{"id":248,"date":"2007-11-02T19:00:00","date_gmt":"2007-11-02T22:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/11\/forca-e-igual-a-massa-vezes-a-aceleracao\/"},"modified":"2007-11-02T19:00:00","modified_gmt":"2007-11-02T22:00:00","slug":"forca-e-igual-a-massa-vezes-a-aceleracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/11\/02\/forca-e-igual-a-massa-vezes-a-aceleracao\/","title":{"rendered":"For\u00e7a \u00e9 igual a massa vezes a acelera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/Ry3eajzgQLI\/AAAAAAAAATc\/VA49DcPz2o4\/s1600-h\/Itaipu.2007+041.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/Ry3eajzgQLI\/AAAAAAAAATc\/VA49DcPz2o4\/s400\/Itaipu.2007+041.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">No in\u00edcio do ano visitei a usina hidroel\u00e9trica binacional de Itaipu. Um dos projetos de pesquisa que participo envolve uma esp\u00e9cie de mexilh\u00e3o invasora. O mexilh\u00e3o dourado (<span style=\"font-style:italic\">Limnoperna fortunei<\/span>). O que \u00e9 uma esp\u00e9cie invasora, voc\u00eas v\u00e3o perguntar?<\/p>\n<p>Esses mexilh\u00f5es s\u00e3o origin\u00e1rios da China e chegaram pelas nossas bandas (mais precisamente no Rio da Prata em 1991 e na Lagoa dos Patos em 1998) transportados na \u00e1gua de lastro dos navios cargueiros. Imaginem, um navio parte do porto de Xangai para vir ao Brasil e levar soja de volta para os chineses. Mas se ele n\u00e3o estiver carregado com mercadorias, precisa se encher de \u00e1gua, a \u00e1gua de lastro, para equilibrar seu peso e, literalmente, n\u00e3o quebrar no meio quando estiver navegando. Ai, quando chega no porto de Rio Grande, o navio joga na Lagoa dos Patos a \u00e1gua do Rio Yangtze, cheia de larvas de mexilh\u00f5es dourados (e outros bichos).<\/p>\n<p>Sem predadores naturais, esses animais se desenvolvem enormemente nas nossas \u00e1guas e criam toda sorte de preju\u00edzos a embarca\u00e7\u00f5es, esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua, usinas hidroel\u00e9tricas, sem contar as esp\u00e9cies locais de bivalves e a vegeta\u00e7\u00e3o das margens.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RzJeMkpCKMI\/AAAAAAAAATs\/udag8Gv5u-4\/s1600-h\/mdourado2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RzJeMkpCKMI\/AAAAAAAAATs\/udag8Gv5u-4\/s400\/mdourado2.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Bom, mas voltando ao assunto, em Itaipu tem mexilh\u00e3o dourado e ainda que isso (ainda) n\u00e3o represente um problema econ\u00f4mico pra eles, essa foi a raz\u00e3o da minha visita. Por\u00e9m, quando chegamos l\u00e1, os mexilh\u00f5es s\u00e3o o que menos chama aten\u00e7\u00e3o. <span style=\"font-weight:bold\">\u00c9 uma obra monumental. <\/span>Liguei pro meu pai, e ele, engenheiro, ficava at\u00e9 emocionado de falar de uma obra t\u00e3o imponente.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 para menos. Em 1982 a barragem represou o Rio Paran\u00e1, inundando uma regi\u00e3o de 1.350 km2 e com mais de 200 km de extens\u00e3o. Tudo bem, eles tiveram de inundar &#8220;Sete quedas&#8221; mas eu senti menos esse baque porque era pequeno demais. Mas me lembro at\u00e9 hoje da noite em que o Jornal Nacional mostrou as comportas se fechando as cachoeiras pela \u00faltima vez.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RzJi8EpCKNI\/AAAAAAAAAT0\/hGa3Ljoi3_c\/s1600-h\/Itaipu.2007.panorama+copy.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;width:388px;height:41px;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/RzJi8EpCKNI\/AAAAAAAAAT0\/hGa3Ljoi3_c\/s400\/Itaipu.2007.panorama+copy.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Enquanto estavamos l\u00e1, o Rio Paran\u00e1, em uma cheia at\u00edpica, precisava ser escoado. Por isso, as comportas do lado esquerdo da barragem estavam abertas. A \u00e1gua saindo pelo chamado &#8216;vertedouro&#8217; tem uma for\u00e7a impressionante. T\u00e3o grande que acabaria, simplesmente, escavando o leito do rio, que fica 180 m abaixo da linha d&#8217;\u00e1gua do reservat\u00f3rio, se despencasse direto l\u00e1 de cima. Ent\u00e3o a \u00e1gua desce por um tipo de escorrega, sendo lan\u00e7ada no ar pra dissipar toda a sua energia, antes de continuar seu caminho rio abaixo. N\u00e3o deu pra entender direito? D\u00e1 uma olhada nas fotos e no filminho que eu fiz.<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><\/div>\n<p>Mas toda essa introdu\u00e7\u00e3o foi para dizer apenas um par\u00e1grafo. O que me emocionou, ou melhor, me assustou, ou melhor ainda, me comoveu de forma assustadora, foi ver a for\u00e7a da \u00e1gua descendo pelo vertedouro. A <a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2007\/08\/foras-da-natureza.html\">For\u00e7a da Natureza<\/a>, lado a lado com o enorme esfor\u00e7o de engenharia para conte-la. O v\u00e1cuo que se forma na base do escorrega, capaz de arrancar os capacetes de nossas cabe\u00e7as (como no filme), o rugido da \u00e1gua, a velocidade&#8230; \u00e9 como se a \u00e1gua dissesse:<\/p>\n<p><span style=\"font-style:italic\">&#8211; N\u00e3o esque\u00e7a que eu estou aqui!<\/span><\/p>\n<p>A fera foi contida, mas n\u00e3o foi domada. \u00c9 um equilibrio delicado. E quando venta, venta forte!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do ano visitei a usina hidroel\u00e9trica binacional de Itaipu. Um dos projetos de pesquisa que participo envolve uma esp\u00e9cie de mexilh\u00e3o invasora. O mexilh\u00e3o dourado (Limnoperna fortunei). O que \u00e9 uma esp\u00e9cie invasora, voc\u00eas v\u00e3o perguntar? Esses mexilh\u00f5es s\u00e3o origin\u00e1rios da China e chegaram pelas nossas bandas (mais precisamente no Rio da Prata [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":249,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[590,657,747,863],"class_list":["post-248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-forca","tag-hidroeletrica","tag-itaipu","tag-mexilhao-dourado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}