{"id":1405,"date":"2012-11-22T11:29:22","date_gmt":"2012-11-22T14:29:22","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1405"},"modified":"2012-11-22T11:29:22","modified_gmt":"2012-11-22T14:29:22","slug":"agindo-sem-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2012\/11\/22\/agindo-sem-pensar\/","title":{"rendered":"Agindo sem pensar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/11\/blog_house_roaming-eye-cuddy.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1418\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/11\/blog_house_roaming-eye-cuddy.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/11\/blog_house_roaming-eye-cuddy.jpg 550w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/11\/blog_house_roaming-eye-cuddy-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/11\/blog_house_roaming-eye-cuddy-200x155.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu tenho um amigo, que tem um primo, que conhece um cara&#8230; que mesmo tendo como namorada a garota mais bonita da festa, n\u00e3o conseguia N\u00c3O olhar pra qualquer rabo de saia que passasse na sua frente. N\u00e3o, n\u00e3o estou dizendo que ele fazia isso na frente da namorada. Isso ele at\u00e9 dava um jeito de controlar. Estou falando de quando ela pra pista de dan\u00e7a e ele, por uma m\u00fasica ou duas, ficava sozinho com sua cerveja. Era ali, naquele momento, onde os riscos &#8211; e tamb\u00e9m culpa &#8211; eram m\u00ednimos, que ele se impressionava com a sua completa incapacidade de resistir a &#8216;querer&#8217; olhar para qualquer garota. Alta ou baixa, gorda ou magra, feia ou bonita&#8230; Ele olhava justamente procurando o que nela poderia chamar a aten\u00e7\u00e3o dele de maneira que justificasse o desejo &#8216;grat\u00faito&#8217; que ele tinha por ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse amigo do primo do cara j\u00e1 tinha feito anos e anos de an\u00e1lise e sabia que n\u00e3o tinha nada a ver com inseguran\u00e7as, desejos ocultos pela m\u00e3e ou revolta com o pai, n\u00e3o era porque tinha tomado um p\u00e9 na bunda da sua namorada mais querida e nem porque outra tinha ficado com o seu melhor amigo. Tamb\u00e9m n\u00e3o era porque as meninas tinham sim, interesse nele; ou porque ele, ainda que n\u00e3o fosse lindo, tava acima da m\u00e9dia dos caras com quem deveria competir. N\u00e3o, n\u00e3o era nada psicol\u00f3gico, social ou cultural. N\u00e3o sei se voc\u00eas conseguem entender e me acompanhar: ele n\u00e3o conseguia parar de pensar &#8216;naquilo&#8217;. Era biol\u00f3gico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele n\u00e3o estava sozinho: <em>&#8220;Eu acredito que existam dois tipos de homens: os que pensam em mulher 90% do tempo e os que pensam em mulher 99% do tempo&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o, n\u00e3o foi <em>Woody Allen<\/em> ou outro pervertido que disse isso: foi James Watson, isso mesmo, um dos descobridores da dupla h\u00e9lice do DNA. <em>&#8220;Eu era do primeiro grupo e acho que s\u00f3 por isso consegui ganhar um premio Nobel&#8221;<\/em> escreveu no seu livro <strong>&#8216;Genes, Garotas e Gamow&#8217;<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas claro que eu n\u00e3o citei <em>Woody Allen<\/em> a toa. \u00e9 dele, no filme <strong>&#8216;Desconstruindo Harry&#8217;<\/strong> de 1999, a melhor frase de todas: <em>&#8220;Eu n\u00e3o consigo olhar para nenhuma mulher na rua sem pensar como ela \u00e9 nua e como seria fazer amor com ela.&#8221; <\/em>(Nota do autor: na verdade essa era a frase como eu me lembrava dela. A frase mesmo foi:<em>\u00a0&#8220;Na verdade, nunca olhei para uma mulher, sem me perguntar como \u00e9 que ela seria na cama&#8221;).\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><\/em>E se voc\u00eas me permitem mais uma cita\u00e7\u00e3o, vou tentar subir um pouco mais o n\u00edvel, para tentar tirar o <em>&#8216;Oh&#8217;<\/em> de ultraje das minhas leitoras. \u00e9 do jornalista carioca Carlos Eduardo Novaes, em um livro seu antigo, que caiu na minha m\u00e3o n\u00e3o sei como: <em>&#8220;A vida, para mim, s\u00f3 faz sentido quando temperada pelo encontro, o desejo, a paix\u00e3o. Sem a mulher, vejo o mundo como um m\u00edope (18 graus) sem \u00f3culos. Tudo me parece fora de foco. O \u00fanico luger que me permito frequentar sem me preocupar com a presen\u00e7a da Mulher \u00e9 o est\u00e1dio de futebol, Tainda assim, no intervalo do primeiro para os egundo tempo arriscu um olhar \u00e0 minha volta. Nos demais &#8211; igrejas, bancos, batizados, supermercados, quadras de volei, vel\u00f3rios, praias &#8211; estou sempre \u00e0 procura da Mulher que dar\u00e1 um novo signif\u00edcado \u00e0 minha presen\u00e7a no local. Quando a descubro &#8211; nem que seja para contempl\u00e1-la -, o lugar se transforma como que tocado por uma varinha de cond\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sempre que algu\u00e9m, amigo cientista ou pesquisador da \u00e1rea de humanas, discute comigo sobre a for\u00e7a da cultura ou do social eu sou obrigado a contestar. <strong>Sim, controlamos nossos impulsos, mas eles est\u00e3o l\u00e1.<\/strong> <em>&#8220;A vida \u00e9 sorte e circunst\u00e2ncia&#8221;<\/em> diz a Sonia Rodrigues. Claro, preparo e compet\u00eancia s\u00e3o importantes, mas isso todo mundo, como mais ou menos esfor\u00e7o, pode ter. E ai&#8230; estar no lugar certo, na hora certa pode fazer toda diferen\u00e7a. Bom, eu acho que \u00e9 isso tamb\u00e9m com os instintos. Eles deixam que n\u00f3s controlemos eles at\u00e9 que eles sejam mais necess\u00e1rios ou&#8230;<strong> sorte e circunst\u00e2ncia<\/strong>: se aparece uma oportunidade e ningu\u00e9m est\u00e1 olhando, uma enxurrada de horm\u00f4nios dominam (e determinam) nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E agora que eu tenho uma assinatura da revista Scientific American, acabo sempre esbarrando em coisas legais que d\u00e3o suporte cient\u00edfico as coisas que eu pensava e observava, ainda que com olhar de cientista, sem constata\u00e7\u00e3o factual. Foi o caso do artigo de <em>Christof Koch<\/em> <strong>&#8216;Encontrando o livre-arb\u00edtrio&#8217;<\/strong> no n\u00famero 2 (vol 23, maio\/junho de 2012) da edi\u00e7\u00e3o americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele usa uma situa\u00e7\u00e3o onde um homem (mas poderia muito bem ser uma mulher) bem casado, que diante de um encontro fortuito, mesmo tendo plena consci\u00eancia racional do erro do ponto de vista moral e \u00e9tico, da baixa probabilidade de sucesso (medido em termos produtivos ou de felicidade) e o alto risco de desastre para diferentes vidas, d\u00e1 in\u00edcio a uma cadeia de eventos que leva a um caso. Nessa situa\u00e7\u00e3o, t\u00e3o t\u00edpica (afinal, todo mundo tem um amigo, que tem um primo, que conhece um cara que j\u00e1 passou por isso \ud83d\ude09 ele resolveu deixar pra l\u00e1 todo a discuss\u00e3o filos\u00f3fica milenar sobre o tema para buscar uma resposta apenas no que a f\u00edsica, neurobiologia e psicologia tinham a oferecer. Mas isso vai ficar pro outro post.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tenho um amigo, que tem um primo, que conhece um cara&#8230; que mesmo tendo como namorada a garota mais bonita da festa, n\u00e3o conseguia N\u00c3O olhar pra qualquer rabo de saia que passasse na sua frente. N\u00e3o, n\u00e3o estou dizendo que ele fazia isso na frente da namorada. 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