{"id":234,"date":"2007-09-15T10:13:00","date_gmt":"2007-09-15T13:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/09\/posologia\/"},"modified":"2007-09-15T10:13:00","modified_gmt":"2007-09-15T13:13:00","slug":"posologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/09\/15\/posologia\/","title":{"rendered":"Posologia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RuyoYMXapkI\/AAAAAAAAARs\/ZilJwB1jOvs\/s1600-h\/blue.ives.klein2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;width:328px;height:401px;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RuyoYMXapkI\/AAAAAAAAARs\/ZilJwB1jOvs\/s400\/blue.ives.klein2.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Uma vez uma mulher me disse: <span style=\"font-weight:bold\">&#8220;O que atrai em voc\u00ea, \u00e9 o mesmo que depois repele.&#8221;<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">Lembro de uma exposi\u00e7\u00e3o que fui, contrariado, porque era de monocrom\u00e1ticos. Chamava-se <span style=\"font-style:italic\">Bleu<\/span>, do franc\u00eas <span style=\"font-style:italic\">Ives Klein<\/span>. Impressionante! A primeira parede tinha v\u00e1rios pequenos quadros, todos monocrom\u00e1ticos, mas de cores diferentes, que, em composi\u00e7\u00e3o, eram impactantes.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma boa palavra para a exposi\u00e7\u00e3o: Impactante.<\/p>\n<p>Os quadros, todos azuis, como esse na figura, eram de uma profundidade incr\u00edvel. E dava vontade de &#8216;entrar&#8217; dentro da pintura. Muitas coisas me marcaram nessa exposi\u00e7\u00e3o. Tenho hoje, na minha sala, uma <span style=\"font-style:italic\">&#8216;Venus de Milo&#8217;<\/span> toda azul, copiando a id\u00e9ia do pintor.<\/p>\n<p>No final da exposi\u00e7\u00e3o, fic\u00e1vamos sentados em um sof\u00e1 vendo dois quadros: um todo azul e o outro todo de ouro. O ouro, que deveria atrair, repelia. Porque? N\u00e3o sei dizer. Tenho tamb\u00e9m um quadro todo azul e outro todo dourado na minha sala. Pra lembrar que o que parece mon\u00f3tono atrai, e o que deveria atrair, repele.<\/p>\n<p>Lembrei disso esses dias. Duas amigas leitoras do blog andaram pedindo pra eu falar de amor. Elas acham que eu j\u00e1 falei de amor aqui, apesar de eu achar que era tudo biologia. Mas aqui um pedido do leitor \u00e9 uma ordem.<\/p>\n<p>Dizem que o amor \u00e9 cego. Na verdade essa \u00e9 uma fase do amor. A paix\u00e3o j\u00e1 foi medida. \u00c9 um processo bioqu\u00edmico que pode durar, no m\u00e1ximo, 6 meses. O amor n\u00e3o \u00e9 cego, mas a paix\u00e3o pode cegar. Literalmente.<\/p>\n<p>Evolutivamente, essa chuva de horm\u00f4nios e neurotransmissores deve ter tido a fun\u00e7\u00e3o de manter duas pessoas juntas at\u00e9 conseguirem reproduzir. Como as f\u00eameas humanas n\u00e3o evidenciam o per\u00edodo da ovula\u00e7\u00e3o, nem todo coito era garantia de uma prole. Era preciso tentar mais de uma vez. Mas como convencer o macho a ficar por perto at\u00e9 a fecunda\u00e7\u00e3o? Como prevenir que a f\u00eamea n\u00e3o&#8230; pulasse a cerca? Desenvolvendo uma atra\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel e irresist\u00edvel entre os dois. Quem poderia fazer isso? Amor? N\u00e3o, a bioqu\u00edmica!<\/p>\n<p>Mas depois disso, os conflitos entre os interesses de homens e mulheres, cada um preocupado em gastar a menor quantidade de energia poss\u00edvel na cria\u00e7\u00e0o dos filhotes, apareciam. E ai&#8230; era cada um por si, e a evolu\u00e7\u00e3o por todos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RuyoYMXaplI\/AAAAAAAAAR0\/-VCqLfuhbj0\/s1600-h\/gold.klein.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;width:328px;height:465px;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RuyoYMXaplI\/AAAAAAAAAR0\/-VCqLfuhbj0\/s400\/gold.klein.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/><span style=\"font-style:italic\">&#8220;O que atrai em voc\u00ea, \u00e9 o mesmo que depois repele.&#8221;<\/span> Eu j\u00e1 tinha ouvido isso antes, mas onde?<\/p>\n<p>Lembrei. <span style=\"font-style:italic\">Paracelcius <\/span>foi um m\u00e9dico alem\u00e3o que viveu no final do Sec XIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIV. No fervor da renascen\u00e7a, ele estudava venenos (um envenenador era um profissional requisitad\u00edssimo naqueles tempos) e antes de inventar a homeopatia, ele fez considera\u00e7\u00f5es important\u00edssimas sobre a toxicidade das subst\u00e2ncias. Ele disse:<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold\">&#8220;Tudo pode ser t\u00f3xico. O que diferencia o rem\u00e9dio do veneno, \u00e9 a dose&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Se o que atrai \u00e9 o que depois repele, ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 pra mudar. Mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a resposta.<\/p>\n<p>Dose. A dose \u00e9 a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Saber dosar \u00e9 o segredo do amor. E de todo resto tamb\u00e9m.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez uma mulher me disse: &#8220;O que atrai em voc\u00ea, \u00e9 o mesmo que depois repele.&#8221; Lembro de uma exposi\u00e7\u00e3o que fui, contrariado, porque era de monocrom\u00e1ticos. Chamava-se Bleu, do franc\u00eas Ives Klein. Impressionante! 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