{"id":366,"date":"2006-03-15T12:03:44","date_gmt":"2006-03-15T15:03:44","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2006\/03\/a_ciencia_jovem_do_rio_de_jane\/"},"modified":"2006-03-15T12:03:44","modified_gmt":"2006-03-15T15:03:44","slug":"a_ciencia_jovem_do_rio_de_jane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2006\/03\/15\/a_ciencia_jovem_do_rio_de_jane\/","title":{"rendered":"A Ci\u00eancia Jovem do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>(carta publicada no Jornal da Ci\u00eancia e no <a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.jsp?id=35962\">JC e-mail<\/a> 2975, de 15 de Mar\u00e7o de 2006).<br \/>\n<strong>Da relatividade de Einstein \u00e0 estrutura do DNA de Watson e Crick, as mais brilhantes descobertas cient\u00edficas do s\u00e9culo XX foram realizadas por pesquisadores com menos de 40 anos de idade.<\/strong><br \/>\nNo Brasil, Carlos Chagas tinha apenas 31 anos quando descreveu a doen\u00e7a que recebeu seu nome. C\u00e9sar Lattes tinhas apenas 23 anos quando participou da descoberta do m\u00e9son pi, uma subpart\u00edcula do \u00e1tomo. Ainda antes dos 40, Rocha e Silva e Pacheco Le\u00e3o fizeram avan\u00e7os enormes, respectivamente, na farmacologia e neurobiologia.<br \/>\nOs fatos n\u00e3o s\u00e3o mera coincid\u00eancia, trata-se de uma das fases mais produtivas da carreira de um cientista. Apesar disso, ag\u00eancias de fomento possuem poucos programas que efetivamente ap\u00f3iam o pesquisador em in\u00edcio de carreira.<br \/>\nAtualmente, a Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Apoio \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) possui tr\u00eas programas voltados para jovens pesquisadores: o Aux\u00edlio Instala\u00e7\u00e3o, Primeiros Projetos e o Jovem Cientista do Nosso Estado.<br \/>\nEmbora iniciativas importantes e algumas in\u00e9ditas at\u00e9 ent\u00e3o no Brasil, esses programas apresentam financiamentos insuficientes, onde os repasses s\u00e3o excessivamente fracionados ou carecem de continuidade.<br \/>\nO &#8220;Aux\u00edlio Instala\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 destinado a jovens doutores j\u00e1 inseridos no mercado de trabalho e aptos a iniciar suas atividades em uma institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sediada no estado.<br \/>\nA proposta \u00e9 interessante, mas nos moldes atuais apresenta-se ineficiente, j\u00e1 que poucos cientistas est\u00e3o instalados at\u00e9 dois anos ap\u00f3s o t\u00e9rmino do doutoramento, como exige o edital.<br \/>\nNos \u00faltimos cinco anos, somente 90 pesquisadores receberam tal aux\u00edlio. Al\u00e9m disso, o valor oferecido (R$ 5.900,00) \u00e9 irris\u00f3rio frente \u00e0s necessidades de um pesquisador iniciando suas atividades profissionais.<br \/>\nUma forma alternativa de aplicar recursos de tal ordem seria a cria\u00e7\u00e3o de um &#8220;aux\u00edlio publica\u00e7\u00e3o&#8221;, atrav\u00e9s do qual o jovem pesquisador precisaria apresentar resultados antes de solicitar os recursos, que seriam aplicados em experimentos pontuais, necess\u00e1rios \u00e0 finaliza\u00e7\u00e3o de uma determinada publica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO programa &#8220;Primeiros Projetos&#8221; foi a proposta da nova Diretoria da Faperj para remediar a falta de apoio aos jovens pesquisadores. Entretanto, o edital apresentava crit\u00e9rios de elegibilidade muito amplos e n\u00e3o trazia defini\u00e7\u00e3o clara do que viriam a ser &#8220;primeiros projetos&#8221;. Com isso, cientistas j\u00e1 estabelecidos, detentores de linhas de pesquisa pr\u00f3prias e em andamento, foram tamb\u00e9m contemplados.<br \/>\nDos 1.135 candidatos, mais de 50% tinham idade superior a 40 anos. Apenas 1\/4 desses projetos (277) foram aprovados. Os valores m\u00e9dios de R$ 25.000,00, apesar de ainda baixos, estavam de acordo com a faixa de recursos oferecidos pelo CNPq em editais como o Universal. Entretanto, at\u00e9 o momento somente 3\/4 dos recursos foram repassados aos contemplados.<br \/>\nO programa &#8220;Cientista Jovem do Nosso Estado&#8221;, criado a partir da sugest\u00e3o de jovens pesquisadores da UFRJ, fornecia aux\u00edlio mensal destinado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios de pesquisa.<br \/>\nEsse programa, muito bem recebido pela comunidade cient\u00edfica, beneficiou em torno de 300 pesquisadores, todos com at\u00e9 40 anos de idade. Mas, infelizmente, n\u00e3o houve continuidade e somente dois editais foram lan\u00e7ados desde sua cria\u00e7\u00e3o em 2000.<br \/>\nA consolida\u00e7\u00e3o do estado como centro de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e desenvolvimento industrial \u00e9 apenas vi\u00e1vel na presen\u00e7a de uma s\u00f3lida malha de recursos humanos capacitados a gerenciar o conhecimento produzido.<br \/>\nPara isso, \u00e9 cr\u00edtico o investimento em pesquisa em \u00e1reas b\u00e1sicas e aplicadas na tentativa de dar suporte \u00e0s diversas linhas, intimamente associadas \u00e0 C&amp;T, que vem encontrando resson\u00e2ncia no estado como metalurgia, siderurgia, biotecnologia, f\u00e1rmacos, software, dentre outras.<br \/>\nJovens cientistas s\u00e3o fundamentais para atender a demanda crescente dessas \u00e1reas e para fortalecer a Ci\u00eancia e Tecnologia do estado frutificando em novos servi\u00e7os, produtos e empregos e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, melhorar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro.<br \/>\nA ci\u00eancia fluminense \u00e9 capaz de sobreviver a v\u00e1rios percal\u00e7os devido \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos 30 anos, de uma massa cr\u00edtica consistente. Entretanto, a falta constante de apoio ao jovem pesquisador pode impedir o crescimento e comprometer o investimento feito ao longo desses anos.<br \/>\n\u00c9 urgente uma reestrutura\u00e7\u00e3o dos programas de apoio a cientistas rec\u00e9m-estabelecidos, evitando-se a pulveriza\u00e7\u00e3o de recursos.<br \/>\nO novo Conselho Superior da Faperj acaba de tomar posse, formado por quatro representantes do governo estadual e apenas um representante das entidades de pesquisa.<br \/>\nA participa\u00e7\u00e3o de jovens pesquisadores no Conselho poderia incrementar a representa\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica na Faperj e contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de formas mais eficientes de apoio a pesquisadores em in\u00edcio de carreira, permitindo sua inser\u00e7\u00e3o definitiva na ci\u00eancia fluminense.<br \/>\nAssinam:<br \/>\nMauro Rebelo, Instituto de Biof\u00edsica Carlos Chagas Filho, UFRJ<br \/>\nStevens Rehen, Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas, UFRJ<br \/>\nMilton Moraes, IOC-Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz<br \/>\nMarcelo Einicker Lamas, Instituto de Biof\u00edsica Carlos Chagas Filho, UFRJ<br \/>\nJennifer Lowe, Instituto de Biof\u00edsica Carlos Chagas Filho, UFRJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(carta publicada no Jornal da Ci\u00eancia e no JC e-mail 2975, de 15 de Mar\u00e7o de 2006). 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