quiçá a mídia local, que usou palavras que o Cordelista não utilizou, ridicularizando uma das figuras mais importantes da literatura de cordel.

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