{"id":290,"date":"2008-08-31T18:00:00","date_gmt":"2008-08-31T21:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2008\/08\/voce-conhece-aquela-do-portugues\/"},"modified":"2008-08-31T18:00:00","modified_gmt":"2008-08-31T21:00:00","slug":"voce-conhece-aquela-do-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2008\/08\/31\/voce-conhece-aquela-do-portugues\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea conhece aquela do portugu\u00eas?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SLr7IBjiAGI\/AAAAAAAAAYg\/NUoC3vGKjlc\/s1600-h\/993676_spider_23.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SLr7IBjiAGI\/AAAAAAAAAYg\/NUoC3vGKjlc\/s400\/993676_spider_23.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Um dos motivos pelo qual fiquei sem escrever tanto tempo \u00e9 o excesso de trabalho. Parte desse excesso de trabalho foi devido a duas teses de mestrado de alunos meus que tiveram, ou est\u00e3o tendo, muita dificuldade de escrever.<\/p>\n<p>J\u00e1 falei <a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2007\/04\/falei-pra-vocs-que-estou-aprendendo-ler.html\">aqui<\/a> da minha descoberta da import\u00e2ncia da leitura atenta e da escrita criativa para o suecesso da atividade cient\u00edfica. Saber contar uma hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria de um trabalho cient\u00edfico, \u00e9 t\u00e3o importante quanto realiza\u00e7\u00e3o do trabalho cient\u00edfico em si.<\/p>\n<p>Uma parte importante desse trabalho, \u00e9 compreender o problema que est\u00e1 sendo investigado. Sem essa compreens\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre hip\u00f3tese, objetivos, m\u00e9todos, resultados e conclus\u00f5es; o cerne do m\u00e9todo cient\u00edfico; se torna imposs\u00edvel de analisar. Sem an\u00e1lise, n\u00e3o conseguimos transformar dados em informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro dia, tentando explicar isso para um aluno, me veio em mente uma piada de portugu\u00eas. O pesquisador Manoel executa um experimento onde remove, uma a uma, todas as patas de uma aranha. Antes da remo\u00e7\u00e3o de cada excerto, ele executa um comando verbal para a aranha se locomover.<br \/><span style=\"font-style:italic\"><br \/>&#8220;Anda aranha, anda&#8221; <\/span>e a aranha andava.<\/p>\n<p>O aracn\u00eddeo consegue realizar movimento at\u00e9 que a sua \u00faltima perna \u00e9 removida.<br \/><span style=\"font-style:italic\"><br \/>&#8220;Anda aranha, anda&#8221;<\/span>, e a aranha n\u00e3o se movia. <span style=\"font-style:italic\">&#8220;Anda aranha, anda&#8221;<\/span>, e a aranha ainda n\u00e3o se movia.<\/p>\n<p>Manoel conclui ent\u00e3o que ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o das 8 patas, a aranha fica surda.<\/p>\n<p>Eu sei, estou parecendo a <span style=\"font-weight:bold\">Turma do Casseta &amp; Planeta<\/span> no &#8220;Piada em debate&#8221;, mas vejam, o erro do Manoel, que \u00e9 fatal para o sucesso da atividade cient\u00edfica, \u00e9 mais comum do que imaginamos, e \u00e9 cometido por muitos, muitos alunos no in\u00edcio das suas carreiras acad\u00eamicas: <span style=\"font-weight:bold\">concluir apenas com base nos resultados, e n\u00e3o em todas as etapas do m\u00e9todo.<\/span><\/p>\n<p>No m\u00e9todo cient\u00edfico, cada etapa depende da anterior, e o que mant\u00e9m a integridade de um trabalho de pesquisa \u00e9 a <a href=\"http:\/\/vocequeebiologo.blogspot.com\/2006\/07\/incoerente-eu.html\">coer\u00eancia<\/a> entre elas: Se a segunda etapa segue a primeira, e a terceira segue a segunda, ent\u00e3o, obrigatoriamente, a terceira segue a primeira. Parece obvio, e \u00e9, mas nem sempre \u00e9 assim. Se a terceira etapa pode existir independentemente da primeira ou da segunda, ent\u00e3o o processo est\u00e1 comprometido. Assim como as conclus\u00f5es. Corremos o risco ent\u00e3o de concluir que depois de arrancar as patas da aranha ela n\u00e3o consegue andar porque fica surda.<\/p>\n<p>Acho que a parte mais dif\u00edcil do trabalho do cientista \u00e9 a an\u00e1lise dos dados, para retirar toda a informa\u00e7\u00e3o contida neles. Nem mais, nem menos do que os dados podem fornecer.<\/p>\n<p>Abre par\u00eanteses: Voc\u00eas j\u00e1 ouviram aquela outra: torturem seus dados e eles te dir\u00e3o o que voc\u00ea quiser&#8221;? Pois \u00e9, esse \u00e9 outro erro comum. Concluir com base em nossos preconceitos, aquilo que gostar\u00edamos que fosse verdade, ou que acreditamos <span style=\"font-style:italic\">a priori<\/span> que \u00e9 verdade, e n\u00e3o nas evid\u00eancias apresentadas pelos resultados. fecha par\u00eanteses.<\/p>\n<p>Mas identificar o problema de pesquisa corretamente \u00e9 a parte mais crucial do trabalho cient\u00edfico. Aquela que pode comprometer todo o processo. Sem o problema identificado corretamente podemos proceder a uma coleta de dados que resultar\u00e1 inutil (e o que \u00e9 pior,  irrevers\u00edvel ou  irrecuper\u00e1vel) enquanto uma an\u00e1lise superf\u00edcial (ou abusiva) dos dados produz danos parciais e, geralmente, revers\u00edveis.<\/p>\n<p>Identificar o problema corretamente pode ser uma habilidade inata, mas tamb\u00e9m pode ser uma habilidade desenvolvida com treino e trabalho. O que o cientista n\u00e3o pode \u00e9 prescindir dela.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos motivos pelo qual fiquei sem escrever tanto tempo \u00e9 o excesso de trabalho. Parte desse excesso de trabalho foi devido a duas teses de mestrado de alunos meus que tiveram, ou est\u00e3o tendo, muita dificuldade de escrever. 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