{"id":248,"date":"2018-04-17T16:19:36","date_gmt":"2018-04-17T19:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/?p=248"},"modified":"2018-04-17T22:16:02","modified_gmt":"2018-04-18T01:16:02","slug":"dilemas-populacionais-na-decada-de-1950","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2018\/04\/17\/dilemas-populacionais-na-decada-de-1950\/","title":{"rendered":"Dilemas populacionais na d\u00e9cada de 1950"},"content":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 foi longamente debatido pela bibliografia especializada, um dos temas mais complexos do pensamento social e pol\u00edtico, durante o s\u00e9culo XX no Brasil, refere-se \u00e0 &#8220;ra\u00e7a&#8221;. Os dilemas populacionais, na d\u00e9cada de 1950, passaram das migra\u00e7\u00f5es de contingentes estrangeiros para os fluxos internos, nacionais. As migra\u00e7\u00f5es internas come\u00e7avam a ganhar maior aten\u00e7\u00e3o nos circuitos intelectuais. Uma s\u00e9rie de textos publicada por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es do 125\u00ba anivers\u00e1rio do <em>Jornal do Commercio <\/em>traz uma s\u00e9rie de ind\u00edcios de como ambos os temas eram tratados depois do avassalador sucesso das obras de Gilberto Freyre &#8211; <em>Casa-Grande &amp; Senzala<\/em> (1933) e <em>Sobrados e mucambos<\/em> (1936) &#8211; e antes da publica\u00e7\u00e3o dos primeiros resultados das pesquisas financiadas pela Unesco<i>.<\/i><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-257 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-content\/uploads\/sites\/46\/2018\/04\/Capa-1-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>O<em>\u00a0<\/em> <em>Jornal do Commercio <\/em> do Rio Janeiro compilou os artigos, publicados de outubro a dezembro de 1952, em um volume de 1953 intitulado<em> Aspectos da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Brasil<\/em>. Persistia o enigma: como havia se formado a popula\u00e7\u00e3o brasileira? A relev\u00e2ncia desta postagem somente reside no curioso fato de que a publica\u00e7\u00e3o dos artigos e da cole\u00e7\u00e3o por esse peri\u00f3dico foi coet\u00e2nea ao patroc\u00ednio da Unesco a uma pesquisa sobre rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil. Chor Maio, em artigo publicado em <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69091999000300009\">1999<\/a>, abordou a agenda de intelectuais preocupados com o tema e o desenvolvimento das Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>De um total de 47 artigos em\u00a0<em>Aspectos da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Brasil<\/em>, vou apresentar apenas dois: &#8220;A popula\u00e7\u00e3o brasileira: forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o&#8221;, de Castro Barretto, e &#8220;A nacionaliza\u00e7\u00e3o do negro&#8221;, de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cnfcp.gov.br\/interna.php?ID_Materia=162\">Edison Carneiro<\/a>. Enquanto Carneiro figura no rol de autores com legitimidade intelectual &#8211; inclusive n\u00e3o foi muito dif\u00edcil encontrar um link para sua biografia -, Castro Barretto parece uma figura enigm\u00e1tica. Sobre ele, h\u00e1 poucos registros. Apenas sei que foi um especialista em migra\u00e7\u00e3o e outros tipos de estudos populacionais. A colet\u00e2nea de artigos\u00a0<em>Aspectos da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Brasil\u00a0<\/em>teve em seu rol de autores nomes como Pedro Calmon, ent\u00e3o reitor da Universidade do Brasil, Gilberto Freyre, Helo\u00edsa Alberto Torres, diretora do Museu Nacional, Helio Jaguaribe, Manuel Diegues Junior, Am\u00e9rico Jacobina Lacombe, Renato Almeida e An\u00edsio Teixeira.<\/p>\n<p>No primeiro ponto do artigo\u00a0&#8220;A popula\u00e7\u00e3o brasileira: forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o&#8221;, Barretto informa ao p\u00fablico que a crescente aten\u00e7\u00e3o \u00e0 antropologia decorre do &#8220;apre\u00e7o&#8221; aos valores humanos. Em sua narrativa sobre a forma\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o que habitava o Brasil, quando &#8220;descoberto pelos navegadores portugueses&#8221;, era escassa e, culturalmente, vivia no &#8220;per\u00edodo neol\u00edtico&#8221;. Europeus e ind\u00edgenas, dois tipos tratados de forma homog\u00eanea no texto, permaneciam &#8220;afastados&#8221; em rela\u00e7\u00e3o aos &#8220;est\u00e1gios culturais&#8221;. Devido ao &#8220;est\u00e1gio cultural&#8221; nativo, a densidade era \u00ednfima sobre grande territ\u00f3rio. As &#8220;ilhas demogr\u00e1ficas&#8221; de portugueses contrastavam com a vastid\u00e3o territorial, situa\u00e7\u00e3o que se alterou com o tr\u00e1fico da &#8220;popula\u00e7\u00e3o negra da \u00c1frica&#8221;, continente que era &#8220;largo reservat\u00f3rio humano&#8221;. Como veremos, o eixo do argumento \u00e9 a defesa da miscigena\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>A fus\u00e3o de tipos antropossom\u00e1ticos que o Brasil vem realizando n\u00e3o somente \u00e9 a base da paz social, mas do conceito integral de democracia <\/em>(pg. 24)<em>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Logo em seguida cita, sem mencionar as fontes,\u00a0Arnold J. Toynbee, sobre a &#8220;virtude brasileira&#8221; da inexist\u00eancia de preconceito, e Roy Nash, sobre o laborat\u00f3rio social brasileiro. Para Barretto, a &#8220;miscigena\u00e7\u00e3o entre as tr\u00eas ra\u00e7as&#8221; foi o mais &#8220;importante fen\u00f4meno demog\u00eanico&#8221;, que ocorreu devido a tr\u00eas fatores, com refer\u00eancia impl\u00edcita \u00e0s teses freyreanas:<\/p>\n<ul style=\"list-style-type: disc\">\n<li>colonizadores n\u00e3o trouxeram mulheres e n\u00e3o tinham preconceito com outros contingentes populacionais;<\/li>\n<li>havia mulheres negras ou ind\u00edgenas na col\u00f4nia;<\/li>\n<li>ambiente favor\u00e1vel para ascens\u00e3o social e aus\u00eancia de &#8220;princ\u00edpios morais&#8221; para frear a poligamia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A tese de Castro Barretto soa canhestra e rudimentar, mas comprova a perman\u00eancia de certas linhas interpretativas sobre a forma\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio chamado Brasil, sobretudo a influ\u00eancia de Freyre em outras leituras sobre a forma\u00e7\u00e3o nacional. Segundo os dados apresentados por Castro Barretto, houve um crescimento de 35,3 milh\u00f5es de habitantes entre 1840 e 1940: desse total, 32 milh\u00f5es provenientes do crescimento natural, 3,3 milh\u00f5es do contingente de imigrantes. E quais os crit\u00e9rios para selecionar imigrantes? Entra em cena o argumento da qualidade do migrante: &#8220;\u00fatil e capaz&#8221;. Em um pa\u00eds que at\u00e9 1950 ainda tinha 68,82%\u00a0 da popula\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0s atividades rurais, era necess\u00e1rio, segundo esse argumento, atrair profissionais especializados:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>As ra\u00e7as interessam muito pouco, talvez s\u00f3 do ponto de vista est\u00e9tico; o que interessa \u00e9 a cultura de que o indiv\u00edduo \u00e9 portador, isto \u00e9, os valores materiais e espirituais que comp\u00f5em a pessoa humana\u00a0<\/em>(pg. 24)<em>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>No artigo &#8220;A nacionaliza\u00e7\u00e3o do negro&#8221;, a constru\u00e7\u00e3o do argumento \u00e9 distinta, pois Edison Carneiro inicia sua exposi\u00e7\u00e3o mostrando algo que tamb\u00e9m estava presente, mas de forma t\u00edmida, no texto de Castro Barreto: a heterogeneidade das culturas no continente africano. Carneiro aborda a &#8220;nacionaliza\u00e7\u00e3o&#8221; como processo de ruptura de la\u00e7os de grupos diversos, como hauss\u00e1s, nag\u00f4s e fons, com o continente origin\u00e1rio. Com o contato prolongado com o branco, os contingentes populacionais oriundos da zona do Golfo da Guin\u00e9 at\u00e9 o Sud\u00e3o, descendo pelo rio Congo e alcan\u00e7ando as praias do \u00cdndico, se modificaram f\u00edsica e espiritualmente (pg. 165) na Am\u00e9rica. A popula\u00e7\u00e3o misturada seria resultado do desaparecimento f\u00edsico do negro devido<\/p>\n<ul>\n<li>\u00e0 cessa\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico;<\/li>\n<li>ao &#8220;refor\u00e7o do elemento branco&#8221; com a migra\u00e7\u00e3o de europeus;<\/li>\n<li>ao &#8220;livre interc\u00e2mbio sexual entre pretos, pardos e brancos&#8221;, em todos tempos e lugares.<\/li>\n<\/ul>\n<p>E do desaparecimento espiritual devido<\/p>\n<ul>\n<li>ao &#8220;branco&#8221; ser detentor de cultura mais avan\u00e7ada;<\/li>\n<li>\u00e0 multiplicidade e \u00e0 fragilidade das &#8220;culturas de negro&#8221;.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os desaparecimentos f\u00edsico e espiritual afetaram as l\u00ednguas africanas, os costumes e as &#8220;concep\u00e7\u00f5es religiosas&#8221;. Para Edison Carneiro, a &#8220;situa\u00e7\u00e3o do negro&#8221;, no per\u00edodo republicano, &#8220;melhorou&#8221;, pois livrou-se das &#8220;limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, sociais e morais do Imp\u00e9rio&#8221;:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>A imprevid\u00eancia com que se tratara o problema da escravid\u00e3o, por um lado, e a libera\u00e7\u00e3o de certas for\u00e7as econ\u00f4micas, de outro, trouxeram, por\u00e9m, dificuldades ao livre desenvolvimento do elemento negro <\/em>(pg.170)<em>.<\/em><\/p>\n<p>O &#8220;elemento negro&#8221; teria se transformado repentinamente em &#8220;trabalhador assalariado&#8221;, quando buscou as cidades se aglomerou em &#8220;mocambos, favelas e bairros pobres&#8221;. Nas cidades, com grande oferta de m\u00e3o-de-obra desqualificada e barata,<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>O negro teve de aceitar ocupa\u00e7\u00f5es modestas, mal-remuneradas, ou tomar caminhos largos do v\u00edcio e do crime, sen\u00e3o da loucura. Tudo isto produziu ressentimentos e atritos. O receio da concorr\u00eancia, quando o negro ou os seus descendentes conseguiam chegar a posi\u00e7\u00f5es tradicionalmente ocupadas por brancos, acirrou o preconceito de cor, legado da escravid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>O trecho acima serve para reiterar o argumento de Edison Carneiro de que n\u00e3o existe o &#8220;problema especial do negro&#8221;, mas &#8220;problemas gerais do povo&#8221;. O \u00faltimo par\u00e1grafo, no entanto, termina de modo bastante confuso ao diferenciar a separa\u00e7\u00e3o entre negros e brancos no Brasil e nos Estados Unidos:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">[&#8230;]<em> na realidade a massa da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabelece diferen\u00e7as de cor entre os seus componentes. E, para dizer tudo, em parte alguma da Am\u00e9rica o negro se sente t\u00e3o nacional, t\u00e3o ligado \u00e0 vida do pa\u00eds, t\u00e3o em casa, como no Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Para concluir, citarei um par\u00e1grafo de Castro Barretto e outro de Edison Carneiro para estimular eventuais compara\u00e7\u00f5es com outros int\u00e9rpretes do Brasil, de Freyre a Bastide, de Florestan a Ianni, bem como para\u00a0 sublinhar as limita\u00e7\u00f5es e as potencialidades de ambas as explica\u00e7\u00f5es. No texto de Barretto, aparece a s\u00edntese explicativa:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>A popula\u00e7\u00e3o brasileira, apesar da complexidade das suas origens formativas, apresenta uma extraordin\u00e1ria unidade cultural que os n\u00fameros de cada censo v\u00eam revelando; apresenta por sua estrutura social, pela aus\u00eancia de castas e preju\u00edzos \u00e9tnicos e religiosos, por seu profundo sentido democr\u00e1tico, um incompar\u00e1vel poder de assimila\u00e7\u00e3o e, como consequ\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es humanas, culturais, de tantos povos, de tantas culturas, um formid\u00e1vel metabolismo social <\/em>(pg. 29)<em>.<\/em><\/p>\n<p>E no de Carneiro:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><i>toda a sociedade, exercendo press\u00e3o sobre o negro, atrav\u00e9s da escravid\u00e3o, conspirou para eliminar tudo o que era caracter\u00edstico na sua vida f\u00edsica e espiritual. Este processo foi espont\u00e2neo, sem dire\u00e7\u00e3o determinada, produto de for\u00e7as sociais sobre que os homens n\u00e3o tinham controle, e em verdade nada ganhou o negro, em troca. A aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o trouxe a reforma da propriedade rural, para fixar o negro \u00e0 terra, para transform\u00e1-lo num cidad\u00e3o. E, para compensar a perda das suas l\u00ednguas, dos seus costumes, das suas artes e das suas t\u00e9cnicas, nem mesmo se lhe deu escola prim\u00e1ria <\/i>(pg. 169).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Como j\u00e1 foi longamente debatido pela bibliografia especializada, um dos temas mais complexos do pensamento social e pol\u00edtico, durante o s\u00e9culo XX no Brasil, refere-se <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2018\/04\/17\/dilemas-populacionais-na-decada-de-1950\/\" title=\"Dilemas populacionais na d\u00e9cada de 1950\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":69,"featured_media":225,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[6,10,5],"class_list":["post-248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ideias-e-intelectuais","tag-dialogando-na-academia","tag-intelectuais","tag-sociologia-da-cultura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-content\/uploads\/sites\/46\/2017\/05\/download.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":264,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248\/revisions\/264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}