{"id":350,"date":"2009-04-16T18:48:11","date_gmt":"2009-04-16T21:48:11","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/04\/a_dieta_intracelular\/"},"modified":"2009-04-16T18:48:11","modified_gmt":"2009-04-16T21:48:11","slug":"a_dieta_intracelular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2009\/04\/16\/a_dieta_intracelular\/","title":{"rendered":"A dieta intracelular"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"waterwheel.sxc.340461_8393.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/waterwheel.sxc_.340461_83931.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"320\" width=\"480\" \/><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/som\/VQEB.audioedition_dieta_intracelular.mp3\"><img decoding=\"async\" alt=\"blog.falado.png\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/blog.falado2.png\" width=\"300\" height=\"103\" class=\"mt-image-none\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/a><\/span><br \/>\nNa capa da revista Cool (?!) deste m\u00eas, o leitor \u00e9 convidado a conhecer a <b>&#8216;Nutri\u00e7\u00e3o Intracelular&#8217; <\/b>e mudar seus conceitos sobre alimenta\u00e7\u00e3o. Desconfiei. Mas reportagem s\u00f3 n\u00e3o era pior porque, de t\u00e3o pobre, tornava dif\u00edcil desdizer qualquer coisa. Ent\u00e3o resolvi contar para voc\u00eas o que \u00e9 mesmo importante saber sobre dieta intracelular, que envolve o por qu\u00ea de alguns de n\u00f3s sermos mais cheinhos enquanto outros, magros de ruins.<br \/>\n<b>A avassaladora maioria da energia que consumimos todos os dias \u00e9 gasta para mover \u00edons de um lado para outro da c\u00e9lula.<\/b><br \/>\nUns de dentro para fora e outros de fora para dentro. Esse tr\u00e1fego \u00e9 importante para que o corpo possa fazer duas coisas: contrair m\u00fasculos e enviar est\u00edmulos nervosos. Ambas tarefas s\u00e3o feitas por descargas el\u00e9tricas, geradas quando a c\u00e9lula, que no repouso tem uma carga negativa, recebe uma descarga de \u00edons s\u00f3dio (Na+), que tem carga positiva, e elevam rapidamente o potencial el\u00e9trico da c\u00e9lula, disparando a a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOutro \u00edon importante nesse processo \u00e9 o c\u00e1lcio (Ca2+). Ele ajuda na contra\u00e7\u00e3o muscular (fazendo funcionar o motorzinho de actina e miosina que temos na c\u00e9lula, lembra do 2o grau?) e na emiss\u00e3o de v\u00e1rios outros sinais. Mas para isso a c\u00e9lula precisa manter a concentra\u00e7\u00e3o interna desses \u00edons muito, muito baixa. E isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Eu poderia levar algum tempo explicando as raz\u00f5es, mas vou pedir apenas que voc\u00eas acreditem em mim. A membrana plasm\u00e1tica \u00e9 bastante imperme\u00e1vel a \u00edons e eles conseguem atravess\u00e1-la apenas em alguns &#8216;port\u00f5es&#8217;, prote\u00ednas especializadas como a calcio-ATPase. Essa enzima fica na membrana plasm\u00e1tica e na membrana sarcoplasm\u00e1tica. O ret\u00edculo sarcoplasm\u00e1tico \u00e9 um &#8216;saco&#8217; dentro d\u00e1 c\u00e9lula onde armazenamos os \u00edons de c\u00e1lcio para usarmos quando precisarmos. O trabalho da enzima \u00e9 colocar os \u00edons para dentro do saco ou para fora da c\u00e9lula, garantindo que o citoplasma fique livre deles, at\u00e9 o momento em que se tornem necess\u00e1rios. Mas a enzima n\u00e3o pode trabalhar de gra\u00e7a. Para jogar um \u00edon onde j\u00e1 exite mais daquele \u00edon (dentro do saco, por exemplo) ela precisa lutar contra um gradiente el\u00e9trico (as cargas positivas que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1) e qu\u00edmico (os outros \u00edons c\u00e1lcio que est\u00e3o l\u00e1) ela precisa de energia, que vem do ATP (aha&#8230; por isso o nome ATPase &#8211; &#8220;aquela que quebra ATP para funcionar&#8221;).<br \/>\nEu sei, at\u00e9 agora n\u00e3o falei nada de dieta nenhuma, e voc\u00ea que est\u00e1 no blog pela primeira vez j\u00e1 est\u00e1 se sentindo enganado com o t\u00edtulo, mas confie em mim, eu vou chegar l\u00e1. Agora, n\u00e3o espere receita nenhuma.<br \/>\nBom, quando a c\u00e1lcio-ATPase acumula um monte de \u00edons calcio dentro do sarcoplasma, ela cria um gradiente osm\u00f3tico. Isso quer dizer que toda a energia da quebra do ATP gasta para colocar o c\u00e1lcio pra dentro do saco n\u00e3o foi exatamente gasta. Parte dela continua armazenada ali, nesse gradiente osm\u00f3tico. Isso porque, se abrirmos a &#8216;porteira&#8217; da ATPase, o c\u00e1clio vai, por diferen\u00e7a de press\u00e3o osm\u00f3tica (tem mais c\u00e1lcio dentro do saco do que fora), atravessar o canal da enzima em dire\u00e7\u00e3o so citoplasma.<br \/>\nNesse momento, a enzima tende a funcionar na dire\u00e7\u00e3o oposta. Ao inv\u00e9z de gastar, ela usa a energia desse gradiente osm\u00f3tico para <b>sintetizar<\/b> ATP. \u00c9 incr\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 mesmo?!<br \/>\nO que?! Voc\u00ea n\u00e3o acha incr\u00edvel? E ainda me acha meio doido por achar que isso \u00e9 interessant\u00edssimo? Bom, agora \u00e9 que eu vou soltar a bomba, ent\u00e3o vamos ver se voc\u00ea ainda vai achar isso in\u00fatil no final do texto.<br \/>\nAs vezes, quando a c\u00e9lula est\u00e1 em repouso, e o ret\u00edculo j\u00e1 est\u00e1 cheio de \u00edons c\u00e1lcio, a ATPase abre a sua porteira, e deixa alguns \u00edons passarem para o outro lado. Quando isso acontece, algumas vezes, a energia que \u00e9 gerada na passagem n\u00e3o \u00e9 usada para produzir novos ATP. Ao inv\u00e9s, \u00e9 usada para produzir calor.<br \/>\nSim, calor. Aquele mesmo, que ajuda a manter nosso corpo quente.<br \/>\nEnt\u00e3o vamos l\u00e1: o que a gente come, de uma forma ou de outra, acaba virando ATP, que \u00e9 a moeda energ\u00e9tica do corpo e da c\u00e9lula. Boa parte dessa energia \u00e9 gasta para manter a c\u00e9lula com pouco s\u00f3dio e c\u00e1lcio. Isso significa bombear, gastando ATP, esses \u00edons para locais espec\u00edficos, onde eles ficam acumulados. A energia desse ATP n\u00e3o \u00e9 totalmente perdida, j\u00e1 que parte dela se transforma em energia osm\u00f3tica (\u00edons acumulados), que pode depois ser convertida novamente em ATP, que por sua vez pode servir para a c\u00e9lula fazer qualquer outra coisa, inclusive bombear mais c\u00e1lcio para dentro do armazem. Mas quando ao inv\u00e9s disso a bomba de ATP produz calor, esse calor depois n\u00e3o pode ser reconvertido em mais nada. Ele sim, depois de esquentar o corpo, se perde. Essa sim \u00e9 energia gasta. Bem gasta, porque nos deixa o cora\u00e7\u00e3o aquecido em noites de inverno, mas gasta.<br \/>\nEnt\u00e3o vejamos, quando a c\u00e9lula j\u00e1 est\u00e1 bem de energia, ela pode ficar brincando com o excesso, passando a energia de uma forma para outra, de ATP para ac\u00famulo de c\u00e1lcio e de volta para ATP, disperdi\u00e7ando bem pouquinho, ou ent\u00e3o queimar ela, literalmente,  produzindo calor. O que determina isso? N\u00e3o sei, s\u00f3 sei que \u00e9 assim.<br \/>\nMas sei que isso \u00e9 diferente em cada pessoa. Minhas c\u00e9lulas decidem queimar de um jeito e as suas de outro. Quando como pizza entro no looping do c\u00e1lcio-ATP, enquanto meu primo paulista, que \u00e9 magrinho, torram tudo em calor.<br \/>\n\u00c9 claro que n\u00e3o d\u00e1 pra escrever isso na revista Cool. J\u00e1 pensou, ningu\u00e9m mais poderia ser enganado com uma dieta qualquer, sabendo que o problema estava nas suas c\u00e1lcio-ATPases que preferem economizar ATP ao inv\u00e9s de queimar tudo. E que h\u00e1 muito pouco que ele\/ela posam fazer.<\/div>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-audio\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/som\/VQEB.audioedition_dieta_intracelular.mp3\">VQEB.audioedition_dieta_intracelular.mp3<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na capa da revista Cool (?!) deste m\u00eas, o leitor \u00e9 convidado a conhecer a &#8216;Nutri\u00e7\u00e3o Intracelular&#8217; e mudar seus conceitos sobre alimenta\u00e7\u00e3o. Desconfiei. Mas reportagem s\u00f3 n\u00e3o era pior porque, de t\u00e3o pobre, tornava dif\u00edcil desdizer qualquer coisa. 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