{"id":466,"date":"2019-12-26T22:02:38","date_gmt":"2019-12-27T01:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/?p=466"},"modified":"2020-07-04T14:47:07","modified_gmt":"2020-07-04T17:47:07","slug":"floresta-jardim-por-barbara-abile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2019\/12\/26\/floresta-jardim-por-barbara-abile\/","title":{"rendered":"A floresta e o jardim, por B\u00e1rbara \u00c1bile"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Com esta segunda postagem, o blog <em>V\u00e9rtice Sociol\u00f3gico<\/em> conclui a apresenta\u00e7\u00e3o da pesquisa de mestrado desenvolvida por B\u00e1rbara \u00c1bile e defendida em <a href=\"http:\/\/repositorio.unicamp.br\/jspui\/handle\/REPOSIP\/335422\">2019<\/a> no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia. A primeira parte foi apresentada nesta <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2019\/12\/26\/da-griffe-ao-fast-fashion\/\">postagem<\/a>, com uma defini\u00e7\u00e3o sucinta sobre <em>fast fashion.\u00a0<\/em><\/div>\n<p><strong><em>Da griffe ao fast fashion: uma an\u00e1lise das estrat\u00e9gias de produ\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es colaborativas<\/em>, por B\u00e1rbara Venturini \u00c1bile<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma vez clara a no\u00e7\u00e3o de que as cole\u00e7\u00f5es colaborativas s\u00e3o vendidas como um encontro improv\u00e1vel, investigamos os aspectos que poderiam justificar a exist\u00eancia de uma imagem de diferen\u00e7a e superioridade de marcas de luxo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <em>fast fashions<\/em> \u2013 mesmo que estejamos falando de duas marcas de roupas. Percebemos que as marcas de luxo foram historicamente constru\u00eddas como isoladas e diferentes das outras formas da produ\u00e7\u00e3o de roupa, processo que tem origem na funda\u00e7\u00e3o da alta costura. No entanto, esse mesmo processo de isolamento tamb\u00e9m nos permitiu comprovar nossa hip\u00f3tese: a de que o encontro entre marcas de luxo e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fast fashion<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, na verdade, nada tem de inusitado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Isso porque o espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o da alta costura (apesar de reproduzir seu isolamento) sofre, desde sua cria\u00e7\u00e3o, um cont\u00ednuo movimento de expans\u00e3o, no qual a griffe \u2013 assinatura do costureiro, que atrav\u00e9s da transubstancia\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica transformava economicamente e simbolicamente uma pe\u00e7a de roupa \u2013 passa a ser explorada comercialmente. Tal explora\u00e7\u00e3o adquire novas propor\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio de globaliza\u00e7\u00e3o, a ponto de ocorrer uma mudan\u00e7a que consideramos ser a condi\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia das cole\u00e7\u00f5es colaborativas: a transforma\u00e7\u00e3o da griffe em um nome que passa a qualificar produtos, que \u00e9 protegido por lei e regido por regras do mercado, ou seja, em uma marca.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma vez que as griffes tornam-se marcas, elas adquirem uma caracter\u00edstica ambivalente que permite sua atua\u00e7\u00e3o na esfera simb\u00f3lica (em refer\u00eancia \u00e0 sua griffe) e na esfera comercial e racionalizada (atrav\u00e9s da sua marca). Ou, para utilizarmos termos do<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9NYGtjVXcmw\"> v\u00eddeo publicit\u00e1rio<\/a> mencionado no primeiro texto, as marcas de luxo possuem uma atua\u00e7\u00e3o voltada para seus produtos de \u201cjardim\u201d e para seus produtos de \u201cfloresta\u201d. \u00c9 por isso que afirmamos que hoje essas marcas vivem na tens\u00e3o entre a reprodu\u00e7\u00e3o de sua imagem de restri\u00e7\u00e3o e sua pr\u00e1tica de difus\u00e3o de seus produtos. Esse movimento das marcas explica porque essas cole\u00e7\u00f5es colaborativas conseguem ser vendidas enquanto algo improv\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-469 size-mh-magazine-lite-content\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-content\/uploads\/sites\/46\/2019\/12\/IMAGEM-4_-declina\u00e7\u00e3o-678x381.png\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"381\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-468 size-mh-magazine-lite-content\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-content\/uploads\/sites\/46\/2019\/12\/IMAGEM-5_representa\u00e7\u00f5es-do-centro-do-universo-678x381.png\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"381\" \/><\/p>\n<h6><b>Processos te\u00f3rico-metodol\u00f3gicos<\/b><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para desenvolver a pesquisa, nos aprofundamos primeiramente no objeto que escolhemos a partir dos relat\u00f3rios anuais de cada <em>fast fashion<\/em>, comparando essas informa\u00e7\u00f5es com aquelas que v\u00edamos divulgadas na m\u00eddia especializada de moda, nacional e internacional. Tamb\u00e9m participamos de eventos sobre o tema, principalmente naqueles com participa\u00e7\u00e3o de representantes da Riachuelo. Isso, somado com minha experi\u00eancia anterior enquanto funcion\u00e1ria da marca (que foram uma esp\u00e9cie de \u201cpr\u00e9-campo\u201d), permitiu com que eu conseguisse uma entrevista com a diretora de marketing da empresa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m buscamos compreender o funcionamento do mercado de luxo, investiga\u00e7\u00e3o realizada ao longo do interc\u00e2mbio de pesquisa no departamento de <a href=\"http:\/\/www.fmsh.fr\/fr\/college-etudesmondiales\/27999\">Antropologia Global do Luxo<\/a> do Coll\u00e8ge d&#8217;\u00c9tudes Mondiales. Foram de grande contribui\u00e7\u00e3o as jornadas de estudos e semin\u00e1rios, o contato com arquivos, as visitas a museus de moda, al\u00e9m da pesquisa e an\u00e1lise bibliogr\u00e1fica de autores como Didier Grumbach, Jean Castar\u00e8de, Jean-No\u00ebl Kapferer, Marc Ab\u00e9l\u00e8s, Marie-Claude Sicard, Miqueli Michetti, Philippe Perrot e Valerie Steele. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Concomitantemente, fazendo um movimento de deixar o objeto indicar o caminho que a an\u00e1lise deveria seguir, constru\u00edmos as ideias do texto a partir de autores como Marcel Mauss, Max Weber, Pierre Bourdieu, Renato Ortiz e Walter Benjamin.<\/span><\/p>\n<h6><b>Contexto hist\u00f3rico<\/b><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O cen\u00e1rio do encontro entre marcas de luxo e marcas <em>fast fashions<\/em> \u00e9 composto por um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de roupas financeirizado e globalizado. Nele, encontramos v\u00e1rias formas de produ\u00e7\u00e3o de roupas atuando sob regras pr\u00f3prias e organizadas em seus espa\u00e7os espec\u00edficos. Dentre elas, h\u00e1 o universo onde habita as <em>fast fashions<\/em> e um outro universo onde habita as marcas de luxo. Contudo, o isolamento do universo das marcas de luxo n\u00e3o impede que seus componentes se encontrem com os componentes outros universos em algum momento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O encontro entre esses dois universos incompat\u00edveis resulta em um compartilhamento de espa\u00e7o. Nessa zona comum, os poderes espec\u00edficos produzidos nos universos separados passam a ser mobilizados em um mesmo espa\u00e7o. Enxerga-se ent\u00e3o a coexist\u00eancia dos poderes espec\u00edficos de cada universo, desiguais entre si, e que quando se juntam, produzem um poder particular. Este, por sua vez, pode ser descrito como a somat\u00f3ria da for\u00e7a simb\u00f3lica e econ\u00f4mica das marcas de luxo com a for\u00e7a econ\u00f4mica das <em>fast fashions<\/em>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tomando essas considera\u00e7\u00f5es como premissa, finalizamos a pesquisa demonstrando as vantagens das cole\u00e7\u00f5es colaborativas para cada uma das marcas envolvidas. Tamb\u00e9m refletimos sobre a posi\u00e7\u00e3o desse tipo de co-branding que, apesar de se vincular a um discurso de &#8220;democratiza\u00e7\u00e3o na moda&#8221;, n\u00e3o passa de um\u00a0 &#8220;esnobismo no antiesnobismo&#8221;, segundo a defini\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Lagerfeld.<\/span><\/p>\n<p>Esta pesquisa foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao apoio financeiro da Capes e da <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/107137\/barbara-venturini-abile\/\">FAPESP<\/a>. E tamb\u00e9m contou com o aux\u00edlio do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (IFCH) da Unicamp, principalmente do Departamento de <a href=\"https:\/\/www.ifch.unicamp.br\/ifch\/sociologia\">Sociologia<\/a>. Da mesma forma, sem o acompanhamento dos colegas do Grupo de Estudos em Bourdieu (GEBU) e do <a href=\"http:\/\/www.fmsh.fr\/fr\/college-etudesmondiales\">Coll\u00e8ge d\u2019\u00e9tudes mondiales<\/a> da Fondation Maison Sciences de l\u2019Homme, essas reflex\u00f5es n\u00e3o teriam sido t\u00e3o produtivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Com esta segunda postagem, o blog V\u00e9rtice Sociol\u00f3gico conclui a apresenta\u00e7\u00e3o da pesquisa de mestrado desenvolvida por B\u00e1rbara \u00c1bile e defendida em 2019 no Programa <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/2019\/12\/26\/floresta-jardim-por-barbara-abile\/\" title=\"A floresta e o jardim, por B\u00e1rbara \u00c1bile\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":69,"featured_media":502,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-labirintos-das-pesquisas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-content\/uploads\/sites\/46\/2019\/12\/GEBU-1.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=466"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":520,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/466\/revisions\/520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/502"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/verticesociologico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}