{"id":1282,"date":"2012-08-13T16:01:48","date_gmt":"2012-08-13T19:01:48","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1282"},"modified":"2012-08-13T16:01:48","modified_gmt":"2012-08-13T19:01:48","slug":"1282","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2012\/08\/13\/1282\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de um Bi\u00f3logo &#8211; 2a Feira 13\/08\/2012 &#8211; As invas\u00f5es b\u00e1rbaras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/08\/20120813-205859.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/08\/20120813-205859.jpg\" alt=\"20120813-205859.jpg\" class=\"alignnone size-full\" \/><\/a><br \/>\n<em>&#8220;Tamb\u00e9m estaremos em &#8216;Tara&#8217; nesse final de semana. Vamos fazer um &#8216;barbecue&#8217; no Domingo. Venham encontrar a gente!&#8221;<\/em><br \/>\nE foi assim, facinho, facinho, que meu amigo Lazar Obradovi\u0107 nos convenceu a ir ao Lago Zaovine no meio do no parque nacional das montanhas de Tara, na fronteira da S\u00e9rvia com a B\u00f3snia-Herzegovina.<br \/>\nEstou em merecidas ferias pelo leste europeu e depois de um final de semana no barulhento festival de trompetes de Gu\u010da, uma noite na tranq\u00fcilidade da montanha n\u00e3o seria nada mal.<br \/>\nPassamos Mokra Gora, a cidade que Kusturica (pronunciado como zz onde se l\u00ea c) construiu para um de seus filmes muito doidos, passamos pela simp\u00e1tica Mitrovac (novamente com zz) e chegamos ao lago no cair da noite. Lazar, a mulher Nevena e uma trupe de amigos mergulhadores nos esperavam com a carne de porco na brasa e Slivovica (sempre zz), a Rakja feita de Marmelo e <em>&#8220;engarrafada com trov\u00e3o&#8221;<\/em> como eles dizem aqui.<br \/>\nLazar \u00e9 fan\u00e1tico por mergulho e enquanto com\u00edamos um Croassant no aeroporto de Paris, naquelas 32 h de espera por um v\u00f4o que torna duas pessoas amigas pro resto da vida, ele descobriu que eu era bi\u00f3logo marinho e me perguntava tudo, sobre todos os bobos e plantas que j\u00e1 havia visto embaixo d&#8217;\u00e1gua, em todos os mergulhos que j\u00e1 havia feito na vida. Eu levei um tempo at\u00e9 convence-lo que era bi\u00f3logo marinho e n\u00e3o um atlas da vida marinha (ou foi ele que parou de perguntar quando descobriu que sabia mais sobre peixes e invertebrados do que eu &#8211; que hoje estou mais para bi\u00f3logo molecular do que marinho).<br \/>\nO assunto veio a tona naquela noite, quando a instrutora croata de mergulho, Tanja, comentou sobre a enorme quantidade de moluscos que tinha visto mais cedo: <em>&#8220;Pergunta pra ele que \u00e9 bi\u00f3logo!&#8221;<\/em><br \/>\nAo que parece, uma grande quantidade de moluscos mortos, seguida por uma quantidade maior ainda de moluscos vivos, tinha chamado aten\u00e7\u00e3o dos mergulhadores.<br \/>\nEu falei que a minha especialidade eram os bivalves marinhos. <em>&#8220;Ah&#8230; Bi-valves. Com duas conchas?&#8221;<\/em> Respondi que sim e eles confirmaram ent\u00e3o que era realmente um bivalve no fundo do lago. Continuei dizendo que minha experi\u00eancia com bivalves de \u00e1gua doce era com o Mexilh\u00e3o Dourado, Limnoperna fortunei, o qual estamos seq\u00fc\u00eancia do o DNA em nosso laborat\u00f3rio. Expliquei que era uma esp\u00e9cie invasora, que havia chegado no Brasil trazida por \u00e1gua de lastro e que al\u00e9m dos preju\u00edzos econ\u00f4micos por entupimento de tubula\u00e7\u00f5es industriais e fixa\u00e7\u00e3o em embarca\u00e7\u00f5es, amea\u00e7ava a diversidade de toda fauna aqu\u00e1tica brasileira: do pantanal e at\u00e9 da Amaz\u00f4nia. <strong>As pessoas &#8216;normais&#8217; se preocupam com a polui\u00e7\u00e3o aqu\u00e1tica, mas a invas\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 um risco muito, muito maior para a diversidade de qualquer ecossistema. <\/strong><br \/>\nA curiosidade de ambos os lados foi aumentando at\u00e9 o momento que eu perguntei se poderia mergulhar com eles no dia seguinte. Ficou combinado que eu iria com Bojidar, o instrutor S\u00e9rvio, casado com a instrutora Croata, que parece um daqueles fuzileiros-mergulhadores SEAL de filme americanos, mas que \u00e9 um doce de pessoa.<br \/>\nO dia seguinte foi uma aula pr\u00e1tica de limnologia. Igualzinho eu ouvira falar nas aulas de ecologia da faculdade, onde os exemplos de livros s\u00e3o quase todos de ambientes temperados.<br \/>\nEu estava super excitado porque seria o meu primeiro mergulho em \u00e1gua doce, ainda por cima em um lago de altitude e em um lugar bel\u00edssimo. Mas o pessoal logo me desanimou:  a visibilidade era super baixa por causa da eutrofiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mergulhar\u00edamos no lado onde uma vila inteira foi alagada. Ver\u00edamos apenas muitas pedras e muitos bivalves.<br \/>\nEntramos na \u00e1gua e quando passamos de 8 m de profundidade, a temperatura passou de 22oC para 13oC! T-R-E-Z-E! Milhares de agulhas pareciam espetar os poucos cent\u00edmetros quadrados de rosto fora do neoprene de 7mm de espessura. <em>&#8220;Lagos profundos de ambientes temperados se estratificam durante o ver\u00e3o, quando a \u00e1gua quente se &#8216;acumula&#8217; na superf\u00edcie&#8221;<\/em> parecia que eu estava ali ouvindo o professor Chico Esteves. Maldita termoclina! Pobres fitopl\u00e2nctons.<br \/>\nE a\u00ed ent\u00e3o eu os vi&#8230; Um mar de mexilh\u00f5es! E n\u00e3o \u00e9 que&#8230; Nossa, como n\u00e3o pensei nisso antes&#8230; Mas \u00e9 claro&#8230; As conchas listradas n\u00e3o deixavam duvida.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/08\/20120813-211621.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/08\/20120813-211621.jpg\" alt=\"20120813-211621.jpg\" class=\"alignnone size-full\" \/><\/a><br \/>\nO &#8216;molusco&#8217; do Lago Zaovine era <em>Dreissena polymorpha<\/em>, o &#8220;mexilh\u00e3o zebra&#8221; a mais not\u00f3ria das not\u00f3rias esp\u00e9cies invasoras, o mexilh\u00e3o do sudoeste da \u00c1sia que invadiu e reinvadiu as \u00e1guas da Europa ocidental e Am\u00e9rica do Norte, reestruturando ecossistemas inteiros como o dos &#8216;grandes lagos&#8217; dos Estados Unidos e Canad\u00e1 e causando bilh\u00f5es de d\u00f3lares de preju\u00edzos para a industria de tratamento de \u00e1gua e produ\u00e7\u00e3o de energia.<br \/>\nS\u00f3 um NERD como eu para, no meio de uma viagem maravilhosa, me emocionar de &#8216;mergulhar com o inimigo&#8217;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Tamb\u00e9m estaremos em &#8216;Tara&#8217; nesse final de semana. 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