{"id":1239,"date":"2012-07-07T13:03:57","date_gmt":"2012-07-07T16:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1239"},"modified":"2012-07-07T13:03:57","modified_gmt":"2012-07-07T16:03:57","slug":"porque-eu-tenho-escrever-um-blog","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2012\/07\/07\/porque-eu-tenho-escrever-um-blog\/","title":{"rendered":"Porque eu tenho que escrever um blog?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/07\/mauro_loboantunes.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1244\" title=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/07\/mauro_loboantunes-545x426.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"426\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;Mas porque voc\u00ea acha que todo mundo tem de ter um blog? Nem todo mundo quer, ou tem de querer, ter um.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De todas as coisas que ouvi esse ano na FLIP, a que mais me motivou a escrever foi a pergunta da minha namorada. Mais importante do que as coisas que ouvi de <em>Stephen Greenblatt<\/em> falando de <em>Shakespeare<\/em>, <em>Gabeira<\/em> falando sobre autoritarismo ou <em>Roberto da Matta<\/em> falando sobre cidades e urbanismo. A resposta para essa pergunta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual dever\u00edamos vir at\u00e9 Paraty, ano ap\u00f3s ano, ouvir escritores falando sobre suas obras e sobre a arte de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E ao tentar responder a pergunta dela, vejo que a minha instru\u00e7\u00e3o para os meus alunos, meus pares, meus pais, meus amigos e para todo mundo que eu sugiro escrever um blog, pode estar errada, ainda que esteja certa. Explico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Nunca antes na hist\u00f3ria a escrita foi t\u00e3o importante para a comunica\u00e7\u00e3o.<\/strong> A tecnologia nos oferece diversas formas de comunica\u00e7\u00e3o, diversos ve\u00edculos, diversas m\u00eddias, mas a escrita permeia todas elas. Fazemos v\u00eddeos, fazemos musicas, podcasts, discursos, palestras&#8230; e ainda assim o texto est\u00e1 l\u00e1. Se n\u00e3o \u00e9 em primeiro plano, dominando completamente o ambiente, est\u00e1 nas entrelinhas ou nos bastidores, porque nada disso pode funcionar sem um roteiro escrito anterior a obra.<strong> <\/strong>N\u00e3o \u00e9 a toa que a escrita foi inventada para certificar transa\u00e7\u00f5es comerciais e depois para escrever leis. <strong>Nada pode funcionar baseado apenas na volatilidade do discurso falado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, acho que n\u00e3o s\u00e3o todas as pessoas que reconhecem isso. E mesmo aquelas que reconhecem a import\u00e2ncia da escrita, n\u00e3o acreditam no fato que n\u00e3o sabem se comunicar habilmente por escrito. Elas acham que, porque conseguem se comunicar com habilidade no discurso falado, podem fazer o mesmo por escrito. Ser\u00e1 que podem? N\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A diferen\u00e7a fundamental entre os dois discursos \u00e9 a sincronia. O discurso falado \u00e9 s\u00edncrono: enquanto eu falo com algu\u00e9m, tenho uma serie de sinais verbais e n\u00e3o verbais do meu interlocutor que me ajudam a saber se a minha mensagem esta sendo comunicada corretamente (da maneira como eu gostaria que fosse). J\u00e1 o discurso escrito \u00e9 ass\u00edncrono e quando eu escrevo, n\u00e3o tenho os mesmo sinais. Quando escrevo, n\u00e3o sei se serei entendido como eu espero quando for lido, se serei entendido de uma outra maneira ou se simplesmente n\u00e3o serei entendido. Como lidar com isso? Como aprender a lidar com isso? Ai vem a minha proposta: escrevendo um blog.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hum&#8230; voc\u00ea ainda n\u00e3o se convenceu?! Quer mais motivos?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No mundo de hoje, na verdade h\u00e1 muito tempo, somos avaliados por escrito. <strong>N\u00e3o importa o que voc\u00ea pensou, o que voc\u00ea disse ou o que voc\u00ea diz: importa o que voc\u00ea escreve na sua carta de inten\u00e7\u00e3o, no seu CV, na sua resposta de prova, na sua tese, no torpedo, no seu twitter, no facebook.<\/strong> Apesar disso, na escola n\u00e3o nos ensinam a escrever. Quer dizer, ensinam, mas s\u00f3 a escrever. Na escola aprendemos a escrever, mas n\u00e3o aprendemos a nos comunicar por escrito. Precisamos, agora mais do que nunca, aprender a nos comunicar por escrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o que \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o por escrito? Como se alcan\u00e7a ela? Como fazemos para aprender? A resposta \u00e9, de novo: escrevendo um blog.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu, como cientista, tento buscar o lado cient\u00edfico das coisas. Mas acho que a escrita n\u00e1o \u00e9 s\u00f3 ci\u00eancia. Ela esta mais para a psican\u00e1lise: um misto de t\u00e9cnica e arte que parece mas n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia. E quando \u00e9 assim n\u00e3o adianta dar um m\u00e9todo, uma receita, um truque, uma dica. \u00c9 preciso praticar. \u00c9 preciso escrever. \u00c9 preciso ler, reescrever, reler e reescrever de novo. <strong>A comunica\u00e7\u00e3o eficiente com o leitor depende de empatia, senso est\u00e9tico e senso critico que s\u00e3o muitas vezes subjetivos.<\/strong> O importante n\u00e3o \u00e9 tentar agradar a todos (ainda que sim, seja importante comunicar a todos), mas desenvolver uma linguagem pr\u00f3pria, cuja qualidade mais desej\u00e1vel \u00e9 a autenticidade. N\u00e3o h\u00e1 outra maneira de encontrar essa linguagem pr\u00f3pria que n\u00e3o seja a pratica freq\u00fcente e\u00a0consistente da leitura e da escrita. E \u00e9 por isso que o blog \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O blog demanda aten\u00e7\u00e3o constante do autor para sobreviver. Se voc\u00ea n\u00e3o publicar no seu blog todo dia, toda semana, ele morre. Ou nem nasce. \u00c9 como no meio acad\u00eamico:\u00a0<em>&#8216;publish or perish&#8217;<\/em> (publique ou pere\u00e7a)! E assim, voc\u00ea \u00e9 obrigado a exercitar freq\u00fc\u00eancia. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o: o blog te coloca em contato com o p\u00fablico, com o seu p\u00fablico, muito r\u00e1pido. E tamb\u00e9m coloca o p\u00fablico em contato com voc\u00ea, o autor. \u00c9 perfeito para aprender a lidar com a assincronicidade da mensagem, porque o leitor n\u00e3o esta &#8216;ali&#8217;, mas esta mais pr\u00f3ximo do que em um livro, uma revista ou um artigo em jornal. O leitor comenta, &#8216;curte&#8217;, compartilha, te xinga. Com ferramentas relativamente f\u00e1ceis de usar e gratuitas, voc\u00ea instala um contador de acessos e pronto&#8230; tem um monte de informa\u00e7\u00f5es sobre quem, como onde e quando te l\u00ea. \u00c9 bem mais f\u00e1cil colocar o blog na trilha certa e saber se seu conte\u00fado est\u00e1 angariando leitores ou sendo ignorado. Finalmente, quando voc\u00ea tem que escrever um texto curto, que o tamanho mais adequado ao blog, fica um pouco mais f\u00e1cil se dedicar aos atributos que defendo que o texto tenha na <a title=\"Oficina de Escrita Criativa em Ci\u00eancia\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/oficina_escrita_criativa_ciencia\/\">Oficina de Escrita Criativa em Ci\u00eancia<\/a>: concis\u00e3o, coes\u00e3o, consist\u00eancia, clareza (precis\u00e3o) e criatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pronto, terminei. Espero que eu tenha te convencido. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o tenha. A experi\u00eancia mostra que n\u00e3o conven\u00e7o os outros a come\u00e7arem a escrever assim&#8230; t\u00e3o facilmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 uma pena. Entendo que Rubens Figueiredo, um escritor\/tradutor\/professor que d\u00e1 aulas de l\u00edngua portuguesa no turno da noite em uma escola da rede publica do sub\u00farbio de S\u00e3o Paulo tem dificuldade de convencer seus alunos da import\u00e2ncia daquilo que ele diz, eu entendo. Mas eu? Eu dou aula para a elite intelectual: alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (e professores) das universidades p\u00fablicas federais. O <em>&#8216;cr\u00e8me de la cr\u00e8me&#8217;<\/em>. Meus alunos de PG n\u00e3o deveriam ter a dificuldade em ver a import\u00e2ncia de escrever e de escrever bem. Mas tem e oferecem grande resist\u00eancia a tudo que est\u00e1 relacionado com a pr\u00e1tica da escrita. E isso me irrita e me entristece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Mas porque voc\u00ea acha que todo mundo tem de ter um blog? 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