Explosões meteóricas!

Um objeto estranho aparece no céu.
De repente a estranheza aumenta enquanto o objeto acende.
Não só ele está agora mais brilhante como também maior.
Eis que então PÊI!
O que quer que seja aquilo explode e uma onda de choque atinge o observador, seguido instataneamente de morte por lugar-errado-hora-errada.
A coisa vinda do céu era um pedaço de pedra do tamanho de um ônibus, pesando algumas mil toneladas e viajando a uns quatrocentos quilômetros por segundo.
Um meteoro.
Quando algo assim entra na atmosfera do nosso querido planeta que é grossa como mel, quando comparada com o vácuo do espaço, começa a se deformar, como um ônibus caindo de um penhasco se deformaria ao atingir um meio mais denso, como a água ou o chão.
Essa deformação, ou compressão, esquenta o material mais do que a fricção dele com o ar.
Analogamente, se dobrarmos e desdobrarmos um clipe repetidamente, ele esquentará por causa dessa deformação até se partir na emenda.
Como o ônibus, a rocha que forma o meteoro se deforma (num processo que físicos chamam “panquecamento”) e, como o clipe, esquenta (num processo apelidado pelos físicos de “aquecimento”). Quanto mais se dobra, mais quente fica.
Sendo que pedra não é conhecida por sua maleabilidade e, eventualmente, não aguentando o estica-encolhe, começa a se desfazer.
Quando está se desfazendo, mais material é exposto e, consequentemente, mais material está agora disponível para participar da dança do panquecamento. E assim por diante.
Até que, em poucos segundos, se parte.
Por causa da energia acumulada pelo calor e pela velocidade, se parte de forma violenta.
Por definição, “explosão” é uma descarga de muito energia que ocorre muito rapidamente (uma molécula de cera de vela contém mais energia armazenada que uma de dinamite, mas não explode porque queima devagar demais).
Isso já aconteceu milhares de vezes aqui com asteróides suficientemente grandes para causar muito estrago (um desses acontecimentos famosos e relativamente recentes foi o de Tunguska em 1908) e pode acontecer novamente, daqui a vinte e oito anos, em abril de 2036.
“Sério?”, eu escuto vocês perguntando.
“Sem onda!”, vocês me lêem respondendo.
Em abril de 2029, um errante espacial de trezentos metros de diâmetro chamado Apófis vai passar tão perto da Terra que irá se espremer entre nosso pálido ponto azul e alguns dos nossos satélites (os de órbita geosíncrona).
Mas não vai nos atingir, vai só passar MUITO perto.
Porém, se passar perto demais, sua órbita será alterada e, em sete anos, quando completar outro ciclo, PRÁ!, em nós.
Legal, não?
E poderemos acompanhar tudo holograficamente do conforto dos nossos carros voadores autônomos movidos a água.

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