{"id":175,"date":"2007-05-16T02:31:00","date_gmt":"2007-05-16T05:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/05\/quem-tem-medo-do-eia-rima\/"},"modified":"2007-05-16T02:31:00","modified_gmt":"2007-05-16T05:31:00","slug":"quem-tem-medo-do-eia-rima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/05\/16\/quem-tem-medo-do-eia-rima\/","title":{"rendered":"Quem tem medo do EIA-RIMA?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RkqROUFwb4I\/AAAAAAAAAGk\/iIcIN9Zp3D8\/s1600-h\/663582_old_pipe.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align: center;cursor: pointer;margin: 0 auto 10px\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RkqROUFwb4I\/AAAAAAAAAGk\/iIcIN9Zp3D8\/s320\/663582_old_pipe.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Em 2000, ainda aluno de doutorado, fui contratado por uma firma de consultoria para fazer um relat\u00f3rio de impacto ambiental da abertura de uma nova v\u00e1lvula em um duto. A \u00e1rea a ser desmatada era de 60 m2: Um pouco maior do que o apartamento na Tijuca onde eu morava ent\u00e3o. Uma dessas \u00e1reas j\u00e1 se encontrava dentro de um terreno construido da empresa dona do duto. Mesmo assim, tivemos de fazer v\u00e1rias visitas ao local, reconhecer \u00e1rvores ex\u00f3ticas do jardim da empresa, conversar com moradores em um raio de 200m etc. Quando o relat\u00f3rio ficou pronto, incluia muito mais do que as informa\u00e7\u00f5es que coletamos. Era uma enorme equipe trabalhando por um fim: o licenciamento da obra!<\/div>\n<p>Nesse dia recebi meu cheque pelos servi\u00e7os prestados e resolvi que, salvo necessidades ulteriores, n\u00e3o mais trabalharia para licenciamento qualquer. A raz\u00e3o era simples: todo o esquema de licenciamento \u00e9 furado. E certamente milh\u00f5es de reais s\u00e3o gastos, como os milhares que foram gastos para avaliar o impacto socio-econ\u00f4mico-ambiental de abrir uma torneira em um cano dentro do banheiro de uma industria, a t\u00f4a.<br \/>\nNaquele dia andei pelo centro da cidade pensando em como deveria ser o licenciamento ambiental para que n\u00e3o fosse apenas r\u00e1pdio, mas mais barato e eficiente. E que cumprisse seu papel: proteger o meio ambiente. Mais uma vez me debati com a minha prepot\u00eancia: Como todas as pessoas, de todas as firmas de consultoria ambiental, de todos os departamentos de meio ambiente de empresas, de todos os \u00f3rg\u00e3os de meio ambiente dos governos, de todos os assessores de deputados&#8230; como todas essas pessoas n\u00e3o percebem o que eu percebi trabalhando apenas 1 semana no assunto? Ainda que, como na <a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2007\/04\/grande-farsa.html\">quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>, isso sugira que eu estou errado, o tempo deve mostrar que eu estou certo.<br \/>\nDas muitas coisas que eu pensei na \u00e9poca para o artigo que acabei nunca escrevendo, estavam:<br \/>\n1o &#8211; Nem todas as obras precisam de EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental &#8211; Relat\u00f3rio de Impactos no Meio Ambiente).<br \/>\nEu estou lendo esse livro chamado &#8220;A morte do bom senso&#8221; onde um advogado americano conta causos onde a lei atrapalha muito mais do que ajuda. Ser\u00e1 que eu realmente preciso de um EIA pra mudar de posi\u00e7\u00e3o as traves no campo de futebol que j\u00e1 est\u00e1 constru\u00eddo? Fala s\u00e9rio!<br \/>\n2o &#8211; Uma empresa que quer realizar uma obra n\u00e3o pode ser respons\u00e1vel por apresentar o estudo de impacto ambiental para aquela obra, ainda que fosse terceirizando a produ\u00e7\u00e3o de tal estudo.<br \/>\nGente, n\u00e3o \u00e9 obvio?! Se eu quero que a obra se realize, vou contratar algu\u00e9m que conte a hist\u00f3ria que eu quiser que queira ser contada. Ainda que os t\u00e9cnicos do IBAMA que avaliem a proposta sejam id\u00f4neos, n\u00e3o t\u00eam como essa pessoas saberem o que n\u00e3o foi dito. O IBAMA n\u00e3o deveria avaliar o EIA-RIMA: Ele deveria PREPARA-LO! Claro, apenas um \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico, isento, id\u00f4neo, poderia preparar esse relat\u00f3rio. E ai ent\u00e3o, as empresas, se quisessem, poderia contestar com seu corpo t\u00e9cnico ambiental, o que o \u00f3rg\u00e3o isento proparou.<br \/>\n3o &#8211; A lei ambiental precisa ser mais flex\u00edvel e precisa acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de avalia\u00e7\u00e3o de impacto que o meio cient\u00edfico est\u00e1 desenvolvendo.<br \/>\nComo uma lei que pede para uma firma de consultoria fazer o que eu sei que custa caro e \u00e9 desatualizado, sendo ainda, muitas vezes, simplesmente errado? Como \u00e9 que vamos conseguir ter boa vontade de empres\u00e1rios para com, ou efetivamente proteger, o ambiente?<br \/>\nEstava tudo errado e eu tinha percebido em uma semana. Ou ser\u00e1 que eu estou errado? N\u00e3o sei n\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2000, ainda aluno de doutorado, fui contratado por uma firma de consultoria para fazer um relat\u00f3rio de impacto ambiental da abertura de uma nova v\u00e1lvula em um duto. 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