{"id":1302,"date":"2012-09-03T00:33:18","date_gmt":"2012-09-03T03:33:18","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1302"},"modified":"2012-09-03T00:33:18","modified_gmt":"2012-09-03T03:33:18","slug":"aproximar_cientistas_sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2012\/09\/03\/aproximar_cientistas_sociedade\/","title":{"rendered":"Aproximando os cientistas da sociedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/09\/1145918_55795336.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1318\" title=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/09\/1145918_55795336-545x181.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"181\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mundo hoje \u00e9 diferente do que era h\u00e1 5000 anos. Do que era h\u00e1 500 anos. Do que era h\u00e1 50 anos. At\u00e9 mesmo do que era h\u00e1 5 anos.\u00a0Por causa da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leopoldo De Meis mostrou que, desde que a ci\u00eancia foi\u00a0institucionalizada, o n\u00famero de cientistas passou de algumas dezenas de pessoas que trabalhavam isoladasnos s\u00e9c XIV e XV, para, nos dias de hoje, alguns milh\u00f5es trabalhando em universidades e institutos de pesquisa, e publicando seus achados em revistas especializadas de circula\u00e7\u00e3o internacional.\u00a0<strong>Os resultados dessas pesquisas transformaram completamente (exponencialmente) a sociedade.<\/strong> Passamos dos 5 km\/h que consegu\u00edamos alcan\u00e7ar com nossas pr\u00f3prias pernas \u00e0 200.000 km\/h que alcan\u00e7amos com foguetes capazes de nos levar a outros planetas. Nossa expectativa de vida aumentou de 15 anos no pleistoceno para 90 anos em pa\u00edses desenvolvidos depois que o cientista Pasteur mostrou, \u00a0no s\u00e9culo XIX,\u00a0a rela\u00e7\u00e3o entre a contra\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e a higiene pessoal. E a popula\u00e7\u00e3o cresceu ent\u00e3o de 1 bilh\u00e3o de habitantes em 1800 para 2 bilh\u00f5es em 1930, 3 em 1960 e 7 bilh\u00f5es em 2012.\u00a0Podemos transmitir\u00a0texto, sons, imagens, dados de um canto a outro do planeta imediatamente atrav\u00e9s de cabos de fibra \u00f3tica no fundo dos oceanos e sat\u00e9lites em \u00f3rbita no espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda assim, o que observamos nesse come\u00e7o de s\u00e9culo \u00e9 uma sociedade cada vez mais distante da ci\u00eancia. (veja &#8216;<a title=\"O que os brasileiros pensam da ci\u00eancia?\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/04\/o-que-os-brasileiros-pensam-da-ciencia\/\">O que os brasileiros pensam da ci\u00eancia?<\/a>&#8216;) Porque?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A resposta para essa pergunta \u00e9 complexa e o melhor que eu deveria fazer \u00e9 ficar quieto, ao inv\u00e9s de arriscar uma resposta. <em>&#8220;Mantenha-se discreto e nada de mau te acontecer\u00e1&#8221;<\/em> dizia o saudoso prof. Tito Eneas Leme Lopes. Mas eu sou atrevido e vou dar o meu palpite. Para mim, <strong>a velocidade de produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e, principalmente, de transmiss\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, superaram, em muito, a velocidade de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O processo educacional, h\u00e1 s\u00e9culos, est\u00e1 focalizado em uma pessoa: o professor. Na gr\u00e9cia antiga, o ensino era para muito poucos: um professor ensinava de 3 a 4 pupilos e o m\u00e9todo principal era a imita\u00e7\u00e3o. Depois vieram as universidades na idade m\u00e9dia e ainda ali, apesar de discursos para uma dezena de pessoas, o ensino continuava sendo para poucos: aqueles que podiam entrar em contato direto com um mestre ou tutor. Foi apenas no s\u00e9culo XIX, com a inven\u00e7\u00e3o do quadro negro por um Escoc\u00eas, que o ensino pode ser ampliado e um professor podia transmitir seu conte\u00fado para dezenas de pessoas. Desde ent\u00e3o apareceram o behaviourismo e o construtivismo, massificamos as formas de avalia\u00e7\u00e3o e aumentamos o n\u00famero de professores e escolas, mas um professor continua ensinando ainda um n\u00famero bastante limitado de alunos. Isso indica, para mim, que alcan\u00e7amos o limite e n\u00e3o h\u00e1 como superar esse n\u00famero com a escola tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(pausa para os professores na sala atirarem pedras no cientista)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A consequencia dessa defici\u00eancia no ensino \u00e9 que, de certa forma, <strong>os cientistas modernos, apesar de todos os nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o, est\u00e3o mais isolados do que os cientistas estavam no \u00a0renascimento. Isso porque a sociedade, em geral, hoje em dia \u00e9 t\u00e3o incapaz de entender o que os cientistas fazem como era h\u00e1 500 anos.<\/strong> (Veja &#8216;<a title=\"A universidade \u00e9 o carrasco da ilus\u00e3o da sociedade\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2012\/06\/universidade-e-carrasco-da-ilusao-da-sociedade\/\">A universidade \u00e9 o carrasco da ilus\u00e3o da sociedade<\/a>&#8216;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E assim criamos um paradoxo: <strong>as pessoas nunca usaram tanto a ci\u00eancia (e a tecnologia), nunca foram t\u00e3o dependentes da ci\u00eancia e, ao mesmo tempo, nunca estiveram t\u00e3o distantes dela.<\/strong> \u00c9 como se os computadores, os tecidos, as viagens, os rem\u00e9dios, as comidas, os livros&#8230; como se tudo isso viesse de algo que n\u00e3o foi, em um passado recente, uma id\u00e9ia de um pesquisador em um laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Parte da culpa \u00e9 dos cientistas. Eles nunca se esfor\u00e7aram muito para traduzir seus achados para a popula\u00e7\u00e3o, apesar da popula\u00e7\u00e3o pagar pela produ\u00e7\u00e3o desse conhecimento cient\u00edfico. <em>&#8220;Nos d\u00eaem financiamento e nos deixem trabalhar em paz. Afinal, voc\u00eas n\u00e3o entenderiam mesmo o que estamos fazendo&#8221;<\/em>\u00a0escreveu o bi\u00f3logo Stephen J. Gould sobre essa &#8216;atitude arrogante&#8217; do cientista em &#8216;Seta do tempo, Ciclo do tempo&#8217;. Essa postura arrogante n\u00e3o contribuiu para aumentar o di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 verdade que n\u00e3o foi s\u00f3 com arrog\u00e2ncia que se construiu essa falta de di\u00e1logo. Uma certa timidez de muitos cientistas e um tanto de excentricidade de outros, ajudaram a criar um esteri\u00f3tipo pouco atraente para a sociedade. Em nossa defesa, tenho que dizer, mesmo sob o risco de alimentar a imagem arrogante, que n\u00e3o podemos ignorar o fato da ci\u00eancia ser dif\u00edcil (sem tirar o m\u00e9rito de ser Loira do Tchan, que eu tamb\u00e9m acho dif\u00edcil), e que o p\u00fablico leigo tem mesmo dificuldade de entender, e que n\u00e3o podemos fazer muito com rela\u00e7\u00e3o a isso.\u00a0<strong>Trabalhamos com coisas pouco intuitivas, intang\u00edveis e altamente especulativas.<\/strong> A industria do entretenimento, por exemplo, trabalha justamente com o oposto: nossos sensibilidade inata para a fofoca (veja &#8216;<a title=\"Ti-ti-ti! A fofoca como instrumento de ensino\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2011\/03\/ti-ti-ti_a_fofoca_como_instrum\/\">Ti-ti-ti! A fofoca como instrumento de ensino<\/a>&#8216;), a beleza (veja &#8216;<a title=\"A beleza nas letras\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2012\/06\/beleza-nas-letras\/\">A beleza nas letras<\/a>&#8216; ) e o medo (veja &#8216;<a title=\"Por que as pessoas sentem medo?\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2006\/09\/por-que-as-pessoas-sentem-medo\/\">Por que as pessoas sentem medo?<\/a>&#8216;). Por isso Big Brother, Paris Hilton e Crep\u00fasculo fazem tanto sucesso. Em uma sociedade sem mentes preparadas pela educa\u00e7\u00e3o para entender a ci\u00eancia, os cientistas continuar\u00e3o isolados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda h\u00e1, acredito eu, tr\u00eas outros fatores que contribuem para aumentar essa dist\u00e2ncia entre a ci\u00eancia e a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro fator \u00e9 o mais delicado, o mais perigoso, e o que imp\u00f5e o maior desafio para o cientista que quer se comunicar com o grande p\u00fablico: \u00c9 o fato da ci\u00eancia requerer um rigor que n\u00f3s, pessoas leigas, n\u00e3o queremos nas nossas vidas. Na verdade, um rigor que n\u00e3o podemos ter. Grande parte dos nossos problemas, no dia-a-dia, s\u00e3o resolvidos por empirismo e intui\u00e7\u00e3o. <strong>O cientista tira das pessoas as certezas constru\u00eddas por essas duas for\u00e7as, sem colocar nada no lugar!<\/strong> Quero dizer, o que a ci\u00eancia tem a oferecer para colocar no lugar do vazio da morte da ilus\u00e3o (que \u00e9 o incr\u00edvel prazer de compreender o incompreens\u00edvel e a avassaladora paz de esp\u00edrito de fazer parte de algo t\u00e3o maior do que n\u00f3s mesmos que a nossa pr\u00f3pria linguagem \u00e9 incapaz de expressar com precis\u00e3o), est\u00e1 fora do alcance da maioria das pessoas. N\u00e3o falo isso com arrog\u00e2ncia. Aprendi com o Millor que\u00a0<em>&#8220;somos todos ignorantes, apenas assuntos diferentes&#8221;<\/em>. Eu mesmo n\u00e3o posso explicar pra voc\u00eas o <em>B\u00f3son de Higgs<\/em> ou os fen\u00f4menos qu\u00e2nticos do <em>emaranhamento<\/em> e da <em>sobreposi\u00e7\u00e3o <\/em>porque eu, simplesmente, n\u00e3o sei. N\u00e3o sei porque \u00e9 muito dif\u00edcil e pra entender temos que ter muitos e m\u00e3os anos estudando e preparando a nossa mente para compreens\u00e3o desses conceitos. E dificilmente podemos fazer isso sem que afete a maneira como vemos o mundo de forma geral, nossa vida cotidiana, nossos h\u00e1bitos, nossa alimenta\u00e7\u00e3o, nosso corpo e nossos relacionamentos com outras pessoas. <strong><em>&#8220;Mauro, voc\u00ea tem que entender que as pessoas n\u00e3o entendem bem uns 95% do que voc\u00ea fala&#8221;<\/em> <\/strong>me disse uma vez uma amiga querida. Conversar com um cientista pode ser irritante por causa do rigor que ele aplica mesmo a eventos banais do cotidiano. Da mesma forma que pode ser irritante para o cientista conversar com pessoas leigas que acreditam em supersti\u00e7\u00f5es e outras formas de pensamento que n\u00e3o requerem o mesmo rigor de an\u00e1lise do m\u00e9todo cient\u00edfico. E talvez estejam certos! Fomos feitos para buscar alimento, buscar abrigo, reproduzir, fugir ou lutar e nosso c\u00e9rebro n\u00e3o est\u00e1 planejado ou preparado para entender a teoria das supercordas, a mat\u00e9ria escura ou o nosso pr\u00f3prio c\u00e9rebro.\u00a0Em certo aspecto, eu mesmo me pergunto se n\u00e3o exageramos na nossa ansia de &#8216;entender&#8217; tudo. <strong>Os seres humanos s\u00e3o capazes de coisas maravilhosas como a Nona Sinfonia de Beethoven, Hamlet de Shakespeare e o gol do Roberto Dinamite no Botafogo em 1976; que mostram que a ci\u00eancia n\u00e3o pode nos dar tudo que precisamos para viver bem.<\/strong> Mas se quisermos dar a popula\u00e7\u00e3o tudo o que a ci\u00eancia tiver a oferecer para que eles possam viver melhor, vamos ter que encontrar uma forma melhor de nos comunicarmos com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/09\/1145919_66326792.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1319\" title=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/09\/1145919_66326792-545x181.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"181\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que me leva ao segundo ponto: aumentamos os nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sabemos ainda como nos comunicar. A escola, e principalmente a universidade, tem feito um trabalho incr\u00edvel em pasteurizar nossa comunicatividade ao focar o ensino apenas na compet\u00eancia de &#8216;interpreta\u00e7\u00e3o&#8217; da informa\u00e7\u00e3o (que \u00e9 efetivamente importante) como se as compet\u00eancias de identificar, descrever, listar n\u00e3o fossem fundamentais para o processo de comunica\u00e7\u00e3o e necess\u00e1rias para a interpreta\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 que nossos alunos (e professores, e executivos, e cientistas, e todo mundo) n\u00e3o conseguem exercer concis\u00e3o, coes\u00e3o, clareza e criatividade em seus textos. Criam mensagens enormes que n\u00e3o dizem nada (veja &#8216;<a title=\"Quem foi que disse?\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2012\/02\/quem-foi-que-disse\/\">Quem foi que disse?&#8217;<\/a>) e deixam os leitores desesperados: <em>&#8220;Mas eu n\u00e3o tenho tempo de ler nada, eu s\u00f3 leio e-mails&#8221;<\/em> disse um espectador desesperado em uma palestra da escritora Sonia Rodrigues,\u00a0por causa volume de e-mails desnecessariamente extensos de trabalho que l\u00ea e responde todos os dias. <strong><em>&#8220;Para bom entendedor, meia palavra basta&#8221;<\/em><\/strong> o ditado popular mostra como nossa habilidade de interpretar deveria jogar a nosso favor. E jogaria, desde que\u00a0us\u00e1ssemos\u00a0as palavras corretas: os sete lugares do pensamento (Veja &#8216;<a title=\"Em busca dos 7 lugares de pensamento\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2011\/03\/os_7_lugares_de_pensamento\/\">Em busca dos 7 lugares de pensamento<\/a>&#8216;) \u00a0que os gregos e romanos j\u00e1 haviam identificado como ancoras de qualquer discurso. <strong><em>&#8220;Mas no caso de voc\u00ea ser um mal entendedor, vou te escrever umas 5 p\u00e1ginas&#8221;<\/em>.<\/strong> Seja por medo, vaidade ou incompet\u00eancia, n\u00e3o queremos abrir m\u00e3o do nosso texto e escrevemos mais do que o necess\u00e1rio sem escrever o necess\u00e1rio. O resultado s\u00e3o leitores cognitivamente exauridos, exaustos\u00a0e frustrados por serem incapazes, depois de todo esfor\u00e7o, de compreenderem a mensagem.\u00a0<strong><em>&#8220;Existem v\u00e1rias formas de ser compreendido: ser claro \u00e9 a principal&#8221;<\/em><\/strong> me disse a professora Cristine Barreto. Esse \u00e9 um problema generalizado. Est\u00e1 em todos os ambientes e grupos sociais, e os cientistas n\u00e3o escapam. Se\u00a0<em>&#8220;Comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea fala, \u00e9 o que os outros entendem&#8221;<\/em>, temos que explicar para os cientistas que ningu\u00e9m est\u00e1 entendendo nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O terceiro pode ser considerado o mais polemico, pelo menos pela comunidade cient\u00edfica. \u00c9 que a ci\u00eancia que \u00e9 feita no mundo hoje \u00e9&#8230; chata! Extremamente chata! John Hudges especula, em seu livro &#8216;O fim da ci\u00eancia&#8217;, se n\u00e3o ter\u00edamos j\u00e1 descoberto tudo que h\u00e1 pra descobrir e se agora n\u00e3o estamos apenas no fase de produzir\u00a0<em>&#8220;mais medi\u00e7\u00f5es, mais precisas&#8221;\u00a0<\/em>(frase pronunciada por Lord Kelvin, na Royal Academy de Londres, em 1899, quando realmente se acreditava que tudo que havia para ser descoberto na f\u00edsica j\u00e1 havia sido descoberto &#8211; sendo que n\u00e3o poderiam estar mais equivocados). Hoje publicamos em torno de 1,6 milh\u00f5es de trabalhos cient\u00edficos por ano. <strong>Muitos desses trabalhos tem pouca ou nenhuma relev\u00e2nica cient\u00edfica (acrescentam pouco ao que j\u00e1 se sabe), n\u00e3o enobrecem o espirito humano, n\u00e3o produzem nenhuma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e muitas, muitas vezes, est\u00e3o simplesmente errados. Isso porque muitas, muitas vezes, s\u00e3o produzidos por vaidade, influ\u00eancia econ\u00f4mica, modismo, carreirismo ou sem o menor conhecimento de estat\u00edstica.<\/strong>\u00a0<em>&#8220;O cidad\u00e3o comum \u00e9 pass\u00edvel de aborrecimento&#8221;<\/em>\u00a0a frase pronunciada por C\u00edcero na Roma antiga se referia aos discursos dos pol\u00edticos que eram inintelig\u00edveis aos cidad\u00e3os comuns por serem incrivelmente entediantes (que eram ent\u00e3o exclu\u00eddos das decis\u00f5es pol\u00edticas do imp\u00e9rio), mas poderia muito bem se aplicar aos cientistas hoje. Os cientistas fazem quest\u00e3o de usar uma linguagem rebuscada que dificulta ainda mais o acesso ao conhecimento herm\u00e9tico que produzem, tornando esse ainda mais chato. O ser humano foi equipado com um poderoso senso de est\u00e9tica (que pode ser prejudicado depois da 3a cerveja) para suportar as dificuldades da vida e tamb\u00e9m com uma curiosidade inata que o ajuda a explorar novos ambientes e possibilidades. Por isso n\u00e3o gostamos do que \u00e9 feio e nos entediamos com coisas que permanecem constantes e com artigos cient\u00edficos da\u00a0<em>Nature<\/em>. A pesquisa cient\u00edfica precisa, urgentemente, deixar de ser chata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Precisamos, todos n\u00f3s cidad\u00e3os, e especialmente n\u00f3s cientistas, enfrentarmos esse problema para aproximarmos a sociedade da ci\u00eancia.\u00a0A Internet mudou a forma de fazer entretenimento, jornalismo, neg\u00f3cios e pol\u00edtica. Est\u00e1 na hora de usarmos todo esse potencial dessa WEB 2.0 para educar e incluir cientificamente a popula\u00e7\u00e3o.\u00a0Os blogs s\u00e3o parte importante desse mecanismo. <strong>Antigamente o conhecimento produzido por um cientista no laborat\u00f3rio percorria um longo caminho at\u00e9 chegar ao estudante na sala de aula.<\/strong> Os artigos cient\u00edficos eram publicados em revistas especializadas, que depois eram reunidos em revis\u00f5es, livros texto e eventualmente chegavam ao livro did\u00e1tico, que com sorte o professor utilizaria em sala de aula. <strong>Hoje ele pode, ele pr\u00f3prio, em 3 passos, criar um blog e comunicar-se n\u00e3o apenas com estudantes, mas com TODO MUNDO! No mundo todo!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa \u00e9 uma tarefa de todos mas principalmente do cientista, porque apenas ele pode traduzir o conhecimento complexo que est\u00e1 sendo produzido dentro dos laborat\u00f3rios para a popula\u00e7\u00e3o leiga. Se fizermos isso, mais do que cumprir o nosso papel e a nossa responsabilidade social, estaremos capitaneando uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o. <strong>Qualquer um que detenha um conhecimento e que tenha acesso a um computador e a internet, pode se tornar um professor para um n\u00famero incalcul\u00e1vel de pessoas, que, por quererem conhecimento e terem acesso a um computador (ou tablet, ou celular, ou TV) conectado a internet, se tornam alunos.<\/strong> O foco do processo educacional deixar\u00e1 de ser &#8216;o professor que det\u00e9m o conte\u00fado e o transmite dentro de sala de aula\u00a0para um n\u00famero limitado de alunos&#8217; e com isso realizamos a maior e mais poderosa inova\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o de todos os tempos. A inova\u00e7\u00e3o que finalmente permitir\u00e1 incluir cient\u00edfica, digital e socialmente, os 7 bilh\u00f5es de seres humanos no planeta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o momento \u00e9 esse! <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/09\/214770.pdf\">A \u00faltima pesquisa de opini\u00e3o encomendada pelo MCT em 2010<\/a> mostra que <strong>65% da popula\u00e7\u00e3o brasileira tem interesse pela ci\u00eancia\u00a0(mais que pela pol\u00edtica, mas ainda menos que pelo esporte)<\/strong> e que a internet j\u00e1 \u00e9 a principal fonte de acesso a not\u00edcias para jovens e adultos at\u00e9 30 anos. S\u00f3 que um alto percentual (40%) da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se interessa por ci\u00eancia, explica que simplesmente n\u00e3o consegue entender do que se trata. <strong>A maioria n\u00e3o conhece um cientista<\/strong> ao ponto de confiarem mais na palavra do m\u00e9dico ou dos jornalistas quando se trata de ci\u00eancia. Mas a popula\u00e7\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de que ci\u00eancia \u00e9 capaz de coisas maravilhosas e tenho certeza que s\u00e3o capazes de perceber, mesmo sem entender, que hoje podemos explicar coisas que\u00a0apenas 500 anos atras pareciam m\u00e1gicas. Coisas que 5000 anos atras eram m\u00e1gicas! Mas n\u00e3o podemos permitir que a compreens\u00e3o desses fen\u00f4menos, e dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e sociais permitidos por eles, fiquem restritos a uma parcela da popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 por serem dif\u00edceis, pouco intuitivos ou por estarem al\u00e9m da nossa compreens\u00e3o. I<strong>sso seria condenar a maioria das pessoas a viver a margem da sociedade, da hist\u00f3ria e do futuro. Conden\u00e1-los a viver a margem do seu pr\u00f3prio potencial e a \u00e9 colocar nas m\u00e3os de outrem o poder de tomar decis\u00f5es importantes para a vida, sua e dos seus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos n\u00f3s, cientistas, leigos, educadores, estudantes, precisamos aprender a viver e a nos comunicar em um mundo saturado de informa\u00e7\u00e3o. Para ter sucesso nesse mundo, temos que aprender novas habilidades: selecionar, priorizar e sintetizar informa\u00e7\u00e3o, para podermos gerar conhecimento e propor solu\u00e7\u00f5es inovadoras para problemas novos e antigos. Essas s\u00e3o habilidades complexas que apenas a mente que se dedicou ao estudo de pelo menos uma disciplina por mais de 10 anos \u00e9 capaz de desenvolver.\u00a0O presidente da Apple Steve Jobs dizia que na internet <em>\u201ca maioria de n\u00f3s continua apenas consumidores, ao inv\u00e9s de autores\u201d<\/em>. <strong>Os cientistas precisa tomar a iniciativa de um movimento para formar &#8216;autores&#8217; e incluir cient\u00edfica, digital e socialmente a popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo hoje \u00e9 diferente do que era h\u00e1 5000 anos. Do que era h\u00e1 500 anos. Do que era h\u00e1 50 anos. At\u00e9 mesmo do que era h\u00e1 5 anos.\u00a0Por causa da ci\u00eancia. Leopoldo De Meis mostrou que, desde que a ci\u00eancia foi\u00a0institucionalizada, o n\u00famero de cientistas passou de algumas dezenas de pessoas que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":1318,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9,10],"tags":[36,270,296,1233],"class_list":["post-1302","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-divulgacao-cientifica","category-educacao","tag-academia","tag-cientistas-e-leigos","tag-comunicacao","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1302\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1318"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}