{"id":282,"date":"2008-04-14T12:36:00","date_gmt":"2008-04-14T15:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2008\/04\/bio-o-que\/"},"modified":"2008-04-14T12:36:00","modified_gmt":"2008-04-14T15:36:00","slug":"bio-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2008\/04\/14\/bio-o-que\/","title":{"rendered":"Bio- o que?!?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SAOMve43_LI\/AAAAAAAAAXQ\/jIxNut2PjJ4\/s1600-h\/monitor.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SAOMve43_LI\/AAAAAAAAAXQ\/jIxNut2PjJ4\/s400\/monitor.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>O uso de met\u00e1foras \u00e9 uma ferramenta muito importante para o ensino de biologia. Isso porque muitas das coisas que temos de explicar s\u00e3o invis\u00edveis aos olhos. E outras, invis\u00edveis para qualquer um dos nossos outros sentidos.<br \/>Da mesma forma que ajudam, as met\u00e1foras tamb\u00e9m podem atrapalhar (\u00e9 tudo uma quest\u00e3o da <a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2007\/09\/posologia.html\">dose<\/a>). Uma met\u00e1fora n\u00e3o pode ter muita especificidade e justamente pode ser utilizada para  explicar outro fen\u00f4meno. Ent\u00e3o, as pessoas podem escolher met\u00e1foras diferentes para explicar uma mesma coisa. E resultado pode ser uma confus\u00e3o de termos.<\/p>\n<p>Esse problema \u00e9 muito bem ilustrado na biologia. Basta colocar o prefixo &#8216;bio&#8217; antes de uma palavra qualquer para termos uma met\u00e1fora.<\/p>\n<p>Vejamos, o que faz um biomonitor?<\/p>\n<p>Bem, vamos come\u00e7ar pelo que \u00e9 um monitor. Hoje em dia quase todo mundo tem um em casa, mas at\u00e9 20 anos atr\u00e1s, monitores apareciam apenas em laborat\u00f3rios m\u00e9dicos ou de eletr\u00f4nica, acompanhando a freq\u00fc\u00eancia card\u00edaca ou os pulso el\u00e9tricos . \u00c9 bem verdade que sempre tivemos outros monitores em salas de aula. S\u00e3o aqueles caras ainda mais mal pagos que os professores para ajudarem a tomar conta de turmas muito grandes. De acordo com o Michaelis, Monitor \u00e9: mo.ni.tor, <i> sm<\/i>, <i>lat. monitore.<\/i><b> <\/b>1 &#8211; Aquele que admoesta, adverte ou dirige. 4 &#8211; Aparelho comum de televis\u00e3o, instalado para controle das transmiss\u00f5es em qualquer ponto da esta\u00e7\u00e3o emissora. Tem mais um monte de outras varia\u00e7\u00f5es sobre o tema, mas essas duas definem uma ambiguidade importante do termo. Monitor pode ser tanto aquilo que d\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o, o mecanismo de transdu\u00e7\u00e3o de um sinal, quanto aquilo onde a informa\u00e7\u00e3o aparece, o mecanismo de exposi\u00e7\u00e3o do sinal.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da tecnologia, temos uma mecaniza\u00e7\u00e3o de um monte de processos na ci\u00eancia e hoje em dia tudo aparece em um monitor de computador. Mas podemos usar outros monitores que v\u00e3o al\u00e9m das telinhas. Um organismo pode dizer muita coisa para quem sabe sabe ouvir. Ver nas linhas ou nas entrelinhas<span class=\"descricao\">. S\u00e3o os biomonitores.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"descricao\">Assim como os monitores, os biomonitores sofrem da mesma ambiguidade. Ora eles pr\u00f3prios s\u00e3o o mecanismo de transdu\u00e7\u00e3o, ora s\u00e3o o mecanismo de exposi\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. E nem sempre \u00e9 f\u00e1cil diferenciar. Na verdade, nos biomonitores os mecanismos de transdu\u00e7\u00e3o e de exposi\u00e7\u00e3o do sinal est\u00e3o sempre integrados, juntos, na  mesma unidade, no mesmo organismo. Febre indica infec\u00e7\u00e3o, sendo que o aumento de  temperatura e o agente infectante tem de estar no mesmo organismo.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"descricao\">Os organismos podem dizer muitas coisas pra gente. Sobre eles, mas especialmente sobre o meio em que eles vivem. E dentre estas, tem coisas que s\u00e9 eles podem dizer, porque n\u00e3o existem an\u00e1lises f\u00edsicas ou qu\u00edmicas (ou f\u00edsico-qu\u00edmicas) substitutas. S\u00e3o processos globais que envolvem a presen\u00e7a de agentes e (as vezes m\u00faltiplas) causas. A toxicidade \u00e9 um deles.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"descricao\">Me lembro de anos atr\u00e1s, ainda estudante de biologia, ficar chocado quando li que &#8220;n\u00e3o existe nenhuma m\u00e1quina que possa avaliar toxicidade. Concentra\u00e7\u00e3o qu\u00edmica pode ser avaliada por uma m\u00e1quina, mas apenas seres vivos podem informar sobre a toxicidade de uma subst\u00e2ncia&#8221; e realizei que sempre precisaremos utilizar animais em pesquisa.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"descricao\">Podemos avan\u00e7ar em n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica acima do organismo: popula\u00e7\u00f5es, comunidades, ecosssitemas; e temos ent\u00e3o o monitoramento ambiental. Aqui os m\u00e9todos abi\u00f3ticos e bi\u00f3ticos s\u00e3o utilizados para mostrar as varia\u00e7\u00f5es que ocorrem no ambiente. Os organismos tem grande import\u00e2ncia no monitoramento ambiental: como bioindicadores, biomarcadores ou (bio)sentinelas.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"descricao\">Os bioindicadores n\u00e3o realizam completamente o seu potencial de monitor, sendo eles pr\u00f3prios a informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se ao inv\u00e9s de n\u00fameros aparecessem na tela do monitor, os monitores se multiplicassem ou desaparecessem. S\u00e3o aquelas esp\u00e9cies que pela sua presen\u00e7a ou abund\u00e2ncia informam a varia\u00e7\u00e3o do ambiente. Em um ambiente polu\u00eddo, uma esp\u00e9cie sens\u00edvel desaparece. Uma esp\u00e9cie resistente se torna dominante. Gosto de usar sempre o exemplo da alga <span style=\"font-style:italic\">Sargassum sp. <\/span>que \u00e9 bastante sens\u00edvel a polui\u00e7\u00e3o marinha e desapareceu h\u00e1 algum tempo das praias do Rio. Ou da alga <span style=\"font-style:italic\">Ulva sp. <\/span>que \u00e9 bastante tolerante a eutrofiza\u00e7\u00e3o e domina os cost\u00f5es rochosos de praias polu\u00eddas.<\/p>\n<p><\/span><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SAS5g-43_MI\/AAAAAAAAAX4\/74E0w2jaz4k\/s1600-h\/sargassum_vulgare.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SAS5g-43_MI\/AAAAAAAAAX4\/74E0w2jaz4k\/s400\/sargassum_vulgare.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Os biomarcadores s\u00e3o os mecanismos de transdu\u00e7\u00e3o. Em geral os mecanismos moleculares ou bioqu\u00edmicos, mais do que os fisiol\u00f3gicos (respira\u00e7\u00e3o, crescimento, reprodu\u00e7\u00e3o). A atividade de uma enzima, a quantidade de uma prote\u00edna, a sequencia de um gene. Aquelas coisas bem invis\u00edveis aos olhos. Os biomarcadores tamb\u00e9m s\u00e3o a informa\u00e7\u00e3o: os n\u00fameros que aparecem na tela do monitor.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies sentinelas acumulam em seus \u00f3rg\u00e3os e tecidos alguma subst\u00e2ncia que esteja contaminando o ambiente. Um contaminante, como um metal pesado ou um hidrocarboneto poliarom\u00e1tico, ainda que em pequenas concentra\u00e7\u00f5es no ambiente, pode causar um estrago grande na biota. Por\u00e9m, t\u00e3o importante quanto a quantidade desse contaminante, \u00e9 a biodisponibilidade dele.<\/p>\n<p>A disponibilidade depende &#8216;esp\u00e9cie qu\u00edmica&#8217;. \u00cdons livres e cloretos s\u00e3o mais sol\u00faveis em \u00e1gua e reativos que os sulfetos, que tendem a se precipitar. Compostos org\u00e2nicos apolares s\u00e3o mais lipossol\u00faveis e ultrapassam com mais facilidade as membranas biol\u00f3gicas. Mas a disponibilidade biol\u00f3gica depende, em \u00faltima inst\u00e2ncia, do organismo. Afinal, tem organismo pra tudo. Bact\u00e9rias que vivem em fontes hidrotermais, que &#8216;respiram&#8217; H2S, que comem petr\u00f3leo ou merc\u00fario. Como diz o ditado: &#8220;tem sempre um chinelo velho para um p\u00e9 doente&#8221;.  Ent\u00e3o usamos as esp\u00e9cies sentinelas pra avaliar o quanto daquela subst\u00e2ncia contaminante do ambiente pode ser capturada pelos organismos.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que as vezes as concentra\u00e7\u00f5es no ambiente s\u00e3o baixas, o que torna a an\u00e1lise qu\u00edmica muito dif\u00edcil (sin\u00f4nimo de cara), e utilizar organismos sentinelas pode ser uma &#8216;m\u00e3o na roda&#8217;. Como os sentinelas acumulam essas subst\u00e2ncias no organismo, \u00e9 mais f\u00e1cil (e mais barato) analisar a subst\u00e2ncia no sentinela do que dilu\u00edda na \u00e1gua do mar ou no sedimento. E ainda por cima, temos a informa\u00e7\u00e3o da biodisponibilidade.<\/p>\n<p>Os organismos sentinelas se encaixam mais na descri\u00e7\u00e3o de monitores. Os n\u00fameros na tela s\u00e3o as concentra\u00e7\u00f5es dos contaminantes. O organismo em si \u00e9 o monitor.<\/p>\n<p>Tem sempre uma defini\u00e7\u00e3o, e uma met\u00e1fora, para o que queremos saber, ou explicar. Para escolhermos a defini\u00e7\u00e3o ou a met\u00e1fora corretas, precisamos ter claro o que queremos saber, ou explicar. E as vezes \u00e9 essa a grande dificuldade.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de met\u00e1foras \u00e9 uma ferramenta muito importante para o ensino de biologia. Isso porque muitas das coisas que temos de explicar s\u00e3o invis\u00edveis aos olhos. E outras, invis\u00edveis para qualquer um dos nossos outros sentidos.Da mesma forma que ajudam, as met\u00e1foras tamb\u00e9m podem atrapalhar (\u00e9 tudo uma quest\u00e3o da dose). 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