{"id":298,"date":"2008-09-29T21:41:00","date_gmt":"2008-09-30T00:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2008\/09\/squeeze-my-balls-baby\/"},"modified":"2008-09-29T21:41:00","modified_gmt":"2008-09-30T00:41:00","slug":"squeeze-my-balls-baby","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2008\/09\/29\/squeeze-my-balls-baby\/","title":{"rendered":"Squeeze my balls, baby!"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SOLWdeW3x-I\/AAAAAAAAAY4\/2PtSKaZOYg0\/s1600-h\/squeezemyballs.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SOLWdeW3x-I\/AAAAAAAAAY4\/2PtSKaZOYg0\/s400\/squeezemyballs.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Quando um jornal escreve que descobriram o gene de alguma coisa&#8230; por princ\u00edpio, duv\u00edde. Nem tudo est\u00e1 nos genes. Algumas coisas est\u00e3o nas bolas!<\/p>\n<p>Duas semanas atr\u00e1s recebi alguns e-mails alertando sobre a descoberta do &#8220;gene da infidelidade masculina&#8221;, que foi divulgada pelos principais jornais do pa\u00eds (veja artigo na <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ciencia\/ult306u440383.shtml\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/a>). Como eu n\u00e3o confio nos jornais, eu fui at\u00e9 a fonte, o <a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/early\/2008\/09\/02\/0803081105.full.pdf+html?sid=d6269dbc-fe06-4b9c-a42f-1d8a8df86d44\">artigo<\/a> publicado na prestigiosa revista cient\u00edfica da academia de ci\u00eancias americana PNAS.<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 um cl\u00e1ssico exemplo do que <span style=\"font-style:italic\">Ioannidis<\/span> fala no seu aclamado <span style=\"font-style:italic\">&#8220;Porque a maior parte das descobertas cient\u00edficas \u00e9 falsa<\/span>&#8220;: alguma coisa tendencioso e certamente as evid\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a conclus\u00e3o de que homens carregando o alelo 334 na regi\u00e3o reguladora RS3 do gene do receptor do neuropept\u00eddeo arginina vasopressina tem uma menor propens\u00e3o a estabelecerem v\u00ednculos duradouros com parceiros do sexo oposto.<\/p>\n<p>Ops, essa frase pareceu at\u00e9 o <span style=\"font-style:italic\">Sheldon<\/span> tentando explicar Mec\u00e2nica qu\u00e2ntica para a <span style=\"font-style:italic\">Penny<\/span> no seriado <span style=\"font-style:italic\">&#8220;The Big Bang Theory&#8221;<\/span>: t\u00e3o dif\u00edcil que n\u00e3o deu pra entender nada.<\/p>\n<p>Corrigindo: o estudo conclui que homens que possuem a variante 334 do DNA na regi\u00e3o  que controla a produ\u00e7\u00e3o de uma importante prote\u00edna do c\u00e9rebro, tendem a permanecer solteiros ou fazerem as parceiras menos felizes. Embora a metodologia do estudo pare\u00e7a ser adequada, acho que o maior problema \u00e9 conceitual. Os autores abusam da plausabilidade da sua hip\u00f3tese e confundem signific\u00e2ncia estat\u00edstica com verdade causal.<\/p>\n<p>O estudo foi feito em 552 indiv\u00edduos suecos (g\u00eameos e seus parceiros) pretendia verificar a influ\u00eancia desse gene que j\u00e1 havia se mostrado importante na compara\u00e7\u00e3o entre duas esp\u00e9cies de ratos que possuem comportamentos sociais diferentes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SOLWdf3S9wI\/AAAAAAAAAZA\/CBuVV1lLIWE\/s1600-h\/080128165720.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SOLWdf3S9wI\/AAAAAAAAAZA\/CBuVV1lLIWE\/s400\/080128165720.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Por\u00e9m, eles usaram \u00edndices sociais para avaliar a rela\u00e7\u00e3o dos casais (o <span style=\"font-style:italic\">Partner Bonding Scale &#8211; PBS<\/span>, aplicado em primatas),  que s\u00e3o influenciados tanto pelos entrevistados, quanto pelos seus parceiros. A regi\u00e3o reguladora que era importante no rato n\u00e3o era existia nos humanos, ent\u00e3o eles testaram 3 regi\u00f5es que apresentavam alguma varia\u00e7\u00e3o. Apenas uma entre elas (a RS3) mostrou uma pequena varia\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos. Nessa regi\u00e3o, foram encontradas 17 variantes da seq\u00fc\u00eancia de DNA (ou alelos) e apenas um deles, o 334, apresentou uma pequena, porem significativa, correla\u00e7\u00e3o com os resultados do PBS. Os autores n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o contundentes como os jornais, mas foram certamente precipitados. Outros estudos j\u00e1 haviam sugerido a participa\u00e7\u00e3o da vasopressina em s\u00edndromes de deficit de socializa\u00e7\u00e3o como o autismo. Mas tamb\u00e9m sugeriram participa\u00e7\u00e3o no altru\u00edsmo e na idade da perda da virgindade (ou do 1o intercurso). Oh good lord, please! \u00c9 determinismo biol\u00f3gico demais para o meu gosto. Obviamente, nenhum desses resultados foi obtido repetidamente de forma consistente (que \u00e9 o que torna a signific\u00e2ncia estat\u00edstica uma verdade causal).<\/p>\n<p>Tomara que voc\u00ea tenha aguentado o biologu\u00eas at\u00e9 aqui, porque o melhor vem agora. Para Robin Baker, autor do livro &#8220;A guerra dos espermatoz\u00f3ides&#8221; h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o muito mais plaus\u00edvel, convincente e interessante. <span style=\"font-weight:bold\">A melhor forma para avaliar o potencial de, digamos, fixa\u00e7\u00e3o de um homem, \u00e9 o tamanho dos test\u00edculos.<\/span><\/p>\n<p>O livro, que \u00e9 imperd\u00edvel, mostra que apesar de homens e mulheres precisarem um dos outros para obter seu sucesso reprodutivo, n\u00e3o utilizam as mesmas estrat\u00e9gias para alcan\u00e7\u00e1-lo. Isso \u00e9 de se esperar dados dois elementos fundamentais: As f\u00eameas fazem um grande investimento na reprodu\u00e7\u00e3o (gesta\u00e7\u00e3o, aleitamento, risco de vida) e por isso s\u00e3o seletivas, mas s\u00e3o recompensadas com a  certeza que sua prole \u00e9 sempre sua. Os machos por outro lado nunca podem ter certeza que sua prole \u00e9 realmente sua, e por isso est\u00e3o menos dispostos a investir em uma prole espec\u00edfica, optando por uma estrat\u00e9gia mais prom\u00edscua para aumentar sua probabilidade de efetivamente produzir alguma prole.<\/p>\n<p>Isso cria uma s\u00e9rie de dilemas que tem de ser resolvidos por machos e f\u00eameas. E que efetivamente s\u00e3o, afinal, estamos todos aqui. Na verdade, boa parte do livro trata sobre esses dilemas e eu n\u00e3o posso me alongar muito aqui. O que importa \u00e9 que uma das estrat\u00e9gias de sele\u00e7\u00e3o dos machos pelas f\u00eameas \u00e9 deixar que o esperma de dois ou mais machos se enfrentem no seu trato reprodutivo (desde o cerviz at\u00e9 a trompa) em uma &#8220;guerra de espermatoz\u00f3ides&#8221;, para garantir que o fecundador \u00e9 REALMENTE o mais apto.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a toa que o esperma dos animais, de insetos a primatas, \u00e9 composto predominantemente de &#8220;soldados&#8221;: espermatoz\u00f3ides que n\u00e3o est\u00e3o preparados para fecundar o \u00f3vulo, mas sim para identificar e aniquilar espermatoz\u00f3ides de outros machos. Possuem uma cabe\u00e7a diferenciada, receptores celulares capazes de identificar seus &#8216;irm\u00e3os&#8217; e poderosas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas capazes de destruir seus competidores.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SOMAizfcIII\/AAAAAAAAAZI\/7WnocyUT-mU\/s1600-h\/DSCN0375.JPG\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_WuwYgETHu7A\/SOMAizfcIII\/AAAAAAAAAZI\/7WnocyUT-mU\/s400\/DSCN0375.JPG\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>E onde s\u00e3o produzidos os espermatoz\u00f3ides? Nos test\u00edculos. Quanto maior o test\u00edculo (e o direito \u00e9 sempre levemente maior que o esquerdo) maior a quantidade de esperma produzida. Maior o ex\u00e9rcito. E nessa guerra, um exercito simplesmente maior, pode ser a diferen\u00e7a principal arma para a vit\u00f3ria. Ou a fecunda\u00e7\u00e3o, como prefiram.<\/p>\n<p>Por isso, homens com test\u00edculos pequenos tendem a evitar a guerra. S\u00e3o mais cuidadosos (ou deveria dizer possessivos?) com suas f\u00eameas, est\u00e3o sempre pr\u00f3ximos e evitam deix\u00e1-las desacompanhadas, j\u00e1 que na eventualidade de uma &#8216;escapada&#8217; da f\u00eamea, seu ex\u00e9rcito tem menor chances de vit\u00f3ria. S\u00e3o os fi\u00e9is. Homens com test\u00edculos grandes n\u00e3o tem medo de arriscar. Seu principal cuidado com suas f\u00eameas \u00e9 o de mant\u00ea-las inseminadas constantemente. Depois eles procuram oportunidade para inseminar outras f\u00eameas, pagando o alto pre\u00e7o de deixar sua pr\u00f3pria f\u00eamea desacompanhada, mas confiante na potencia do ex\u00e9rcito que ele deixou. O que ele ganha com isso? Bom, ele considera que a chance de ter o benef\u00edcio de um outro homem, provavelmente de test\u00edculos pequenos, criando um filho seu \u00e9 maior do que a chance dele pr\u00f3prio acabar tendo de criar o filho de um outro homem, que teria os test\u00edculos maiores ainda que os dele. Quem est\u00e1 disposto a apostar?<\/p>\n<p>O sentimento, ao que parece, tem pouco ou nada a ver com isso.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando um jornal escreve que descobriram o gene de alguma coisa&#8230; por princ\u00edpio, duv\u00edde. Nem tudo est\u00e1 nos genes. Algumas coisas est\u00e3o nas bolas! Duas semanas atr\u00e1s recebi alguns e-mails alertando sobre a descoberta do &#8220;gene da infidelidade masculina&#8221;, que foi divulgada pelos principais jornais do pa\u00eds (veja artigo na Folha de S\u00e3o Paulo). 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