{"id":94,"date":"2016-06-02T18:12:25","date_gmt":"2016-06-02T21:12:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/?p=94"},"modified":"2016-06-03T20:28:23","modified_gmt":"2016-06-03T23:28:23","slug":"o-poder-de-fazer-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/2016\/06\/02\/o-poder-de-fazer-parte\/","title":{"rendered":"O poder de fazer parte! O pertencimento e os valores de conviv\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-101\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/06\/DSC06617-compactada-300x169.jpg\" alt=\"DSC06617 compactada\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/06\/DSC06617-compactada-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/06\/DSC06617-compactada-128x72.jpg 128w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/06\/DSC06617-compactada.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Quando abordo o tema pertencimento em minhas aulas, costumo criar uma imagem a partir de um exemplo de sucesso de um certo tipo de &#8220;institui\u00e7\u00e3o&#8221; muito forte, conhecida, respeitada (quer seja pelo status ou pelo medo) no pa\u00eds inteiro, mas mais intensamente nas comunidades perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Refiro-me ao Tr\u00e1fico de drogas como organiza\u00e7\u00e3o, como grupo. Defendo que esta institui\u00e7\u00e3o desenvolve e se aproveita deste sentimento muito poderoso e motivador para a manuten\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es, o pertencimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-96\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/05\/tr\u00e1fico-300x151.png\" alt=\"tr\u00e1fico\" width=\"433\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/05\/tr\u00e1fico-300x151.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/05\/tr\u00e1fico-768x387.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/05\/tr\u00e1fico.png 904w\" sizes=\"(max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao adentrar nesta organiza\u00e7\u00e3o, o jovem imediatamente vivencia algumas rela\u00e7\u00f5es que refor\u00e7am o significado de fazer parte. Ele passa a ser reconhecido na comunidade, seu status, apesar dos motivos, passa de um &#8220;simples&#8221; morador para um componente do &#8220;movimento&#8221;. Logo sua auto-estima se inflama, n\u00e3o raro se encontram jovens e at\u00e9 crian\u00e7as que n\u00e3o se deixam intimidar por quase nada em sua comunidade, a n\u00e3o ser seus pr\u00f3prios superiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O tr\u00e1fico desenvolve tamb\u00e9m um senso de responsabilidade, de dedica\u00e7\u00e3o, de exig\u00eancia, de organiza\u00e7\u00e3o e de compromisso, mas todo o esfor\u00e7o \u00e9 recompensado pela identifica\u00e7\u00e3o oferecida pelo grupo, pelo poder adquirido. E ainda, finalmente, para fechar o ciclo do sucesso, existe a clara possibilidade de ascens\u00e3o, oferecendo ao jovem outro sentimento determinante quando se est\u00e1 envolvido em qualquer processo: a evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Logicamente o apelo do tr\u00e1fico \u00e9 refor\u00e7ado pelas condi\u00e7\u00f5es\u00a0em\u00a0que vivem as crian\u00e7as, adolescentes e adultos de tais comunidades, muitas vezes exclu\u00eddos de outras oportunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, diante desta constata\u00e7\u00e3o, como n\u00e3o tornar o pertencimento um componente obrigat\u00f3rio nos espa\u00e7os educacionais e ou formativos? Darei alguns outros exemplos de como pode ser poderoso este sentimento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em tempos passados (atualmente esta a\u00e7\u00e3o est\u00e1 quase extinta) muitas escolas possu\u00edam uma fanfarra. Eu nunca participei de uma, mas percebia que os amigos que faziam parte se sentiam orgulhosos por nos representar em eventos variados. Os leitores que por ventura tenham feito parte de grupos como este provavelmente concordar\u00e3o comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outro grupo, e este vivi mais intensamente, era da equipe esportiva representativa da escola. Fazer parte dos &#8220;atletas&#8221; representava orgulho, status, reconhecimento, enfim, todas as caracter\u00edsticas que o esquema\u00a0acima detalhou, com a grande diferen\u00e7a de que o mote do grupo era praticar esporte! E se nosso professor tivesse a sensibilidade de criar um ambiente sociomoral rico no entorno deste grupo, a chance de tais caracter\u00edsticas serem norteadas por valores que iriam contribuir para uma boa conviv\u00eancia eram, com toda certeza, maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e0 toa, exemplos de equipes esportivas serem as protagonistas em atividades comunit\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o raras, como a organiza\u00e7\u00e3o de eventos para levantamento de recursos para reformas na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A for\u00e7a do fazer parte \u00e9 t\u00e3o evidente que o cinema, especialmente o americano, retratou esta rela\u00e7\u00e3o em diversos filmes, alguns, \u00e9 verdade, por meio de valores inadequados como aqueles em que os atletas s\u00e3o os maiorais e abusam dos demais. Mas muitos outros\u00a0destacam valores como a uni\u00e3o, a coopera\u00e7\u00e3o, o enfrentamento de problemas de forma coletiva, alguns deles inclusive, baseados em fatos reais. Algumas sugest\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\">Duelo de Tit\u00e3s- de Boas Yakin<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\">Coach Carter- de Tomas Carter<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;text-align: justify\">A voz do cora\u00e7\u00e3o- de Christophe Barratier (este n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o esporte mas \u00e9 \u00f3timo para refletir sobre pertencimento, rela\u00e7\u00e3o professor e aluno e o poder do educador)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Gomes (2002), relacionando estudos com crian\u00e7as e jovens que viveram em campos de concentra\u00e7\u00e3o na segunda grande guerra, afirma que o grupo exerce rela\u00e7\u00f5es importantes na forma\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa, pois ao mesmo tempo que protege seus indiv\u00edduos, os cerceia de excessos ego\u00edstas. Eis duas situa\u00e7\u00f5es que parecem, mais uma vez, estar se tornando escassas: seguran\u00e7a a partir do\u00a0coletivo e controle da individualidade por seus pares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, finalizo reafirmando a import\u00e2ncia de desenvolvermos o sentimento de pertencimento em nossos espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o. Estes grupos e ambientes podem ser t\u00e3o marcantes na vida de jovens a ponto de, costumeiramente, considerarem sua segunda casa! No\u00a0entanto, \u00e9 necess\u00e1rio que este seja acompanhado de um ambiente denso moralmente, como afirma Puig (2003), para que valores morais possam ser potencializados a partir do sentimento de grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim sendo, vislumbramos a imers\u00e3o em um espa\u00e7o considerado um segundo lar, onde os valores que permeiam as rela\u00e7\u00f5es sejam de constante respeito, coopera\u00e7\u00e3o, supera\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o, compromisso, seguran\u00e7a, apoio, evolu\u00e7\u00e3o, entre muitos outros. A esperan\u00e7a \u00e9 a de que estas rela\u00e7\u00f5es fa\u00e7am sentido, se tornem significativas e, finalmente, sejam incorporadas em seus ju\u00edzo de valores, passando a nortear suas a\u00e7\u00f5es onde quer que estejam!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 prov\u00e1vel que o leitor, ao chegar neste ponto perceba que minhas proposi\u00e7\u00f5es neste post n\u00e3o se limitam aos grupos esportivos. O pertencimento \u00e9 democr\u00e1tico e pode ser elemento essencial na forma\u00e7\u00e3o do ambiente positivo em qualquer grupo, como o da costura, tradicional espa\u00e7o das senhoras do bairro, da dan\u00e7a, do teatro, da m\u00fasica, da literatura, das m\u00e3es, dos pais, enfim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que tal ent\u00e3o fazermos parte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leituras recomendadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">GOMES, C .M. A. <u>Feuerstein e a constru\u00e7\u00e3o mediada do conhecimento<\/u>. Porto Alegre: Artmed, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">HIRAMA LK, MONTAGNER PC. Algo para al\u00e9m de tirar das ruas: a pedagogia do esporte em projetos socioeducativos. S\u00e3o Paulo: Phorte, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PUIG, J.M. Pr\u00e1cticas Morales: uma aproximaci\u00f3n a la educaci\u00f3n moral. Barcelona: Paid\u00f3s, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">SANCHES, S; RUBIO, K. A pr\u00e1tica esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e a resili\u00eancia. Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa, S\u00e3o Paulo, v. 37, n. 4, p. 825-842, dez. 2011.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Quando abordo o tema pertencimento em minhas aulas, costumo criar uma imagem a partir de um exemplo de sucesso de um certo tipo de &#8220;institui\u00e7\u00e3o&#8221; <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/2016\/06\/02\/o-poder-de-fazer-parte\/\" title=\"O poder de fazer parte! O pertencimento e os valores de conviv\u00eancia\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":55,"featured_media":102,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[19,18,16],"class_list":["post-94","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-grupo","tag-pertencimento","tag-valores"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2016\/06\/grupo-compact.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/55"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":111,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94\/revisions\/111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/valoresdoesporte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}