{"id":1054,"date":"2012-04-05T14:30:48","date_gmt":"2012-04-05T17:30:48","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1054"},"modified":"2012-04-05T14:30:48","modified_gmt":"2012-04-05T17:30:48","slug":"band-aid-pra-estancar-hemorragia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2012\/04\/05\/band-aid-pra-estancar-hemorragia\/","title":{"rendered":"Band-aid pra estancar hemorragia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A rela\u00e7\u00e3o entre jornalistas e cientistas \u00e9 complexa. Ponha um junto com o outro e, quase obrigatoriamente, um dos dois ficar\u00e1 insatisfeito. Foi o que aconteceu ontem com a reportagem sobre a burocracia na importa\u00e7\u00e3o de material cient\u00edfico que <a href=\"http:\/\/tvbrasil.ebc.com.br\/reporterbrasil\/video\/26197\/\">foi ao ar no Rep\u00f3rter Brasil<\/a>, telejornal da TV Brasil.<\/p>\n<\/p>\n<p>Quando o editor me ligou no dia anterior para saber se eu poderia falar ao jornal sobre o programa do CNPq expresso, eu disse que n\u00e3o. Apesar de ter me envolvido muito com a <a title=\"Quem (se) importa?\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/06\/quem-se-importa\/\">quest\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de material cient\u00edfico<\/a> em 2007-2009, eu acabei me distanciando. Foi quando em 2009 o pr\u00f3prio presidente Lula admitiu o tamanho e a import\u00e2ncia do problema, intimou as ag\u00eancias respons\u00e1veis a resolverem a quest\u00e3o em 45 dias e ainda assim nada de produtivo foi feito. Eu descobri que esse problema era muito maior do que eu e que sem um respaldo de uma entidade superior (como o que a FeSBE prometeu mas n\u00e3o deu), nada poderia ser feito. Desde ent\u00e3o tinha abandonado um pouco essa causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A burocracia da importa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem uma origem unica: ela \u00e9 resultado da burocracia da ANVISA, da Receita Federal, do MAPA, do MCT, do CNPq&#8230; E por isso, iniciativas isoladas n\u00e3o tem como resolver o problema. S\u00f3 que uma iniciativa conjunta, requereria um gerente com influencia e for\u00e7a pol\u00edtica, o que nenhum cientista tem. Pior, que a ci\u00eancia n\u00e3o tem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Me lembro no in\u00edcio do governo Dilma, quando os minist\u00e9rios estavam sendo formados, e o Senador Aloysio Mercadante foi indicado, para a surpresa de todos, para a pasta da ci\u00eancia e Tecnologia. O jornalista Carlos Sardenberg disse em seu programa na CBN que a indica\u00e7\u00e3o demonstrava o Mercadante estava em baixa, porque aquele era um minist\u00e9rio &#8216;menor&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Abre par\u00eanteses:<\/strong> Que coment\u00e1rio mais infeliz! Ainda que seja verdade, um jornalista que se preze deveria ter vergonha de dizer isso em r\u00e1dio nacional. Pobre do pa\u00eds que considera a ci\u00eancia e tecnologia &#8216;menor&#8217; e pobre do pa\u00eds cujo jornalista propaga essa desimport\u00e2ncia sem criticar. Sardenberg perdeu o meu respeito e a minha audi\u00eancia naquele dia. <strong>Fecha par\u00eanteses.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto a C&amp;T (e agora I de Inova\u00e7\u00e3o) n\u00e3o for vista pelos nossos governantes e pol\u00edticos como a principal arma, que \u00e9, para o desenvolvimento do Brasil, ent\u00e3o nunca teremos um minist\u00e9rio rico e politicamente forte, que seja capaz de n\u00e3o de empurrar&#8230; mas de catapultar a ci\u00eancia no Brasil. E a ci\u00eancia no Brasil est\u00e1 pronta para isso, para ser catapultada! Mas&#8230; insistem apenas em dar um empurr\u00e3ozinho. E sempre mais do mesmo. <strong>Sim, porque \u00e9 isso que<\/strong><strong> \u00e9 o que \u00e9 o CNPq express: Mais do mesmo. Um band-aid para estancar uma hemorragia. Uma peneira para tapar o sol. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os problemas para se fazer ci\u00eancia no Brasil s\u00e3o muitos e muito grandes, e n\u00e3o ser\u00e1 como band-aid ou peneira que vamos resolver. As medidas que ajudam s\u00e3o aquelas com benef\u00edcios consistentes e de longo prazo. Quando o Rio resolveu imitar S\u00e3o Paulo e cumprir a determina\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o estadual de destinar 2% da sua receita a C&amp;T, a FAPERJ cresceu, se fortaleceu e fortaleceu a comunidade cient\u00edfica fluminense &#8211; que n\u00e3o se enganem, ser\u00e1 muito solicitada para resolver os desafios, por exemplo, da explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pois bem, mas todo esse relato come\u00e7ou por causa do telefonema do editor pedindo que eu desse um depoimento sobre os problemas da importa\u00e7\u00e3o de material para pesquisa no Brasil, o que eu fiz durante maia hora com ele no telefone e por outra uma hora com a rep\u00f3rter no meu laborat\u00f3rio. Mas a reportagem mostrou apenas a necessidade de se trabalhar com material importado no laborat\u00f3rio e nem sequer discutiu as chances de um programa como o CNPq expresso funcionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aprendi muito sobre o lado dos jornalistas quando ouvi <a title=\"O primeiro dia do II Encontro de Blogs Cient\u00edficos\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/09\/o_primeiro_dia_do_ii_encontro\/\">Bernardo Esteves<\/a> e <a title=\"O segundo dia do II Encontro de Blogs Cient\u00edficos\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/09\/o_segundo_dia_do_ii_encontro_d\/\">Alessandra Carvalho<\/a> no II EWCliPo em 2009. Acompanho os blogs de jornalistas que falam de ci\u00eancia como o Reinaldo e a Isis Nobile, mas n\u00e3o tem jeito&#8230; na hora que voc\u00ea tem que falar com um jornalista&#8230; a chance do resultado agradar \u00e9 muito pequena. Minha experi\u00eancia mais frustrante foi essa <a title=\"Perigo \u00e0 mesa: peixes e camar\u00f5es contaminados com merc\u00fario\" href=\"http:\/\/www.faperj.br\/boletim_interna.phtml?obj_id=4576\">daqui<\/a>, quando a jornalista da FAPERJ me ouviu por duas horas e depois&#8230; disse na reportagem o que eu n\u00e3o disse na entrevista. Tive que ficar me retratando para os meus pares por um temp\u00e3o at\u00e9 que, eventualmente, a reportagem foi esquecida. E poderia ter sido pior, porque eu poderia ter sido at\u00e9 processado pelo que ela disse que eu disse: que frutos do mar dos restaurantes do Rio estavam contaminados por metais pesados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez n\u00e3o haja solu\u00e7\u00e3o e teremos simplesmente aprender a lidar com a frustra\u00e7\u00e3o. Ou quem sabe no dia em que a Eliane Brum me entrevistar tudo fique direitinho. Porque ela \u00e9 o m\u00e1ximo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o entre jornalistas e cientistas \u00e9 complexa. Ponha um junto com o outro e, quase obrigatoriamente, um dos dois ficar\u00e1 insatisfeito. Foi o que aconteceu ontem com a reportagem sobre a burocracia na importa\u00e7\u00e3o de material cient\u00edfico que foi ao ar no Rep\u00f3rter Brasil, telejornal da TV Brasil. 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