{"id":155,"date":"2017-05-16T00:54:25","date_gmt":"2017-05-16T03:54:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/?p=155"},"modified":"2017-05-16T00:58:45","modified_gmt":"2017-05-16T03:58:45","slug":"imagens-brasil-populacoes-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2017\/05\/16\/imagens-brasil-populacoes-indigenas\/","title":{"rendered":"Imagens do Brasil: popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>Nas imagens do Brasil, um dos \u00e2ngulos menos visados \u00e9 o das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Os autores de livros &#8220;cl\u00e1ssicos&#8221; do pensamento social, como &#8220;Casa-Grande &amp; Senzala&#8221; (1933),&#8221;Ra\u00edzes do Brasil&#8221;(1936) e &#8220;Forma\u00e7\u00e3o do Brasil Contempor\u00e2neo: col\u00f4nia&#8221; (1942), pouco interpretaram os lugares ocupados pelos &#8220;abor\u00edgenes&#8221; (termo recorrente na obra de Caio Prado Junior) na organiza\u00e7\u00e3o social e na forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira. Em termos de pol\u00edticas do Estado, ao lado de \u00f3rg\u00e3os como o (extinto) SPI e a Funai, as inst\u00e2ncias do IBGE possuem certa autonomia na constru\u00e7\u00e3o de tipos classificat\u00f3rios que demarcam os grupos mediante crit\u00e9rios \u00e9tnicorraciais, o que certamente \u00e9 motivo de pol\u00eamicas e disputas pol\u00edticas nos recenseamentos (sugiro a leitura do artigo &#8220;<a href=\"http:\/\/www.periodicos.usp.br\/revusp\/article\/viewFile\/28427\/30285\">Cor nos censos brasileiros<\/a>&#8221; de Edith Piza e F\u00falvia Rosemberg).<\/p>\n<p>As representa\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas tamb\u00e9m acompanham a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio sobre\u00a0a terra e o &#8220;car\u00e1ter&#8221; do povo. O cartaz do filme &#8220;O Descobrimento do Brasil&#8221; (1937), de Humberto Mauro, traz na margem inferior &#8220;nativos&#8221; de joelhos perante um religioso habilitado a catequisar, tendo ao seu lado\u00a0um colonizador segurando uma cruz e ao fundo tr\u00eas caravelas. A dire\u00e7\u00e3o musical desse filme, &#8220;uma realiza\u00e7\u00e3o c\u00edvico-cultural do Instituto de Cacau da Bahia&#8221;, ficou a cargo de Heitor Villa-Lobos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cineplayers.com\/img\/cartazes\/7849_poster.jpg\" alt=\"Image result\" \/><\/p>\n<p>A s\u00e9rie &#8220;\u00cdndios no Brasil&#8221;, produzida com objetivo did\u00e1tico em 2000 com dire\u00e7\u00e3o de Vicent Carelli para a TV Escola do MEC, exemplifica como as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas buscam novas formas de representa\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria e de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No epis\u00f3dio intitulado &#8220;Uma outra hist\u00f3ria&#8221;, foram inseridas algumas cenas do filme &#8220;O descobrimento do Brasil&#8221; para abrir o debate: &#8220;o\u00a0Brasil foi descoberto ou invadido?&#8221;. Nove anos depois da s\u00e9rie &#8220;\u00cdndios no Brasil, o\u00a0diretor <a href=\"http:\/\/www.videonasaldeias.org.br\/2009\/realizadores.php?c=53\">Vincent Carelli<\/a>\u00a0se\u00a0tornou o grande vencedor do Festival de Gramado com o filme &#8220;Corumbiara&#8221;.<\/p>\n<p><iframe title=\"\u00cdndios no Brasil - 5. Uma outra hist\u00f3ria\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/15678998?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"375\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe><\/p>\n<p>Essa e outras iniciativas do projeto &#8220;V\u00eddeo nas Aldeias&#8221;, iniciado em 1987, podem ser conferidas no site com <a href=\"http:\/\/www.videonasaldeias.org.br\/2009\/video.php\">cat\u00e1logo <\/a>de filmes e textos. Pelo menos desde o final da d\u00e9cada de 1970, novas personagens entraram no enquadramento\u00a0do cinema document\u00e1rio brasileiro: sindicalistas e ind\u00edgenas. Ind\u00edgenas timbira, canela e arara foram interlocutores de Andrea Tonacci nos filmes &#8220;Conversas no Maranh\u00e3o&#8221;\u00a0(1977-83), &#8220;Discursos canelas\u00a0(1979) e &#8220;Os araras&#8221; (1980). Para uma an\u00e1lise da filmografia desse diretor, sugiro o artigo de Jos\u00e9 Geraldo Couto publicado no blog do Instituto Moreira Salles: &#8220;<a href=\"http:\/\/blogdoims.com.br\/tonacci-cinema-dos-grandes\/\">Tonacci, cinema dos grandes<\/a>&#8220;. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o sarc\u00e1stico curta-metragem &#8220;Mato eles?&#8221;, do diretor S\u00e9rgio Bianchi, colocaria problemas que retornam no longa &#8220;Serras da desordem&#8221; de Tonacci, vencedor do Festival de Gramado em 2006: os descompassos entre as a\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es como a Funai, a autoproclamada relev\u00e2ncia de cineastas para retratar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, as atividades de filantropos, sertanistas e ONGs, os interesses dos empres\u00e1rios e, mais importante, as vozes das popula\u00e7\u00f5es que lutam pela demarca\u00e7\u00e3o de\u00a0\u00e1reas como Terra Ind\u00edgena no Brasil (TI).<\/p>\n<p>&#8220;Serras da desordem&#8221; e &#8220;Mato eles?&#8221;, apesar das diferen\u00e7as de estilo, s\u00e3o filmes h\u00edbridos baseados no m\u00e9todo da bricolagem, pois provocam o p\u00fablico por\u00a0cruzarem as fronteiras de document\u00e1rio e de fic\u00e7\u00e3o. Para finalizar, vou citar uma das perguntas que aparecem nas cartelas com fundo preto durante o curta-metragem de Bianchi:<\/p>\n<p><em>Sabendo que existem apenas alguns \u00edndios da tribo dos Xet\u00e1s, o que aconteceu com os demais?<\/em><\/p>\n<p><em> a) Miscigenaram-se com a popula\u00e7\u00e3o branca e vivem nas grandes cidades. <\/em><\/p>\n<p><em>b) Foram todos mortos por doen\u00e7a infecciosa e problemas de lit\u00edgio de terra. <\/em><\/p>\n<p><em>c) Est\u00e3o passando f\u00e9rias no exterior. <\/em><\/p>\n<p><em>d) Os \u00edndios Xet\u00e1s nunca existiram. O document\u00e1rio \u00e9 falso. <\/em><\/p>\n<p><em>e) Todas as alternativas est\u00e3o corretas.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=s6KdrVmKwDA\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=s6KdrVmKwDA<\/a><\/p>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: center\"><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Nas imagens do Brasil, um dos \u00e2ngulos menos visados \u00e9 o das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. 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