{"id":131,"date":"2007-01-11T21:21:00","date_gmt":"2007-01-12T00:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/01\/a-arte-da-imprecisao-da-conversa\/"},"modified":"2007-01-11T21:21:00","modified_gmt":"2007-01-12T00:21:00","slug":"a-arte-da-imprecisao-da-conversa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/01\/11\/a-arte-da-imprecisao-da-conversa\/","title":{"rendered":"A arte da imprecis\u00e3o da conversa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/x\/blogger\/3223\/1360\/1600\/251364\/decibeis.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align: left;cursor: pointer;margin: 0 auto 10px\" src=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/x\/blogger\/3223\/1360\/320\/317506\/decibeis.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>\nQuando minha querida amiga Cris comenta um texto, eu vou correndo ver. Segundo uma outra leitora ass\u00eddua, os coment\u00e1rios da Cris s\u00e3o melhores que os textos do Mauro.E os coment\u00e1rios dela d\u00e3o sempre margem a outros coment\u00e1rios meus. E isso rende na mesa de bar, ainda que nem sempre a gente concorde!<br \/>\nBom, mas no coment\u00e1rio dela sobre a &#8220;Navalha de Occam&#8221; eu fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o, de apesar dela ter discordado de mim, que n\u00f3s estavamos falando da mesma coisa.<br \/>\nIsso me levou a colocar esse texto, que estava na minha mente h\u00e1 alguns dias. Tem uns livros que eu adoro (o que eu mais adoro \u00e9 &#8220;A insustent\u00e1vel leveza do ser&#8221;) e por isso leio eles mais de uma vez (a &#8220;insustent\u00e1vel&#8221; eu li 3). Eu agora estou relendo descuidadosamente &#8220;Quando Nietzsche chorou&#8221;. Descuidadosamente porque n\u00e3o estou seguindo o texto. Abro aleat\u00f3riamente e me encaixo em um dos sensacionais di\u00e1logos fict\u00edcios entre Breuer e Nietzsche.<br \/>\nTranscrevo um peda\u00e7o do di\u00e1logo que me chamou aten\u00e7\u00e3o. Breuer e Nietzsche caminham por um cemit\u00e9rio e comentam sobre um ensaio de Montaigne sobre a morte e discutindo um sonho constante de Breuer, onde enquanto ele procura por sua amante Bertha, o ch\u00e3o se liquefaz deixando-o afundar na terra, e depois de cair exatamente 40 m ele para em uma laje de m\u00e1rmore.<br \/>\n<span style=\"font-style: italic\">&#8211; Genial! &#8211; Nietzsche diminuiu o passo e bateu palmas. &#8211; N\u00e3o s\u00e3o metros, mas anos! Agora o enigma do sonho come\u00e7a a se esclarecer! Ao atingir seus quarenta anos, voc\u00ea se imagina afundando na terra e parando em uma laje de m\u00e1rmore. Mas a laje \u00e9 o final? \u00c9 a morte? Ou significa, de algum modo, uma interrup\u00e7\u00e3o da queda? Um salvamento?- Sem esperar por uma resposta, Nietzsche seguiu apressado. &#8211; E eis outra pergunta: A Bertha que voc\u00ea procurava<\/span><br \/>\n<span style=\"font-style: italic\">quando o solo come\u00e7ou a se liquefazer&#8230; de que Bertha se tratava? A jovem Bertha, que oferece a ilus\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o? ou a m\u00e3e, que outrora oferecia seguran\u00e7a real e cujo nome est\u00e1 escrito na laje? ou uma fus\u00e3o das duas Berthas? Afinal, de certa forma, suas idades est\u00e3o pr\u00f3ximas, pois sua m\u00e3e morreu com uma idade n\u00e3o muito superior \u00e0 de Bertha!<\/span><br \/>\n<span style=\"font-style: italic\">&#8211; Que Bertha? &#8211; Breuer abanou a cabe\u00e7a. &#8211; Como poderei responder essa pergunta? E pensar que poucos minutos atr\u00e1s, eu imaginei que a terapia atrav\u00e9s da conversa pudesse culminar em uma ci\u00eancia precisa! Mas como ser preciso sobre tais quest\u00f5es?(&#8230;)<\/span><br \/>\n<span style=\"font-style: italic\">&#8211; Pergunto-me &#8211; ponderou Nietzsche &#8211; se nossos sonhos est\u00e3o mais pr\u00f3ximos de quem n\u00f3s somos do que a racionalidade ou os sentimentos.<\/span><br \/>\n<a href=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/x\/blogger\/3223\/1360\/1600\/175814\/metrica.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align: right;cursor: pointer;margin: 0 auto 10px\" src=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/x\/blogger\/3223\/1360\/320\/314983\/metrica.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>\nA imprecis\u00e3o da conversa, dos sonhos e, como n\u00e3o, dos nossos sentidos; impedem que a gente possa aplicar a ci\u00eancia e o m\u00e9todo cient\u00edfico aos sentimentos.<br \/>\nMas deixam tudo mais divertido!\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando minha querida amiga Cris comenta um texto, eu vou correndo ver. 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