{"id":256,"date":"2008-01-10T11:47:00","date_gmt":"2008-01-10T14:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2008\/01\/quem-e-voce\/"},"modified":"2008-01-10T11:47:00","modified_gmt":"2008-01-10T14:47:00","slug":"quem-e-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2008\/01\/10\/quem-e-voce\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 voc\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/R4Y8B87nPtI\/AAAAAAAAAU4\/kMbMG0-0Bs4\/s1600-h\/fredastaire.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align: center;cursor: pointer;margin: 0 auto 10px\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/R4Y8B87nPtI\/AAAAAAAAAU4\/kMbMG0-0Bs4\/s400\/fredastaire.jpg\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>\nTem uma frase do M\u00e1rio Quintana que eu acho incr\u00edvel. <span style=\"font-style: italic\">&#8220;Buscas a perfei\u00e7\u00e3o? N\u00e3o sejas vulgar. A autenticidade \u00e9 muito mais dif\u00edcil!&#8221;<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">E \u00e9 mesmo.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Da perfei\u00e7\u00e3o eu j\u00e1 desisti h\u00e1 muito tempo. Como a autenticidade veio de f\u00e1brica, eu corro atr\u00e1s da originalidade. Bem, n\u00e3o sempre. N\u00e3o procuro originalidade nos passos de dan\u00e7a. E olha que eu adoro dan\u00e7ar. Olho pro lado, \u00e9 bacana, eu copio. N\u00e3o fico em casa bolando novos passos de dan\u00e7a. Mas quando voc\u00ea \u00e9 um cientista&#8230; d\u00e1 tudo por uma id\u00e9ia original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas que isso, invisto grandes quantidades de tempo na busca da id\u00e9ia original. Minha mente nunca se desliga. Tem um monte de gente, em um monte de empregos, que bateu 17h podem ir pra casa e n\u00e3o pensar mais naquilo. Mas o meu n\u00e3o desgruda de mim nunca. Sou cientista 24h por dia, 7 dias por semana. \u00c9 tanto a\u00e7\u00facar que o c\u00e9rebro queima pensando, que eu tenho que compensar enchendo a cara de macarronada. A minha forma de recuperar o combust\u00edvel (s\u00f3 que depois dos 30 \u00e9 mais dif\u00edcil se livrar das reservas, quando elas se formam).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando tenho uma id\u00e9ia nova, original, sento e escrevo. Sempre fiz isso. Mas nem sempre funcionou. Na verdade, pouqu\u00edssimas vezes funcionou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das raz\u00f5es para n\u00e3o ter funcionado, eu descobri, tamb\u00e9m a duras penas, \u00e9 que originalidade apenas n\u00e3o basta. <span style=\"font-weight: bold\">Para que sua originalidade seja reconhecida voc\u00ea precisa de uma de duas coisas: genialidade ou credibilidade. <\/span>A genialidade tamb\u00e9m vem de f\u00e1brica, mas \u00e9 muito rara e eu n\u00e3o fui um dos contemplados. A credibilidade, essa a gente tem que conquistar, em geral, matando um le\u00e3o por dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O resultado \u00e9 muitas vezes frustrante. Por que? Porque n\u00e3o basta ter a id\u00e9ia e guard\u00e1-la para voc\u00ea. Voc\u00ea tem que saber comunic\u00e1-la e muitas vezes, execut\u00e1-la. Para saber comunica-la voc\u00ea precisa ter educa\u00e7\u00e3o, o que elimina grande parte da popula\u00e7\u00e3o do processo criativo (se j\u00e1 n\u00e3o tivessem sido eliminadas antes). Para poder executa-la voc\u00ea precisa de recursos, o que elimina outra grande parte. <span style=\"font-weight: bold\">A maior parte das id\u00e9ias originais morre na cabe\u00e7a do seu criador.<\/span> Mas acontece que nos somos muitos. Quase 6 bilh\u00f5es. Na verdade muito mais, porque competimos com todos aqueles c\u00e9rebros que j\u00e1 existiram. Uma id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 original se algu\u00e9m pensou nela junto com voc\u00ea, um pouco antes (10 min) ou muito antes (500 anos atr\u00e1s). Somos um tipo de 6 bi! (a exclama\u00e7\u00e3o, na matem\u00e1tica, pra quem n\u00e3o lembra, \u00e9 o s\u00edmbolo do fatorial). Uma id\u00e9ia original acaba escapando. Algu\u00e9m escreve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/R4Y8CM7nPuI\/AAAAAAAAAVA\/SD8CISSZNiQ\/s1600-h\/bulb1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align: center;cursor: pointer;margin: 0 auto 10px\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/R4Y8CM7nPuI\/AAAAAAAAAVA\/SD8CISSZNiQ\/s400\/bulb1.jpg\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>\nMas chega o pr\u00f3ximo desafio. Algu\u00e9m tem de ler. <span style=\"font-weight: bold\">Sem uma plat\u00e9ia, um comunicador est\u00e1 mudo.<\/span> A busca por uma plat\u00e9ia pode exaurir um pensador. \u00c9 um conselho desestimulador, mas, se voc\u00ea busca uma id\u00e9ia original, busque antes uma plat\u00e9ia. Tente tamb\u00e9m conquistar algum reconhecimento e credibilidade. Essas tr\u00eas coisas voc\u00ea consegue se for um repetidor esfor\u00e7ado e competente. Porque se voc\u00ea \u00e9 daqueles revoltados com o sistema, que n\u00e3o gosta de &#8220;jogar com a bola dos outros&#8221;, pode ser que n\u00e3o tenha ningu\u00e9m pra jogar quando conseguir a sua pr\u00f3pria bola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu acho que tive algumas boas id\u00e9ias at\u00e9 hoje. Observei a natureza das coisas, vi o que era, vi o que n\u00e3o era, e tive um vislumbre de como poderiam, ou como deveriam ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Coloquei no papel. Mandei at\u00e9 para uma revista. Mas foi rejeitada. N\u00e3o sabiam quem eu era. Tudo bem, pode ser que eles s\u00f3 n\u00e3o achassem uma boa id\u00e9ia. Mandei ent\u00e3o para outra revista. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o acharam a id\u00e9ia boa. Depois mandei para muitas outras revistas. Um revisor, uma vez, disse que era uma boa id\u00e9ia, mas que era in\u00f3cua. N\u00e3o ajudava a resolver nenhum problema. Descrevia o problema de uma forma mais correta, mas n\u00e3o ajudava a resolve-lo. Ent\u00e3o aprendi que uma id\u00e9ia original precisa, al\u00e9m de tudo, de ser \u00fatil. Mas isso \u00e9 no caso especial de voc\u00ea n\u00e3o ter credibilidade nem reconhecimento. Nesse caso, quanto maior a utilidade, maior a probabilidade da sua id\u00e9ia original vingar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o tempo, paramos um pouco de investir na comunica\u00e7\u00e3o de algumas id\u00e9ias. Cansa. De vez em quando tentamos dar uma espanada nelas, para ver se alguma nova estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o aparece, alguma utilidade n\u00e3o vislumbrada. Mas em geral, nada e acabamos investindo em novas id\u00e9ias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um dia o reconhecimento vir\u00e1. E vem mesmo. S\u00f3 que para outro. Descobrimos nossas id\u00e9ias originais publicadas por um outro com maior habilidade de comunica\u00e7\u00e3o, senso de utilidade, p\u00fablico, credibilidade, reconhecimento e&#8230; um editor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No meu caso, terminei de ler um livro essa semana que resume grande parte dos pensamentos da minha vida cient\u00edfica que eu achava originais: &#8220;A tripla H\u00e9lice&#8221; de Richard Lewontin. Pelo menos ele \u00e9 um cara realmente foda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos resta a o gosto amargo da vit\u00f3ria sobre todos os revisores que algum dia disseram que sua id\u00e9ia n\u00e3o era boa. Ela era (ainda que voc\u00ea talvez \u00e9 que n\u00e3o fosse)! Nessa hora, o \u00fanico consolo pode ser pensar que nenhum deles consegue dan\u00e7ar forr\u00f3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem uma frase do M\u00e1rio Quintana que eu acho incr\u00edvel. &#8220;Buscas a perfei\u00e7\u00e3o? N\u00e3o sejas vulgar. A autenticidade \u00e9 muito mais dif\u00edcil!&#8221; E \u00e9 mesmo. Da perfei\u00e7\u00e3o eu j\u00e1 desisti h\u00e1 muito tempo. Como a autenticidade veio de f\u00e1brica, eu corro atr\u00e1s da originalidade. Bem, n\u00e3o sempre. N\u00e3o procuro originalidade nos passos de dan\u00e7a. E [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[6,11,13,24],"tags":[132,333,442,622,950],"class_list":["post-256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comportamento","category-elearning","category-escrita-criativa","category-politica-cientifica","tag-autenticidade","tag-credencial","tag-editor","tag-genialidade","tag-originalidade"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/fredastaire.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}