{"id":122,"date":"2016-07-06T20:05:00","date_gmt":"2016-07-06T23:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/?p=122"},"modified":"2016-07-08T08:09:11","modified_gmt":"2016-07-08T11:09:11","slug":"o-exemplo-dos-mais-velhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/2016\/07\/06\/o-exemplo-dos-mais-velhos\/","title":{"rendered":"O exemplo dos mais velhos"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify\"><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-127\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672-300x169.jpg\" alt=\"DSC05672\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672-678x381.jpg 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672-128x72.jpg 128w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/07\/DSC05672.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cA crian\u00e7a constr\u00f3i sua moralidade n\u00e3o apenas refletindo sobre as regras e os valores, mas tamb\u00e9m \u2013 e talvez essencialmente- observando e avaliando as pessoas que, em volta, agem de diferentes maneiras.\u201d Yves de\u00a0La Taille<br \/>\n<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">Representar um modelo estimado de pessoa \u00e9 uma grande responsabilidade e por isso\u00a0La Taille nos alerta \u00a0sobre os valores que ele apresenta e incentiva. Este cuidado tem todo sentido visto a plasticidade da juventude em modelar seus comportamentos a partir daqueles que admira, e se suas atitudes n\u00e3o conduzirem para uma boa conviv\u00eancia, muitos conflitos podem ser gerados.\u00a0<span style=\"line-height: 1.5\">Um exemplo \u00e9 bem explorado no filme <a href=\"http:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-134390\/\">A Onda, de Dennis Gasel<\/a>. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Apesar de defender que o professor pode e deve ter esta representa\u00e7\u00e3o, potencializando sua a\u00e7\u00e3o educativa, ele n\u00e3o precisa ser o \u00fanico a atender todas as exig\u00eancias ou pelo menos n\u00e3o deve estar s\u00f3 nesta empreitada. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Portanto, n\u00e3o discuto nesta postagem a figura docente e sim outro personagem que pode se tornar refer\u00eancia no espa\u00e7o de ensino, especialmente\u00a0o esportivo.\u00a0<\/span>O\u00a0monitor pode representar uma possibilidade pedag\u00f3gica importante nas rela\u00e7\u00f5es que envolvem o ensino de modalidades. E como monitor, refiro-me ao convite ofertado aos atletas ou alunos das categorias mais velhas. Pessoalmente j\u00e1 organizei esta proposta diversas vezes e as respostas sempre foram muito positivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Inicialmente, os monitores representam aos mais novos, aquilo que s\u00e3o de fato, seus pares, apenas com mais idade. E Puig refor\u00e7a a import\u00e2ncia desta rela\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;No es necess\u00e1rio insistir demasiado em la fuerza educadora de la relaci\u00f3n entre iguales. Su influencia es a menudo mayor que la de los adultos. Algunos pedagogos han pensado com raz\u00f3n que la verdadeira unidad de intervenci\u00f3n educativa es el grupo de iguales.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas e quando este igual, que j\u00e1 \u00e9 familiar ao conv\u00edvio, vai se transformando em uma figura modelar a partir da conviv\u00eancia respeitosa, cooperativa e c\u00famplice?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em pesquisa realizada em um grande projeto esportivo no qual fiz parte, os adolescentes que participaram deste tipo de a\u00e7\u00e3o\u00a0afirmaram:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\"><em>Outro ponto importante para mim foi entrar na monitoria, eu lembro que no primeiro momento foi um desafio, a primeira vez que me atribu\u00edram a responsabilidade: &#8220;Olha, voc\u00ea vai ser monitor, e voc\u00ea tem essa, essa e essa fun\u00e7\u00e3o! E eu falei: &#8220;Caramba, ser\u00e1 que eu vou dar conta?&#8221; E eu vi o quanto aquilo ali serviu de mais aprendizado, trabalhar com o professor que j\u00e1 tinha objetivos com aquelas crian\u00e7as foi uma troca bacana e exatamente naquele momento que eu senti a a\u00e7\u00e3o multiplicadora que cada um tinha, porque a gente aprendia um pouco enquanto aluno, nas atividades de voleibol e a\u00ed tentava socializar com os novos alunos e aquilo era bacana, era uma a\u00e7\u00e3o multiplicadora. No in\u00edcio era reprodu\u00e7\u00e3o, porque a gente via a figura do professor fazendo assim ent\u00e3o eu vou tentar fazer como ele, mas depois era uma cria\u00e7\u00e3o, a gente criava muito como monitor, eu me sentia mais valorizado, mais pertencente ao projeto. Falava: &#8220;Caramba, eles acreditam em\u00a0 mim e eu posso contribuir de alguma forma no aprendizado destas novas crian\u00e7as, n\u00e9?&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\"><em>Eu acho que quando surgiu a oportunidade da monitoria que foi quando eu comecei a enxergar mesmo que eu posso servir de exemplo para as crian\u00e7as mais novas. Foi quando eu comecei a querer fazer uma faculdade de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, a participar mesmo dos eventos, estar \u00e0 frente de algumas coisas do n\u00facleo, ajudar os professores, acho que foi a melhor fase do projeto foi essa. (HIRAMA \u00a0e MONTAGNER, 2012)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Para ilustrar\u00a0esta transforma\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o entre os pares, alunos mais novos e os mais velhos como monitores, relato esta passagem vivenciada no projeto citado:<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">No final da aula de uma turma de 7 e 8 anos de voleibol em um projeto em Heli\u00f3polis estava apresentando uma estrat\u00e9gia de refor\u00e7o dos v\u00ednculos entre estas crian\u00e7as e os alunos mais velhos (15 a 17 anos), muitos deles monitores nas aulas dos mais novos. A a\u00e7\u00e3o seria a de colocarmos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o camisetas semelhantes \u00e0s do uniforme que estes adolescentes utilizavam na competi\u00e7\u00e3o regional, incluindo o nome dos atletas e o respectivo n\u00famero que cada um utilizava, da mesma forma como acontece com as camisas oficiais dos \u00eddolos dos times profissionais vendidas aos f\u00e3s.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Quando perguntei quem gostaria de ter uma camiseta destas, todos levantaram a m\u00e3o animados, mas uma aluna em especial me chamou a aten\u00e7\u00e3o dizendo: \u201cEu quero a camiseta com n\u00famero X (n\u00e3o me lembro mais qual era)!\u201d <\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Quando perguntei por qual raz\u00e3o, ela foi categ\u00f3rica: \u201c\u00c9 porque \u00e9 a camiseta do Jeremias!\u201d Ent\u00e3o voltei a perguntar: \u201cMas porque a do Jeremias?\u201d \u201cPorque eu gosto muito dele, ele tem paci\u00eancia para me ensinar, me ajuda muito e \u00e9 muito legal!\u201d <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">O detalhe \u00e9 que o Jeremias era um dos adolescentes do time mais velho, um dos mais queridos do grupo por este jeito amigo, mas como ele mesmo se colocou em depoimento, era um dos que mais apresentava dificuldades no voleibol: \u201c Eu era um verdadeiro bra\u00e7o de pau!&#8221; afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Esta \u00e9 uma prova de que o exemplo\u00a0n\u00e3o exige necessariamente desempenho esportivo mas afetivo. Jeremias foi um modelo de simpatia, amizade, carinho, aten\u00e7\u00e3o, entre tantos outros valores que distribuiu em todas as turmas pelas quais foi monitor. Outros amigos dele n\u00e3o tinham exatamente o mesmo perfil, claro, mas tamb\u00e9m distribu\u00edram valores que acreditamos serem importantes para uma boa vida, como exig\u00eancia (adequada ao n\u00edvel da cada grupo), comprometimento, supera\u00e7\u00e3o, disponibilidade, garra, proximidade, respeito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Brasil, arrisco a afirmar que a grandeza desta interven\u00e7\u00e3o a partir dos monitores \u00e9 pouco utilizada com inten\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas e consequentemente, tamb\u00e9m pouco investigada.\u00a0Ao contr\u00e1rio, nas\u00a0artes marciais japonesas existe uma denomina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para estes personagens, os <a href=\"https:\/\/shoshinsakuba.wordpress.com\/2009\/12\/08\/senpai-dohai-e-kohai\/\">Senpais<\/a>, que s\u00e3o os mais velhos e\u00a0experientes e que carregam culturalmente esta responsabilidade para com os novatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, contar com a ajuda dos atletas mais velhos representou uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas muito ricas como a proximidade entre as diferentes faixas\u00a0et\u00e1rias, o desenvolvimento da responsabilidade, conhecimento e compromisso por parte dos monitores, \u00a0o surgimento da percep\u00e7\u00e3o de capacidade em auxiliar e representar bom exemplo para os mais jovens, o crescimento do sentimento de empatia entre todos os envolvidos. Situa\u00e7\u00f5es estas que extrapolaram o ambiente do projeto esportivo, visto que as rela\u00e7\u00f5es permaneciam nos outros espa\u00e7os da comunidade como tamb\u00e9m foi descrito na pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.5\">Desta forma, um clima de pertencimento, t\u00e3o importante na constru\u00e7\u00e3o de um ambiente rico moralmente foi refor\u00e7ado. \u00a0E, finalmente, eu como professor acabava rodeado de \u201cprofessores\u201d, que escrevo entre aspas por dois motivos: o primeiro por n\u00e3o serem formados oficialmente como tal, e segundo, e principalmente, por atuarem\u00a0de fato como professores, ensinando para al\u00e9m do esporte, na pr\u00e1tica, algo t\u00e3o escasso no dias atuais: serem exemplos de boa conduta!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Refer\u00eancias utilizadas e sugeridas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">HIRAMA LK, MONTAGNER PC. Algo para al\u00e9m de tirar das ruas: a pedagogia do esporte em projetos socioeducativos. S\u00e3o Paulo: Phorte, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">LA TAILLE, Y. Desenvolvimento moral: a polidez segundo as crian\u00e7as. In: Cadernos de Pesquisa, S\u00e3o Paulo, n. 114, p.89-119, novembro, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PUIG, J.M. Pr\u00e1cticas Morales: uma aproximaci\u00f3n a la educaci\u00f3n moral. Barcelona: Paid\u00f3s, 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u201cA crian\u00e7a constr\u00f3i sua moralidade n\u00e3o apenas refletindo sobre as regras e os valores, mas tamb\u00e9m \u2013 e talvez essencialmente- observando e avaliando as pessoas <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/2016\/07\/06\/o-exemplo-dos-mais-velhos\/\" title=\"O exemplo dos mais velhos\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":55,"featured_media":126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-122","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/55"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":134,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122\/revisions\/134"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}