{"id":354,"date":"2019-05-21T04:33:09","date_gmt":"2019-05-21T07:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/?p=354"},"modified":"2019-05-21T04:33:09","modified_gmt":"2019-05-21T07:33:09","slug":"a-politica-dos-fragmentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2019\/05\/21\/a-politica-dos-fragmentos\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica dos fragmentos"},"content":{"rendered":"\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tecido com v\u00e1rios fragmentos serve como met\u00e1fora para explicar a conjuntura pol\u00edtica atual no Brasil. Por &#8220;conjuntura pol\u00edtica atual&#8221;, entendo o conjunto dos acontecimentos que est\u00e3o afetando e alterando o cen\u00e1rio pol\u00edtico desde 2018. Na lista dos governadores, percebe-se a divis\u00e3o das vit\u00f3rias entre diferentes siglas, 12 no total. Essa fragmenta\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 quantidade de partidos que venceram as elei\u00e7\u00f5es estaduais e tamb\u00e9m ao modo como os discursos pol\u00edticos foram apresentados ao eleitorado em 2018.<\/p>\r\n<p>Esta \u00e9 a pol\u00edtica dos fragmentos: vit\u00f3ria do Novo em Minas Gerais, do PP no Acre, do PHS em Tocantins, do PCdoB no Maranh\u00e3o e do PDT no Amap\u00e1. Todos esses partidos conquistaram apenas um estado. Tr\u00eas partidos venceram em dois estados: DEM, partido mais votado entre eleitores goianos e mato-grossenses para o Executivo estadual, PSD elegeu governador no Paran\u00e1 e em Sergipe e PSC no Rio de Janeiro e no Amazonas.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, por fim, os partidos com mais conquistas:\u00a0<br \/>PSB com Esp\u00edrito Santo, Para\u00edba e Pernambuco, MDB com Alagoas, Distrito Federal e Par\u00e1, PSDB com Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul, PSL com Santa Catarina, Roraima e Rond\u00f4nia, PT com Bahia, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte e Piau\u00ed.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio, evidentemente, est\u00e1 mais desagregado do que na elei\u00e7\u00e3o anterior, embora exista uma frente suprapartid\u00e1ria de governadores apoiadores da chapa vitoriosa na elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2018. Em 2014, venceram as elei\u00e7\u00f5es para governador um total de 9 partidos: PMDB\u00a0 (sete estados) PSDB e PT (cinco estados), PSB (tr\u00eas estados), PDT (dois estados), PSD (dois estados), PCdoB, PROS e PP (com apenas um estado). Havia, ent\u00e3o, uma concentra\u00e7\u00e3o de 17 estados governados por tr\u00eas partidos (PMDB, PSDB e PT).\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui n\u00e3o farei uma an\u00e1lise minuciosa das recentes altera\u00e7\u00f5es nas arenas eleitorais no Brasil, afinal, seria necess\u00e1rio um tratamento sistem\u00e1tico de dados para tal tarefa. Iniciativas de pesquisa demonstram as tend\u00eancias recentes da rela\u00e7\u00e3o entre Executivo e Legislativo. Conforme analisado por <a href=\"http:\/\/www.adaltech.com.br\/sigeventos\/anpocs\/inscricao2018\/mostra_resumo.asp?traId=1&amp;insId=2259\">Bonfim e Luz<\/a>, em painel apresentado no GT &#8220;O presidencialismo de coaliz\u00e3o brasileiro&#8221; no Encontro da ANPOCS de 2018, havia expectativa de altera\u00e7\u00e3o dessa intera\u00e7\u00e3o entre Executivo e Legislativo com a Emenda Constitucional 86\/2015. Minha aposta: daqui a algumas d\u00e9cadas surgir\u00e3o estudos de caso sobre os in\u00fameros equ\u00edvocos dos c\u00e1lculos pol\u00edticos no Executivo e no Legislativo no curto intervalo compreendido entre 2013, das manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas, e 2018, da elei\u00e7\u00e3o presidencial com 13 candidaturas. A <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc86.htm\">Emenda Constitucional 86\/2015<\/a>, que ficou conhecida como a do &#8220;or\u00e7amento impositivo&#8221;, tramitou no Congresso por 15 anos. O Senador baiano Antonio Carlos Magalh\u00e3es foi o autor em 2000, mas somente em 2015, durante a presid\u00eancia de Eduardo Cunha na C\u00e2mara e a de Renan Calheiros no Senado, o Congresso promulgou a Emenda 86.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vit\u00f3ria dos desconhecidos ou dos novatos &#8211; para evitar o termo &#8220;outsider&#8221; &#8211; marcou as campanhas de estados com &#8220;tradi\u00e7\u00f5es&#8221; pol\u00edticas e dimens\u00f5es eleitorais heterog\u00eaneas. Foi assim em Santa Catarina, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, somente para citar tr\u00eas exemplos de candidatos que usaram seus respectivos of\u00edcios como forma de justificar sua dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;velha pol\u00edtica&#8221;: um bombeiro, um empres\u00e1rio e um ex-juiz federal.\u00a0 O caso fluminense foi, inclusive, tema de curiosa cobertura da imprensa, pois parte do eleitorado n\u00e3o sabia o nome do candidato do PSC, vencedor do pleito. Uma radiografia desse desconhecimento foi apresentada em mat\u00e9ria da revista <strong><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/ritzel-ritz-wilten-confirma\/\">piau\u00ed<\/a>, <\/strong>texto preciso do jornalista Tiago Coelho.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O voto de confian\u00e7a em figuras pol\u00edticas que parecem &#8220;sinceras&#8221; ou &#8220;aut\u00eanticas&#8221; evidencia que partidos fragmentados, os quais parecem cada vez mais ajuntamentos ideologicamente heterog\u00eaneos, podem obter sucesso eleitoral. E v\u00e1rios dos recursos recorrentes das candidaturas \u00e0 presid\u00eancia, desde as campanhas de 1994, se mostraram prescind\u00edveis para a vit\u00f3ria eleitoral (como vasto tempo de TV, bom desempenho nos debates, amplas coliga\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, vincula\u00e7\u00e3o a partidos com grandes bancadas e programa de governo coerente e expl\u00edcito).\u00a0<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Um tecido com v\u00e1rios fragmentos serve como met\u00e1fora para explicar a conjuntura pol\u00edtica atual no Brasil. 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