{"id":238,"date":"2007-09-19T02:14:00","date_gmt":"2007-09-19T05:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/09\/izquierda-ou-direita\/"},"modified":"2007-09-19T02:14:00","modified_gmt":"2007-09-19T05:14:00","slug":"izquierda-ou-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/09\/19\/izquierda-ou-direita\/","title":{"rendered":"Izquierda ou direita?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RvCkvUAi2oI\/AAAAAAAAASc\/AlMr5v2cvwo\/s1600-h\/izquierda.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"float:left;cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RvCkvUAi2oI\/AAAAAAAAASc\/AlMr5v2cvwo\/s400\/izquierda.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>Na sexta feira fui assistir uma palestra da Sonia Rodrigues na FIOCRUZ sobre escrita criativa. J\u00e1 assisti essa oficina muitas vezes e hoje sou um entusiasta da qualifica\u00e7\u00e3o de leitura. Acho que \u00e9 um caminho para que alunos de gradua\u00e7\u00e3o e PG escrevam melhor e se tornem melhores pesquisadores.<\/p>\n<p>Ela inventou um m\u00e9todo para &#8216;liberar&#8217; a mente do v\u00edcio da interpreta\u00e7\u00e3o na hora de escrever baseado na ret\u00f3rica Arist\u00f3t\u00e9lica e em outros modelos de narrativa descobertos na Roma antiga e testados ao longo dos \u00faltimos 25 s\u00e9culos por caras como Shakespeare. E por mais gente suficiente para que um pesquisador da plat\u00e9ia, especialista em alguma coisa mas certamente leigo em muitas outras, n\u00e3o se sinta credenciado para criticar t\u00e3o facilmente.<\/p>\n<p>Em um momento, havia um texto de 54 palavras sendo projetado. O texto era inconclusivo, mas repito, em 54 palavras, dizia quem, quando, onde e criava uma situa\u00e7\u00e3o onde era inevit\u00e1vel um conflito. Como a plat\u00e9ia teve dificuldade de identificar esses elementos, algumas pessoas come\u00e7aram a dizer que o texto estava mal escrito. Bem, o texto era de <span style=\"font-style:italic\">Monteiro Lobato<\/span>, o primeiro par\u00e1grafo do primeiro cap\u00edtulo de <span style=\"font-style:italic\">Robin Hood<\/span>, sobre o qual o ilustre escritor infantil, discorre depois 300 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Ainda sem saber disso, um pesquisador pede a palavra e critica tudo: forma e conte\u00fado, palestra e palestrante. Ele prossegue citando, pelo menos 3 autores que desqualificariam a apresenta\u00e7\u00e3o (e com isso <span style=\"font-style:italic\">Arist\u00f3teles<\/span>, <span style=\"font-style:italic\">Shakespeare <\/span>e <span style=\"font-style:italic\">Monteiro Lobato<\/span>, pelo menos).<\/p>\n<p>Mas ele ainda citou os &#8216;<span style=\"font-style:italic\">memes<\/span>&#8216; de <span style=\"font-style:italic\">Richard Dawkins<\/span> para falar da import\u00e2ncia da cultura e de como o conhecimento se perpetua; e o neurocientista <span style=\"font-style:italic\">Ivan Izquierdo<\/span>, para dizer que o contexto criado pela disserta\u00e7\u00e3o era fundamental para que o conte\u00fado da narrativa fosse fixado pela mem\u00f3ria<\/p>\n<p>A Sonia respondeu as cr\u00edticas muito bem e ficou tudo esclarecido, mas grande parte do tempo da palestra se perdera nesse processo: a discuss\u00e3o do procedimento e do conte\u00fado adotado por uma pessoa que j\u00e1 foi avaliada em todas as inst\u00e2ncias acad\u00eamicas poss\u00edveis, autora de mais de 20 livros, que estava ali convidada pelo coordenador da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e com um audit\u00f3rio cheio para ouvi-la. Ele foi deselegante e me fez perder meu tempo, simplesmente porque n\u00e3o estava ali para escuta-lo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RvCkKUAi2mI\/AAAAAAAAASM\/uVAOPHXk5aY\/s1600-h\/direita.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"float:right;cursor:pointer;margin:0 0 10px 10px\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RvCkKUAi2mI\/AAAAAAAAASM\/uVAOPHXk5aY\/s400\/direita.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>E de quebra, ele fez pelo menos duas interven\u00e7\u00f5es incorretas: os <span style=\"font-style:italic\">&#8216;memes&#8217;<\/span> s\u00e3o uma grande besteira que <span style=\"font-style:italic\">Richard Dawkins, <\/span>apesar de grande nome da biolgia evolutiva (muitas vezes citado nesse blog), escreveu. O que se comprova por <span style=\"font-weight:bold\">nenhum <\/span>outro autor ter discutido seriamente essa &#8216;teoria da comunica\u00e7\u00e3o baseada na sele\u00e7\u00e3o natural&#8217;. A outra, \u00e9 que o contexto seria assim, t\u00e3o importante, na forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. O que o cientista argentino radicado no Brasil Ivan Izquierdo diz, e eu o assisti ainda no m\u00eas passado na confer\u00eancia de encerramento da FeSBE, \u00e9 que o MEDO e n\u00e3o qualquer outro contexto, auxiliam na fixa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Houve debate sobre a impostura do pesquisador ap\u00f3s a palestra. E como em todo caso, opini\u00f5es pr\u00f3s e contra. Mas como um amigo levantou, o ambiente acad\u00eamico \u00e9 muito corporativista, e dificilmente ter\u00edamos um pesquisador criticando avidamente outro (mesmo que fossem inimigos)<br \/>durante uma palestra. O cara exagerou!<\/p>\n<p>Esse mesmo amigo ainda perguntou: &#8220;porque n\u00f3s cientistas, especialmente quando se trata de \u00e1rea social\/humanas, nos achamos credenciados para discutir mesmo com uma base te\u00f3rica pobre?&#8221;<\/p>\n<p>Eu acho que a resposta \u00e9 uma s\u00f3: vaidade.<\/p>\n<p>O cientista, em geral, s\u00f3 usa a intelig\u00eancia para se vangloriar, j\u00e1 que dinheiro, \u00e9 muito mais dif\u00edcil de conseguir nessa profiss\u00e3o. \u00c9 da intelig\u00eanicia que ele tira seu prest\u00edgio. Mas isso n\u00e3o \u00e9 credencial. Repito o hor\u00f3scopo: <span style=\"font-style:italic\">&#8220;voc\u00ea pode ter muitas opini\u00f5es, mas isso n\u00e3o significa que saiba muita coisa&#8221;<\/span>. Como a pr\u00f3pria Sonia diz, <span style=\"font-style:italic\">&#8220;o brasileiro intelectual\u00f3ide \u00e9 pseudo erudito e de meia cultura.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Meu amigo, com dois artigos na <span style=\"font-style:italic\">Nature <\/span>e coordenador do maior curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da FIOCRUZ, chegou a tentar vestir a carapu\u00e7a e se incluir nesse grupo de &#8216;intelectual\u00f3ides&#8217;. \u00c9 verdade que ele \u00e9 metido a entender de vinhos, mais do quer realmente entende. Mas confesso que eu tamb\u00e9m sou. E que mesmo assim, ele entende mais de vinhos do que eu. Mas ser\u00e1 que nos encaixamos nesse grupo? Acho que n\u00e3o. Pelo menos n\u00e3o consigo me ver, ou v\u00ea-lo, levantando no meio de uma palestra do sobre os <span style=\"font-style:italic\">Pinot Noir <\/span>da <span style=\"font-style:italic\">Borgonha<\/span>, e discutindo com o autor com base em 1 (um) artigo que ele leu na <span style=\"font-style:italic\">Wine Expectator<\/span>.<\/p>\n<p>Acho que existe diferen\u00e7a em ter um ponto de vista diferente e ficar &#8216;procurando&#8217; um ponto de vista diferente pra poder pedir a palavra e falar, mais de uma vez, por mais de 20 min. E sem manifestar sequer uma id\u00e9ia original sua. Pecou pela vaidade.<\/p>\n<p>Para dar s\u00f3 as impress\u00f5es superficiais dele sobre o tema, ele devia ter um blog.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta feira fui assistir uma palestra da Sonia Rodrigues na FIOCRUZ sobre escrita criativa. J\u00e1 assisti essa oficina muitas vezes e hoje sou um entusiasta da qualifica\u00e7\u00e3o de leitura. Acho que \u00e9 um caminho para que alunos de gradua\u00e7\u00e3o e PG escrevam melhor e se tornem melhores pesquisadores. Ela inventou um m\u00e9todo para &#8216;liberar&#8217; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":239,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[262,484,728,1106,1140,1312],"class_list":["post-238","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-escrita-criativa","tag-ciencia","tag-erudicao","tag-intelectual","tag-razao","tag-respeito","tag-vaidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=238"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}