{"id":242,"date":"2007-10-10T22:47:00","date_gmt":"2007-10-11T01:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/10\/quem-quer-ser-cientista\/"},"modified":"2007-10-10T22:47:00","modified_gmt":"2007-10-11T01:47:00","slug":"quem-quer-ser-cientista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/10\/10\/quem-quer-ser-cientista\/","title":{"rendered":"Quem quer ser cientista?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RyVENzzgQKI\/AAAAAAAAATU\/lNPhRs07h1w\/s1600-h\/mauro_maira.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RyVENzzgQKI\/AAAAAAAAATU\/lNPhRs07h1w\/s400\/mauro_maira.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">O tema desse m\u00eas na Roda de ci\u00eancia \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o social do cientista e eu n\u00e3o poderia deixar de participar de um tema t\u00e3o importante e que me mobiliza h\u00e1 bastante tempo.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado descobri que poderia colocar uma enquete no Blog e o tema que escolhi justamente esse: O que voc\u00ea acha dos cientistas? Em mais ou menos um m\u00eas, 25 visitantes do blog votaram escolhendo entre as 4 op\u00e7\u00f5es de resposta:<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas normais (25%);<br \/>S\u00e3o mais inteligentes que a m\u00e9dia (31%)<br \/>S\u00e3o muito racionais e pouco emotivos (15%);<br \/>S\u00e3o malucos (28%).<\/p>\n<p>Com uma pesquisa assim, meio de brincadeira, s\u00f3 podemos afirmar que felizmente j\u00e1 existem pessoas acham que o cientista \u00e9 um cara normal, mas muitos ainda enxergam o estere\u00f3tipo do cientista maluco.<\/p>\n<p>Em 1998, o grupo do <span style=\"font-style:italic\">prof Leopoldo de Meis<\/span> publicou um artigo mostrando como as crian\u00e7as de 8 pa\u00edses v\u00eaem os cientistas. Eles analisaram desenhos respostas de 3053 crian\u00e7as brasileiras e 1842 de crian\u00e7as dos EUA, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, M\u00e9xico, Chile, \u00cdndia e Nig\u00e9ria. A partir dos 5 anos existe uma defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 um cientista e essa imagem est\u00e1 relacionada com um ambiente de trabalho cercado por instrumentos (especialmente vidraria) e equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. Algumas vezes com o espa\u00e7o. Palavras que apareciam relacionadas com os desenhos mostravam &#8216;descobertas&#8217;, &#8216;inven\u00e7\u00f5es&#8217; e &#8216;experimentos&#8217;. A conclus\u00e3o \u00e9 que as crian\u00e7as sabem o que \u00e9 um cientista.<\/p>\n<p>Mais ou menos como na nossa enquete, 20% das crian\u00e7as se referiram ao cientista como um &#8216;humanit\u00e1rio que ajuda os outros&#8217; enquanto outros 20% acreditavam que os &#8216;cientistas s\u00e3o malucos&#8217; e que a &#8216;ci\u00eancia \u00e9 perigosa&#8217;.<\/p>\n<p>Eles terminam o artigo comparando a vis\u00e3o das crian\u00e7as com a que os professores tem dos cientistas, e que os cientistas tem deles mesmos, e concluem que a vis\u00e3o dos jovens \u00e9 similar a que o cientista t\u00eam de si pr\u00f3prios hoje, e que por isso a ci\u00eancia n\u00e3o deve mudar nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que <span style=\"font-weight:bold\">a maior parte dos cientistas se desenhou no ambiente de trabalho ou perdido em pensamentos. Ou os dois.<\/span> O cientista se v\u00ea como um ser anti-social. Quem vai querer ser cientista?<\/p>\n<p>Outro dia uma amiga escritora estava se debulhando em elogios para o livro de <span style=\"font-style:italic\">Oliver Sacks<\/span> <span style=\"font-weight:bold\">&#8220;Um antrop\u00f3logo em Marte&#8221;<\/span>. Isso porque nos agradecimentos, o autor descreveu as circunst\u00e2ncias em que escreveu o livro: ap\u00f3s uma cirurgia que imobilizou seu bra\u00e7o direito. Com isso, segundo ela, ele humaniza o cientista, e permite empatia do leitor. N\u00e3o \u00e9 mais um cientista escrevendo, \u00e9 uma pessoa. Como um &#8216;Agora voc\u00ea j\u00e1 pode ler!&#8217;<\/p>\n<p>Ter um amigo cientista deve ser legal. Mas ir \u00e0 uma festa de cientistas deve ser meio pesado. Minha namorada que o diga! Por outro lado, os cientistas parecem achar qualquer festa que n\u00e3o seja de cientistas, um saco. Eu que o diga!<\/p>\n<p>Cria-se um c\u00edrculo vicioso: vis\u00e3o que a sociedade tem do cientista \u00e9 influenciada pela vis\u00e3o que o cientista tem da sociedade. E essa, em geral, \u00e9 distante.<\/p>\n<p>No seu livro, <span style=\"font-weight:bold\">&#8220;O quadrante Pasteur &#8211; a ci\u00eancia b\u00e1sica e a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica&#8221; <\/span><span style=\"font-style:italic\">Donald Strokes<\/span> levanta muitas quest\u00f5es relacionadas com o &#8220;acordo&#8221; selado entre sociedade (governos) e cientistas (comunidade cient\u00edfica) depois da II guerra mundial.<\/p>\n<p><span style=\"font-style:italic\">&#8220;Essa afirma\u00e7\u00e3o (&#8230;por um apoio p\u00fablico vigoroso \u00e0 pesquisa b\u00e1sica pela simples reafirma\u00e7\u00e3o dos argumentos a favor da ci\u00eancia pura nos termos do paradigma do p\u00f3s-guerra) coloca cada vez mais a comunidade cient\u00edfica no papel de um grupo de interesse procurando apoio para uma atividade que reflete suas pr\u00f3prias necessidades essenciais, em vez de mostr\u00e1-la no papel de um porta-voz capacitado de um interesse geral importante.&#8221; <\/span><span style=\"font-style:italic\">Mas a resposta da sociedade \u00e9 clara: N\u00e3o importa o quanto a comunidade cient\u00edfica se encante e lute pelo ideal de autonomia da investiga\u00e7\u00e3o pura, esse n\u00e3o \u00e9 mais um bom argumento para convencer a sociedade a financiar pesquisa!&#8221;<\/span><\/p>\n<p>S\u00f3 tem uma chance da gente quebrar esse v\u00edcio: Nos aproximarmos da sociedade. N\u00e3o s\u00f3 divulgar, mas popularizar a ci\u00eancia. O mundo moderno vai ser constru\u00eddo pela informa\u00e7\u00e3o. Precisamos que mais crian\u00e7as saibam que a ci\u00eancia \u00e9 legal, mas que quando elas crescerem e se tornarem cientistas, n\u00e3o v\u00e3o se tornar tamb\u00e9m seres anti-sociais.<\/p>\n<p>Os dois textos mais lidos do VQEB (<a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2007\/01\/por-que-os-peixes-respiram-embaixo.html\">esse <\/a>e <a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2006\/11\/por-que-o-nariz-do-cachorro-frio.html\">esse<\/a>) s\u00e3o de perguntas feitas pela <span style=\"font-style:italic\">Maria<\/span>, essa menina linda sentada no meu colo. A curiosidade \u00e9 inerente ao ser humano. E ser cientista, e explicar o mundo, \u00e9 a profiss\u00e3o mais linda de todas. Tomara que a <span style=\"font-style:italic\">Maria <\/span>concorde comigo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size:85%\">Por favor, coment\u00e1rios <a href=\"http:\/\/www.blogger.com\/comment.g?blogID=32159266&amp;postID=4725807547868178822&amp;isPopup=true\">aqui<\/a>.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema desse m\u00eas na Roda de ci\u00eancia \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o social do cientista e eu n\u00e3o poderia deixar de participar de um tema t\u00e3o importante e que me mobiliza h\u00e1 bastante tempo. 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