{"id":1502,"date":"2013-03-02T00:55:44","date_gmt":"2013-03-02T03:55:44","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=1502"},"modified":"2013-03-02T00:55:44","modified_gmt":"2013-03-02T03:55:44","slug":"o-mainframe-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2013\/03\/02\/o-mainframe-da-vida\/","title":{"rendered":"O &#039;Mainframe&#039; da vida"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1472\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/01\/rb2_large_gray.png\" width=\"70\" height=\"85\" \/><br \/>\n<div id=\"attachment_1503\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1503\" class=\"size-large wp-image-1503\" alt=\"As ves\u00edculas dobradas est\u00e3o presentes em c\u00e9lulas de todos os tamanhos e idades. Os gr\u00e2nulos s\u00e3o principalmente compostos de prote\u00ednas antimicrobianas, que s\u00e3o despejadas na hemolinfa durante um desafio, e depois para evitar uma nova invas\u00e3o, do mesmo jeito que anticorpos depois de uma infec\u00e7\u00e3o.\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-1024x804.png\" width=\"620\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-1024x804.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-300x236.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-768x603.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-1536x1206.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-2048x1609.png 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-620x487.png 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2013\/03\/journal.pone_.0057384.g003-200x157.png 200w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1503\" class=\"wp-caption-text\">As ves\u00edculas dobradas est\u00e3o presentes em c\u00e9lulas de todos os tamanhos e idades. Os gr\u00e2nulos s\u00e3o principalmente compostos de prote\u00ednas antimicrobianas, que s\u00e3o despejadas na hemolinfa durante um desafio, e depois para evitar uma nova invas\u00e3o, do mesmo jeito que anticorpos depois de uma infec\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Raramente escrevo aqui sobre o meu trabalho. Poderia mentir, dizer que \u00e9 mod\u00e9stia ou alguma coisa assim, mas n\u00e3o \u00e9. Acho que o que eu fa\u00e7o no laborat\u00f3rio, pelo menos at\u00e9 hoje, n\u00e3o dava uma boa hist\u00f3ria. Acho que isso nem \u00e9 verdade, mas sabe como \u00e9: casa de ferreiro, espeto de pau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas essa semana publicamos um artigo&#8230; lindo! Mas lindo mesmo! Do jeito que d\u00e1 orgulho de ser cientista. Fizemos tudo direito: o desenho experimental foi correto, os dados foram bem coletados, fizemos a an\u00e1lise correta e uma discuss\u00e3o inovadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">T\u00e3o inovadora que&#8230; o revisor disse que ela era especulativa demais. Mas at\u00e9 nisso esse artigo funcionou: o revisor, que muitas vezes pode ser um idiota (veja <a title=\"Scientific Peer Review, ca. 1945\" href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-VRBWLpYCPY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a> essa satira incr\u00edvel de Hitler reclamando do terceiro revisor &#8211; se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 cientista, talvez n\u00e3o se divirta tanto), foi sensacional: nos apontou na dire\u00e7\u00e3o correta e, depois de bater a cabe\u00e7a por um m\u00eas (as vezes na parede, as vezes nos pulsos uns dos outros) fizemos um artigo muito, muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>&#8220;o\u00a0par\u00e1grafo\u00a0final \u00e9 perfeito&#8221;<\/em>. Gente&#8230; tenho s\u00f3 40 anos e j\u00e1 vivi o suficiente para ouvir um revisor dizer isso!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas sobre o que \u00e9 esse artigo que estou falando tanto, que me fez ir at\u00e9 o meu curr\u00edculo Lattes e apagar uma estrela antiga para poder dizer que &#8216;esse&#8217; \u00e9 um dos meus 5 artigos mais importantes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu poderia dizer, corretamente, que \u00e9 sobre o sistema imune de ostras. Mas ai voc\u00ea poderia dizer, mas e eu com o sistema imune de ostras? Elas s\u00e3o uma del\u00edcia com sal e lim\u00e3o, e isso \u00e9 que importa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bom, eu tenho que concordar que elas s\u00e3o uma del\u00edcia. Mas isso n\u00e3o desmerece o sistema imune delas. Os bivalves s\u00e3o um dos grupos animais com maior n\u00famero de esp\u00e9cies. Ocupam todos os mares, rios e lagos. Alguns, como o mexilh\u00e3o dourado, s\u00e3o pestes, invasores extremamente vorazes e eficientes. Isso, vivendo em um ambiente hostil: concentra\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias e v\u00edrus na \u00e1gua chega a 10\u02c66 e 10\u02c69 por mililitro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E como elas conseguem ser t\u00e3o eficientes, em ambientes t\u00e3o diferentes quanto host\u00eds? Uma das respostas \u00e9: com um bom sistema imune!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E quando eu falo em sistema imune voc\u00ea j\u00e1 pensa logo em anticorpos, linf\u00f3citos, imunoglobulinas&#8230; mas n\u00e3o, esses animais s\u00e3o muito anteriores ao sistema imune adaptativo dos mam\u00edferos. Eles s\u00f3 possuem sistema imune inato. E que se resume a, e essa foi uma das nossas descobertas, um tipo de c\u00e9lula apenas! S\u00f3 que essas bichinhas s\u00e3o sinistras! Fagocitam bact\u00e9rias, metralham elas com esp\u00e9cies reativas de oxig\u00eanio e, pra garantir que elas n\u00e3o apareceram mais, disparam pept\u00eddeos anti-microbianos dos seus gr\u00e2nulos na hemolinfa do bicho. Se voc\u00ea for bi\u00f3logo e entender de imuno, posso dizer em um linguajar mais t\u00e9cnico: desgranulam igual macr\u00f3fagos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E isso \u00e9 que \u00e9 o bacana. Apesar de n\u00e3o terem o sistema imune adaptativo que n\u00f3s temos, n\u00f3s temos o sistema imune inato que elas tem. Verdade, n\u00f3s produzimos apenas um poucos tipos de defensinas, enquanto elas produzem um monte. \u00c9 \u00e9 justamente o estudo dessas prote\u00ednas de defesa que tem mostrado, por um lado, o que pode ser a origem do sistema imune adaptativo, e de outro, toda uma estrat\u00e9gia para combater as bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E voc\u00ea que pensou que elas serviam apenas para petiscos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso laborat\u00f3rio estuda isso: as rela\u00e7\u00f5es entre os genes dos organismos e o seu ambiente, e como isso pode nos ajudar a resolver problemas ambientais e de sa\u00fade humana. Ou, como disse lindamente a professora <em>Claudia Lage<\/em> quando leu o texto: <strong><em>&#8220;Adoro esses estudos que mostram o &#8216;mainframe&#8217; da vida&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu tamb\u00e9m!<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=PLoS+ONE&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0057384&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=New+Insights+from+the+Oyster+Crassostrea+rhizophorae+on+Bivalve+Circulating+Hemocytes&amp;rft.issn=1932-6203&amp;rft.date=2013&amp;rft.volume=8&amp;rft.issue=2&amp;rft.spage=0&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fdx.plos.org%2F10.1371%2Fjournal.pone.0057384&amp;rft.au=Rebelo%2C+M.&amp;rft.au=Figueiredo%2C+E.&amp;rft.au=Mariante%2C+R.&amp;rft.au=N%C3%B3brega%2C+A.&amp;rft.au=de+Barros%2C+C.&amp;rft.au=Allodi%2C+S.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Medicine%2CCancer%2C+Hematology\">Rebelo, M., Figueiredo, E., Mariante, R., N\u00f3brega, A., de Barros, C., &amp; Allodi, S. (2013). New Insights from the Oyster Crassostrea rhizophorae on Bivalve Circulating Hemocytes <span style=\"font-style: italic\">PLoS ONE, 8<\/span> (2) DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1371\/journal.pone.0057384\" rev=\"review\">10.1371\/journal.pone.0057384<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raramente escrevo aqui sobre o meu trabalho. Poderia mentir, dizer que \u00e9 mod\u00e9stia ou alguma coisa assim, mas n\u00e3o \u00e9. Acho que o que eu fa\u00e7o no laborat\u00f3rio, pelo menos at\u00e9 hoje, n\u00e3o dava uma boa hist\u00f3ria. Acho que isso nem \u00e9 verdade, mas sabe como \u00e9: casa de ferreiro, espeto de pau. 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