{"id":1451,"date":"2012-12-13T14:45:09","date_gmt":"2012-12-13T17:45:09","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1451"},"modified":"2012-12-13T14:45:09","modified_gmt":"2012-12-13T17:45:09","slug":"verdade-sobre-homens-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2012\/12\/13\/verdade-sobre-homens-mulheres\/","title":{"rendered":"A verdade sobre Homens e Mulheres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-1452\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-300x515.jpg\" width=\"300\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-300x515.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-175x300.jpg 175w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-596x1024.jpg 596w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-768x1319.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-894x1536.jpg 894w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-1192x2048.jpg 1192w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-620x1065.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457-116x200.jpg 116w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2012\/12\/youg_couple_169901_6457.jpg 1275w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Uma das coisas que aprendemos em biologia \u00e9 que as pessoas s\u00e3o diferentes, mas s\u00e3o iguais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos dividimos caracter\u00edsticas, f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, que nos permitem nos identificarmos como humanos. Mas tamb\u00e9m, todos possu\u00edmos caracter\u00edsticas, f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, que nos fazem diferente de qualquer outro humano. Nos fazem \u00fanicos. Parece um contra-senso, um paradoxo, mas n\u00e3o \u00e9. Essas caracter\u00edsticas s\u00e3o consequ\u00eancia dos nossos genes e de como eles se funcionam (se expressam) no ambiente em que vivemos. E um ou outro evento aleat\u00f3rio (ao acaso) aqui e ali durante o percurso. <strong>Todos temos, mais ou menos, as mesmas coisas, aquelas que nos fazem iguais, mas em graus e quantidades diversas, o que nos tornam\u00a0diferentes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Abre um longo par\u00eanteses.<\/strong> Bom, mas quando eu digo que n\u00f3s humanos somos todos iguais ao ponto de os reconhecermos como humanos, n\u00e3o estou sendo totalmente correto. Existem basicamente dois tipos de humanos, com diferen\u00e7as suficientes para que possamos afirmar, do ponto de vista gen\u00e9tico, fisiol\u00f3gico, molecular, bioqu\u00edmico, que s\u00e3o diferentes: os homens e as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;Ah&#8230; Mas isso \u00e9 obvio!&#8221;<\/em> Voc\u00ea pode dizer. E \u00e9. Mas as diferen\u00e7as, biol\u00f3gicas, entre homens e mulheres v\u00e3o mulher v\u00e3o muito, muito al\u00e9m do obvio. temperatura do corpo, n\u00famero de receptores de press\u00e3o na superf\u00edcie da pele, concentra\u00e7\u00f5es de horm\u00f4nios, receptores na membrana celular, neurotransmissores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;Ah&#8230; Mas isso n\u00e3o me interessa&#8221;<\/em> voc\u00ea pode dizer. E esse \u00e9 o meu ponto nesse livro: deveria te importar, porque \u00e9 importante. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual homens e mulheres discutem, porque a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, pela qual pol\u00edticas de igualdade entre os sexos fracassam, porque meninos ou meninas fracassam na escola, porque voc\u00ea gosta de quem n\u00e3o gosta de voc\u00ea e porque voc\u00ea n\u00e3o gosta de quem gosta de voc\u00ea. Tamb\u00e9m \u00e9 a raz\u00e3o pela qual seu cora\u00e7\u00e3o bate mais r\u00e1pido quando voc\u00ea encontra o seu amor, pela qual sua pele se arrepia, pela qual gostamos de beijar na boca (e em outros lugares), pela qual gostamos de dormir agarradinho, pela qual os homens ejaculam precocemente e as mulheres tem surtos de desejo sexual. <strong>Fecha o longo par\u00eanteses.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda que as semelhan\u00e7as que nos fazem iguais e as dessemelhan\u00e7as que nos fazem diferentes n\u00e3o constitu\u00edrem um paradoxo, elas geram um poderoso conflito: <strong>queremos fazer parte de um grupo, dividir uma identidade, mas queremos ser \u00fanicos, diferentes de todo mundo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do &#8216;n\u00e3o-paradoxo&#8217; das semelhan\u00e7as e dessemelhan\u00e7as nascem um novo conflito, na minha opini\u00e3o ainda mais poderoso (ouso dizer, o mais poderoso de todos): <strong>a nossa necessidade de seguran\u00e7a e de mudan\u00e7as.<\/strong> N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as mulheres que querem seguran\u00e7a. Todos os seres humanos querem. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as mulheres que querem &#8216;novidades&#8217; da moda. Todos os seres humanos s\u00e3o exploradores por natureza. Queremos seguran\u00e7a porque um mundo onde tudo muda o tempo todo \u00e9 muito desgastante. A const\u00e2ncia e a estabilidade s\u00e3o importantes para pouparmos energia. Poupar energia, por sua vez, \u00e9 uma coisa importante tamb\u00e9m, porque a quantidade de energia dispon\u00edvel na natureza \u00e9 limitada. E por isso a evolu\u00e7\u00e3o nos tornou amantes da tranq\u00fcilidade e da seguran\u00e7a. Mas vivemos em um mundo onde os recursos tamb\u00e9m s\u00e3o escassos e devemos competir por eles com outros organismos, da nossa e de outras esp\u00e9cies. Se ficarmos acomodados ou parados no mesmo lugar, nossos competidores acabam por identificar nossos pontos fracos e Zaz&#8230; ou somos comidos, ou n\u00e3o conseguimos mais comer nada (e nem ningu\u00e9m). Precisamos explorar novos territ\u00f3rios, novas fontes de alimento, precisamos criar novas estrat\u00e9gias, precisamos inovar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma dessas inova\u00e7\u00f5es, criou mais um paradoxo, que na minha opini\u00e3o \u00e9 o que vivemos mais intensamente no dia-a-dia. <strong>A inven\u00e7\u00e3o foi a colabora\u00e7\u00e3o, que cria um paradoxo com a nossa necessidade vital de competir pelos recursos escassos da natureza.<\/strong> A verdade verdadeira \u00e9 que n\u00e3o inventamos a colabora\u00e7\u00e3o: os lobos colaboram, as formigas colaboraram, os le\u00f5es colaboram, os cupins colaboram. Mas n\u00f3s elevamos a colabora\u00e7\u00e3o a um patamar muito superior ao de qualquer outra esp\u00e9cie e nos tornamos muito bem sucedidos por causa disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como apareceu a colabora\u00e7\u00e3o? N\u00f3s conseguimos superioridade com rela\u00e7\u00e3o aos outros macacos porque come\u00e7amos a consumir muita carne. Nada de passar o dia procurando frutinhas e besourinhos. Depois que provamos o sangue e toda aquela prote\u00edna, n\u00e3o quisemos mais nada. Mas para comer carne, t\u00ednhamos que competir com os tigres e le\u00f5es da savana africana pelas Zebras e Antilopes (ali\u00e1s, carne de Antilope \u00e9 uma del\u00edcia), animais que tinham sido preparados pela sele\u00e7\u00e3o natural por milh\u00f5es e milh\u00f5es de anos com armas (garras e presas) poderos\u00edssimas para matar. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos armas naturais, mas t\u00ednhamos um c\u00e9rebro. E como diz a piada, <em>&#8216;como um desses, pod\u00edamos obter um monte daqueles&#8217;<\/em>. Colocamos o c\u00e9rebro pra funcionar, inventamos lan\u00e7as e machadinhos e aprendemos a colaborar para ca\u00e7ar. (Veja vai encarar?)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A colabora\u00e7\u00e3o parece uma coisa muito, muito boa. Intuitivamente t\u00e3o boa, que se chegasse um cientista dizendo que ela n\u00e3o \u00e9 boa, talvez voc\u00eas achassem ele maluco. O fato \u00e9 que colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel. Em um planeta finito, n\u00e3o h\u00e1 recursos para serem divididos por todos, principalmente se continuarmos dobrando o n\u00famero de &#8216;todos&#8217; a cada 10 anos. A \u00fanica coisa que \u00e9 realmente sustent\u00e1vel \u00e9 o ego\u00edsmo. (pausa para voc\u00eas tacarem pedras no cientista). Justamente porque ele n\u00e3o olha para o &#8216;grupo&#8217; que pode crescer descontroladamente. Ele, o ego\u00edsmo, age para o indiv\u00edduo. A colabora\u00e7\u00e3o, vejam o paradoxo, s\u00f3 funciona em pr\u00f3l dos interesses egoistas dos organismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para entender esse argumento sem querer tacar pedras no cientista, \u00e9 preciso ver o mundo como a ci\u00eancia v\u00ea. A vida apareceu no planeta h\u00e1 cerca de 4 bilh\u00f5es de anos e os organismos, todos os organismos, s\u00e3o frutos de umas mol\u00e9culas, o DNA (pra simplificar), que ser organizaram de acordo com fen\u00f4menos muito simples regidos pelas leis da f\u00edsica e que tinha um simples prop\u00f3sito: continuar existindo. Esse prop\u00f3sito, ego\u00edsta, n\u00e3o precisa de uma explica\u00e7\u00e3o moral. Ele obedece as leis da f\u00edsica. E essas leis, at\u00e9 onde sabemos, e n\u00f3s sabemos bastante coisas, funcionam em todos os lugares do universo e funcionaram em todos os tempos e continuaram funcionando muito depois de termos nos extinguido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;A vida como ela \u00e9&#8221;<\/em>, como o cientista v\u00ea que ela \u00e9, n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o: \u00e9 uma decorr\u00eancia direta das leis da f\u00edsica, que s\u00e3o as \u00fanicas verdades inquestion\u00e1veis do universo. Especialmente de duas delas, denominadas, bobamente, de primeira e segunda leis da termodin\u00e2mica. Uma diz que nada se cria e nada se perde, tudo se transforma. Parece bom, n\u00e3o \u00e9?! N\u00e3o morremos&#8230; nos tornamos anjinhos ou dem\u00f4nios. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim, porque a segunda lei diz que nessa transforma\u00e7\u00e3o, as coisas perdem qualidade, que em termos f\u00edsicos significa que elas &#8216;viram calor&#8217; at\u00e9 que cheguem ao ponto de n\u00e3o existir mais nada, s\u00f3 calor, o que \u00e9 o fim do universo. Infelizmente, calor s\u00f3 serve para esquentar coisas e n\u00e3o serve pra mais nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ei&#8230; voc\u00eas ficaram deprimidos? \u00c9 justamente por isso que as pessoas n\u00e3o querem ouvir os cientistas? Mas veja, ainda que as raz\u00f5es sejam estapafurdias leis da f\u00edsica e as motiva\u00e7\u00f5es egoc\u00eantricas n\u00e3o sejam exatamente nobres, elas permitem que fa\u00e7amos coisas maravilhosas como a nona sinfonia de Beethoven, Hamlet de Shakespeare, a teoria das supercordas ou o gol do Roberto Dinamite no Botafogo em 1976. Por sorte ou circunst\u00e2ncias, nosso c\u00e9rebro n\u00e3o foi feito para entender o B\u00f3son de Higgs, a mat\u00e9ria escura ou o nosso pr\u00f3prio c\u00e9rebro. Fomos feitos para buscar alimento, buscar abrigo, reproduzir, fugir ou lutar, mas para fazer isso com maior efici\u00eancia aprendemos a rir e a chorar, as nos emocionarmos com o belo, nos irritarmos com o dolorido, nos solidarizarmos com o sofrimento alheio, nos deliciarmos com boa comida e bom vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E somos cheios de paradoxos e conflitos. No final das contas, parecemos todos doidos, Parece que queremos uma coisa agora e outra depois. Uma coisa em uma hora e outra em outra. Uma coisa hoje e outra amanh\u00e3. E ao contrario do que pode nos sugerir a nossa intui\u00e7\u00e3o, essas mudan\u00e7as de humor e essa eterna insatisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o coisa &#8216;da nossa cabe\u00e7a&#8217;. quer dizer, at\u00e9 s\u00e3o, porque est\u00e3o no nosso c\u00e9rebro, mas n\u00e3o dependem da nossa vontade, da nossa consci\u00eancia. Da moral, \u00e9tica ou dos bons costumes. Dependem de genes, instintos e horm\u00f4nios. E por isso que um bi\u00f3logo pode vir aqui falar pra voc\u00eas sobre isso e pode at\u00e9 escrever um livro sobre isso. \u00c9 por isso que voc\u00eas devem ler <strong>&#8220;A Verdade Sobre C\u00e3es e Gatos&#8221;. 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