{"id":15,"date":"2002-02-25T18:57:00","date_gmt":"2002-02-25T21:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2002\/02\/a-ciencia-como-nos-a-conhecemos-hoje\/"},"modified":"2002-02-25T18:57:00","modified_gmt":"2002-02-25T21:57:00","slug":"a-ciencia-como-nos-a-conhecemos-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2002\/02\/25\/a-ciencia-como-nos-a-conhecemos-hoje\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia como n\u00f3s a conhecemos hoje&#8230;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">&#8230;come\u00e7ou no s\u00e9c XV com Galileu. Antes dele as teorias n\u00e3o eram verificadas, ou testadas se preferirem, com observa\u00e7\u00f5es e dados experimentais, mas sim aceitas pela l\u00f3gica (e \u00e0s vezes beleza) do seu racioc\u00ednio. Depois dele a ci\u00eancia passou por sua primeira grande revolu\u00e7\u00e3o no s\u00e9c XIX. Newton produziu uma quantidade absurda de conhecimento e ainda que seus escritos mais numerosos tenham sido em alquimia e teologia, foram suas descobertas na matem\u00e1tica e f\u00edsica que mudaram nossa vis\u00e3o do mundo. Ainda bem, por que sen\u00e3o estar\u00edamos acreditando hoje que \u00e9 poss\u00edvel transformar outros metais em ouro ou que a perfei\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica em explicar o movimento dos corpos se deve a imensa sabedoria de Deus (essas algumas de suas declara\u00e7\u00f5es em vida).<\/p>\n<p>Darwin tamb\u00e9m causou rebuli\u00e7o quando, em uma \u00e9poca de grande poder da igreja cat\u00f3lica, afirmou que os humanos descendiam dos macacos como resultado de uma guerra evolutiva conhecida como sele\u00e7\u00e3o natural. A partir da\u00ed a teoria at\u00f4mica de Bohr, a relatividade de Einstein e a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica de Planc e a dupla h\u00e9lice do DNA de Watson e Crick causaram um fen\u00f4meno, talvez, at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o percebido: as \u00e1reas estudadas pelos grandes nomes da ci\u00eancia eram muito distantes da realidade cotidiana do publico em geral, o que contribuiu certamente para o distanciamento do cientista da sociedade e vice-versa.<\/p>\n<p>Antes de Einstein nunca um cientista tinha sido uma celebridade, dado aut\u00f3grafos ou fugido de tietes. O pr\u00f3prio Watson (o do DNA), reclama em sua recente biografia que, apesar do sucesso de sua descoberta, ningu\u00e9m o convidava para nenhuma festa.<\/p>\n<p>A sociedade n\u00e3o percebe (e talvez com raz\u00e3o) que a ci\u00eancia que estuda o 5o ple\u00f3podo dos cop\u00e9podos e descreve o desvio da luz causado pela distor\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pr\u00f3ximo a corpos de grandes massas, \u00e9 a mesma ci\u00eancia que possibilitou todos os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que permitiram o aumento da expectativa e da qualidade de vida. A imagem do cientista recluso que foi Newton (que inclusive nunca se casou e segundo as m\u00e1s l\u00ednguas morreu virgem) e dos cabelos desgrenhados de Einstein, permeiam o imagin\u00e1rio popular com a id\u00e9ia de que todos os cientistas s\u00e3o loucos. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 infer\u00eancia, mas o resultado de uma pesquisa coordenada pelo prof. Leopoldo de M\u00e9is do instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da UFRJ, um dos cientistas mais respeitados do Brasil, com crian\u00e7as e adolescentes de diversas classes sociais.<\/p>\n<p>Os cientistas de hoje s\u00e3o pessoas normais: adoram tomar chope no buteco, jogar futebol no final de semana e pensam em sexo 98% do tempo, como quase todo ser humano. Sua \u00fanica loucura talvez tenha sido escolher fazer ci\u00eancia no Brasil, onde nos \u00faltimos 10 anos conseguimos entrar no seleto grupo dos 20 paises que s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 1% da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mundial, mas as verbas para ci\u00eancia s\u00e3o consideradas sup\u00e9rfluas j\u00e1 que o governo considera mais interessante comprar tecnologia do que formar c\u00e9rebros e cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Verdade seja dita, os cientistas tem que fazer sua parte, e dedicar mais tempo para atividades sociais, a terceira perna do trip\u00e9 universit\u00e1rio conhecido por ensino, pesquisa e extens\u00e3o. A vaidade cient\u00edfica (talvez a pior das vaidades profissionais, j\u00e1 que dinheiro algum pode comprar o tes\u00e3o de &#8220;saber&#8221;), tem feito os cientistas se isolarem em seus laborat\u00f3rios: &#8220;me d\u00eaem financiamento e me deixem trabalhar j\u00e1 que voc\u00eas n\u00e3o conseguiriam mesmo entender o que estou fazendo&#8221;.<\/p>\n<p>Precisamos divulgar o conhecimento cient\u00edfico, fazer marketing com a ci\u00eancia e dissemina-la para todas as pessoas. Essa \u00e9 a \u00fanica forma de combatermos os bispos Macedo, os &#8220;Big Brother Brasil&#8221;, os Tarots e as Roseanas que adentram nossas casas e derretem pouco a pouco o nosso c\u00e9rebro todos os dias sem que tomemos consci\u00eancia disso. \u00c9 isso que essa coluna pretende daqui por diante.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;come\u00e7ou no s\u00e9c XV com Galileu. 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