{"id":197,"date":"2007-06-19T20:45:00","date_gmt":"2007-06-19T23:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/06\/a-realidade-e-a-relatividade\/"},"modified":"2007-06-19T20:45:00","modified_gmt":"2007-06-19T23:45:00","slug":"a-realidade-e-a-relatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/06\/19\/a-realidade-e-a-relatividade\/","title":{"rendered":"A realidade e a relatividade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RnxzV52hZeI\/AAAAAAAAAKc\/kKz5cxbx0kY\/s1600-h\/Daguerre.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RnxzV52hZeI\/AAAAAAAAAKc\/kKz5cxbx0kY\/s400\/Daguerre.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">Voc\u00eas podem dizer que eu estou substantivando tudo. Mas uma leitora ass\u00eddua me pediu para falar de relatividade e, como j\u00e1 tem livros demais, e textos demais, falando sobre Einstein, resolvi dar uma outra abordagem a relatividade.<\/p>\n<p>Fui no <span style=\"font-weight:bold\">CCBB <\/span>ver o <span style=\"font-weight:bold\">Ver\u00edssimo <\/span>(, Lu\u00eds Fernando) <span style=\"font-weight:bold\"><\/span>na &#8220;Oficina para escritores&#8221;. Cheguei mais de uma hora antes, mas a fila j\u00e1 dava voltas pelo sal\u00e3o. Sem chance! Ent\u00e3o eu e o JP fomos ver a exposi\u00e7\u00e3o <span style=\"font-weight:bold\">&#8216;China Hoje&#8217;<\/span> e acabamos assistindo duas exposi\u00e7\u00f5es paralelas sobre fotografia. A primeira tinha o nome do autor, o fotografo espanhol <span style=\"font-weight:bold;font-style:italic\">&#8220;Chema Madoz&#8221;<\/span>  e a segunda se chamava <span style=\"font-weight:bold\">&#8216;Instantes de Felicidade&#8217;<\/span>.<\/p>\n<p>A primeira foto era do pioneiro <span style=\"font-style:italic\">Louis Jacques Daguerre<\/span>. A primeira fotografia com uma figura humana: Um engraxate, que ficou na mesma posi\u00e7\u00e3o tempo suficiente para ser capturado pela exposi\u00e7\u00e3o de horas. Na foto, uma movimentada esquina de Paris aparecia vazia. At\u00e9 esse momento, a foto n\u00e3o registrava o &#8216;instante&#8217;.<\/p>\n<p>Eu devia estar com as palavras na cabe\u00e7a, porque conforme via as fotos ia s\u00f3 vendo as diferen\u00e7as <span style=\"font-weight:bold\">entre a realidade e a realidade<\/span> registrada na foto. E portanto, <span style=\"font-weight:bold\">a relatividade <\/span>da realidade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que podem pensar, a relatividade n\u00e3o \u00e9 nova, nem foi concebida por Einstein. Galileu havia descrito a relatividade de um evento dependendo da posi\u00e7\u00e3o de um observador (o cl\u00e1ssico exemplo da bola de <span style=\"font-style:italic\">ping-pong<\/span> quicando no mesmo lugar pra quem est\u00e1 em frente a mesa dentro do trem, mas formando arcos para quem v\u00ea desde o lado de fora, o trem passando). O que Einstein descreveu foi a relatividade especial, aquela que descreve os fen\u00f4menos ligados a luz. Tudo que acontece na velocidade da luz est\u00e1 sujeito a uma relatividade especial. E foi ai que ele descobriu a relatividade do tempo e do espa\u00e7o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/Rnx1xJ2hZhI\/AAAAAAAAAK0\/LfqEAuiQ3jw\/s1600-h\/ping_pong_3.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/Rnx1xJ2hZhI\/AAAAAAAAAK0\/LfqEAuiQ3jw\/s400\/ping_pong_3.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/Rnx1xJ2hZiI\/AAAAAAAAAK8\/Sli3fYjQR3Q\/s1600-h\/ping_pong_1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/Rnx1xJ2hZiI\/AAAAAAAAAK8\/Sli3fYjQR3Q\/s400\/ping_pong_1.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Fotografia \u00e9 um excelente exemplo de como ci\u00eancia pode influenciar a vida das pessoas. Por exemplo, a arte, mas tamb\u00e9m todo o resto. Com a fotografia, a arte deixou de ser meramente representativa da realidade e pode partir para o abstrato. Ao mesmo tempo, foi a necessidade de retratar o real, exercida primeiramente pelo desenho e pela pintura, que motivou inicialmente Nic\u00e9phore Ni\u00e8pce a explorar as possibilidades da fotossensibilidade. O tempo de exposi\u00e7\u00e3o da fotografia diminuiu de horas para mil\u00e9simos de segundo. <span style=\"font-weight:bold\">E pudemos guardar o&#8230; instante. Para sempre! <\/span>Depois, foi a fotografia que passou ao abstrato, como nas fotos de Madoz.<\/p>\n<p>Em um dos antigos cofres do CCBB, uma proje\u00e7\u00e3o mostrava fotos do julgamento de <span style=\"font-weight:bold;font-style:italic\">Klaus Barbie: O Carniceiro de Lyon<\/span>. Em uma das fotos, ele aparecia como um gentil velhinho. Poderia ser meu ou seu av\u00f4. Em outra foto, uma das testemunhas, um senhor chamado <span style=\"font-style:italic\">Favve<\/span>, totalmente deformado pelas torturas, parecia um monstro. Mas era, na verdade, uma pessoa doce e gentil, em busca de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A realidade e a relatividade das imagens continuaram me assolando por toda exposi\u00e7\u00e3o. Como podemos saber o que \u00e9 realmente real? Se at\u00e9 o que \u00e9 fotografado \u00e9 relativo? (ainda mais nesses tempo de Photshop&#8230;)<\/p>\n<p>A grande realidade est\u00e1 no saber. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a capaz de alterar o estado da relatividade, transformando ela cada vez, mais e mais, em realidade. Com informa\u00e7\u00e3o, a imagem de <span style=\"font-style:italic\">Barbie <\/span>n\u00e3o pode ser suavizada pela fotografia.<\/p>\n<p>Mas esse pode ser tamb\u00e9m o problema da informa\u00e7\u00e3o. Uma vez que voc\u00ea sabe&#8230; n\u00e3o d\u00e1 pra fingir que n\u00e3o sabe. <span style=\"font-weight:bold\">N\u00e3o d\u00e1 mais pra relativizar a realidade.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00eas podem dizer que eu estou substantivando tudo. Mas uma leitora ass\u00eddua me pediu para falar de relatividade e, como j\u00e1 tem livros demais, e textos demais, falando sobre Einstein, resolvi dar uma outra abordagem a relatividade. Fui no CCBB ver o Ver\u00edssimo (, Lu\u00eds Fernando) na &#8220;Oficina para escritores&#8221;. 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