{"id":254,"date":"2007-11-19T12:34:00","date_gmt":"2007-11-19T15:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/11\/o-que-e-o-veneno-de-cobra\/"},"modified":"2007-11-19T12:34:00","modified_gmt":"2007-11-19T15:34:00","slug":"o-que-e-o-veneno-de-cobra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2007\/11\/19\/o-que-e-o-veneno-de-cobra\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o veneno de cobra?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/R0G2OslnB3I\/AAAAAAAAAUI\/SGvQFyTk5k4\/s1600-h\/veneno+de+cobra2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/R0G2OslnB3I\/AAAAAAAAAUI\/SGvQFyTk5k4\/s400\/veneno+de+cobra2.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">Chego para aula de sax e meu professor diz para o seu filho: &#8211; &#8220;Pergunta para ele que \u00e9 bi\u00f3logo.&#8221;<\/p>\n<p>T\u00e9o me olha meio desconfiado, certamente sem saber o que \u00e9 um bi\u00f3logo, e menos ainda como algu\u00e9m pode saber mais do que seu pai sobre alguma coisa, mas obedece.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;O que \u00e9 o veneno de cobra?&#8221; Uma pergunta de uma crian\u00e7a \u00e9 uma ordem. Larguei o sax em cima da mesa e disparei.<\/p>\n<p>As cobras n\u00e3o t\u00eam m\u00e3os nem bra\u00e7o, mas tem que pegar a sua comida. Como elas podem fazer isso? Com a boca voc\u00eas podem responder. Mas se fosse assim, a cobras precisariam sempre comer alguma coisa menor do que a sua boca. Mas as cobras s\u00e3o gulosas e querem comer grande. Por que a cobra pensa grande \u00e9 uma outra hist\u00f3ria e vamos manter o foco no &#8216;como&#8217; ela se vira para comer a presa grande.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o explico pro T\u00e9o que a cobra precisa quebrar a sua presa grande, pra ela ficar menor. Como a boca da cobra \u00e9 pequena, n\u00e3o d\u00e1 pra ser com os dentes. Pra come\u00e7ar n\u00e3o daria nem pra colocar tudo dentro da boca. Principalmente sem bra\u00e7os e garras para arrancar os peda\u00e7os. Ent\u00e3o, a sa\u00edda que ela encontrou foi esmagar a presa com o corpo.<\/p>\n<p>Da mesma forma que seria dif\u00edcil pra n\u00f3s comer um fil\u00e9 se ele estivesse em moviemento, a primeira coisa que a cobra tem de fazer \u00e9 imobilizar a sua presa, paralisar ela. Mas como uma cobra pode deixar um bicho maior, como uma galinha, um pato, ou at\u00e9 mesmo um boi, completamente parado?<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;De medo!&#8221; responde um de voc\u00eas apressadinhos. Hehehehe, boa, mas essa funciona mais com os humanos do que como outros bichos. Em geral quando os bichos sentem medo eles se preparam para correr (se o animal for maior ou ele estiver em desvantagem) ou lutar (se o animal for menor, ou ele estiver em vantagem).<\/p>\n<p>A cobra precisa ser mais persuasiva. Ent\u00e3o, com o tempo ela ganhou dois dent\u00f5es e a capacidade de produzir um veneno paralisante (tentei n\u00e3o entrar no m\u00e9rito das toxinas neurot\u00f3xicas ou  hepatot\u00f3xicas). Assim, com uma r\u00e1pida mordida, a cobra pode paralisar uma presa maior que ela e ter todo o tempo do mundo para esmag\u00e1-la e engoli-la.<\/p>\n<p>O veneno, de alguma forma, acaba substituindo as garras que seguram a presa e a musculatura do corpo, que \u00e9 capaz de se enroscar com muita, muita for\u00e7a, substitui a mastiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que depois de comer algo muito grande, a cobra n\u00e3o consegue mais ficar andando pra l\u00e1 e pra c\u00e1 por um tempo, at\u00e9 que tenha digerido tudo. Mas isso tamb\u00e9m acontece com a gente. Ou voc\u00ea n\u00e3o sente um tremendo sono depois de comer uma feijoada?<\/p>\n<p>Fiquei todo feliz com a minha resposta super clara e adaptada para uma crian\u00e7a de 6 anos. At\u00e9 que ele olha pra mim e diz: &#8211; &#8220;mas O QUE  \u00e9 o veneno de cobra?&#8221;<\/p>\n<p>Eu tinha respondido uma pergunta, mas n\u00e3o a pergunta dele. Me enrolei todo&#8230; comecei a falar das neurotoxinas, pepet\u00eddeos n\u00e3o ribossomais, prote\u00ednas etc&#8230; At\u00e9 o pai dele come\u00e7ou a olhar para mim assustado. Provavelmente o filho teria pesadelos onde seria atacado pelas tais prote\u00ednas. Levei alguns segundos para me recompor, montei o saxofone de disse: <span style=\"font-weight:bold\">&#8220;\u00c9 um tipo de saliva. Um cuspe paralisante!&#8221;<\/span><\/p>\n<p>O rostinho se encheu de assombro: &#8211; &#8220;Uau&#8230; que maneiro&#8221; e foi jogar videogame.<\/p>\n<p>Na hora me pareceu uma resposta perfeita. Mas agora fico esperando o dia que o pai vai me ligar para dizer a professora reclamou dele cuspindo para paralisar os amigos.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chego para aula de sax e meu professor diz para o seu filho: &#8211; &#8220;Pergunta para ele que \u00e9 bi\u00f3logo.&#8221; T\u00e9o me olha meio desconfiado, certamente sem saber o que \u00e9 um bi\u00f3logo, e menos ainda como algu\u00e9m pode saber mais do que seu pai sobre alguma coisa, mas obedece. &#8211; &#8220;O que \u00e9 o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[290,338,1074,1322],"class_list":["post-254","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-infantil","tag-cobra","tag-crianca","tag-proteina","tag-veneno"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}